{"id":110780,"date":"2019-08-11T10:00:01","date_gmt":"2019-08-11T13:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=110780"},"modified":"2019-08-11T10:00:11","modified_gmt":"2019-08-11T13:00:11","slug":"saiba-quais-os-motivos-de-certas-pessoas-ficarem-com-a-barriga-inchada-depois-de-comer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/saiba-quais-os-motivos-de-certas-pessoas-ficarem-com-a-barriga-inchada-depois-de-comer\/","title":{"rendered":"Saiba quais os motivos de certas pessoas ficarem com a barriga inchada depois de comer"},"content":{"rendered":"<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/estomago.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-110781\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/estomago-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/estomago-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/estomago.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quem nunca se sentiu inchado ap\u00f3s uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alimentacion\" data-link-track-dtm=\"\">refei\u00e7\u00e3o<\/a>, mesmo sem se empanturrar? Podem ter sido as lentilhas ou a ma\u00e7\u00e3, talvez alho demais nas verduras refogadas (ou elas mesmas) ou aquele copinho de leite que se expande como se tiv\u00e9ssemos tomado uma garrafa inteira. Qualquer alimento pode causar essa indisposi\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea s\u00f3 precisa encontrar os criminosos que est\u00e3o atacando seu est\u00f4mago. Trata-se dos FODMAP, uma sigla em ingl\u00eas que designa carboidratos de cadeia curta\u00a0\u2014 oligossacar\u00eddeos, monossacar\u00eddeos e poli\u00f3is ferment\u00e1veis\u00a0\u2014 dif\u00edceis de absorver e que acabam se decompondo.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEles permanecem durante um tempo no intestino [primeiro no delgado e, se resistem \u00e0 digest\u00e3o, no c\u00f3lon] e atraem \u00e1gua, gerando um aumento de volume\u201d, explica o imunologista Eduardo Arranz, do Instituto de Biologia e Gen\u00e9tica Molecular (IBGM), um centro da Universidade de Valladolid e do Conselho Superior de Pesquisas Cient\u00edficas (CSIC) da Espanha. Por outro lado, os FODMAP revolucionam a microbiota (conjunto de microrganismos que habitam o intestino). Assim, al\u00e9m da \u00e1gua, forma-se g\u00e1s. O resultado \u00e9 conhecido e sofrido por muitas pessoas intolerantes a essas mol\u00e9culas, uma condi\u00e7\u00e3o que, no entanto, \u201c\u00e9 muito dif\u00edcil de diagnosticar porque n\u00e3o existem marcadores biol\u00f3gicos que revelem o problema\u201d, diz o especialista. Ou seja: saber se voc\u00ea tem essa intoler\u00e2ncia \u00e9 complicado, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 um teste que a confirme al\u00e9m dos inc\u00f4modos gerados\u00a0\u2014 que s\u00e3o tamb\u00e9m comuns a outras patologias.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>Somente se o seu mal-estar puder ser diagnosticado como s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel (SII) \u00e9 que se recomenda seguir a dieta FODMAP. O importante \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o. O acompanhamento de um profissional \u00e9 imprescind\u00edvel<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 evitar os alimentos que possam conter esse tipo de carboidrato. Mas isso na teoria, porque na pr\u00e1tica esses a\u00e7\u00facares est\u00e3o presentes em quase todos os grupos de alimentos:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cereales\" data-link-track-dtm=\"\">cereais<\/a>\u00a0(trigo, centeio); verduras e legumes (oligossacar\u00eddeos); leite e derivados (dissacar\u00eddeos, incluindo sacarose, maltose e lactose); frutas e mel (monossacar\u00eddeos: glicose, galactose e frutose) e ado\u00e7antes (poli\u00f3is). Quem se salva s\u00e3o a carne, o peixe e os ovos. E n\u00e3o se pode viver comendo s\u00f3 isso (ou pelo menos \u00e9 muito triste).