{"id":11423,"date":"2014-11-30T20:00:31","date_gmt":"2014-11-30T20:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11423"},"modified":"2014-11-30T10:45:37","modified_gmt":"2014-11-30T10:45:37","slug":"que-se-pode-esperar-da-reuniao-a-ser-promovida-pela-onu-em-lima-no-peru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/que-se-pode-esperar-da-reuniao-a-ser-promovida-pela-onu-em-lima-no-peru\/","title":{"rendered":"Que se pode esperar da reuni\u00e3o a ser promovida pela ONU em Lima, no Peru"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11424\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Washington Novaes*<\/p>\n<p>Que se pode esperar da reuni\u00e3o a ser promovida pela ONU em Lima, no Peru, de representantes de quase 200 pa\u00edses, do pr\u00f3ximo dia 10 ao dia 12, para discutir um acordo \u201cvinculante\u201d, no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o do Clima, em que todos se comprometam a reduzir emiss\u00f5es de poluentes que aumentam a temperatura do planeta? At\u00e9 aqui, dizem os promotores que pretendem chegar a um \u201crascunho\u201d do acordo com metas obrigat\u00f3rias, a ser assinado at\u00e9 o final do ano que vem, em Paris, e que vigore a partir de 2020. Mas, apesar das datas distantes, h\u00e1 certo ceticismo quanto \u00e0 possibilidade de acordo mesmo para um rascunho, tantas s\u00e3o as diverg\u00eancias entre pa\u00edses industrializados, de um lado, e \u201cemergentes\u201d e \u201csubdesenvolvidos\u201d, do outro, quanto \u00e0 defini\u00e7\u00e3o das responsabilidades de cada um na redu\u00e7\u00e3o (hoje, 1 bilh\u00e3o de pessoas mais pr\u00f3speras emitem metade dos poluentes no mundo; 3 bilh\u00f5es na faixa intermedi\u00e1ria, 45%; e 3 bilh\u00f5es \u2013 metade sem energia el\u00e9trica \u2013 emitem 5%).<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) s\u00e3o categ\u00f3ricos: \u00e9 preciso reduzir at\u00e9 2050 as emiss\u00f5es em 40% a 70% do que s\u00e3o hoje para impedir que a temperatura do planeta suba mais que 2 graus Celsius (j\u00e1 subiu 0,85% em rela\u00e7\u00e3o ao s\u00e9culo 19); e chegar a zero nas emiss\u00f5es at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo. O \u00faltimo relat\u00f3rio, de 5 mil p\u00e1ginas, foi escrito por 800 cientistas, que reviram os estudos de mais de 30 mil no mundo todo. Por isso o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, \u00e9 categ\u00f3rico. \u201cA ci\u00eancia j\u00e1 falou. N\u00e3o h\u00e1 ambiguidade. \u00c9 hora de agir\u201d, disse ele na \u00faltima reuni\u00e3o do IPCC, em Copenhague.<\/p>\n<p>E as tarefas n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis. Em 2030 \u00e9 preciso emitir 15% menos do que em 2010. \u00c9 preciso trabalhar imediatamente no reflorestamento para que as \u00e1reas recuperadas ajudem na redu\u00e7\u00e3o de temperaturas; avan\u00e7ar com a efici\u00eancia energ\u00e9tica, que pode ajudar a reduzir a quantidade de poluentes emitidos na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis (carv\u00e3o, \u00f3leo, g\u00e1s) entre 3 bilh\u00f5es e 7 bilh\u00f5es de toneladas anuais de di\u00f3xido de carbono equivalente. Mas um dos avan\u00e7os que tamb\u00e9m se conseguiria com isso seria reduzir os 7 milh\u00f5es de mortes anuais por causa da polui\u00e7\u00e3o do ar (estudo da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) na \u00cdndia, no Brasil, na China, no M\u00e9xico e nos Estados Unidos \u2013 al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de 7 milh\u00f5es de empregos nas \u00e1reas de energias renov\u00e1veis. Tudo isso feito, as emiss\u00f5es anuais, que estar\u00e3o em 47 gigatoneladas de CO2 em 2025, chegariam a 2050 com 22 gigatoneladas (55% menos que em 2012). Se nada for feito, poderemos chegar a 87 gigatoneladas em 2050.