{"id":11507,"date":"2014-12-01T15:00:35","date_gmt":"2014-12-01T15:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11507"},"modified":"2014-12-01T13:10:41","modified_gmt":"2014-12-01T13:10:41","slug":"desmatamento-menor-favorece-adocao-de-posicao-mais-afirmativa-do-brasil-nas-negociacoes-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desmatamento-menor-favorece-adocao-de-posicao-mais-afirmativa-do-brasil-nas-negociacoes-climaticas\/","title":{"rendered":"Desmatamento menor favorece ado\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o mais afirmativa do Brasil nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-4634\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por M\u00e1rcio Santilli*<\/strong><\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de uma redu\u00e7\u00e3o de 18% na taxa de desmatamento na Amaz\u00f4nia contesta a expectativa de que poderia ter ocorrido uma nova alta, ap\u00f3s os 29% de aumento apurados entre 2012 e 2013. O Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amaz\u00f4nia por Sat\u00e9lite (Prodes) registrou a derrubada de 4.884 quil\u00f4metros quadrados de florestas, entre agosto de 2013 e julho de 2014. No per\u00edodo anterior, entre agosto de 2012 a julho de 2013, haviam sido desmatados 5.891 quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>O Prodes \u00e9 o sistema mais adequado para estimar os \u00edndices anuais e a extens\u00e3o provavelmente desmatada. Neste ano, seu resultado foi bem melhor do que o projetado pelo Sistema de Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que indicava a possibilidade de um aumento de 9% na compara\u00e7\u00e3o com as ocorr\u00eancias registradas no mesmo per\u00edodo. O Prodes calcula a taxa oficial do desmatamento na Amaz\u00f4nia e ainda far\u00e1, at\u00e9 meados do pr\u00f3ximo ano, uma revis\u00e3o minuciosa dos dados para confirmar, em definitivo, a redu\u00e7\u00e3o agora divulgada. O Deter tem resolu\u00e7\u00e3o menor, produz informa\u00e7\u00f5es mensalmente e serve para orientar a fiscaliza\u00e7\u00e3o em campo.<\/p>\n<p>Ainda ser\u00e1 preciso verificar o que significam os dados do Deter, tamb\u00e9m divulgados pelo Inpe h\u00e1 uma semana, apontando um aumento de 122% no desmatamento detectado entre agosto e setembro de 2014, em compara\u00e7\u00e3o com os mesmos meses de 2013. Este aumento s\u00f3 se refletir\u00e1 na pr\u00f3xima taxa anual (agosto de 2014 a julho de 2015) a ser apurada pelo Prodes.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o se possa comemorar a supress\u00e3o de floresta amaz\u00f4nica registrada agora, a redu\u00e7\u00e3o de 18% \u00e9 um grande al\u00edvio por n\u00e3o confirmar uma tend\u00eancia cont\u00ednua de aumento das emiss\u00f5es brasileiras de gases estufa decorrentes do desmatamento, como vem ocorrendo com as emiss\u00f5es decorrentes da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Dada a grande participa\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es florestais na composi\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es brasileiras, o aumento de 7,8% nas emiss\u00f5es totais do pa\u00eds em 2013, divulgado pelo Observat\u00f3rio do Clima na semana passada, tamb\u00e9m poder\u00e1 arrefecer em 2014 (<a href=\"http:\/\/www.oc.org.br\/index.php\/page\/121-Dados-de-emiss%25C3%25B5es-brasileiras-estimados-pelo-OC-revelam-crescimento-em-todos-os-setores%250A\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>saiba mais<\/strong><\/span><\/span><\/a>).<\/p>\n<p>Mesmo que os recentes dados negativos do Deter corroborem uma nova oscila\u00e7\u00e3o \u2013 agora para cima \u2013 das emiss\u00f5es florestais, vai ficando ainda mais claro que o pa\u00eds pode e deve aprofundar as medidas de combate ao desmatamento em todo territ\u00f3rio nacional, o que ser\u00e1 essencial para poder definir e implementar uma estrat\u00e9gia de maior f\u00f4lego para reverter o expressivo aumento das emiss\u00f5es por queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis fomentado pelo uso intensivo de usinas termoel\u00e9tricas e pelo aumento da frota de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Vem em boa hora a indica\u00e7\u00e3o de que o desmatamento oscila, mas sem descrever uma tend\u00eancia cont\u00ednua de alta e sem ensejar um descontrole total das emiss\u00f5es brasileiras, pois se aproximam os momentos decisivos das negocia\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da ONU para se chegar, at\u00e9 o final de 2015, a um acordo internacional para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es globais de gases estufa.