{"id":11608,"date":"2014-12-03T20:00:02","date_gmt":"2014-12-03T20:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11608"},"modified":"2014-12-03T11:18:10","modified_gmt":"2014-12-03T11:18:10","slug":"cientistas-divulgam-levantamento-sobre-a-diversidade-de-especies-de-fungos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-divulgam-levantamento-sobre-a-diversidade-de-especies-de-fungos\/","title":{"rendered":"Cientistas divulgam levantamento sobre a diversidade de esp\u00e9cies de fungos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/fungos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11609\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/fungos.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Voc\u00ea nem sempre os v\u00ea. Mas eles \u2013 os fungos \u2013 s\u00e3o fundamentais para o equil\u00edbrio dos ecossistemas. Muito se sabe sobre a diversidade de plantas e animais ao redor do mundo. O mesmo, por\u00e9m, n\u00e3o pode ser dito acerca dos incont\u00e1veis seres do reino Fungi.<\/p>\n<p>Agora uma equipe liderada pelo bi\u00f3logo Leho Tedersoo, da Universidade de Tartu, na Est\u00f4nia, acaba de publicar na <em>Science<\/em> o <span class=\"link-external\">mais completo levantamento<\/span> j\u00e1 realizado sobre a diversidade de fungos presentes no solo em n\u00edvel global.<\/p>\n<p>Foram coletadas amostras de solo em ecossistemas naturais distribu\u00eddos em todos os continentes \u2013 exceto na Ant\u00e1rtica. Ap\u00f3s an\u00e1lises gen\u00e9ticas e um rebuscado trabalho estat\u00edstico, os pesquisadores conseguiram definir os principais fatores biogeogr\u00e1ficos que condicionam os padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies do reino Fungi ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Cientistas sempre imaginaram que a distribui\u00e7\u00e3o espacial da diversidade dos fungos dependesse da distribui\u00e7\u00e3o das plantas. Mas parece n\u00e3o ser esse o caso \u2013 e tal ideia, que era aceita sem grandes ressalvas pela comunidade cient\u00edfica, parece estar agora sob revis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNa escala planet\u00e1ria, a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual \u00e9 o fator mais importante a condicionar a biodiversidade de fungos\u201d, escrevem os autores. \u201cPropriedades do solo, notadamente o pH e a concentra\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio, tamb\u00e9m exercem importante efeito positivo.\u201d<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" style=\"cursor: pointer;\" title=\"Fungos no planeta\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2014\/11\/imagens\/mapadosfungos02.jpg\/image_preview\" alt=\"Fungos no planeta\" width=\"400\" height=\"320\" \/><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\" style=\"width: 400px;\">An\u00e1lise de amostras de solo de ecossistemas naturais de todos os continentes (exceto da Ant\u00e1rtica) mostra que a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos fungos n\u00e3o depende da distribui\u00e7\u00e3o das plantas. (imagem: Siiri J\u00fcris ja Leho Tedersoo\/ divulga\u00e7\u00e3o)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os fungos est\u00e3o em todos os ecossistemas terrestres, mas a distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, filos e grupos funcionais tem sido muito pouco documentada. \u201cEsse trabalho, portanto, representa uma contribui\u00e7\u00e3o in\u00e9dita para a compreens\u00e3o da diversidade de fungos de solo no mundo todo\u201d, comenta o bi\u00f3logo Ricardo Braga-Neto, do Departamento de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo Braga-Neto, que n\u00e3o est\u00e1 vinculado ao estudo, essa \u00e9 a maior compila\u00e7\u00e3o de dados sobre o assunto j\u00e1 realizada at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<h3>Nova micologia<\/h3>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, o surgimento e avan\u00e7o das t\u00e9cnicas de sequenciamento molecular aumentaram muito a capacidade dos cientistas para gerar sequ\u00eancias gen\u00e9ticas que podem ser usadas na identifica\u00e7\u00e3o dos fungos\u201d, destaca Braga-Neto. \u201c\u00c9 um grande passo para a micologia.