{"id":11152,"date":"2014-11-25T16:00:44","date_gmt":"2014-11-25T16:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=11152"},"modified":"2014-11-25T12:38:32","modified_gmt":"2014-11-25T12:38:32","slug":"petroleo-salgado-impulsiona-desenvolvimento-tecnologico-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/petroleo-salgado-impulsiona-desenvolvimento-tecnologico-no-brasil\/","title":{"rendered":"Petr\u00f3leo salgado impulsiona desenvolvimento tecnol\u00f3gico no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-11153\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O petr\u00f3leo de \u00e1guas mar\u00edtimas profundas, o mais abundante no Brasil, imp\u00f5e custos que geram benef\u00edcios. Sua extra\u00e7\u00e3o incentiva o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e industrial, exigindo equipamentos e t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o cada dia mais complexos. Um desafio \u00e9 a \u00e1gua que acompanha o petr\u00f3leo, cuja propor\u00e7\u00e3o cresce com a idade do po\u00e7o, tirando sua produtividade, ao ocupar uma parte cada dia maior da capacidade de transporte e processamento das instala\u00e7\u00f5es produtivas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 dois anos temos um separador de \u00e1gua e petr\u00f3leo que opera a dois mil metros de profundidade. Essa \u00e1gua, com o tempo, pode chegar a 80% do volume extra\u00eddo, por isso \u00e9 necess\u00e1rio separ\u00e1-la no fundo para n\u00e3o sobrecarregar a plataforma\u201d, explicou Oscar Chamberlain, gerente na \u00e1rea de abastecimento e bicombust\u00edveis do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes).<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro se transformou em um polo de conhecimento e inova\u00e7\u00f5es em petr\u00f3leo oce\u00e2nico, gra\u00e7as a este centro, que conta com 227 laborat\u00f3rios e mais de oito mil equipamentos, e um parque tecnol\u00f3gico onde j\u00e1 se instalaram 52 institui\u00e7\u00f5es, incluindo 12 grandes grupos transnacionais. A Ilha da Cidade Universit\u00e1ria, mais conhecida como Fund\u00e3o, \u00e9 o epicentro dessa transforma\u00e7\u00e3o. Trata-se do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), perto do aeroporto internacional da cidade, conhecida mundialmente por suas praias e seu carnaval.<\/p>\n<p>Para tudo isso contribuiu decisivamente a descoberta pela Petrobras, a partir de 2006, de grandes reservas localizadas mais de cinco mil metros abaixo da superf\u00edcie do Oceano Atl\u00e2ntico e sob uma camada de dois mil metros de sal, ampliando a riqueza e os desafios petroleiros do Brasil. Essas reservas, conhecidas como pr\u00e9-sal, est\u00e3o a pelo menos 250 quil\u00f4metros da costa do sudeste do pa\u00eds, o que apresenta especiais dificuldades log\u00edsticas.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 barreiras tecnol\u00f3gicas para a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal. Foram superados todos os desafios identificados, relacionados com dist\u00e2ncia, profundidade e complexidade em raz\u00e3o da camada de sal e reservas constitu\u00eddas de carbonatos\u201d, explicou \u00e0 IPS o gerente-geral de Engenharia de Po\u00e7os da Petrobras, Luis Felipe Rego. Isso permite que, apenas oito anos ap\u00f3s sua descoberta, o pr\u00e9-sal forne\u00e7a 23% da produ\u00e7\u00e3o da Petrobras no Brasil, que em outubro alcan\u00e7ou a m\u00e9dia di\u00e1ria de 2,58 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo equivalentes, incluindo g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>Mas a batalha permanente para baixar custos impulsiona a fazer todo o poss\u00edvel no fundo, com sistemas submarinos que exigem eletrifica\u00e7\u00e3o, rob\u00f4s e servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o remota, em um ambiente corrosivo, de temperaturas muito vari\u00e1veis e de alta press\u00e3o, destacou Chamberlain, um nicaraguense que est\u00e1 h\u00e1 30 anos na empresa. A corros\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a em todo o processo, at\u00e9 a refinaria onde o petr\u00f3leo pode danificar equipamentos se antes n\u00e3o for retirado o excesso de sal.<\/p>\n<p>O Cenpes foi fundado em 1963, quando a Petrobras, estatal criada para procurar hidrocarbonos e reduzir as importa\u00e7\u00f5es das quais o Brasil dependia, completava dez anos. Hoje executa 862 projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) a cargo de seus 1.930 funcion\u00e1rios, 36% deles com doutorado e mestrado. \u201cO trabalho desse pessoal fez da Petrobras a empresa brasileira que mais registra patentes no Brasil e no exterior. S\u00f3 em 2013, foram 56 novas solicita\u00e7\u00f5es\u201d, disse \u00e0 IPS o gerente-executivo do Cenpes, Andr\u00e9 Cordeiro.