{"id":110731,"date":"2019-08-10T10:00:49","date_gmt":"2019-08-10T13:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=110731"},"modified":"2019-08-10T08:24:00","modified_gmt":"2019-08-10T11:24:00","slug":"estimulacao-cerebral-por-meio-da-neuromodulacao-pode-ajudar-a-tratar-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estimulacao-cerebral-por-meio-da-neuromodulacao-pode-ajudar-a-tratar-obesidade\/","title":{"rendered":"Estimula\u00e7\u00e3o cerebral por meio da neuromodula\u00e7\u00e3o pode ajudar a tratar obesidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-110732\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma das alternativas que t\u00eam sido testadas no tratamento da obesidade \u00e9 a neuromodula\u00e7\u00e3o cerebral n\u00e3o invasiva por uma t\u00e9cnica conhecida como estimula\u00e7\u00e3o transcraniana por corrente cont\u00ednua (tDCS, na sigla em ingl\u00eas). Estudos feitos at\u00e9 o momento indicam que o m\u00e9todo de fato contribui para reduzir o apetite, a ingest\u00e3o alimentar e o peso corporal, mas apenas em parte dos volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Novos dados publicados por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) na revista Appetite ajudam a entender o motivo de tamanha variabilidade na resposta a esse tratamento.<\/p>\n<p>\u201cO perfil gen\u00e9tico do paciente \u2013 particularmente as varia\u00e7\u00f5es em um gene conhecido como COMT \u2013 parece ser um fator determinante para o resultado\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP Priscila Giacomo Fassini, primeira autora do artigo.<\/p>\n<p>Durante seu p\u00f3s-doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP), Fassini conduziu \u2013 com apoio da FAPESP \u2013 um ensaio cl\u00ednico randomizado, duplo-cego, placebo-controlado para testar a efic\u00e1cia da tDCS na redu\u00e7\u00e3o do apetite e do peso.<\/p>\n<p>Nesse tipo de estudo, considerado padr\u00e3o-ouro na avalia\u00e7\u00e3o de novas terapias, os volunt\u00e1rios s\u00e3o divididos aleatoriamente em dois grupos e nem mesmo os pesquisadores sabem antecipadamente quem de fato recebeu a interven\u00e7\u00e3o ou apenas placebo. O trabalho foi supervisionado pela professora do Departamento de Cl\u00ednica M\u00e9dica Vivian Marques Miguel Suen.<\/p>\n<p>A estimula\u00e7\u00e3o transcraniana por corrente cont\u00ednua \u00e9 feita por dois eletrodos (c\u00e1todo e \u00e2nodo) posicionados no couro cabeludo e ligados a um pequeno equipamento port\u00e1til capaz de gerar uma corrente galv\u00e2nica que altera a atividade el\u00e9trica cerebral da \u00e1rea de interesse.<\/p>\n<p>No caso da obesidade, o objetivo \u00e9 modular a excitabilidade dos neur\u00f4nios localizados no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal dorsolateral esquerdo.<\/p>\n<p>\u201cUsamos em nosso ensaio uma corrente de apenas 2 miliamperes \u2013 t\u00e3o baixa que nem \u00e9 percebida pelos pacientes. Os membros do grupo placebo passavam pelos mesmos procedimentos, por\u00e9m, recebiam uma corrente n\u00e3o ativa\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Partindo de uma base inicial com quase 9 mil volunt\u00e1rios, o grupo selecionou 38 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos, para participar das quatro fases do ensaio cl\u00ednico.<\/p>\n<p>Todas tinham \u00edndice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35, considerado como obesidade grau 1. Foram selecionadas apenas mulheres com o objetivo de reduzir a variabilidade de resultados e, assim, aumentar o poder do estudo.<\/p>\n<p>\u201cOs crit\u00e9rios de inclus\u00e3o foram bastante rigorosos. Exclu\u00edmos usu\u00e1rios de medicamentos e portadores de doen\u00e7as que poderiam influenciar nos resultados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como a terceira fase do estudo envolvia interna\u00e7\u00e3o hospitalar durante duas semanas, nem todos os interessados tinham disponibilidade para participar\u201d, disse Fassini.