{"id":11496,"date":"2014-12-01T12:30:12","date_gmt":"2014-12-01T12:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11496"},"modified":"2014-12-01T12:30:12","modified_gmt":"2014-12-01T12:30:12","slug":"quando-a-caatinga-vira-mina-de-uranio-artigo-de-norbert-suchanek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quando-a-caatinga-vira-mina-de-uranio-artigo-de-norbert-suchanek\/","title":{"rendered":"Quando a Caatinga vira mina de Ur\u00e2nio, artigo de Norbert Suchanek"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11497\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O min\u00e9rio ur\u00e2nio \u00e9 radioativo e altamente t\u00f3xico e o Brasil est\u00e1 no caminho de ter a sua terceira mina de ur\u00e2nio, em 2015. Este \u201cProjeto Santa Quit\u00e9ria\u201d localizado um pouco mais de 210 quil\u00f4metros de Fortaleza, no meio da Caatinga do Sert\u00e3o Central do Cear\u00e1, tem dimens\u00f5es gigantescas. O cons\u00f3rcio INB (Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil) e Grupo Galvani quer explorar a jazida da Fazenda Itataia, no Munic\u00edpio de Santa Quit\u00e9ria, e criar a maior mina de ur\u00e2nio do Brasil para abastecer as usinas nucleares.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o produzidos por ano 1.600 toneladas de ur\u00e2nio (Yellow Cake \/ U3O8), quatro vezes mais do que a mina Lagoa Real\/Caetit\u00e9, na Bahia, est\u00e1 produzindo atualmente. E cinco vezes mais do que a primeira mina de ur\u00e2nio, a mina Osamu Utsumi em Po\u00e7os de Caldas, Minas Gerais, estava produzindo anualmente entre 1982 e 1995. Al\u00e9m do Yellow Cake, o Projeto Santa Quit\u00e9ria vai produzir em torno de 1,5 milh\u00e3o de toneladas de fosfato. A jazida Itataia \u00e9 de natureza f\u00f3sforo-uran\u00edfera, isso significa que o ur\u00e2nio est\u00e1 associado ao fosfato, que tem a sua utiliza\u00e7\u00e3o como fertilizante qu\u00edmico nas lavouras do agrobusiness, especialmente nas planta\u00e7\u00f5es de soja. O \u201cProjeto Santa Quit\u00e9ria\u201c junta os interesses do agrobusiness com a ind\u00fastria nuclear que depende do ur\u00e2nio como combust\u00edvel. Esta nova alian\u00e7a n\u00e3o diminui o risco para o meio ambiente e a sa\u00fade humana. Mas a mina de ur\u00e2nio-fosfato \u00e9 anunciada como um projeto de desenvolvimento que ir\u00e1 gerar cerca de mil postos de trabalhos diretos e dois mil indiretos \u2013 sem riscos.<\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio INB\/Galvani trabalha duro para combater qualquer cr\u00edtica. Do Governador do Cear\u00e1 at\u00e9 o Prefeito de Santa Quit\u00e9ria e o seu secret\u00e1rio de Meio Ambiente: Todo mundo est\u00e1 a favor deste desenvolvimento at\u00f4mico. E para convencer os moradores da regi\u00e3o, foram realizados no final de novembro de 2014, tr\u00eas audi\u00eancias p\u00fablicas pelo Ibama em Santa Quit\u00e9ria, Itatira e Lagoa do Mato, na regi\u00e3o do Sert\u00e3o Central do Cear\u00e1, nos dias 20, 21 e 22 de novembro. Em cada audi\u00eancia o p\u00fablico foi informado pelos representantes do Ibama, da Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (Cnen), do Cons\u00f3rcio Santa Quit\u00e9ria (INB\/Galvani) e a empresa contratada de engenharia Arcadis Logos de S\u00e3o Paulo que faz estudos ambientais (EIA\/RIMA) e trabalha com qualquer projeto industrial e de infra-estrutura: de hidroel\u00e9tricas \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>Em meio ao p\u00fablico presente, tamb\u00e9m tiveram cr\u00edticos do projeto, os membros da Articula\u00e7\u00e3o Antinuclear do Cear\u00e1 (AAN) formada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), N\u00facleo Trabalho, Meio Ambiente e Sa\u00fade para a Sustentabilidade da Universidade Federal do Cear\u00e1 (TRAMAS\/UFC) e C\u00e1ritas Diocesana de Sobral. E o CPT relata que na apresenta\u00e7\u00e3o do Projeto Santa Quit\u00e9ria estiveram totalmente ausentes os graves impactos negativos. CPT: \u201cIsso demonstra a falta de responsabilidade por parte dos empreendedores com o futuro da regi\u00e3o e at\u00e9 mesmo a omiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es importantes sobre o projeto.\u201d<\/p>\n<p>Estes cr\u00edticos do Projeto Santa Quit\u00e9ria se baseiam na \u201cNota de Posicionamento P\u00fablico sobre o Licenciamento Ambiental do Projeto de Minera\u00e7\u00e3o e Beneficiamento de Ur\u00e2nio e Fosfato\u201d do N\u00facleo Trabalho, Meio Ambiente e Sa\u00fade (TRAMAS), da Universidade Federal do Cear\u00e1. Este n\u00facleo de pesquisadores constata uma s\u00e9rie de irregularidades no Estudo de Impacto Ambiental apresentado, entre elas, a aus\u00eancia de licenciamento nuclear, de informa\u00e7\u00f5es sobre a contamina\u00e7\u00e3o radioativa no processo de minera\u00e7\u00e3o, de planos de seguran\u00e7a em casos de acidente e normas de prote\u00e7\u00e3o aos direitos e \u00e0 sa\u00fade dos trabalhadores e das comunidades da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o \u00e9 que o EIA\/RIMA est\u00e1 bem feito ou mal feito. Porque n\u00e3o existe minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio sem danos ambientais e sem riscos para a sa\u00fade. Quando voc\u00ea quer um omelete voc\u00ea precisa quebrar o ovo. E depois da minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel recuperar o ovo. Isto j\u00e1 foi provado em v\u00e1rios pa\u00edses com minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio como Alemanha, Portugal, Canad\u00e1, EUA ou Nam\u00edbia e \u00cdndia. N\u00e3o falta experi\u00eancias nem pesquisas.