\u201d<\/p>\n<p>Explica-se: por muito tempo, a identifica\u00e7\u00e3o de fungos dependia quase exclusivamente da coleta de cogumelos nas expedi\u00e7\u00f5es de campo empreendidas pelos pesquisadores (lembrando: o cogumelo \u00e9 a parte reprodutiva do fungo; enquanto o mic\u00e9lio \u00e9 sua parte vegetativa, que pode ser vis\u00edvel ou n\u00e3o). Mas os cogumelos nem sempre eram encontrados nos levantamentos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 muitas esp\u00e9cies de fungo que n\u00e3o produzem essa estrutura.<\/p>\n<p>\u201cEssa limita\u00e7\u00e3o influencia muito a capacidade de determinar a ocorr\u00eancia de esp\u00e9cies em um local em um dado momento; e, portanto, influencia a capacidade de determinar o n\u00famero total de esp\u00e9cies que ocorrem em uma \u00e1rea\u201d, explica Braga-Neto. Isso significa que os levantamentos tradicionais baseados nos cogumelos poderiam ser bastante imprecisos.<\/p>\n<p>Mas as tecnologias de an\u00e1lise e sequenciamento gen\u00e9tico tornaram poss\u00edvel analisar em detalhe as amostras ambientais \u2013 como amostras de solo, nesse caso. Agora \u00e9 poss\u00edvel averiguar se, em um pequeno peda\u00e7o de ch\u00e3o, existe certo tipo de fungo a partir da presen\u00e7a de seu mic\u00e9lio, que pode estar at\u00e9 invis\u00edvel a olho nu. Logo, a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies tem se tornado cada vez mais acurada.<\/p>\n<h3>Fungos tropicais<\/h3>\n<p>Os levantamentos caminham a todo vapor. \u201cMas a car\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre diversidade de fungos em pa\u00edses tropicais ainda \u00e9 muito grande\u201d, lembra o bi\u00f3logo da UFPE. \u201cIsso dificulta elaborarmos uma estimativa mais abrangente sobre a diversidade de fungos no planeta\u201d, ressalva.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" style=\"cursor: pointer;\" title=\"Coleta de solo\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2014\/11\/imagens\/mapadosfungos03.jpg\/image_preview\" alt=\"Coleta de solo\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\" style=\"width: 400px;\">Equipe coleta amostra de solo no Panam\u00e1. (foto: Miguel Rosas\/ divulga\u00e7\u00e3o)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele d\u00e1 um exemplo: na Amaz\u00f4nia brasileira, durante o final da d\u00e9cada de 1970 e in\u00edcio dos anos 1980, o mic\u00f3logo Rolf Singer coletou muitos fungos de solo. \u201cMas esses dados n\u00e3o foram inclu\u00eddos no estudo [de Tedersoo] porque n\u00e3o existem sequ\u00eancias gen\u00e9ticas publicadas dessas esp\u00e9cies.\u201d Parte do material j\u00e1 est\u00e1 degradada e o resto ainda n\u00e3o foi sequenciado.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que novos avan\u00e7os j\u00e1 est\u00e3o na agenda: \u201cNos pr\u00f3ximos anos, ser\u00e1 desenvolvido na Amaz\u00f4nia um grande projeto com o objetivo de coletar fungos em larga escala\u201d, adianta Braga-Neto. Ele afirma que, futuramente, ser\u00e1 poss\u00edvel integrar esses novos dados \u00e0s an\u00e1lises feitas no artigo \u2013 ampliando assim a abrang\u00eancia das conclus\u00f5es.<\/p>\n<h3>A import\u00e2ncia dos fungos<\/h3>\n<p>S\u00e3o complexas as fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas do <span class=\"link-external\">reino Fungi<\/span>. Esses organismos desempenham fun\u00e7\u00f5es em muitas etapas da cadeia alimentar e podem atuar nos ecossistemas terrestres como simbiontes (em uma rela\u00e7\u00e3o mutuamente vantajosa com outro ser) ou parasitas, por exemplo.<\/p>\n<p>Os fungos t\u00eam ainda importante papel na forma\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica dos solos. Assim como as bact\u00e9rias, eles atuam como seres decompositores na natureza: reciclam res\u00edduos principalmente de plantas, absorvendo parte dos nutrientes e mantendo o equil\u00edbrio da din\u00e2mica natural dos locais onde ocorrem. A decomposi\u00e7\u00e3o promovida por eles libera di\u00f3xido de carbono na atmosfera; e reintegra ao solo compostos nitrogenados, que ser\u00e3o absorvidos por plantas e, eventualmente, animais.<\/p>\n<p>Muito, por\u00e9m, ainda \u00e9 desconhecido sobre esses misteriosos seres. O artigo de Tedersoo ressalta o quanto ainda temos a aprender sobre os fungos e sobre o papel desempenhado por esses organismos nos diferentes ecossistemas. Mais de 100 mil esp\u00e9cies j\u00e1 foram descritas. Mas acredita-se que existam muitos milh\u00f5es de outras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea nem sempre os v\u00ea. 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