{"id":110379,"date":"2019-08-05T07:00:10","date_gmt":"2019-08-05T10:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=110379"},"modified":"2019-08-04T19:48:39","modified_gmt":"2019-08-04T22:48:39","slug":"joao-pessoa-uma-historia-que-comeca-as-margens-de-um-rio-e-chega-a-434-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/joao-pessoa-uma-historia-que-comeca-as-margens-de-um-rio-e-chega-a-434-anos\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Pessoa: uma hist\u00f3ria que come\u00e7a \u00e0s margens de um rio e chega aos 434 anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-110384\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma terra rica em recursos naturais, repleta de esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica, manguezais, pau-brasil, com toda sua diversidade da flora e da fauna, banhada pelo Rio Para\u00edba. Assim era o lugar onde se estabeleceu Jo\u00e3o Pessoa, capital da Para\u00edba, que completa 434 anos de exist\u00eancia, nesta segunda-feira (5). Os \u00edndios potiguara eram os principais habitantes da regi\u00e3o, antes da funda\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas viviam em numerosas aldeias, faziam uso da abund\u00e2ncia dos recursos naturais. Esses povos tiravam da natureza, da pesca, ca\u00e7a, da coleta de frutos e da pr\u00e1tica da agricultura, todo o seu sustento. As fam\u00edlias nativas seguiam suas tradi\u00e7\u00f5es em um trecho de terra ent\u00e3o chamado de Parahyba ou Para\u00edwa, cujo significado \u00e9 trecho de rio dif\u00edcil de navegar.<\/p>\n<p>Interessante lembrar que, antes da funda\u00e7\u00e3o da cidade de Philip\u00e9ia, os potiguara comercializavam com os franceses pau-brasil, peles de on\u00e7a, macacos, papagaio, algod\u00e3o e resina de \u00e1rvores. \u201cEm troca, eles recebiam tesouras, facas, espelhos, machados, tecidos, mi\u00e7angas, objetos \u00fateis e valorizados no cotidiano ind\u00edgena\u201d, conta o antrop\u00f3logo e professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), Est\u00e9v\u00e3o Palit\u00f3t.<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o da capital paraibana no final do s\u00e9culo XVI, precisamente em 1585, se deu entre conflitos e derramamento de sangue, tendo o \u00edndio como protagonista, uma vez que esses povos resistiam ao dom\u00ednio europeu. Os potiguara eram bravos guerreiros e estiveram juntos aos franceses que frequentavam a costa paraibana em busca de pau-brasil, madeira que era abundante neste territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>De acordo com o historiador e professor George Vasconcelos, a presen\u00e7a francesa e a alian\u00e7a com os potiguara foram motivos de grande preocupa\u00e7\u00e3o para Portugal, que teve de lan\u00e7ar m\u00e3o de diversas expedi\u00e7\u00f5es militares no sentido de ocupar a regi\u00e3o que corresponde<br \/>\nhoje \u00e0 Para\u00edba e efetivar assim, sua coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm uma dessas expedi\u00e7\u00f5es, portugueses e seus aliados espanh\u00f3is falharam na tentativa de ocupar e fundar o n\u00facleo de povoamento na regi\u00e3o que conhecido nos nossos tempos como Forte Velho. O forte, constru\u00eddo de madeira e terra batida, denominado de S\u00e3o Felipe e S\u00e3o Tiago, foi destru\u00eddo por rea\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas potiguara e seus aliados franceses\u201d, contou George Vasconcelos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joao_pessoa_verde.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-47179\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joao_pessoa_verde-300x129.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joao_pessoa_verde-300x129.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joao_pessoa_verde.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Durante as guerras de conquista, outros povos ind\u00edgenas, os tabajara, vindos de terras mais afastadas, pr\u00f3ximas ao Rio S\u00e3o Francisco, se aliaram inicialmente com os potiguara, ambos de l\u00edngua tupi. Ali\u00e1s, conforme explicou o antrop\u00f3logo Est\u00e9v\u00e3o Palit\u00f3t, o tupi era falado no litoral brasileiro, desde o sul de S\u00e3o Paulo at\u00e9 o Cear\u00e1. \u201cO portugueses a chamavam de l\u00edngua geral da costa do Brasil, porque um \u00edndio do litoral do Cear\u00e1 poderia se comunicar na l\u00edngua Tupi com um \u00edndio do litoral Sul de S\u00e3o Paulo\u201d, frisou Palit\u00f3t.<\/p>\n<p>Com costumes semelhantes e falando a mesma l\u00edngua, os potiguaras e tabajaras firmaram uma alian\u00e7a e conviveram em harmonia durante um per\u00edodo. Depois, essa alian\u00e7a foi quebrada e os tabajara passaram para o lado dos portugueses.<\/p>\n<p>Com o apoio dos tabajara, Portugal consegue, enfim, fundar o n\u00facleo de povoamento. Nascia assim, a Filip\u00e9ia de Nossa Senhora das Neves, \u00e0s margens do Rio Sanhau\u00e1, justamente onde se localiza o Porto do Capim. A cidade foi batizada em honra \u00e0 divindade cat\u00f3lica e ao ent\u00e3o rei de Portugal e da Espanha, Felipe II.<\/p>\n<p>\u201cPortugal, ent\u00e3o, conseguiu al\u00e9m de um grande aliado, a seguran\u00e7a que precisavam para efetivar a conquista. Vencidos os franceses e expulsos os potiguara para o litoral Norte, a cria\u00e7\u00e3o do n\u00facleo fixo de povoamento e conquista desta parte do territ\u00f3rio estava quase efetivada. Mas as lutas com os potiguaras s\u00f3 cessariam de vez no s\u00e9culo seguinte&#8221;, concluiu o historiador George.