{"id":109939,"date":"2019-07-26T09:00:34","date_gmt":"2019-07-26T12:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109939"},"modified":"2019-07-25T18:52:47","modified_gmt":"2019-07-25T21:52:47","slug":"adubacao-de-pastagens-pode-triplicar-producao-bovina-e-cessar-desmatamento-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/adubacao-de-pastagens-pode-triplicar-producao-bovina-e-cessar-desmatamento-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Aduba\u00e7\u00e3o de pastagens pode triplicar produ\u00e7\u00e3o bovina e cessar desmatamento da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109941\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A principal respons\u00e1vel pelo desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado \u00e9 a abertura de novas \u00e1reas para pastagem. Nestas \u00e1reas \u00e9 semeado o capim braqui\u00e1ria, que tem produ\u00e7\u00e3o elevada por 4 ou 5 anos. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, os nutrientes do solo se esgotam e a produ\u00e7\u00e3o de forragem declina, for\u00e7ando os pecuaristas a abandonar \u00e1reas e desmatar florestas para abrir novas pastagens. As \u00e1reas que se encontram em algum est\u00e1gio de degrada\u00e7\u00e3o no Brasil somam 60 milh\u00f5es de hectares. Se recuperadas, poderiam produzir e evitar mais desmatamento.<\/p>\n<p>Ricardo Andrade Reis, professor titular da Faculdade de Cie\u0302ncias Agra\u0301rias e Veterina\u0301rias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal (SP) realizou uma pesquisa em conjunto com seis colaboradores ao longo de tr\u00eas anos em um sistema de pastejo cont\u00ednuo e taxa de lota\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, avaliando os efeitos da aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada no capim-marandu (<i>Brachiaria brizantha<\/i>) sobre a produ\u00e7\u00e3o e qualidade da forragem e a produ\u00e7\u00e3o animal. A pesquisa foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-019-44138-x.pdf\" rel=\"noopener noreferrer\">publicada<\/a>\u00a0em maio na revista\u00a0<i>Scientific Reports<\/i>, uma publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do grupo\u00a0<i>Nature<\/i>, revelando que o uso de nitrog\u00eanio para adubar as \u00e1reas de pastagens poderia multiplicar em at\u00e9 tr\u00eas vezes a produtividade da bovinocultura brasileira, eliminando a necessidade de novas \u00e1reas de pastagem e reduzindo dramaticamente a press\u00e3o do desmatamento no Cerrado e na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das quest\u00f5es mencionadas no artigo, Reis concedeu entrevista para ((o))eco explicando como funciona a t\u00e9cnica, sua viabilidade econ\u00f4mica e aplicabilidade.<\/p>\n<p><strong>((o))eco: Poderia explicar, de forma mais aprofundada, quais os objetivos e premissas do estudo, como funciona e quais as vantagens da t\u00e9cnica da aduba\u00e7\u00e3o de pastagens com nitrog\u00eanio?<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_70194\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-70194\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-70194\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ricardo-Reis.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ricardo-Reis.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ricardo-Reis-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Ricardo-Reis-300x300.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"639\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-70194\" class=\"wp-caption-text\">O Ricardo Andrade Reis. Foto: Arquivo Pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Ricardo Reis:<\/strong>\u00a0O aumento da popula\u00e7\u00e3o humana, principalmente a urbana resultou em s\u00e9rios problemas ambientais de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o. Esta popula\u00e7\u00e3o demanda alimentos de qualidade nutricional e sanit\u00e1ria adequadas, com pre\u00e7os acess\u00edveis, al\u00e9m de se preocupar com a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, principalmente nas atividades relacionadas ao campo, mas muitas vezes sem o devido conhecimento cient\u00edfico sobre os sistemas de produ\u00e7\u00e3o e seus impactos ambientais. As discuss\u00f5es t\u00e9cnicas com forte embasamento cient\u00edfico s\u00e3o a sustenta\u00e7\u00e3o para a solu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais, associada a dedica\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia nas a\u00e7\u00f5es que devem contar com o conhecimento e apoio das popula\u00e7\u00f5es envolvidas nos processos. Em suma, somos um pa\u00eds agr\u00edcola, e, portanto, espera-se