<\/p>\n<p class=\"\">Para conseguir um modelo de alimenta\u00e7\u00e3o baixo em FODMAP, pesquisadores da Universidade Monash, em Melbourne (Austr\u00e1lia) desenvolveram em 2008 uma dieta hom\u00f4nima adotada pelo Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade King\u2019s College, de Londres. Quando idealizaram a dieta, por\u00e9m, os cientistas n\u00e3o tinham em mente pessoas saud\u00e1veis; a meta foi ajudar as que t\u00eam a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel (SII), que s\u00e3o entre 10% e 15% da popula\u00e7\u00e3o da Europa e da Am\u00e9rica do Norte, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Gastroenterologia (WGO). Sua efic\u00e1cia \u00e9 respaldada por diversos estudos.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cAtualmente, [a dieta FODMAP] \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o nutricional muito conhecida pelos especialistas em aparelho digestivo\u201d, diz Fernanda Lima Sento S\u00e9, dietista-nutricionista, membro da Academia Espanhola de Nutri\u00e7\u00e3o e Diet\u00e9tica. \u201cNa maioria dos casos, contudo, n\u00e3o \u00e9 bem implementada.\u201d Arranz concorda: \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil seguir a dieta\u201d e, para faz\u00ea-lo corretamente, \u201c\u00e9 important\u00edssimo ser acompanhado por um dietista-nutricionista.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">O processo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: exige um passo a passo rigoroso<\/h3>\n<p class=\"\">Consciente das dificuldades de aderir \u00e0 dieta, a nutricionista Fernanda Lima se concentra em ensinar como ela deve ser feita para obter os resultados desejados. S\u00e3o tr\u00eas etapas que devem ser seguidas ao p\u00e9 da letra. Comecemos pela primeira: \u201cDura entre duas e oito semanas, dependendo da gravidade dos sintomas; \u00e9 a mais restritiva, quando eliminamos temporariamente a ingest\u00e3o de alguns alimentos e controlamos a quantidade de outros. O objetivo \u00e9 reduzir a inflama\u00e7\u00e3o intestinal e melhorar a microbiota.\u201d A segunda etapa \u00e9 a mais importante: \u00e9 o momento de reintroduzir os alimentos ricos em FODMAP, um a um, e de grupo em grupo, j\u00e1 que o organismo os digere de forma diferente. \u201cEles devem ser consumidos na hora do almo\u00e7o, e o resto da alimenta\u00e7\u00e3o ingerida precisa ser baixa nesses carboidratos de cadeia curta. Assim, sabemos com exatid\u00e3o qual deles, especificamente, provoca os sintomas.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Segundo a nutricionista, o processo \u00e9 o seguinte: \u201cCome\u00e7amos com produtos ricos em frutanos [um tipo de oligossacar\u00eddeo], como alho, cebola e alho-por\u00f3. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 consumir uma colher de sopa e, no dia seguinte, dobrar a quantidade para duas colheres; no terceiro dia, tr\u00eas.\u201d Se o paciente n\u00e3o tiver nenhum sintoma (ele deve descrev\u00ea-los num di\u00e1rio), pode incorporar ent\u00e3o outro alimento do mesmo grupo. Se tiver algum desconforto digestivo, deve voltar \u00e0 primeira fase durante dois ou tr\u00eas dias, e depois testar a intoler\u00e2ncia com outro alimento dentro do mesmo grupo. Conclu\u00edda a lista de frutanos, \u201cs\u00e3o introduzidos os poli\u00f3is ferment\u00e1veis: abacate, br\u00f3colis, couve-flor, sals\u00e3o&#8230;\u201d, enumera Lima, \u201ce em seguida os galacto-oligossacar\u00eddeos, a frutose e a lactose\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_left\">\n<div>Embora haja ind\u00edcios de que a dieta FODMAP alivie os sintomas de enxaqueca e