<\/p>\n<p>O investimento da Petrobras em P&amp;D, administrado pelo Cenpes, aumentou 7,8 vezes durante este s\u00e9culo. Sua m\u00e9dia anual foi de US$ 160 milh\u00f5es no tri\u00eanio 2001-2003, e saltou para US$ 1,243 bilh\u00e3o nos tr\u00eas \u00faltimos anos, com efeitos disseminadores. \u201cContamos atualmente com a colabora\u00e7\u00e3o de 122 universidades e institutos de pesquisa brasileiros, organizados em 49 redes tem\u00e1ticas, um modelo que incentivou as associa\u00e7\u00f5es entre a Petrobras e o meio acad\u00eamico em temas estrat\u00e9gicos da \u00e1rea de petr\u00f3leo e g\u00e1s\u201d, explicou Cordeiro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-brasil-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-125335\" title=\"Petr\u00f3leo salgado impulsiona desenvolvimento tecnol\u00f3gico no Brasil\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chica-brasil-2.jpg\" alt=\"chica brasil 2 Petr\u00f3leo salgado impulsiona desenvolvimento tecnol\u00f3gico no Brasil\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o mais estreita se intensifica h\u00e1 46 anos com o Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisas em Engenharia (Coppe) da UFRJ, que tamb\u00e9m funciona como incubadora de empresas de base tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Ambidados, que surgiu nesse \u00e2mbito em 2006, oferece dados e an\u00e1lises ambientais \u00e0s petroleiras. Com apenas 11 funcion\u00e1rios em sua sede no Parque Tecnol\u00f3gico da UFRJ, criou suas pr\u00f3prias boias e aparelhos para monitorar ventos, mar\u00e9s, correntes mar\u00edtimas e chuvas que afetam opera\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas. \u201cTamb\u00e9m estudamos o relevo do fundo do mar, a temperatura da \u00e1gua em diferentes profundidades, sua salinidade e quantidade de algas\u201d, informou \u00e0 IPS o ocean\u00f3grafo Leonardo Kuniyoshi.<\/p>\n<p>Comp\u00f5em o Parque Tecnol\u00f3gico atual outras 31 pequenas e m\u00e9dias empresas, sete laborat\u00f3rios e centros de P&amp;D de l\u00edderes mundiais de servi\u00e7os e equipamentos petroleiros, como as transnacionais Schlumberger, FMC Technologies e Halliburton, que acaba de adquirir a Baker Hughes, outra gigante do setor tamb\u00e9m presente na Ilha Universit\u00e1ria. A norte-americana e diversificada GE inaugurou seu novo Centro de Pesquisas Global no parque no dia 13 deste m\u00eas, unindo-se a outras transnacionais alheias ao petr\u00f3leo, como a ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos L\u2019Oreal e a cervejaria Ambev.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fascinante essa conviv\u00eancia entre ind\u00fastrias distintas. A conjun\u00e7\u00e3o de conhecimentos variados constitui a riqueza do Parque Tecnol\u00f3gico que gerar\u00e1 inova\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou seu diretor, Mauricio Guedes. Isso tamb\u00e9m requer \u201cjuntar empresas e universidade em um s\u00f3 ambiente, para gerar conhecimentos que resultem em produtos e servi\u00e7os, porque sem neg\u00f3cios a tecnologia e o conhecimento se perdem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A \u00e1rea est\u00e1 planejada para receber 200 empresas em seus 350 mil metros quadrados na ponta sudeste da Ilha que pertence \u00e0 UFRJ. A \u00e1rea era inund\u00e1vel e precisou ser aterrada antes da inaugura\u00e7\u00e3o do Parque em 2003. Cem mil caminh\u00f5es de terra e entulho em quatro anos elevaram o solo em dois metros, explicou Guedes.<\/p>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o de grandes atores internacionais, como o Grupo BG (antes British Gas) ou a alem\u00e3 Siemens, decolou de fato ap\u00f3s a comprova\u00e7\u00e3o de que o pr\u00e9-sal pode colocar o Brasil entre os grandes produtores e exportadores de hidrocarbonos. A lista compreende empresas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se limitam a servi\u00e7os ao setor petroleiro. \u00c9 o caso da EMC2, que instalou no parque da UFRJ \u201co primeiro centro de pesquisa fora dos Estados Unidos\u201d, segundo Karin Breitman, sua cientista-chefe local.<\/p>\n<p>O futuro do Parque Tecnol\u00f3gico e a pesquisa associada a hidrocarbonos tem seu futuro assegurado no Brasil. Os contratos para explorar jazidas de petr\u00f3leo exigem que as concession\u00e1rias apliquem 1% de seu lucro em P&amp;D. Isso representa cerca de US$ 12 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos dez anos. \u201cO bin\u00f4mio de desafios tecnol\u00f3gicos e recursos para enfrent\u00e1-los promete \u00eaxitos\u201d, afirmou Guedes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de maior produtividade petroleira, essas pesquisas contribuem para o desenvolvimento de outros setores, com conhecimentos oceanogr\u00e1ficos, ambientais e tecnologias de uso m\u00faltiplo, acrescentou Guedes. Um exemplo \u00e9 a c\u00e2mara hiperb\u00e1rica, de press\u00e3o interna controlada em \u00e1guas profundas, usada para gerar eletricidade a partir das ondas do mar, em uma central desenvolvida pela Coppe. Novos materiais, novas mat\u00e9rias-primas e solu\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas surgir\u00e3o do fundo do mar, ressaltou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O petr\u00f3leo de \u00e1guas mar\u00edtimas profundas, o mais abundante no Brasil, imp\u00f5e custos que geram<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11153,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/petroleo_salgado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O petr\u00f3leo de \u00e1guas mar\u00edtimas profundas, o mais abundante no Brasil, imp\u00f5e custos que geram","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11152"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11152\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}