<\/p>\n<p><strong>Lagoa de todas as gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lagoa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42807\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lagoa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lagoa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/lagoa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma das paisagens que chama bastante aten\u00e7\u00e3o e est\u00e1 viva no dia a dia dos pessoenses \u00e9 o l Parque Solon de Lucena (Lagoa). Entre 1935 e 1940, o governador eleito de forma indireta, Argemiro de Figueiredo, urbanizou a espa\u00e7o, antes chamado de Lagoa dos Irer\u00eas.<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Oct\u00e1vio, nesse mesmo per\u00edodo, ele ergueu o col\u00e9gio Lyceu Paraibano e criou a Avenida Get\u00falio Vargas. Por fim, construiu o Cassino da Lagoa, que hoje funciona como restaurante, mas em meados do s\u00e9culo XX funcionou como bar e sorveteria. \u201cPor volta de 1950, o Cassino se tornou palco de grandes manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d, declarou Jos\u00e9 Oct\u00e1vio.<\/p>\n<p>Em cada recanto de Jo\u00e3o Pessoa, seja na parte baixa ou alta da cidade, podemos encontrar ind\u00edcios de uma \u00e9poca de conquistas, muitas delas marcadas por batalhas e conflitos pol\u00edticos. Um deles \u00e9 a Casa da P\u00f3lvora, que servia de armaz\u00e9m para guardar material b\u00e9lico, situada no alto da Ladeira de S\u00e3o Francisco. Constru\u00edda em 1710, foi a terceira da cidade. As demais n\u00e3o resistiram ao tempo. A constru\u00e7\u00e3o da Casa da P\u00f3lvora foi motivada pela Guerra dos Mascates, em Pernambuco.<\/p>\n<p>\u201cO receio era que o grupo marchasse para a Para\u00edba\u201d, recordou Mello. A amea\u00e7a n\u00e3o se concretizou, e a Casa da P\u00f3lvora continuou com sua atribui\u00e7\u00e3o original por muitos anos, at\u00e9 perder a serventia.<\/p>\n<p>As pra\u00e7as tamb\u00e9m refletem epis\u00f3dios relevantes na evolu\u00e7\u00e3o urbana. Uma que faz alus\u00e3o direta a Jo\u00e3o Pessoa, ex-presidente da capital paraibana, assassinado em 1930, \u00e9 a Pra\u00e7a Presidente Jo\u00e3o Pessoa, tamb\u00e9m conhecida como Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, por estar localizada entre as sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio estaduais.<\/p>\n<p>O monumento, instalado em 1933, em formato quadril\u00e1tero no estilo art d\u00e9co, simboliza a coragem, o civismo e altivez do ex-presidente da cidade. \u201cEsse monumento \u00e9 obra de um escultor italiano chamado Uberto Cozzo, que morava em Jo\u00e3o Pessoa. O monumento \u00e9 produto de um concurso lan\u00e7ado pelo governador Gratuliano Brito, para homenagear Jo\u00e3o Pessoa\u201d, contou Jos\u00e9 Oct\u00e1vio.<\/p>\n<p>A capital paraibana, que foi inicialmente Nossa Senhora das Neves, Filipeia de Nossa Senhora da Neves, Frederica, Parahyba at\u00e9 chegar a Jo\u00e3o Pessoa, \u00e9 um peda\u00e7o do Brasil repleto de valor hist\u00f3rico, art\u00edstico e cultural.<\/p>\n<p><strong>Cidade das fontes naturais <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-78266\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bica-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bica-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bica.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na hist\u00f3ria da cidade de Jo\u00e3o Pessoa, vale reservar um cap\u00edtulo para as fontes. Esses propulsores de \u00e1gua que guarneceram a regi\u00e3o em uma \u00e9poca em que n\u00e3o se imaginava ter redes de esgoto, muitas vezes passam despercebidas pela popula\u00e7\u00e3o. Entre as que existiram ao longo dos s\u00e9culos, o professor e historiador George Vasconcelos destaca as Fontes de Santo Ant\u00f4nio, localizada no Conjunto Arquitet\u00f4nico de S\u00e3o Francisco, e a de Tambi\u00e1, que est\u00e1 no Parque Zoobot\u00e2nico Arruda C\u00e2mara (Bica).<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1gua, tirada dessas constru\u00e7\u00f5es bel\u00edssimas, era vendida no lombo de jumentos pelos chamados Aguadeiros, e matou a sede de incont\u00e1veis gera\u00e7\u00f5es de paraibanos. No per\u00edodo colonial, este era um of\u00edcio de pessoas negras livres, pobres e tamb\u00e9m escravizados\u201d, afirmou Vasconcelos.<\/p>\n<p>O historiador ainda recorda da extinta fonte do Gravat\u00e1. Constru\u00edda no s\u00e9culo XVII, pr\u00f3ximo \u00e0 \u00e1rea onde est\u00e1 a Rodovi\u00e1ria de Jo\u00e3o Pessoa, a fonte foi soterrada em 1922.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma terra rica em recursos naturais, repleta de esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica, manguezais, pau-brasil, com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":110384,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Sanhaua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma terra rica em recursos naturais, repleta de esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica, manguezais, pau-brasil, com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110379"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110379\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}