<\/p>\n<p>Sustentabilidade n\u00e3o combina com minera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Na Alemanha Oriental existiu a terceira maior mina de ur\u00e2nio do planeta para abastecer as bombas at\u00f4micas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Com a Reunifica\u00e7\u00e3o, a nova Alemanha fechou a mina na hora e gastou quase 15 bilh\u00f5es de reais para tentar limpar os rejeitos t\u00f3xicos e radioativos desta minera\u00e7\u00e3o. Um processo que at\u00e9 hoje ainda n\u00e3o chegou ao fim. O Governo da Alemanha fechou a mina Wismut n\u00e3o porque n\u00e3o teve mais ur\u00e2nio para explorar, a mina foi fechada por causa de danos ambientais e na sa\u00fade dos mineiros e da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. O Brasil fechou a primeira mina de ur\u00e2nio em Po\u00e7os de Caldas, em 1995, e at\u00e9 hoje os rejeitos da mina representam um perigo para a regi\u00e3o e os recursos h\u00eddricos. O tratamento \u2013 a palavra t\u00e9cnica \u00e9 descomissionamento -, como foi feito na Alemanha, ainda n\u00e3o come\u00e7ou em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Em Portugal, onde come\u00e7ou j\u00e1 em 1908 a minera\u00e7\u00e3o de minerais radioativos, tamb\u00e9m n\u00e3o faz mais minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio. A \u00faltima mina fechou defenitivamente em 2001 e est\u00e1 agora \u2013 com muito dinheiro da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia \u2013 na fase de descomissionamento. Ou seja, na fase de limpar e segurar as milhares de toneladas de rejeitos radioativos e t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Quando no come\u00e7o do s\u00e9culo 21 v\u00e1rias empresas mineradoras mostraram interesse na explora\u00e7\u00e3o da \u00faltima jazida de ur\u00e2nio n\u00e3o explorada em Portugal, perto da vila de Nisa no Alto Alentejo, a popula\u00e7\u00e3o e a prefeitura de Nisa votaram n\u00e3o: \u201cUr\u00e2nio em Nisa N\u00e3o!\u201d Nisa \u00e9 uma regi\u00e3o como Santa Quit\u00e9ria, com uma produ\u00e7\u00e3o tradicional de gado, cabras e ovelhas, queijo e de pequenos produtores de outros alimentos. A decis\u00e3o de Nisa para uma economia sustent\u00e1vel baseada na produ\u00e7\u00e3o de alimentos n\u00e3o industrializados foi clara: Alimentos saud\u00e1veis sim, minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio n\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente no Canad\u00e1, a na\u00e7\u00e3o Cree do Quebec est\u00e1 lutando para proibir a minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio. O Estado Quebec j\u00e1 tem uma morat\u00f3ria contra ur\u00e2nio por um tempo. Mas os Cree querem que esta morat\u00f3ria seja prolongada indeterminadamente. Os Crees conhecem os riscos e os danos ambientais da minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio de outros estados do Canad\u00e1 e eles n\u00e3o querem ver isso se repetindo em sua terra. Para enforcar esta demanda, jovens dos James Bay Cree est\u00e3o agora no forte inverno do Canad\u00e1 numa marcha de 800 quil\u00f4metros de seu territ\u00f3rio no norte de Quebec at\u00e9 Montreal. \u201cN\u00f3s queremos um territ\u00f3rio sem explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio\u201d, confirma o jovem Grand Chief, Joshua Iserhoff.<\/p>\n<p>Para completar, o Governo dos Cree do Quebec convidaram o Uranium Film Festival do Rio de Janeiro (Ur\u00e2nio Em Movi(e)mento) para organizar um festival em Quebec em abril de 2015. Este primeiro Uranium Film Festival no Canad\u00e1 est\u00e1 planejado para 16 at\u00e9 25 de abril, combinado com um encontro cient\u00edfico mundial sobre ur\u00e2nio (World Uranium Symposium) em Quebec-City que vai come\u00e7ar no dia 14 de abril de 2015 e termina no dia 16 de abril com a abertura do festival. Cientistas, ativistas e cineastas do mundo est\u00e3o convidados para participar dos dois eventos.<\/p>\n<p>E no Cear\u00e1? Tem algu\u00e9m andando 800 quil\u00f4metros ou pelo menos 200 quil\u00f4metros at\u00e9 Fortaleza?<\/p>\n<p>Como dizia Luiz Gonzaga, \u201cNo Cear\u00e1 n\u00e3o tem disso n\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.ecodebate.com.br\/?s=Norbert+Suchanek\" target=\"_blank\">Norbert Suchanek<\/a>, Correspondente e Jornalista de Ci\u00eancia e Ecologia, \u00e9 colaborador internacional do EcoDebate.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O min\u00e9rio ur\u00e2nio \u00e9 radioativo e altamente t\u00f3xico e o Brasil est\u00e1 no caminho de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11497,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/uranio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O min\u00e9rio ur\u00e2nio \u00e9 radioativo e altamente t\u00f3xico e o Brasil est\u00e1 no caminho de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11496"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11496\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11497"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}