{"id":11634,"date":"2014-12-04T12:00:29","date_gmt":"2014-12-04T12:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11634"},"modified":"2014-12-04T10:55:48","modified_gmt":"2014-12-04T10:55:48","slug":"o-cerebro-guarda-para-sempre-os-sons-da-lingua-materna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-cerebro-guarda-para-sempre-os-sons-da-lingua-materna\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea sabia que o c\u00e9rebro guarda para sempre os sons da l\u00edngua materna?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lingua_materna.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11635\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/lingua_materna.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Na\u00edma Saleh<\/p>\n<p>Sua l\u00edngua materna deixa para sempre uma marca no seu c\u00e9rebro. Essa foi a conclus\u00e3o de uma pesquisa realizada no Canad\u00e1 e publicada no jornal cient\u00edfico <em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em> (PNAS), nos Estados Unidos. Pesquisadores analisaram um grupo composto por 49 meninas de 9 a 17 anos da regi\u00e3o de Montreal, no Canad\u00e1, onde o franc\u00eas \u00e9 a l\u00edngua oficial. O estudo mostrou que aquelas que nasceram na China e foram adotadas por fam\u00edlias canadenses quando tinham apenas 1 ano de idade ainda eram capazes de reconhecer fonemas do mandarim.<\/p>\n<p>As meninas foram divididas em tr\u00eas grupos. No primeiro estavam as franc\u00f3fonas, que jamais foram expostas ao idioma chin\u00eas. O segundo era de chinesas adotadas por fam\u00edlias canadenses, que s\u00f3 sabiam falar franc\u00eas, e o terceiro, de meninas chinesas bil\u00edngues, que dominavam ambas as l\u00ednguas. As garotas entraram em contato com fonemas t\u00edpicos do idioma chin\u00eas, e, por meio de um exame de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, os pesquisadores puderam examinar quais \u00e1reas do c\u00e9rebro foram ativadas por esses sons. Ent\u00e3o notaram que, mesmo que as meninas do segundo grupo, adotadas por fam\u00edlias canadenses, falassem apenas o franc\u00eas, seu c\u00e9rebro ainda era capaz de reconhecer o idioma materno.<\/p>\n<p>Para a fonoaudi\u00f3loga Bianca Queiroga, presidente com Conselho Federal de Fonoaudiologia, em Bras\u00edlia, esse fen\u00f4meno tem a ver com a neuroplasticidade, que determina a facilidade de adapta\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro da crian\u00e7a ao est\u00edmulo que ela recebe do ambiente. \u201cAt\u00e9 os 6 anos, per\u00edodo cr\u00edtico para o desenvolvimento, o c\u00e9rebro est\u00e1 mais male\u00e1vel a todos os est\u00edmulos. Isso explica por que essas crian\u00e7as guardaram o sons do mandarim mesmo sem serem expostas ao idioma\u201d. \u00c9 como se nos primeiros anos de vida o c\u00e9rebro fosse uma esponja, capaz de absorver tudo o que lhe \u00e9 apresentado. O resultado \u00e9 que elas adquirem um vasto repert\u00f3rio do mundo. Nesse caso, o conhecimento pode ser muito valioso para a aprendizagem do chin\u00eas e de novas l\u00ednguas.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\"><strong>Bil\u00edngue ou n\u00e3o: eis a quest\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>Muitas fam\u00edlias que passam pela experi\u00eancia de se mudar para outros pa\u00edses temem que os filhos comecem a confundir a l\u00edngua materna com o novo idioma e, no final das contas, n\u00e3o falem nenhum dos dois direito. Mas, na maioria dos casos, quando a crian\u00e7a tem um desenvolvimento normal, Bianca garante que n\u00e3o h\u00e1 com o que se preocupar: \u201cOs pais n\u00e3o devem ter medo que as crian\u00e7as fa\u00e7am confus\u00e3o, porque elas v\u00e3o aprendendo naturalmente as duas l\u00ednguas. A aprendizagem bil\u00edngue, ali\u00e1s, traz uma enorme vantagem: faz com que a crian\u00e7a domine ambos os idiomas como falante nativo\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente isso o que acontece na casa de Camila Bauhain, 32 anos, empres\u00e1ria. Ela \u00e9 casada com um franc\u00eas, mas mora aqui no Brasil com os filhos Vivi, de 4 anos e meio, e Th\u00e9o, de 2. Na Fran\u00e7a, Camila s\u00f3 falava em portugu\u00eas com as crian\u00e7as quando eles estavam em casa. Mas hoje que vivem por aqui \u00e9 o contr\u00e1rio: em fam\u00edlia, o idioma oficial \u00e9 o franc\u00eas. \u201cFiquei preocupada no come\u00e7o, mas perguntei \u00e0 pediatra e \u00e0 psic\u00f3loga e elas me explicaram que n\u00e3o teria problemas, porque, at\u00e9 os 5 anos, as crian\u00e7as pensam que os dois idiomas s\u00e3o um s\u00f3\u201d, conta.\u00a0 Vivi logo vai come\u00e7ar a ser alfabetizada e Camila parece tranquila: \u201cAinda n\u00e3o sabemos como vai ser, mas trazemos de nossas viagens muitos livrinhos em franc\u00eas\u00a0 e meu marido vai poder ajud\u00e1-la.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 claro que \u00e9 poss\u00edvel aprender uma segunda, terceira ou at\u00e9 quarta l\u00edngua em qualquer idade, j\u00e1 que o c\u00e9rebro sempre ter\u00e1 a capacidade de se adaptar. No entanto, se a aprendizagem n\u00e3o for bil\u00edngue, esses novos idiomas ser\u00e3o falados com menos destreza do que a l\u00edngua materna. Prova disso s\u00e3o as pessoas que vivem em outros pa\u00edses h\u00e1 anos e n\u00e3o s\u00e3o capazes de falar como os nativos, apesar de serem fluentes. Sempre tem um sotaque, uma express\u00e3o, uma constru\u00e7\u00e3o de frase que acaba denunciando que aquele n\u00e3o \u00e9 o primeiro idioma aprendido.<\/p>\n<p>Por esse motivo, muitos pais que querem estimular a aprendizagem\u00a0 de um segundo idioma fazem quest\u00e3o de que os filhos estudem em col\u00e9gios bil\u00edngues. Por\u00e9m, Bianca faz um alerta: \u201cSer bil\u00edngue n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico aspecto que deve determinar a escolha da escola. \u00c9 preciso considerar a proposta pedag\u00f3gica e a abordagem da escola, para garantir que a crian\u00e7a aprenda esse novo idioma de forma natural.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Na\u00edma Saleh Sua l\u00edngua materna deixa para sempre uma marca no seu c\u00e9rebro. 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