que a popula\u00e7\u00e3o urbana tenha conhecimento e discernimento sobre os impactos positivos e negativos dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos praticados no pa\u00eds. Este conhecimento, ou seja, a cultura da popula\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 que os conceitos de preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais sejam praticados tanto pelos habitantes do campo quanto pelos das cidades. Assim temos a press\u00e3o social e ambiental sobre\u00a0<strong>pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e urbanas mais sustent\u00e1veis<\/strong>, gerando menos impactos negativos sobre o meio ambiente e um maior n\u00edvel de qualidade dos produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>A premissa do nosso estudo refere-se ao manejo do pastejo com base na fisiologia das plantas forrageiras tropicais, associada a aplica\u00e7\u00e3o de fertilizante nitrogenado. A intensifica\u00e7\u00e3o do manejo das pastagens mediante a ado\u00e7\u00e3o do pastejo em fun\u00e7\u00e3o de 95% de intercepta\u00e7\u00e3o luminosa (IL95%) pelas folhas da forrageira, traduzida na altura das plantas permite a m\u00e1xima efici\u00eancia fotossint\u00e9tica, pois nesta condi\u00e7\u00e3o temos a m\u00e1xima produ\u00e7\u00e3o de folhas verdes do pasto. Na altura de manejo relacionada a IL95%, pr\u00e9-definida experimentalmente para cada esp\u00e9cie de capim tropical, tem-se o pasto com m\u00e1xima quantidade de folhas verdes, com plena capacidade fotossint\u00e9tica e m\u00ednima quantidade de folhas velhas, sombreadas pelas folhas superiores, ou folhas mortas no relvado. No caso do capim braquiar\u00e3o (capim-marandu ou brizant\u00e3o) esta altura de manejo no qual temos a m\u00e1xima taxa de ac\u00famulo de forragem (kg de mat\u00e9ria seca\/ha\/dia) \u00e9 de 25 cm. A aplica\u00e7\u00e3o do nitrog\u00eanio tem efeito direto na taxa de crescimento das plantas, uma vez que acelera a taxa de emiss\u00e3o de folhas, bem como a forma\u00e7\u00e3o de novos perfilhos (por\u00e7\u00e3o da planta composta pelo sistema radicular \u2013 de ra\u00edzes \u2013, caule, folha e ap\u00f3s o florescimento temos as infloresc\u00eancias e as sementes).<\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cA manuten\u00e7\u00e3o do carbono (C) fixado no solo \u00e9 fundamental para redu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais.\u201d<\/div>\n<p>Nas nossas pesquisas adotamos o sistema de pastejo em lota\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e carga vari\u00e1vel no qual os animais permanecem na mesma \u00e1rea por uma esta\u00e7\u00e3o do ano, ou mesmo todo o ano, e a taxa de lota\u00e7\u00e3o (TL) \u00e9 ajustada de acordo com a oferta de forragem. No nosso estudo o ajuste da oferta de forragem foi calculado estimando um consumo de mat\u00e9ria seca (MS) de 2,0% do peso corporal (PC) do animal. Por exemplo, considerando o PC m\u00e9dio de 350 kg, estimamos o consumo de 7,0 kg MS\/animal\/dia. Este ponto \u00e9 crucial para o sucesso do manejo do pastejo, ou seja, a oferta de forragem calculada de acordo com a efici\u00eancia de pastejo. No nosso estudo, consideramos efici\u00eancia de pastejo de 50%, ou seja, se ofertamos 14 kg MS\/animal\/dia, o animal consumir\u00e1 7,0 kg MS\/dia e assim, as suas exig\u00eancias nutricionais para o ganho de peso ser\u00e3o atendidas de acordo com a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da forragem consumida.<\/p>\n<p>De acordo com a massa de forragem dispon\u00edvel no per\u00edodo de pastejo, assumindo o crescimento do pasto em resposta a aplica\u00e7\u00e3o do nitrog\u00eanio, a efici\u00eancia de pastejo de 50%, determinamos o n\u00famero de animais por \u00e1rea (taxa de lota\u00e7\u00e3o). Com este m\u00e9todo de ajuste da oferta de forragem e crescimento da planta, avaliado semanalmente pela altura das plantas garantimos que a planta preserve os seus mecanismos de rebrota (crescimento), ou seja os pontos de crescimento (gemas) na base da planta, as por\u00e7\u00f5es da folha em crescimento e tamb\u00e9m garantimos o suprimento de nutrientes para o sistema radicular que tem o seu crescimento garantido. \u00c9 importante salientar que a efici\u00eancia de colheita de 50% do pasto pelo animal, propicia a reciclagem de nutrientes, uma vez que tem-se a cont\u00ednua incorpora\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica no solo, resultando em aumento nas atividades da micro e mesofauna do solo, al\u00e9m de favorecer o crescimento do sistema radicular, aumentando a cobertura vegetal, diminuindo o risco de eros\u00e3o, e consequentemente a persist\u00eancia do pasto. A manuten\u00e7\u00e3o do carbono (C) fixado no solo \u00e9 fundamental para redu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais.<\/p>\n<p>Pastos de capins tropicais manejados de acordo com estes princ\u00edpios, quer seja em sistemas de pastejo em lota\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, ou rotativa, resulta em alta oferta de folhas verdes com altos teores de prote\u00edna bruta (PB) e de nutrientes digest\u00edveis totais (NDT), baixos valores de fibra em detergente neutro (FDN), o que resulta em alto consumo de nutrientes, e consequentemente ganho de peso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_70189\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-70189\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-70189\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/pastagem.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/pastagem.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/pastagem-300x198.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"421\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-70189\" class=\"wp-caption-text\">\u00e1reas de pastagens do setor de Forragicultura e Pastagens da FCAV\/UNESP. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o das efici\u00eancias agron\u00f4micas relacionada \u00e0 convers\u00e3o dos recursos ambientais em forragem de alto valor nutritivo; efici\u00eancia zoot\u00e9cnica, representada pela convers\u00e3o da forragem em produto animal; efici\u00eancia ambiental, ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o dos recursos ambientais em produto animal, garantindo a sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o de forragem de alta qualidade, e diminuindo os impactos da emiss\u00e3o de gases efeito estufa, pois os animais ingerem alimentos de alto valor nutritivo e tem um ciclo de produ\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pido; tem-se neste sistema alta efici\u00eancia econ\u00f4mica devido ao uso eficiente dos recursos dispon\u00edveis no sistema de produ\u00e7\u00e3o e por \u00faltimo tem-se os benef\u00edcios sociais decorrentes do manejo sustent\u00e1vel que permite melhor remunera\u00e7\u00e3o e treinamento da m\u00e3o de obra da fazenda, al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Esta \u00e9 a base fisiol\u00f3gica para a avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada na produ\u00e7\u00e3o de forragem e no desempenho animal.<\/p>\n<p><strong>De acordo com a publica\u00e7\u00e3o, o uso de 90 kg de nitrog\u00eanio, associada a corre\u00e7\u00e3o do solo e aplica\u00e7\u00e3o dos demais nutrientes por hectare de pastagens poderia multiplicar em at\u00e9 tr\u00eas vezes a produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de carne nacional. Essa t\u00e9cnica seria economicamente vi\u00e1vel para os pecuaristas ou isso encareceria o investimento na produ\u00e7\u00e3o de carne? Qual o custo-benef\u00edcio e as expectativas de lucro com o uso da t\u00e9cnica? Ela vem sendo utilizada com sucesso em algum local ou regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Os dados de pesquisas conduzidas na regi\u00e3o nordeste do estado de S\u00e3o Paulo em solos de alta fertilidade utilizando pastos de capim braquiar\u00e3o manejados em sistema de lota\u00e7\u00e3o cont\u00ednua com carga vari\u00e1vel, assumindo a altura de pastejo de 25 cm para garantir m\u00e1xima efici\u00eancia fotossint\u00e9tica e efici\u00eancia de pastejo de 50%, corre\u00e7\u00e3o do solo, aduba\u00e7\u00e3o b\u00e1sica com os demais nutrientes necess\u00e1rio e 90 kg N\/ha resultou em taxa de lota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de tr\u00eas anos (2014\/2015, 2015\/2016, e 2016\/2017) de 4,64 UA (Unidades Animais)\/ha e nos anos de 2017\/2018 e 2018\/2019 de 4,05 UA\/ha.<\/p>\n<p>Segundo Eli\u00e9der P. Romanzini, doutorando da Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Veterin\u00e1ria da UNESP Campus de Jaboticabal, a an\u00e1lise econ\u00f4mica dos tr\u00eas primeiros anos acima mencionados referentes a aduba\u00e7\u00e3o com 90 kg N\/ha evidenciou o custo operacional efetivo de R$26.070,09\/ha, custo operacional total de R$27.130,47\/ha, receita bruta R$32.643,55\/ha, lucro operacional de R$5.513,08\/ha e receita l\u00edquida financeira de R$6.573,46\/ha. Observou-se valores de \u201c<em>payback\u201d<\/em>\u00a0simples, lucratividade e taxa interna de retorno iguais \u00e0 15 anos, 0,17 e 6,53, respectivamente. Deve-se destacar que estes estudos consideraram ciclos de produ\u00e7\u00e3o (recria e termina\u00e7\u00e3o) para os dois primeiros anos e apenas recria no terceiro ano, em virtude de manejo forrageiro desenvolvido na \u00e1rea. Considerando a pr\u00e1tica de aduba\u00e7\u00e3o, esse centro de custo (adubo + m\u00e3o-de-obra + maquin\u00e1rios) correspondeu \u00e0 7,43% dos custos operacionais totais dentro do sistema de produ\u00e7\u00e3o, sendo esse o terceiro maior centro de custo, no entanto tal pr\u00e1tica resultou um aumento de 28,39% na receita bruta do sistema.