<\/p>\n<p>Mas para avan\u00e7ar, calcula sir Nicholas Stern, estudioso respeitado, \u00e9 preciso investir nos pr\u00f3ximas anos nada menos que US$ 90 trilh\u00f5es (quase 40 vezes o PIB brasileiro). E, pensam os cientistas, eliminar os subs\u00eddios ao consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, hoje na casa dos US$ 600 bilh\u00f5es por ano. E seguir nos caminhos de 2012, quando foram investidos cerca de US$ 360 bilh\u00f5es em programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica, al\u00e9m de US$ 244 bilh\u00f5es em energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem veja como sinal para otimismo o fato de Estados Unidos e China (que, juntos, emitem 45% do total de poluentes, hoje) haverem firmado acordo pelo qual os norte-americanos se comprometem a reduzir suas emiss\u00f5es entre 26% e 28% at\u00e9 2025, enquanto os chineses s\u00f3 diminuir\u00e3o em 20% seu consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis a partir de 2030. Os mais c\u00e9ticos ironizam as datas. E Fran\u00e7ois Hollande, presidente da Fran\u00e7a, pede mais pressa, porque um fracasso no acordo global \u201cpode levar \u00e0 guerra\u201d e \u00e0 \u201ccat\u00e1strofe\u201d (Business and Financial News, 7\/11). Angela Merkel, a chanceler alem\u00e3, pede \u00e0 Austr\u00e1lia que reveja sua posi\u00e7\u00e3o contra o acordo: os desastres do clima \u201cn\u00e3o se limitar\u00e3o a algumas ilhas do Pac\u00edfico, atingir\u00e3o todos os pa\u00edses\u201d (17\/11).<\/p>\n<p>Por essas e outras, diz um dos relat\u00f3rios da ONU (AP, 19\/11) que o mundo ainda n\u00e3o est\u00e1 no caminho de evitar os perigos gerados pelas a\u00e7\u00f5es humanas; seria preciso baixar as emiss\u00f5es para 42 bilh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas de CO2 em 2030 \u2013 quando as proje\u00e7\u00f5es de hoje s\u00e3o para 15 bilh\u00f5es a 19 bilh\u00f5es de toneladas acima disso.<br \/>\nH\u00e1 pa\u00edses j\u00e1 francamente assustados. O Nepal, por exemplo, mostra que a cobertura de gelo em suas montanhas se reduziu em 1.266 quil\u00f4metros quadrados em duas d\u00e9cadas \u2013 e o abastecimento de \u00e1gua de milh\u00f5es de pessoas depende dela. Botswana demonstra que secas e inunda\u00e7\u00f5es est\u00e3o arrasando o pa\u00eds . O Banco Mundial manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com o que est\u00e1 acontecendo na Groenl\u00e2ndia e na Ant\u00e1rtida. Se as temperaturas continuarem a subir, afirma (23\/11), o n\u00edvel dos oceanos poder\u00e1 elevar-se em at\u00e9 2,3 metros nos pr\u00f3ximos s\u00e9culos. Colheitas de soja no Brasil poder\u00e3o baixar 70%; de trigo, 50%. O oeste dos Estados Unidos enfrenta uma sucess\u00e3o de nevascas (dez pessoas morreram na \u00faltima). A \u00e1rea dos vinhos na Fran\u00e7a est\u00e1 sofrendo com calor in\u00e9dito e tempestades de granizo (Estado, 16\/11). Lembra o Peru que em 30 anos os Andes perderam pelo menos 30% da cobertura de gelo.<\/p>\n<p>N\u00e3o estranha. De janeiro a outubro deste ano a temperatura m\u00e9dia global esteve em 14,78 graus Celsius, a mais alta desde 1880, segundo a Ag\u00eancia de Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e da Atmosfera (NOAA), dos EUA. Ou 0,68 grau acima da m\u00e9dia do s\u00e9culo 20; recorde em cinco dos \u00faltimos seis meses.<\/p>\n<p>Dinheiro resolveria, como o do Green Climate Fund, com o qual se espera reunir US$ 100 bilh\u00f5es anuais para ajudar os pa\u00edses mais pobres e vulner\u00e1veis? Mesmo que seja, at\u00e9 agora s\u00f3 reuniu US$ 5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No Brasil, continuamos mergulhados em pol\u00eamica. Diz o Observat\u00f3rio do Clima (Estado, 25\/11) que em 2013 aumentaram nossas emiss\u00f5es (1,57 bilh\u00e3o de toneladas de CO2, mais 7,8%); diz o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente que a metodologia oficial difere da que \u00e9 usada nessa medi\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tudo muito preocupante com os n\u00fameros sobre a perda de florestas \u2013 que est\u00e1 influenciando no clima, nas chuvas, no abastecimento.<\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* Que se pode esperar da reuni\u00e3o a ser promovida pela ONU em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11424,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/lima_peru.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* Que se pode esperar da reuni\u00e3o a ser promovida pela ONU em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11423"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}