fibromialgia, os especialistas deixam claro: \u201cN\u00e3o se pode dizer que ela cure nenhum desses males\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">Por \u00faltimo chega a terceira etapa, na qual\u00a0\u2014 anotadas as informa\u00e7\u00f5es da fase anterior\u00a0\u2014 elabora-se um plano personalizado com os alimentos ricos em FODMAP tolerados pelo paciente, \u201cque podem variar entre indiv\u00edduos e dentro de cada pessoa em fun\u00e7\u00e3o do momento\u201d, diz Lima. H\u00e1 algo que n\u00e3o muda, segundo Miguel Aganzo, dietista-nutricionista dos hospitais Funda\u00e7\u00e3o Jim\u00e9nez D\u00edas e Rei Juan Carlos, de Madri: \u201cDeve-se administrar probi\u00f3ticos dois e seis meses ap\u00f3s o in\u00edcio da dieta, pois suprimir alimentos que t\u00eam um teor importante de fibra durante um tempo provoca mudan\u00e7as na microbiota.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Nem emagrece nem cura enxaqueca<\/h3>\n<p class=\"\">Para facilitar a ades\u00e3o \u00e0 dieta, a Universidade Monash criou guias e aplicativos para os pacientes. Os seguidores s\u00e3o cada vez mais numerosos, e por v\u00e1rios motivos. A come\u00e7ar pela efic\u00e1cia na hora de reduzir os sintomas digestivos. \u201cEm 70% dos pacientes, diminuem o incha\u00e7o e a distens\u00e3o abdominal, a dor, a diarreia, a constipa\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d, afirma Lima. Por outro lado, \u201ccada vez h\u00e1 mais pessoas com intoler\u00e2ncia aos FODMAP, um aumento que disparou nos \u00faltimos anos segundo o que vemos em nossas consultas\u201d, afirma Aganzo. Mas \u201cdesconhecemos a causa desse crescimento.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">N\u00e3o menos importante \u00e9 o fator moda, \u201ccomo j\u00e1 aconteceu com o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/gluten\" data-link-track-dtm=\"\">gl\u00faten<\/a>\u00a0e a lactose\u201d, diz Arranz. Uma opini\u00e3o compartilhada pela dietista-nutricionista: \u201c[O aumento] tem muito a ver com a corrente antigl\u00faten, ainda que curiosamente, e apesar de parecer contradit\u00f3rio, j\u00e1 estejam sendo realizadas dietas FODPAM com gl\u00faten.\u201d Aganzo destaca a import\u00e2ncia do boca a boca. \u201cTendemos a falar muito dos benef\u00edcios, e \u00e9 certo que algumas pessoas saud\u00e1veis ficam mais magras com essa dieta. Mas, ap\u00f3s alguns meses, podem surgir problemas de disbiose [desequil\u00edbrio da microbiota intestinal] de um alcance que desconhecemos.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Lima adverte sobre a \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d existente em torno dessa dieta, elaborada para melhorar os sintomas da SII e que, como consequ\u00eancia, pode aliviar outros problemas associados a essa s\u00edndrome, como alguns casos de enxaqueca, mas \u201csem ser a solu\u00e7\u00e3o para ela, como pensam algumas pessoas\u201d. Um estudo portugu\u00eas publicado na revista\u00a0<em>Nutrici\u00f3n Hospitalaria<\/em>sugere que a dieta talvez possa aliviar os sintomas da fibromialgia, mas tampouco vai cur\u00e1-la. Os especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes ao dizer que a FODMAP \u00e9 uma dieta terap\u00eautica e, portanto, desaconselhada para pessoas que n\u00e3o t\u00eam transtornos digestivos. \u201cEla n\u00e3o tem nenhum benef\u00edcio nem nenhum sentido em indiv\u00edduos saud\u00e1veis\u201d, afirma o imunologista. \u201cE acarreta varia\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o da microbiota que podem ter consequ\u00eancias no longo prazo.\u201d<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem nunca se sentiu inchado ap\u00f3s uma\u00a0refei\u00e7\u00e3o, mesmo sem se empanturrar? 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