{"id":110476,"date":"2019-08-06T11:25:53","date_gmt":"2019-08-06T14:25:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=110476"},"modified":"2019-08-06T11:25:53","modified_gmt":"2019-08-06T14:25:53","slug":"pesquisa-farmaceutica-usa-palma-e-sisal-para-tratar-lesoes-cutaneas-e-reduzir-colesterol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-farmaceutica-usa-palma-e-sisal-para-tratar-lesoes-cutaneas-e-reduzir-colesterol\/","title":{"rendered":"Pesquisa farmac\u00eautica usa palma e sisal para tratar les\u00f5es cut\u00e2neas e reduzir colesterol"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-110477\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisas do Curso de Farm\u00e1cia da UEPB usa palma forrageira e sisal para tratar les\u00f5es cut\u00e2neas e reduzir colesterol. A primeira pesquisa, intitulada \u201cFilmes de Celulose Extra\u00edda da Palma Forrageira contendo derivado N-acilidraz\u00f4nio para o tratamento de les\u00f5es cult\u00e2neas\u201d, utiliza palmas cultivadas na unidade experimental do Instituto Nacional do Semi\u00e1rido (INSA) e nos palmares de Monteiro.<\/p>\n<p>O verde que brota no solo do Sert\u00e3o, Cariri, Agreste e Cumimata\u00fa paraibano ganha forma, nova cor e outras utilidades no Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento e Caracteriza\u00e7\u00e3o de Produtos Farmac\u00eauticos (LDCPF) da Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB). Resistente ao sol e \u00e0s intemp\u00e9ries clim\u00e1ticas, a palma forrageira e o agave n\u00e3o servem apenas como alimento alternativo para o gado em tempos de seca. Os dois vegetais, dispon\u00edveis abundantemente no semi\u00e1rido nordestino, podem ser usados com fins medicinais.<\/p>\n<p>Uma pesquisa desenvolvida por alunos e professores do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (PPGCF) e do Departamento de Farm\u00e1cia da UEPB tem testado o uso da palma e do agave para tratar les\u00f5es de pele e, at\u00e9 mesmo, reduzir a taxa de colesterol no sangue. A pesquisa, coordenada pelo professor Bol\u00edvar Ponciano Damasceno, \u00e9 financiada com recursos da Chamada Universal do CNPq e do PROPESQ UEPB, e j\u00e1 rendeu duas teses de Mestrado. Atualmente, dois trabalhos usando os mesmos produtos est\u00e3o em pleno andamento.<\/p>\n<p>A primeira pesquisa, intitulada \u201cFilmes de Celulose Extra\u00edda da Palma Forrageira contendo derivado N-acilidraz\u00f4nio para o tratamento de les\u00f5es cult\u00e2neas\u201d, utiliza palmas cultivadas na unidade experimental do Instituto Nacional do Semi\u00e1rido (INSA) e nos palmares de Monteiro. No Laborat\u00f3rio localizado no Complexo Integrado de Pesquisa Tr\u00eas Marias, no Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e da Sa\u00fade (CCBS), no C\u00e2mpus de Bodocong\u00f3, a palma vira uma subst\u00e2ncia que pode ser preciosa para a sa\u00fade. Da planta \u00e9 extra\u00edda a celulose, que pode servir para v\u00e1rios benef\u00edcios na \u00e1rea farmac\u00eautica, como excipientes. A equipe do professor Bol\u00edvar optou por usar a celulose para produzir o filme polim\u00e9rico com a finalidade de us\u00e1-lo como meio cicatrizante de feridas ou queimaduras.