{"id":109970,"date":"2019-07-27T09:30:32","date_gmt":"2019-07-27T12:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109970"},"modified":"2019-07-26T19:25:49","modified_gmt":"2019-07-26T22:25:49","slug":"aquecimento-atual-e-o-mais-universal-e-intenso-em-2-000-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aquecimento-atual-e-o-mais-universal-e-intenso-em-2-000-anos\/","title":{"rendered":"Aquecimento atual \u00e9 o mais universal e intenso em 2.000 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/aquecimento-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109971\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/aquecimento-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/aquecimento-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/aquecimento-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 pelo menos 2.000 anos o mundo inteiro\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/calentamiento_global\" data-link-track-dtm=\"\">n\u00e3o atravessava um per\u00edodo t\u00e3o quente<\/a>. Esse \u00e9 o principal resultado de uma pesquisa que reconstruiu a evolu\u00e7\u00e3o das temperaturas m\u00e9dias anuais entre os anos 1 e 2000 da nossa era. Apesar da variabilidade natural do clima, nestes dois mil\u00eanios houve cinco grandes per\u00edodos, tr\u00eas quentes e dois predominantemente frios. Mas, segundo este estudo, os quatro anteriores tiveram um impacto continental ou n\u00e3o se deram em todas as regi\u00f5es de forma simult\u00e2nea. Apenas o atual aquecimento\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/29\/internacional\/1553888812_652680.html\" data-link-track-dtm=\"\">est\u00e1 afetando 98% do planeta<\/a>, e de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p class=\"\">Os primeiros registros oficiais das temperaturas usando term\u00f4metros s\u00f3 come\u00e7am em meados do s\u00e9culo XIX. S\u00e3o os anos em que a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, com suas m\u00e1quinas queimando carv\u00e3o, se universaliza, assim como seu impacto. Para poder comparar, era preciso reconstruir as temperaturas do passado. Foi o que fez um grupo de cientistas recorrendo a mais de 700 registros de cinco origens muito diferentes: an\u00e9is das \u00e1rvores, ac\u00famulo mineral nos exoesqueletos dos corais, os an\u00e9is de crescimento de moluscos centen\u00e1rios, os sedimentos em lagos e as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/18\/ciencia\/1560863265_359643.html\" data-link-track-dtm=\"\">sucessivas capas de gelo nos polos e geleiras<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">Assim puderam estimar a evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica anual desde o ano 1, tanto regional como globalmente. Mas \u00e9 afastando o foco at\u00e9 per\u00edodos de uma ou v\u00e1rias d\u00e9cadas como v\u00e3o emergindo cinco pequenas eras clim\u00e1ticas. Pequenas no sentido geol\u00f3gico do termo, n\u00e3o em escala humana. Por exemplo, a chamada Pequena Era Glacial se estendeu do s\u00e9culo XIV at\u00e9 bem entrado o s\u00e9culo XIX. Antes, haviam ocorrido o Per\u00edodo Quente Romano, que coincidiu com o esplendor de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/roma\" data-link-track-dtm=\"\">Roma<\/a>, o Per\u00edodo Frio da Idade das Trevas (os quatro s\u00e9culos posteriores) e o \u00d3timo Clim\u00e1tico Medieval (de 900 a 1300, aproximadamente).<\/p>\n<p class=\"\">&#8220;Durante o \u00d3timo Medieval, a temperatura era muito similar \u00e0 atual&#8221;, diz Juan Jos\u00e9 G\u00f3mez, o f\u00edsico do Grupo de Modeliza\u00e7\u00e3o Atmosf\u00e9rica Regional da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.um.es\/gmar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Universidade de M\u00farcia<\/a>\u00a0(Espanha) e coautor do estudo. Mas esse aquecimento esteve muito localizado nas regi\u00f5es continentais do norte e no Atl\u00e2ntico norte.<\/p>\n<p class=\"\">Com a Pequena Era Glacial acontece o mesmo. At\u00e9 agora, os cientistas podiam discutir sua dura\u00e7\u00e3o, sua intensidade ou quando come\u00e7ou. Mas ningu\u00e9m negava seu car\u00e1ter universal. Entretanto, este trabalho,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-019-1401-2\" target=\"_parent\" data-link-track-dtm=\"\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado na revista\u00a0<em>Nature<\/em><\/a>\u00a0gradua essa universalidade. Os anos mais frios do per\u00edodo n\u00e3o ocorreram ao mesmo tempo em todas as partes: o m\u00ednimo na maior parte do Pac\u00edfico foi no s\u00e9culo XV, no noroeste da Europa e em boa parte da Am\u00e9rica do Norte se deu no XVII, e s\u00f3 chegou ao resto do planeta no XIX.<\/p>\n<p class=\"\">&#8220;Sim, houve uma era glacial, mas em momentos diferentes&#8221;, comenta G\u00f3mez. &#8220;Essa falta de coer\u00eancia se repete nos diversos per\u00edodos clim\u00e1ticos do passado: houve regi\u00f5es mais frias (ou quentes) que outras, mas o esfriamento\/aquecimento n\u00e3o aconteceu em todas as partes de uma s\u00f3 vez&#8221;, acrescenta este f\u00edsico que lidera um projeto para jovens cientistas da\u00a0<a href=\"http:\/\/fseneca.