{"id":111085,"date":"2019-08-16T13:00:47","date_gmt":"2019-08-16T16:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=111085"},"modified":"2019-08-16T07:34:12","modified_gmt":"2019-08-16T10:34:12","slug":"o-mundo-esta-mais-verde-mas-isso-nao-e-tao-bom-quanto-parece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-mundo-esta-mais-verde-mas-isso-nao-e-tao-bom-quanto-parece\/","title":{"rendered":"O mundo est\u00e1 mais verde, mas isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom quanto parece ser"},"content":{"rendered":"<div class=\"intro\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-111086\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dados recolhidos de sat\u00e9lites da Nasa em duas d\u00e9cadas revelaram que as superf\u00edcies verdes aumentaram 5% de 2000 a 2017, o que significa ganhar uma \u00e1rea equivalente a uma Amaz\u00f4nia, em 17 anos. O planeta est\u00e1 cada vez mais verde \u2013 mas isso n\u00e3o necessariamente \u00e9 uma boa not\u00edcia. A informa\u00e7\u00e3o foi confundida por muitos c\u00e9ticos sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como um sinal de que o combate ao aquecimento global n\u00e3o passa de uma farsa dos \u201cecochatos\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p>No entanto, a realidade \u00e9 que o \u201cesverdeamento\u201d crescente dos \u00faltimos anos \u00e9 um resultado direto da destrui\u00e7\u00e3o acentuada das florestas, um dano ambiental que, al\u00e9m de irrepar\u00e1vel, torna ainda mais dif\u00edcil conter a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura global. Por qu\u00ea? A\u00a0<strong>RFI\u00a0<\/strong>ouviu dois especialistas para entender a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, a maior parte das \u00e1reas verdes surgiu pelo aumento da \u00e1rea cultivada, principalmente na \u00cdndia. \u201cTemos, realmente, um aumento das \u00e1reas verdes, mas a maior parte desse aumento \u00e9 das \u00e1reas de agricultura, pecu\u00e1ria, irriga\u00e7\u00e3o ou \u00e1reas que n\u00e3o eram cultivadas e passaram a ser, com novas tecnologias. \u00c9 a substitui\u00e7\u00e3o de um verde por outro\u201d, explica doutor em ecologia Ben Hur Marimon Junior, pesquisador da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unimat) e especialista na floresta Amaz\u00f4nica. \u201cQuando derrubamos florestas tropicais, as que mais t\u00eam sido convertidas em outros usos, aquela \u00e1rea vai ser usada de outra forma, tamb\u00e9m verde. Mas o que era uma floresta prim\u00e1ria, intacta, passa a ser uma outra coisa, com menos qualidade.\u201d<\/p>\n<p><strong>Reflorestamento n\u00e3o compensa o desmatamento<\/strong><\/p>\n<p>Outro fator que influencia \u2013 esse, mais positivo -, \u00e9 a expans\u00e3o do reflorestamento. Na China, a quest\u00e3o virou pol\u00edtica de Estado para evitar a desertifica\u00e7\u00e3o, com o projeto Grande Muralha Verde. Segundo a pesquisa, publicada na revista Nature Sustainability, 42% das novas \u00e1reas verdes no pa\u00eds asi\u00e1tico s\u00e3o resultado do replantio de florestas, que compensam, em parte, as emiss\u00f5es colossais de gases nocivos pelo maior poluidor do planeta.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, por mais louv\u00e1vel que seja esse esfor\u00e7o, uma mata replantada jamais ser\u00e1 como a original, ressalta o engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa do Observat\u00f3rio do Clima (SEEG) e do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas). \u201cEm sua grande maioria, s\u00e3o florestas para uso comercial. Florestas simples, como dizemos, de baixa diversidade e de monoculturas de \u00e1rvores para o uso da madeira\u201d, sublinha Azevedo. \u201cE o que tamb\u00e9m tem muito s\u00e3o \u00e1reas em regenera\u00e7\u00e3o: \u00e1reas que foram abandonadas, depois de serem desmatadas, e agora se regeneram naturalmente. Acontece muito nos pa\u00edses desenvolvidos, na Europa, num longo processo que pode levar 30 anos.\u201d<\/p>\n<p>Conforme a Nasa, uma das regi\u00f5es onde houve maior alta da superf\u00edcie verde \u00e9 no extremo norte do planeta. Campos pobres em vegeta\u00e7\u00e3o ocuparam espa\u00e7os onde, antigamente, s\u00f3 havia neve.