<\/p>\n<p>Para extrair a celulose, a palma passa por v\u00e1rias etapas, incluindo o processo de secagem e pureza da planta. O primeiro passo \u00e9 triturar a droga vegetal e inserir nela v\u00e1rios produtos que retiram as subst\u00e2ncias que n\u00e3o sejam celulose. Ap\u00f3s ser triturada, a subst\u00e2ncia verde se transforma no acetato de celulose, utilizado na prepara\u00e7\u00e3o dos filmes polim\u00e9ricos. A estes filmes s\u00e3o incorporadas subst\u00e2ncias ativas para exercer a sua efic\u00e1cia, como \u00e9 o caso da mol\u00e9cula conhecida por JR-19, desenvolvida pela equipe do professor do Departamento de Farm\u00e1cia, Ricardo Ol\u00edmpio de Moura, at\u00e9 chegar ao produto final.<\/p>\n<p>O mestrando Amaro C\u00e9sar Lima de Assis, que est\u00e1 \u00e0 frente da pesquisa, revela que os primeiros resultados colhidos no laborat\u00f3rio surpreenderam a equipe. \u201cEsses filmes desenvolvidos passam por todo um processo de caracteriza\u00e7\u00e3o para garantir que realmente o sistema a ser desenvolvido cont\u00e9m essencialmente a celulose extra\u00edda da planta. Esse processo \u00e9 bastante inovador e nossa Universidade \u00e9 pioneira no uso desta planta com essa finalidade\u201d, observou Amaro C\u00e9sar.<\/p>\n<p>Amaro, que \u00e9 graduado em Farm\u00e1cia pela UEPB, destacou que o objetivo final da pesquisa \u00e9 formar um sistema em que o f\u00e1rmaco incorporado tenha uma libera\u00e7\u00e3o prolongada para poder passar mais tempo em contato com a pele e diminuir o inc\u00f4modo dos ferimentos. Por enquanto, o uso da planta para acelerar o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o de ferimentos foi testada apenas em animais, mas a pretens\u00e3o da equipe \u00e9, futuramente, fazer testes cl\u00ednicos em humanos. Essa parte, considerada a mais ousada da pesquisa, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel fazer a partir de parcerias com outras institui\u00e7\u00f5es e financiamentos.<\/p>\n<p>\u201cO principal foco do nosso laborat\u00f3rio \u00e9 desenvolver o produto. Os testes pr\u00e9-cl\u00ednicos e cl\u00ednicos s\u00e3o feitos em parceria com outros laborat\u00f3rios\u201d, observou Bol\u00edvar. O professor enfatizou que a pesquisa pode dar grande contribui\u00e7\u00e3o para a ci\u00eancia, uma vez que vai facilitar o tratamento de pessoas que est\u00e3o com feridas e queimaduras. Ele disse que um dos objetivos do trabalho \u00e9 agregar valor a um produto nordestino resistente a seca e chuva.<\/p>\n<p><strong>Agave usado na redu\u00e7\u00e3o do colesterol<\/strong><\/p>\n<p>Dentro do Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento e Caracteriza\u00e7\u00e3o de Produtos Farmac\u00eautico da UEPB, a pesquisa desenvolvida pela estudante Larissa Pereira tem metas ousadas que podem, no futuro, revolucionar a medicina. Utilizando o sisal, a pesquisa, orientada pelo professor Bol\u00edvar Ponciano, visa derrubar as taxas de colesterol no sangue e, consequentemente, diminuir os riscos de acidente vascular cerebral (AVC) e outros desfechos cardiovasculares.<\/p>\n<p>A pesquisa \u201cMicropart\u00edculas de acetato de celulose sintetizado a partir de Agave oriundo do semi\u00e1rido brasileiro para a obten\u00e7\u00e3o de sistema de libera\u00e7\u00e3o controlada da sinvastatina\u201d utiliza a celulose extra\u00edda do agave, tamb\u00e9m conhecida como sisal. Ela \u00e9 inicialmente transformada em microemuls\u00e3o para, posteriormente, ser transformada em micropart\u00edculas. O produto passa por um processo de secagem em um equipamento chamado Spray-dryer, restando apenas a parte do p\u00f3, em que o f\u00e1rmaco, a sinvastatina, \u00e9 incorporado na matriz polim\u00e9rica do acetato de celulose. Ap\u00f3s passar por v\u00e1rias etapas, o produto, pronto para ser ingerido, \u00e9 colocado em uma c\u00e1psula de gelatina dura.