<\/p>\n<p>Ao todo, as volunt\u00e1rias selecionadas receberam 17 sess\u00f5es de 30 minutos de tDCS ao longo de um m\u00eas e tiveram o apetite e o peso monitorados durante seis meses. Segundo Fassini, pesquisas anteriores haviam investigado apenas os efeitos imediatos da estimula\u00e7\u00e3o transcraniana no apetite, com um n\u00famero menor de sess\u00f5es e sem um per\u00edodo de seguimento.<\/p>\n<p><strong>O papel da dopamina<\/strong><br \/>\nNa primeira fase do ensaio cl\u00ednico, as volunt\u00e1rias receberam uma \u00fanica sess\u00e3o de tDCS e, logo em seguida, foram submetidas a testes de desempenho da mem\u00f3ria de trabalho, que permite o armazenamento tempor\u00e1rio de informa\u00e7\u00f5es visando o cumprimento de tarefas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Segundo Fassini, o objetivo era confirmar se a regi\u00e3o correta do c\u00e9rebro estava sendo estimulada, pois o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal dorsolateral esquerdo est\u00e1 relacionado tanto \u00e0 mem\u00f3ria de trabalho como \u00e0 regula\u00e7\u00e3o do apetite. Em ambos os casos, h\u00e1 evid\u00eancias de que o efeito da neuromodula\u00e7\u00e3o \u00e9 mediado pela libera\u00e7\u00e3o de dopamina, uma das subst\u00e2ncias produzidas pelos neur\u00f4nios (neurotransmissores).<\/p>\n<p>\u201cA dopamina desempenha um papel fundamental na regula\u00e7\u00e3o da recompensa alimentar, alimenta\u00e7\u00e3o e peso corporal. Est\u00e1 bem estabelecido na literatura cient\u00edfica que alimentos apetitosos ativam o sistema de recompensa do c\u00e9rebro, contribuindo para a libera\u00e7\u00e3o de dopamina. Ao que tudo indica, a neuromodula\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de mimetizar esse efeito\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Nas duas semanas seguintes, as volunt\u00e1rias receberam outras 10 sess\u00f5es de tDCS pela manh\u00e3 (uma vez ao dia, de segunda a sexta-feira), podendo retomar a rotina normal ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 na terceira fase, foram internadas por duas semanas e submetidas a uma dieta hipocal\u00f3rica individualizada e supervisionada, com redu\u00e7\u00e3o de 30% da ingest\u00e3o energ\u00e9tica. Paralelamente, receberam mais seis sess\u00f5es de tDCS em dias alternados (segundas, quartas e sextas-feiras).<\/p>\n<p>A quarta etapa da pesquisa consistiu no acompanhamento do peso e do apetite durante os seis meses seguintes ao t\u00e9rmino da interven\u00e7\u00e3o. O efeito sobre o apetite \u2013 durante e ap\u00f3s o per\u00edodo de neuromodula\u00e7\u00e3o \u2013 foi medido por meio de escalas padronizadas para avalia\u00e7\u00e3o da fome, da saciedade, do desejo de comer e do consumo de alimentos.<\/p>\n<p><strong>Desvendando os resultados<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s concluir toda a coleta de dados no Brasil, Fassini seguiu, com apoio da FAPESP, para um est\u00e1gio de pesquisa na Harvard Medical School, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Sob a supervis\u00e3o do professor Miguel Alonso-Alonso \u2013 um dos pioneiros nos estudos com tDCS em obesidade \u2013 foi feita a an\u00e1lise dos resultados. Tamb\u00e9m participaram J\u00falio S\u00e9rgio Marchini (FMRP-USP), Sai Krupa Das (Tufts University, Estados Unidos) e Greta Magerowski (Harvard Medical School).<\/p>\n<p>Com base em amostras de sangue coletadas na primeira fase do ensaio, o material gen\u00e9tico das volunt\u00e1rias foi sequenciado. Como j\u00e1 se conhecia a import\u00e2ncia da dopamina para o mecanismo de a\u00e7\u00e3o da tDCS, o grupo decidiu investigar, nas volunt\u00e1rias, a presen\u00e7a de formas variantes (polimorfismos) do gene COMT, respons\u00e1vel por codificar uma enzima \u2013 a catecol o-metiltransferase \u2013 que participa do processo de degrada\u00e7\u00e3o desse neurotransmissor no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal.<\/p>\n<p>\u201cEstudos anteriores haviam mostrado que um polimorfismo conhecido como Valina158Metionina [Val158Met] afeta a atividade da enzima, tornando-a menos eficaz para degradar a dopamina. Ou seja, em pessoas com essa variante do gene COMT, a disponibilidade de dopamina extracelular no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal \u00e9 maior\u201d, disse Fassini.