<\/p>\n<p><strong>Equil\u00edbrio da temperatura global<\/strong><\/p>\n<p>A queda da superf\u00edcie das florestas gera consequ\u00eancias diretas no equil\u00edbrio da temperatura global, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o de chuvas \u00e9 atingida. A capacidade de uma grande \u00e1rvore de transpirar \u00e9 muito maior do que uma lavoura de cana de a\u00e7\u00facar ou uma pastagem, ressalta Ben Hur, que trabalha h\u00e1 mais de 30 anos na maior floresta tropical do mundo.<\/p>\n<p>\u201cPela maioria das \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia, por exemplo, n\u00f3s temos um efeito muito maior de transpira\u00e7\u00e3o e umedecimento da atmosfera. \u00c9 vapor de \u00e1gua sendo transferido do solo para atmosfera\u201d, indica o especialista. \u201cPara se ter uma ideia, uma arvore adulta, grande, tem capacidade de at\u00e9 mil litros de \u00e1gua por dia de transpira\u00e7\u00e3o. A meu ver, esse \u00e9 um dos maiores servi\u00e7os da Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n<p>A floresta amaz\u00f4nica ajuda na regula\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de todo o continente sul americano. Al\u00e9m disso, ela tamb\u00e9m desempenha o papel de um gigantesco filtro de ar, ao retirar o excesso de g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera e devolver oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, a Amaz\u00f4nia conseguia neutralizar todas as emiss\u00f5es anuais de g\u00e1s carb\u00f4nico da Am\u00e9rica do Sul. Esse efeito est\u00e1 diminuindo, porque a floresta tem um limite\u201d, lamenta o pesquisador da Unimat.<\/p>\n<p><strong>Questionamento \u201cperverso\u201d da ci\u00eancia ambiental<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"http:\/\/br.rfi.fr\/brasil\/20190807-queimadas-fazem-voo-noturno-sobre-amazonia-parecer-dia-afirma-arqueologo-frances\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">questionamento da degrada\u00e7\u00e3o ambiental<\/a>\u00a0acompanha a hist\u00f3ria dessa ci\u00eancia, mas ganhou for\u00e7a com a ascens\u00e3o de l\u00edderes populistas no mundo ocidental. Informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas s\u00e3o retiradas do contexto para fortalecer as teses segundo as quais as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o existem.<\/p>\n<p>Ao noticiar o estudo da Nasa, por exemplo, a emissora conservadora americana Fox News ressaltou como positivo o papel da atividade humana no aumento das \u00e1reas verdes. As explica\u00e7\u00f5es dos estudiosos sobre o quanto a atua\u00e7\u00e3o do homem \u00e9, na realidade, a causa original do problema, foram ignoradas.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto estavam questionando com ci\u00eancia, poderia fazer sentido. Mas o que vemos hoje \u00e9 uma desonestidade intelectual, que \u00e9 voc\u00ea\u00a0<a href=\"http:\/\/br.rfi.fr\/brasil\/20190810-alemanha-corta-ajuda-projetos-para-salvar-amazonia-em-resposta-politica-de-bolsonaro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">distorcer dados ou at\u00e9 omiti-los<\/a>, para falar sobre uma determinada tese \u2013 e \u00e9 uma tese moralmente muito perversa, porque \u00e9 um tema que amea\u00e7a a humanidade como um todo\u201d, avalia Tasso Azevedo.<\/p>\n<p>Apesar da sensa\u00e7\u00e3o de ca\u00e7a \u00e0s bruxas aos ambientalistas, Ben Hur Marimon Junior prefere ver o lado positivo das pol\u00eamicas: jamais se falou tanto sobre o meio ambiente. \u201cApesar das informa\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, negando a ci\u00eancia e as descobertas cient\u00edficas, a gente tem o debate \u2013 e \u00e9 do conflito que surge o fogo, a luz. Dentro do debate, a gente consegue colocar as ideias.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados recolhidos de sat\u00e9lites da Nasa em duas d\u00e9cadas revelaram que as superf\u00edcies verdes aumentaram<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":111086,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/planta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Dados recolhidos de sat\u00e9lites da Nasa em duas d\u00e9cadas revelaram que as superf\u00edcies verdes aumentaram","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111085"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=111085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111085\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/111086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=111085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=111085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=111085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}