<\/p>\n<p>Formada em Farm\u00e1cia pela UEPB, Larissa Pereira afirmou que a ideia da pesquisa \u00e9 diminuir as dosagens dos pacientes que tem taxas elevadas de colesterol e controlar melhor o uso de medicamentos no tratamento. \u201cO objetivo \u00e9 que o paciente tome uma \u00fanica dosagem por dia\u201d, frisou. A pesquisa, fruto da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado da estudante, ainda est\u00e1 e fase embrion\u00e1ria, sendo que os testes pr\u00e9-cl\u00ednicos devem ser feitos em ratos, no C\u00e2mpus da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Patos. O trabalho j\u00e1 foi submetido ao Comit\u00ea de \u00c9tica da UFCG.<\/p>\n<p>Integrante do PPGCF da UEPB, o professor Jo\u00e3o Oshiro destaca o n\u00edvel das duas pesquisas e a contribui\u00e7\u00e3o que futuramente o Laborat\u00f3rio de Farm\u00e1cia da Institui\u00e7\u00e3o pode dar para a ci\u00eancia. Ele ressalta a riqueza da palma forrageira, onde pode ser extra\u00eddo um dos cinco excipientes mais utilizados na ind\u00fastria farmac\u00eautica, que \u00e9 a celulose. \u201c\u00c9 um projeto fant\u00e1stico, de n\u00edvel internacional, e que vai impactar na economia local, uma vez que a palma \u00e9 uma esp\u00e9cie nativa que usa pouca \u00e1gua e n\u00f3s estamos tendo um bom resultado\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Pesquisas conclu\u00eddas<\/strong><\/p>\n<p>Pelo menos duas disserta\u00e7\u00f5es de mestrado foram conclu\u00eddas no PPGCF usando a palma forrageira. O trabalho pioneiro, coordenado pelo professor Bol\u00edvar Damasceno, foi desenvolvido pelo estudante Jo\u00e3o Paulo Tavares Malheiro e teve como tema \u201cS\u00edntese, Caracteriza\u00e7\u00e3o e Aplica\u00e7\u00e3o do Acetato de Celulose a partir da Palma Forrageira Para Libera\u00e7\u00e3o Modificada de F\u00e1rmacos\u201d.<\/p>\n<p>A outra pesquisa, \u201cMicropart\u00edcula de Acetato de Celulose Sintetizado a partir da Palma Forrageira para a Obten\u00e7\u00e3o de Sistema de Libera\u00e7\u00e3o Controlada do Captopril\u201d, que tamb\u00e9m usa a palma para fins medicinais, foi desenvolvida pela estudante Alana Rafaela Albuquerque Barros.<\/p>\n<p>Na semana passada, a equipe do professor Bol\u00edvar teve um artigo sobre a extra\u00e7\u00e3o da celulose da palma aceito para publica\u00e7\u00e3o em uma revista de alto impacto cient\u00edfico. Com o t\u00edtulo \u201cOpuntia ficus-indica L. Miller (forage palm) as an Alternative Source of Cellulose for Production of Pharmaceutical Dosage Forms and Biomaterials: Extraction and Characterization\u201d (Opuntia ficus-indica L. Miller (palma forrageira) como fonte alternativa de celulose para produ\u00e7\u00e3o de formas farmac\u00eauticas de dosagem e biomateriais: extra\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o), o artigo foi publicado na revista Polymers.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas do Curso de Farm\u00e1cia da UEPB usa palma forrageira e sisal para tratar les\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":110477,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/farmaco.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisas do Curso de Farm\u00e1cia da UEPB usa palma forrageira e sisal para tratar les\u00f5es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110476"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110476\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110477"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}