{"id":110235,"date":"2019-08-02T11:00:59","date_gmt":"2019-08-02T14:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=110235"},"modified":"2019-08-01T17:45:04","modified_gmt":"2019-08-01T20:45:04","slug":"os-animais-nao-conseguem-acompanhar-o-ritmo-das-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-animais-nao-conseguem-acompanhar-o-ritmo-das-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Os animais n\u00e3o conseguem acompanhar o ritmo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/coruja.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-110236\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/coruja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/coruja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/coruja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cambio_climatico\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>\u00a0est\u00e3o indo depressa demais para os seres vivos. As tentativas de adapta\u00e7\u00e3o ocorrem em todas as esp\u00e9cies: com o aumento da temperatura, h\u00e1 \u00e1rvores que est\u00e3o ocupando regi\u00f5es cada vez mais para o norte ou subindo cotas mais altas nas montanhas. Muitas aves est\u00e3o antecipando suas migra\u00e7\u00f5es e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/05\/29\/ciencia\/1527575114_758309.html\">os peixes est\u00e3o se deslocando para o norte<\/a>. Os poucos estudos suficientemente longevos existentes mostram que poucas esp\u00e9cies tiram proveito do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/calentamiento_global\">aquecimento global<\/a>.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CNHVsrnD4uMCFc0fhwodRTgKXQ\"><\/div>\n<div class=\"teads-inread sm-screen teads-display-format\">\n<div>\n<div class=\"teads-ui-components-credits\">Um grupo de pesquisadores, incluindo v\u00e1rios espanh\u00f3is, revisou as publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que estudaram a resposta de diferentes animais ao <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/24\/ciencia\/1563952725_398858.html\">aumento de temperatura provocado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>\u00a0em curso. Encontraram quase 5.000 estudos com dados de mais de 1.400 esp\u00e9cies nos quais observaram a conex\u00e3o entre a evolu\u00e7\u00e3o da temperatura e mudan\u00e7as em certas caracter\u00edsticas ou padr\u00f5es de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/30\/internacional\/1559213672_466168.html\">comportamento de diferentes animais<\/a>, como a antecipa\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de reprodu\u00e7\u00e3o ou das migra\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Com este banco de dados podemos dizer como a temperatura afetou as caracter\u00edsticas. Por exemplo, mostramos que, ao longo de muitos t\u00e1xons [um t\u00e1xon \u00e9 um grupo de organismos aparentados, que em uma determinada classifica\u00e7\u00e3o foram agrupados, atribuindo ao grupo um nome em latim, uma descri\u00e7\u00e3o, se for uma esp\u00e9cie, e um tipo], o ritmo dos diversos eventos biol\u00f3gicos foi sendo antecipado \u00e0 medida que as temperaturas subiram nas \u00faltimas d\u00e9cadas&#8221;, explica a pesquisadora do Instituto Leibniz em um e-mail para a pesquisa da Vida Silvestre e Zool\u00f3gica (IZW, com sede em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/berlin\">Berlim<\/a>) e principal autora do estudo, Viktoriia Radchuk. &#8220;Mas este conjunto de dados n\u00e3o poderia nos dizer nada sobre se essas respostas das esp\u00e9cies s\u00e3o adaptativas, isto \u00e9, se elas se traduzem em alguma vantagem de adapta\u00e7\u00e3o, como um maior n\u00famero de descendentes&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Para determinar se uma mudan\u00e7a \u00e9 adaptativa ou n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar durante d\u00e9cadas com as mesmas popula\u00e7\u00f5es. Portanto, quase n\u00e3o existem estudos que respondam a esta \u00faltima quest\u00e3o. S\u00f3 foram encontrados 71 trabalhos sobre menos de vinte esp\u00e9cies, principalmente aves. Pesquisadores espanh\u00f3is da Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Zonas \u00c1ridas (EEZA-CSIC) contribu\u00edram com suas pesquisas com tr\u00eas dessas esp\u00e9cies: o rolieiro (Coracias garrulus), o autillo (Otus scops) e a pega-rabuda (Pica pica) na \u00e1rea de Guadix-Baza, no interior de Granada.