<\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201c(\u2026) a aduba\u00e7\u00e3o nos permite colocar mais animais na mesma \u00e1rea e, consequentemente reduzir a necessidade de abertura de novas \u00e1reas. \u201d<\/div>\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o moderada nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o tende a ser vi\u00e1vel economicamente em grande parte das situa\u00e7\u00f5es. Obviamente, por se tratar de uma atividade econ\u00f4mica haver\u00e1 influ\u00eancia do contexto mercadol\u00f3gico e cota\u00e7\u00f5es dos insumos. Ainda assim, nos sistemas onde a intensifica\u00e7\u00e3o buscando produtividade entre 14 e 20@\/ha\/ano tem-se obtido rentabilidade em torno de 4 a 6% ao ano, agregados com a valoriza\u00e7\u00e3o do capital \u2013 dados relatados pelo Prof. Rondinelli P. Barbero da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro \u2013 UFRRJ.<\/p>\n<p>De acordo com o Prof. Felipe Nogueira Domingues da Universidade Federal Rural do Amazonas (UFRA), a aduba\u00e7\u00e3o nos permite colocar mais animais na mesma \u00e1rea e, consequentemente reduzir a necessidade de abertura de novas \u00e1reas. Na regi\u00e3o Norte, essa resposta pode ser ainda melhor devido \u00e0s maiores precipita\u00e7\u00f5es e as altas m\u00e9dias de temperatura, que s\u00e3o praticamente constantes ao longo do ano. Al\u00e9m dos cuidados b\u00e1sicos referentes a aduba\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito importante que o pecuarista considere as particularidades do clima da regi\u00e3o, assim a chance de sucesso \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Os dados de fazendas localizadas no Brasil Central (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e regi\u00e3o Amaz\u00f4nica mostram que a intensifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do manejo do pastejo, uso de fertilizantes e a suplementa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica permite a obten\u00e7\u00e3o de altos rendimentos em termos de ganho\/\u00e1rea e lucratividade.<\/p>\n<p><strong>A aplica\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio no solo no Mato Grosso e na regi\u00e3o Norte aumentaria a produ\u00e7\u00e3o de pasto e, consequentemente, de carne, e cessaria a necessidade de abertura de novas \u00e1reas de pastagem na Amaz\u00f4nia. Essa t\u00e9cnica seria vi\u00e1vel tamb\u00e9m para \u00e1reas no Cerrado, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o do manejo, aduba\u00e7\u00e3o das pastagens e em algumas situa\u00e7\u00f5es o uso estrat\u00e9gico de suplementa\u00e7\u00e3o da dieta \u00e9 praticado em diversas regi\u00f5es do Brasil com alta efici\u00eancia. A termina\u00e7\u00e3o de animais em pastagens utilizando a suplementa\u00e7\u00e3o de alto consumo, ou mesmo o uso estrat\u00e9gico de confinamentos utilizando subprodutos das atividades agr\u00edcolas n\u00e3o consumido por humanos (farelos de oleaginosas, casquinha de soja, polpa c\u00edtrica, caro\u00e7o de algod\u00e3o,\u00a0<em>dry distillers grain<\/em>\u00a0<em>with solubles<\/em>\u00a0\u2013 DDGs \u2013 proveniente do \u00e1lcool de milho, baga\u00e7o de cana-de-a\u00e7\u00facar) \u00e9 uma pr\u00e1tica comum no Brasil que nos coloca como destaque mundial nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da pecu\u00e1ria na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica \u00e9 um assunto complexo, pois se avaliarmos o potencial de boa parte dos solos desta regi\u00e3o pode-se concluir que os mesmos n\u00e3o s\u00e3o adequados para este tipo de atividade. O zoneamento ecol\u00f3gico da regi\u00e3o, associado aos aspectos legais de explora\u00e7\u00e3o de 20% das \u00e1reas das propriedades agr\u00edcolas devem ser respeitados na implanta\u00e7\u00e3o de projetos agropecu\u00e1rios. Na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica tem-se exemplos de propriedades que adotam sistemas de manejo sustent\u00e1veis que integram pr\u00e1ticas de manejo de pastagens, utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas agro-silvo-pastoris, pr\u00e1ticas de bem-estar animal e preserva\u00e7\u00e3o de recursos ambientais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_70180\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-70180\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-70180\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/29062016-novocampo.