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Funda\u00e7\u00e3o S\u00e9neca<\/a>.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div><i>Os anos mais frios da Pequena Era Glacial ocorreram em \u00e9pocas diferentes em cada continente<\/i><\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">Entre os fatores que influem no surgimento e manuten\u00e7\u00e3o de um per\u00edodo quente ou frio se destacam a atividade solar e o vulcanismo. A Pequena Era Glacial, por exemplo, estaria relacionada a uma s\u00e9rie de m\u00ednimos de manchas solares. Erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas como a dos montes Pinatubo (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/filipinas\" data-link-track-dtm=\"\">Filipinas<\/a>) e Eldgj\u00e1 (Isl\u00e2ndia) reduziram a temperatura m\u00e9dia global em 0,3<sup>o\u00a0<\/sup>C no caso da primeira e em at\u00e9 2<sup>o\u00a0<\/sup>C a segunda, embora s\u00f3 no Hemisf\u00e9rio Norte. Mas, para G\u00f3mez, a variabilidade natural n\u00e3o \u00e9 capaz de explicar o que est\u00e1 acontecendo desde o s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p class=\"\">&#8220;O aquecimento atual \u00e9 globalmente sincr\u00f4nico: o per\u00edodo mais quente de 51 anos dos \u00faltimos 2000 anos ocorreu durante o s\u00e9culo XX em mais de 98% do planeta&#8221;, recorda por e-mail Raphael Neukom, principal autor do estudo. &#8220;As taxas de aquecimento durante os tempos pr\u00e9-industriais foram de aproximadamente 0,6<sup>o<\/sup>\u00a0C por s\u00e9culo, atualmente a taxa de aquecimento \u00e9 de ao redor de 1,7<sup>o<\/sup>\u00a0C. Isto \u00e9 muito mais do que poder\u00edamos esperar s\u00f3 pela variabilidade natural&#8221;, acrescenta este pesquisador do Centro Oeschger para a Pesquisa da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unibe.ch\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Universidade de Berna<\/a>\u00a0(Su\u00ed\u00e7a).<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img loading=\"lazy\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/ZJ824b2PGdriH6faHPEj6m8NSwA=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/DG6TWBB5HGBFLAL7LCAIGK5TWM.jpg\" alt=\"S\u00f3 a Ant\u00e1rtida vinha escapando do aquecimento global. Os \u00faltimos estudos mostram, entretanto, que est\u00e1 perdendo gelo desde o come\u00e7o deste s\u00e9culo.\" width=\"639\" height=\"385\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right margin_vertical color_gray_medium\">S\u00f3 a Ant\u00e1rtida vinha escapando do aquecimento global. Os \u00faltimos estudos mostram, entretanto, que est\u00e1 perdendo gelo desde o come\u00e7o deste s\u00e9culo.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">LUIS ALMOD\u00d3VAR<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">O estudo mostra, de fato, que os 10 \u00faltimos anos do s\u00e9culo XX, os 30 \u00faltimos e os 50 \u00faltimos est\u00e3o entre os mais quentes desde ano 1. E este aquecimento ocorre simultaneamente na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amazonia\" data-link-track-dtm=\"\">Amaz\u00f4nia<\/a>, na Europa Central, no long\u00ednquo \u00c1rtico e no Sudeste Asi\u00e1tico: 98% da superf\u00edcie do planeta sofre o aquecimento, ficando \u00e0 margem s\u00f3 a Ant\u00e1rtida. Algo, ali\u00e1s, que os \u00faltimos estudos, com dados posteriores a 2000, tamb\u00e9m come\u00e7ou a se questionar.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_left\">\n<div><i>\u201cO clima de hoje se distingue por sua t\u00f3rrida sincronia global\u201d<\/i><\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">Em um coment\u00e1rio tamb\u00e9m publicado pela\u00a0<em>Nature<\/em>, o paleoclimatologista Scott St. George, da Universidade de Minnesota (EUA), escreve que &#8220;a conhecida m\u00e1xima de que o clima est\u00e1 sempre mudando \u00e9 bem certa. Mas inclusive quando ampliamos nossa perspectiva at\u00e9 os primeiros dias do Imp\u00e9rio Romano, n\u00e3o vemos nenhum evento que seja nem remotamente parecido, seja em grau ou extens\u00e3o, com o aquecimento das \u00faltimas d\u00e9cadas. O clima de hoje se distingue por sua t\u00f3rrida sincronia global&#8221;.<\/p>\n<p class=\"\">Embora os autores n\u00e3o se dediquem a identificar as causas dessa\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cambio_climatico\" data-link-track-dtm=\"\">mudan\u00e7a global<\/a>, tudo aponta para as atividades humanas. &#8220;Esta pesquisa deveria calar de uma vez os negacionistas clim\u00e1ticos que mant\u00eam que o atual aquecimento faz parte de um ciclo clim\u00e1tico natural&#8221;, diz o professor de climatologia Mark Maslin, do University College de Londres, que acrescenta: &#8220;Este trabalho mostra a crua diferen\u00e7a entre as mudan\u00e7as regionais e localizadas do clima do passado e o verdadeiro efeito global das emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/efecto_invernadero\" data-link-track-dtm=\"\">gases de efeito estufa<\/a>&#8220;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pelo menos 2.000 anos o mundo inteiro\u00a0n\u00e3o atravessava um per\u00edodo t\u00e3o quente. 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