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira coisa que constatamos em nossa zona de estudo \u00e9 que a temperatura n\u00e3o aumentou de modo significativo durante os anos em que estudamos essas esp\u00e9cies&#8221;, diz o pesquisador da EEZA, Jes\u00fas Miguel Avil\u00e9s. &#8220;No entanto, observamos que os rolieiros e os autillos anteciparam sua data de postura, a cada ano p\u00f5em ovos antes, mas isso n\u00e3o acontece com as pegas-rabudas, que n\u00e3o modificaram sua fenologia nos \u00faltimos anos&#8221;, acrescenta. Esta mudan\u00e7a da data de postura n\u00e3o traz benef\u00edcios para os autillos, porque n\u00e3o t\u00eam mais descendentes quando se reproduzem mais cedo, mas o rolieiro, sim, tem mais filhotes quando antecipa a reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Muitas esp\u00e9cies anteciparam o fim da hiberna\u00e7\u00e3o, das migra\u00e7\u00f5es ou da \u00e9poca da reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>O estudo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-019-10924-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado na\u00a0<em>Nature Communications<\/em><\/a>, n\u00e3o encontrou confirma\u00e7\u00e3o de que as esp\u00e9cies estejam passando por mudan\u00e7as morfol\u00f3gicas por causa da press\u00e3o seletiva do aumento da temperatura. Mas, sim, mudan\u00e7as fenol\u00f3gicas, adapta\u00e7\u00f5es de padr\u00f5es de comportamento de seu ciclo de vida, em geral na forma de antecipa\u00e7\u00e3o das etapas desse ciclo, como o fim da hiberna\u00e7\u00e3o ou o in\u00edcio do per\u00edodo de acasalamento e reprodu\u00e7\u00e3o. Essas adapta\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, n\u00e3o seguem o ritmo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><a class=\"enlace\" style=\"text-decoration: none; margin: 0px; padding: 0px; border: none; font: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; color: #016ca2; touch-action: manipulation; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/26\/ciencia\/1564126974_885928_1564441870_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/26\/ciencia\/1564126974_885928_1564441870_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/26\/ciencia\/1564126974_885928_1564441870_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Para saber se h\u00e1 resposta adaptativa \u00e0s mudan\u00e7as do clima \u00e9 preciso analisar as popula\u00e7\u00f5es durante muitas gera\u00e7\u00f5es, como o estudo que j\u00e1 dura 54 anos das gaivotas-de-bico-vermelho da pen\u00ednsula de Kaikoura, na Nova Zel\u00e2ndia.\" width=\"639\" height=\"960\" \/><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Para saber se h\u00e1 resposta adaptativa \u00e0s mudan\u00e7as do clima \u00e9 preciso analisar as popula\u00e7\u00f5es durante muitas gera\u00e7\u00f5es, como o estudo que j\u00e1 dura 54 anos das gaivotas-de-bico-vermelho da pen\u00ednsula de Kaikoura, na Nova Zel\u00e2ndia.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">DEBORAH A. MILLS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>&#8220;Vemos que algumas popula\u00e7\u00f5es mudam bem devagar, por isso enfrentam o risco de extin\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o de tempo relativamente curto&#8221;, diz em um email o bi\u00f3logo evolucionista da IZW, e coautor do estudo, Alexandre Courtiol.<\/p>\n<p>Ainda mais preocupante \u00e9 o fato de que os dados dispon\u00edveis se referem a esp\u00e9cies relativamente comuns e abundantes, como o chapim-real, a cor\u00e7a e a pega-rabuda, que est\u00e3o lidando melhor com o impacto clim\u00e1tico. &#8220;As respostas adaptativas entre as esp\u00e9cies mais raras ou amea\u00e7adas ainda precisam ser investigadas&#8221;, diz Stephanie Kramer-Schadt, tamb\u00e9m da IZW, e acrescenta: &#8220;Tememos que as previs\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es dessas esp\u00e9cies-chave para a conserva\u00e7\u00e3o sejam ainda mais pessimistas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As\u00a0mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0est\u00e3o indo depressa demais para os seres vivos. 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