{"id":11532,"date":"2014-12-02T15:15:48","date_gmt":"2014-12-02T15:15:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11532"},"modified":"2014-12-02T15:15:48","modified_gmt":"2014-12-02T15:15:48","slug":"queda-na-taxa-de-desmatamento-na-amazonia-pode-ser-considerada-uma-boa-noticia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/queda-na-taxa-de-desmatamento-na-amazonia-pode-ser-considerada-uma-boa-noticia\/","title":{"rendered":"Queda na Taxa de Desmatamento na Amaz\u00f4nia pode ser considerada uma boa not\u00edcia?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11533\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Bruno Toledo, do Observat\u00f3rio do Clima<\/p>\n<p>Taxa de desmatamento amaz\u00f4nico caiu quase 18% entre agosto de 2013 e julho de 2014. No entanto, redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu compensar aumento no per\u00edodo anterior (29% em rela\u00e7\u00e3o a 2012) e ind\u00edcios apontam para acelera\u00e7\u00e3o do desmatamento nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta (26\/11), o governo federal anunciou os dados do Programa de Monitoramento da Amaz\u00f4nia por Sat\u00e9lites (PRODES) para o per\u00edodo de agosto de 2013 a julho de 2014. A despeito da grande expectativa de que a taxa de desmatamento amaz\u00f4nico continuasse em alta \u2013 conforme apontado pelos dados divulgados anteriormente do Sistema de Detec\u00e7\u00e3o de Desmatamento em Tempo Real (DETER), do INPE, e do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), do Imazon \u2013 a not\u00edcia foi uma surpresa positiva: de acordo com o PRODES, o desmatamento da Amaz\u00f4nia caiu 17,7% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo entre 2012 e 2013.<\/p>\n<p>De acordo com o PRODES, foram desmatados 4.848 km\u00b2 entre agosto de 2013 e julho de 2014, contra 5.891 km\u00b2 no mesmo per\u00edodo anterior. Esta \u00e9 a segunda menor taxa hist\u00f3rica de desmatamento, acima apenas daquela alcan\u00e7ada entre 2011 e 2012. Qualquer avan\u00e7o na luta contra o desmatamento \u00e9 louv\u00e1vel. No entanto, a boa not\u00edcia do governo precisa ser tomada com uma boa dose de cautela e, principalmente, com um olhar sobre o que ocorre na Amaz\u00f4nia neste exato momento.<\/p>\n<p>Primeiro, a redu\u00e7\u00e3o recente no desmatamento n\u00e3o conseguiu compensar o aumento de 29% na taxa de desmatamento entre 2012 e 2013. Continuamos bem acima da menor taxa hist\u00f3rica de desmatamento, obtida entre 2011 e 2012 (4,571 km\u00b2). E perder quase 5 mil km2 de florestas s\u00f3 na Amaz\u00f4nia n\u00e3o deve ser motivo de j\u00fabilo para qualquer governo.<\/p>\n<p>Segundo, as informa\u00e7\u00f5es sobre desmatamento do DETER referentes a agosto, setembro e outubro passados continuam desconhecidas. Isso causou bastante alvoro\u00e7o durante a campanha eleitoral passada, o que levou a ent\u00e3o candidata \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, presidente Dilma Rousseff, a antecipar, ainda que em linhas gerais, os resultados do PRODES. Sem os dados do DETER, ferramenta fundamental para diagn\u00f3stico r\u00e1pido de zonas desmatadas, n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es oficiais sobre desmatamento a partir de agosto passado, n\u00e3o contidos nas \u00faltimas an\u00e1lises do PRODES.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o Imazon, atrav\u00e9s de seu Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) j\u00e1 mostrou que temos motivo para preocupa\u00e7\u00e3o atual: o desmatamento teria aumentado 226% no per\u00edodo agosto-outubro de 2014 em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado. Os dados do SAD relativos \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o florestal apontam para outra explos\u00e3o no m\u00eas passado, com um crescimento de 1.070% sobre o mesmo m\u00eas em 2013.<\/p>\n<p>O jornal Folha de S\u00e3o Paulo divulgou no \u00faltimo dia 08 que o desmatamento na Amaz\u00f4nia disparou nos meses que antecederam as elei\u00e7\u00f5es: 1.626 km\u00b2 de floresta destru\u00edda, crescimento de 122% com rela\u00e7\u00e3o a agosto e setembro de 2013.<\/p>\n<p>Na semana passada, o Observat\u00f3rio do Clima divulgou os dados de seu Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), e que apontou um aumento de 7,8% das emiss\u00f5es totais de gases de efeito estufa do Brasil em 2013, em rela\u00e7\u00e3o a 2012, o que foi muito influenciado pelas emiss\u00f5es associadas \u00e0 mudan\u00e7a de uso da terra (que engloba desmatamento), que aumentaram 16,4% em 2013 com rela\u00e7\u00e3o a 2012, reflexo do aumento do desmatamento apontado pelo PRODES entre 2012 e 2013.<\/p>\n<p>Ou seja, a boa not\u00edcia \u2013 redu\u00e7\u00e3o de quase 18% no desmatamento amaz\u00f4nico entre 2013 e 2014 \u2013 j\u00e1 pode estar datada. De acordo com esses dados alternativos, podemos estar vivenciando mais uma esta\u00e7\u00e3o destrutiva de desmatamento na Amaz\u00f4nia, que pode nos conduzir para um aumento na taxa no pr\u00f3ximo ano e nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa decorrentes da destrui\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>Isso nos leva a um ponto mais fundamental nessa discuss\u00e3o: como comemorar a destrui\u00e7\u00e3o de \u201capenas\u201d 4.848 km\u00b2 de floresta nativa? Um ponto que o OC e outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil tentaram levantar nas discuss\u00f5es eleitorais desse ano era a necessidade de pensarmos n\u00e3o apenas em reduzir o desmatamento, mas em zer\u00e1-lo efetivamente. Essa n\u00e3o \u00e9 uma pauta irreal: at\u00e9 2013, mais de 758 mil km\u00b2 de floresta, cerca de 20% do bioma Amaz\u00f4nia, foram devastados. Qual \u00e9 o limite \u201ctoler\u00e1vel\u201d para destruir a maior floresta tropical do planeta?<\/p>\n<p>No caso da Amaz\u00f4nia, reduzir danos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais suficiente: como aponta estudo recente de Antonio Donato Nobre, a destrui\u00e7\u00e3o definitiva da floresta pode ter consequ\u00eancias ser\u00edssimas para a Am\u00e9rica do Sul, particularmente o interior e o Sudeste brasileiros. Uma dessas consequ\u00eancias \u00e9 a instabilidade nos regimes de chuva nessas regi\u00f5es, algo que j\u00e1 est\u00e1 sendo vivido pelos paulistas nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Observando as taxas recentes de desmatamento, podemos concluir que atingimos um teto: sem vontade pol\u00edtica, sem priorizar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a valoriza\u00e7\u00e3o em definitivo da floresta em p\u00e9, dificilmente conseguiremos maiores redu\u00e7\u00f5es das taxas de desmatamento. Para proteger, de fato, a floresta, precisamos de novos instrumentos de pol\u00edtica p\u00fablica, de um olhar estrat\u00e9gico sobre a floresta e de uma nova meta \u2013 o desmatamento zero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Toledo, do Observat\u00f3rio do Clima Taxa de desmatamento amaz\u00f4nico caiu quase 18% entre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11533,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/queda_desmatamento_surpresa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Bruno Toledo, do Observat\u00f3rio do Clima Taxa de desmatamento amaz\u00f4nico caiu quase 18% entre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11532\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}