{"id":110924,"date":"2019-08-13T14:00:27","date_gmt":"2019-08-13T17:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=110924"},"modified":"2019-08-13T08:39:38","modified_gmt":"2019-08-13T11:39:38","slug":"tecnica-combate-doenca-mais-comum-na-cultura-do-maracuja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tecnica-combate-doenca-mais-comum-na-cultura-do-maracuja\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnica combate doen\u00e7a mais comum na cultura do maracuj\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-110926\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A doen\u00e7a que mais aflige os produtores de maracuj\u00e1 no Brasil, o v\u00edrus do mosaico do caupi (CABMV, na sigla em ingl\u00eas), pode ser combatida com uma t\u00e9cnica relativamente simples.<\/p>\n<p>Como mostrou um estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/25089\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>apoiado<\/b><\/a>\u00a0pela FAPESP e publicado na revista\u00a0<b><i><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/ppa.13054\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Plant Pathology<\/a>,<\/i><\/b>\u00a0a erradica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das plantas com sintomas da doen\u00e7a preserva a cultura como um todo, mantendo-a produtiva por pelo menos 25 meses.<\/p>\n<p>Atualmente, por conta do CABMV, os produtores costumam renovar os maracujazeiros a cada ano, um procedimento oneroso. De acordo com os autores do trabalho, o fator econ\u00f4mico \u00e9 cr\u00edtico para essa cultura, normalmente praticada por pequenos agricultores.<\/p>\n<p>O v\u00edrus do mosaico do caupi ocorre em todos os estados do Brasil e atrapalha o desenvolvimento das plantas. Pode causar o endurecimento dos frutos, tornando-os impr\u00f3prios para o consumo. Atualmente, a erradica\u00e7\u00e3o de plantas doentes \u00e9 feita somente quando o problema \u00e9 detectado nos primeiros est\u00e1gios de vida do maracujazeiro. Os autores da pesquisa prop\u00f5em que a pr\u00e1tica seja mantida ao longo de todo o desenvolvimento da planta.<\/p>\n<p>A pesquisa\u00a0foi desenvolvida por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), em Araras, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), da Embrapa Semi\u00e1rido e do Instituto Nacional de Tecnolog\u00eda Agropecuaria, na Argentina.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma t\u00e9cnica usada na cultura do mamoeiro, no Esp\u00edrito Santo, desde os anos 1980. Depois de v\u00e1rios experimentos, concluiu-se que era a melhor forma de conviver com o v\u00edrus do mosaico do mamoeiro [PRSV-P, na sigla em ingl\u00eas]\u201d, disse\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/274\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>Jorge Alberto Marques Rezende<\/b><\/a>, professor da Esalq-USP e coordenador do estudo, iniciado em 2010.<\/p>\n<p>Assim como ocorre nos mamoeiros, as plantas doentes de maracuj\u00e1 servem como fonte do v\u00edrus, que \u00e9 transportado pela saliva do pulg\u00e3o e, em poucos meses, toma conta de toda a planta\u00e7\u00e3o. Como o inseto n\u00e3o coloniza as plantas, apenas passa por elas, o uso de inseticidas n\u00e3o \u00e9 eficiente para o controle.<\/p>\n<p>\u201cO inseticida afeta o sistema nervoso do pulg\u00e3o, mas demora horas para mat\u00e1-lo. Quando atingido, o inseto \u00e9 estimulado a se alimentar de mais plantas, espalhando o v\u00edrus. Em vez de controlar a doen\u00e7a, portanto, o inseticida ajuda a propag\u00e1-la\u201d, disse\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/88192\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>David Marques de Almeida Spadotti<\/b><\/a>, primeiro autor do artigo, realizado como parte do seu est\u00e1gio de\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/166085\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>p\u00f3s-doutorado<\/b><\/a>\u00a0na Esalq-USP.<\/p>\n<p>Em experimentos anteriores, plantas transg\u00eanicas de maracuj\u00e1 e o uso de variantes atenuadas do CABMV como uma forma de vacina tamb\u00e9m n\u00e3o mostraram bons resultados para controlar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Neste novo estudo, foram feitos plantios experimentais em uma \u00e1rea da Esalq, em Piracicaba, e em duas \u00e1reas em Vit\u00f3ria da Conquista, no sudoeste da Bahia. Os experimentos ocorreram entre 2013 e 2018. Em duas \u00e1reas de cada cidade, cerca de 100 mudas de maracujazeiro foram plantadas apoiadas em caramanch\u00f5es (estruturas de madeira em formato de T) ou espaldeiras (postes de madeira), ambas com arames ligando umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p>O maracujazeiro, por ser uma trepadeira, usa essas estruturas para se apoiar. Al\u00e9m disso, elas permitem fazer a separa\u00e7\u00e3o das plantas uma da outra, j\u00e1 que o entrela\u00e7amento inviabiliza a identifica\u00e7\u00e3o das doentes. A segrega\u00e7\u00e3o, podando ou afastando os brotos antes de se aproximarem uns dos outros, permitiu que aquelas que apresentavam sintomas pudessem ser imediatamente identificadas e erradicadas em vistorias semanais.