<\/p>\n<p>De fato, os dados mostraram que as \u00fanicas participantes que apresentaram uma redu\u00e7\u00e3o significativa do apetite ao longo do tempo foram as portadoras do alelo Met do gene COMT que receberam neuromodula\u00e7\u00e3o ativa. \u201cElas respondem melhor ao tratamento pela maior disponibilidade de dopamina, exibindo n\u00edveis mais baixos de fome, menor desejo de comer e menor consumo de alimentos ao longo do tempo\u201d, disse Fassini.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, por\u00e9m, a descoberta mais not\u00e1vel do ensaio cl\u00ednico foi o efeito paradoxal observado nas volunt\u00e1rias que n\u00e3o tinham o alelo Met do gene COMT. Ou seja, nessas mulheres, a tDCS teve o efeito oposto ao esperado, aumentando a fome, o desejo de comer e o consumo alimentar durante toda a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse efeito paradoxal foi observado em avalia\u00e7\u00f5es repetidas e estava presente 23 horas ap\u00f3s a administra\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o de tDCS, e n\u00e3o de forma aguda. Os mecanismos potenciais subjacentes ainda n\u00e3o s\u00e3o claros\u201d, comentou Fassini.<\/p>\n<p>Os resultados tamb\u00e9m mostraram uma correla\u00e7\u00e3o entre o desempenho nos testes de mem\u00f3ria de trabalho da fase 1 com a mudan\u00e7a de apetite de uma maneira dependente do gen\u00f3tipo COMT. \u201cMelhorias de velocidade durante a tarefa de mem\u00f3ria previram aumento de apetite em indiv\u00edduos portadores do alelo Met e redu\u00e7\u00e3o de apetite em n\u00e3o portadores\u201d, disse.<\/p>\n<p>O efeito do tratamento sobre o peso corporal das participantes ainda est\u00e1 sendo analisado e ser\u00e1 tema de um artigo a ser publicado em breve. \u201cN\u00e3o observamos muita diferen\u00e7a entre os grupos at\u00e9 o fim da interven\u00e7\u00e3o, o que era esperado, pois todas passaram por dieta supervisionada. Contudo, estamos notando diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do peso nos seis meses de acompanhamento\u201d, contou Fassini.<\/p>\n<p>O grupo da FMRP-USP continua a acompanhar as volunt\u00e1rias e, em breve, o estudo completar\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>\u201cEsses primeiros resultados j\u00e1 ajudam a entender por que somente algumas pessoas respondem ao tratamento com tDCS. Vimos que diferen\u00e7as genot\u00edpicas afetam a disponibilidade de dopamina e interferem totalmente no efeito da t\u00e9cnica. \u00c9 poss\u00edvel que existam outros fatores, que ainda precisam ser investigados em estudos futuros\u201d, disse Fassini.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o a ser respondida \u00e9 se as altera\u00e7\u00f5es no funcionamento cerebral induzidas pela neuromodula\u00e7\u00e3o permanecem no longo prazo e alteram a plasticidade cerebral (a forma como o c\u00e9rebro se organiza) de forma definitiva.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, esse tipo de conhecimento \u00e9 fundamental para que a t\u00e9cnica possa ser prescrita com seguran\u00e7a e efic\u00e1cia no tratamento da obesidade.<\/p>\n<p>Embora ainda seja considerada experimental nesse contexto, a tDCS j\u00e1 tem sido usada na pr\u00e1tica cl\u00ednica para o tratamento de condi\u00e7\u00f5es neuropsiqui\u00e1tricas, como depress\u00e3o e esquizofrenia. O m\u00e9todo \u00e9 considerado seguro e n\u00e3o tem efeitos colaterais conhecidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das alternativas que t\u00eam sido testadas no tratamento da obesidade \u00e9 a neuromodula\u00e7\u00e3o cerebral<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":110732,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/neuromodulacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma das alternativas que t\u00eam sido testadas no tratamento da obesidade \u00e9 a neuromodula\u00e7\u00e3o cerebral","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110731"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110731\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110732"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}