<\/p>\n<p>O Brasil, que j\u00e1 foi um protagonista importante nessas negocia\u00e7\u00f5es em 2009, ao assumir uma meta de redu\u00e7\u00e3o de 36% e 39% das suas emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis projetados para 2020, vem adotando uma discreta postura defensiva no est\u00e1gio atual, quando se avalia serem muito melhores, agora, as chances de se alcan\u00e7ar um acordo. Se o recuo for devido ao temor do Itamarati de que uma tend\u00eancia de alta cont\u00ednua das emiss\u00f5es possa inviabilizar o cumprimento de metas de redu\u00e7\u00e3o, o an\u00fancio dos dados do Prodes deveria tranquilizar, pois rep\u00f5e o Brasil na dire\u00e7\u00e3o do cumprimento da meta j\u00e1 assumida para 2020 e em condi\u00e7\u00f5es de aprofundar esse compromisso para a d\u00e9cada seguinte no \u00e2mbito daquelas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A boa nova trazida pelo Inpe tamb\u00e9m ocorre de forma concomitante ao an\u00fancio de um acordo entre os EUA e a China, pelo qual os primeiros se comprometem a aumentar para 28%, em 2025, a redu\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es de 17% anteriormente assumida para 2020, enquanto a China aumentar\u00e1 ainda mais os investimentos em energias limpas e iniciar\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o total das suas emiss\u00f5es, no mais tardar, em 2030. No mesmo rumo, a Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m aumentou a sua aposta, assumindo a meta de 40% de redu\u00e7\u00e3o das suas emiss\u00f5es at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>O agravamento das condi\u00e7\u00f5es do clima em todo o mundo tamb\u00e9m ocorre no Brasil. Da enchente in\u00e9dita no Rio Madeira, afetando duramente as popula\u00e7\u00f5es do Acre, Rond\u00f4nia e do sul do Amazonas, \u00e0 seca aguda que amea\u00e7a S\u00e3o Paulo e outras regi\u00f5es do sudeste, os sinais est\u00e3o por todos os lados nos mostrando que n\u00e3o estamos fora do mundo e que j\u00e1 estamos pagando um pre\u00e7o incalcul\u00e1vel pela mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n<p>Como se as melhores condi\u00e7\u00f5es em que ocorrem as negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o bastassem, \u00e9 o povo brasileiro que precisa de uma posi\u00e7\u00e3o mais afirmativa da nossa diplomacia para que o enfrentamento \u00e0 mudan\u00e7a do clima se fa\u00e7a com mais urg\u00eancia e consequ\u00eancia. A diplomacia n\u00e3o deve ficar ref\u00e9m do receio que outras \u00e1reas do governo, respons\u00e1veis pelo controle do desmatamento, n\u00e3o sejam capazes de fazer a sua parte para honrar compromissos que venham a ser internacionalmente assumidos. A gravidade da situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica exigir\u00e1 que a sociedade aprenda a expressar, ainda que de forma dram\u00e1tica, os seus anseios e necessidades a respeito dela diante de qualquer governo.<\/p>\n<p>Recorrendo, evidentemente, aos melhores subs\u00eddios t\u00e9cnicos e cient\u00edficos, o Brasil precisa assumir uma meta clara para reduzir as suas emiss\u00f5es nos anos seguintes a 2020, al\u00e9m de reclamar o devido reconhecimento internacional de redu\u00e7\u00f5es efetivadas entre 2006 e 2012 que, apesar das oscila\u00e7\u00f5es mais recentes, sustentam o cumprimento da meta j\u00e1 adotada.<\/p>\n<p><strong>*\u00a0M\u00e1rcio Santilli \u00e9 fil\u00f3sofo e socio-fundador do Instituto Socioambiental<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por M\u00e1rcio Santilli* A divulga\u00e7\u00e3o pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de uma redu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/desmatamento.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por M\u00e1rcio Santilli* A divulga\u00e7\u00e3o pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de uma redu\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11507"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}