<\/p>\n<p>Em outra \u00e1rea em cada cidade, afastada das outras, foi realizada a planta\u00e7\u00e3o em espaldeira da mesma quantidade de p\u00e9s. Por\u00e9m, as plantas n\u00e3o eram separadas nem as doentes erradicadas, reproduzindo o plantio normalmente feito pelos produtores. As duas estrat\u00e9gias foram ent\u00e3o comparadas.<\/p>\n<p>Nos plantios em que n\u00e3o foi feita a erradica\u00e7\u00e3o, o v\u00edrus tomou conta de todas as plantas em 120 dias. Nos demais, ap\u00f3s 180 dias apenas 8% estavam infectadas e foram erradicadas. Em Piracicaba, s\u00f3 16% das plantas precisaram ser removidas ap\u00f3s 25 meses. A planta\u00e7\u00e3o seguia produtiva at\u00e9 esse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Todas as plantas erradicadas por suspeita da doen\u00e7a foram submetidas ao teste sorol\u00f3gico PTA-ELISA, que confirmou a presen\u00e7a do v\u00edrus em 100% das amostras.<\/p>\n<p>\u201cO sintoma aparece, em m\u00e9dia, oito dias ap\u00f3s a inocula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Com a pr\u00e1tica da erradica\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel identificar visualmente a planta doente e fazer o controle. Por isso, o ideal \u00e9 que a inspe\u00e7\u00e3o da planta\u00e7\u00e3o seja feita pelo menos uma vez por semana\u201d, disse Spadotti.<\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7a de cultura<\/b><\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, o pr\u00f3ximo passo da pesquisa \u00e9 realizar plantios-piloto, ainda maiores, com mil a dois mil p\u00e9s de maracuj\u00e1. Al\u00e9m de erradicar as plantas doentes, os pesquisadores pretendem substitu\u00ed-las por mudas saud\u00e1veis. A ideia \u00e9 manter a planta\u00e7\u00e3o por tr\u00eas a quatro anos e compar\u00e1-la com outra feita na forma tradicional, totalmente replantada a cada ano.<\/p>\n<p>\u201cComo o maracujazeiro \u00e9 uma planta semiperene, a ideia \u00e9 que esse tempo maior de produ\u00e7\u00e3o seja mais vantajoso, do ponto de vista econ\u00f4mico, do que a completa substitui\u00e7\u00e3o da planta\u00e7\u00e3o anualmente\u201d, disse Rezende, que coordena o Projeto Tem\u00e1tico \u201c<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/102654\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>Begomovirus e crinivirus em solan\u00e1ceas<\/b><\/a>\u201d, tamb\u00e9m relacionado a v\u00edrus em culturas aliment\u00edcias.<\/p>\n<p>Para ter sucesso, no entanto, os pesquisadores afirmam que a pr\u00e1tica deve ser aplicada por todos os produtores de maracuj\u00e1, em escala regional. Al\u00e9m de outras planta\u00e7\u00f5es, pomares antigos ou abandonados podem servir como fonte do v\u00edrus para os vizinhos e devem ser eliminados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, variedades selvagens de maracuj\u00e1 em \u00e1reas vizinhas tamb\u00e9m podem servir como dep\u00f3sitos do v\u00edrus. Numa das \u00e1reas de estudo, em Vit\u00f3ria da Conquista, um experimento n\u00e3o teve o sucesso esperado por conta da presen\u00e7a de maracujazeiros selvagens infectados no entorno da planta\u00e7\u00e3o. Depois que foram eliminados, diminuiu-se consideravelmente a incid\u00eancia do CABMV.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o Brasil \u00e9 o maior produtor mundial de maracuj\u00e1. Em 2017 foram produzidas mais de 550 mil toneladas.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Long-lasting systematic roguing for effective management of CABMV in passion flower orchards through maintenance of separated plants<\/i>\u00a0(DOI: 10.1111\/ppa.13054), de David M. A. Spadotti, G. M. Favara, Q. S. Novaes, A. P. O. A. Mello, D. M. S. Freitas, J. P. Edwards Molina e Jorge A. M. Rezende, pode ser lido em:\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/ppa.13054\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/ppa.13054<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a que mais aflige os produtores de maracuj\u00e1 no Brasil, o v\u00edrus do mosaico<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":110926,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/maracuja.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A doen\u00e7a que mais aflige os produtores de maracuj\u00e1 no Brasil, o v\u00edrus do mosaico","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110924"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110924\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}