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/29062016-novocampo.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/29062016-novocampo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/29062016-novocampo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/29062016-novocampo-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/29062016-novocampo-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/29062016-novocampo-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-70180\" class=\"wp-caption-text\">Pasto em Alta Floresta, Mato Grosso. Foto: Marcio Isensee e S\u00e1.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em termos de mercado, deve-se fazer uma pondera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao nosso potencial de produ\u00e7\u00e3o e a demanda de carne bovina mundial. Temos um rebanho estimado em 225 milh\u00f5es de cabe\u00e7as que utiliza por volta de 178 milh\u00f5es de hectares de pastagens, com uma taxa de lota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 1,3 UA (Animal de 450 kg)\/ha. Do total das \u00e1reas de pastagens, temos por volta de 60 milh\u00f5es de ha em algum est\u00e1gio de degrada\u00e7\u00e3o. Se considerarmos a resposta a intensifica\u00e7\u00e3o com at\u00e9 3,0 a 4,0 UA\/ha, poderemos utilizar metade das \u00e1reas de pastagens para produzir a mesma quantidade de carne.<\/p>\n<p>Segundo Abmael da Silva Cardoso, p\u00f3s-doutorando da FCAV\/UNESP, a aduba\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica vi\u00e1vel para o Cerrado, que possui condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que se assemelham ao local onde foi realizado o estudo. \u00c9 oportuno destacar que nas regi\u00f5es de Cerrado se concentram produtores que possuem maquin\u00e1rio agr\u00edcola que facilitaria a convers\u00e3o de \u00e1reas de pastagens degradadas para \u00e1reas agr\u00edcolas ou de silvicultura com menor custo. \u00c9 nesta regi\u00e3o que os pecuaristas t\u00eam maior acesso a insumos com fertilizantes e assist\u00eancia t\u00e9cnica facilitando a intensifica\u00e7\u00e3o moderada.<\/p>\n<p>Dentro de um programa de uso da terra, seria adequado a recupera\u00e7\u00e3o destas \u00e1reas de pastagens degradadas com florestas nativas, florestas cultivadas ou mesmo agricultura, e, certamente, n\u00e3o ter\u00edamos necessidade de desmatamento na floresta Amaz\u00f4nica, principalmente em \u00e1reas que cont\u00eam solos inadequados para a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria. \u00c9 importante considerar que os mercados interno e externo t\u00eam demanda por produtos c\u00e1rneos de alta qualidade nutricional e sanit\u00e1ria, e que cada vez mais \u00e9 necess\u00e1rio a ado\u00e7\u00e3o dos conceitos como a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, bem-estar animal e a seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p><strong>Qual seria, na sua opini\u00e3o, o motivo pelo qual os pecuaristas continuam a abrir novas \u00e1reas de pastagens na Amaz\u00f4nia, se o uso de t\u00e9cnicas como adubar o solo com nitrog\u00eanio seriam suficientes para manter e at\u00e9 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de carne por hectare em \u00e1reas j\u00e1 desmatadas? A falta de orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica pode ser um motivo?<\/strong><\/p>\n<p>A resposta a esta pergunta \u00e9 t\u00e3o complexa como a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de manejo de pastagens como o ajuste da taxa de lota\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da disponibilidade de forragem, aduba\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de acordo com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, sele\u00e7\u00e3o de animais com potencial de resposta aos insumos e o conhecimento t\u00e9cnico para o gerenciamento da propriedade com vistas a atingir as efici\u00eancias agron\u00f4mica, zoot\u00e9cnica, econ\u00f4mica, ambiental e social. O manejo do complexo ecossistema das pastagens, envolvendo, clima, solo, planta, animal, manejo e a rentabilidade s\u00e3o desafios que demandam conhecimento e dedica\u00e7\u00e3o para se manter a produtividade e a sustentabilidade.<\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cO manejo do complexo ecossistema das pastagens, envolvendo, clima, solo, planta, animal, manejo e a rentabilidade s\u00e3o desafios que demandam conhecimento e dedica\u00e7\u00e3o para se manter a produtividade e a sustentabilidade.\u201d<\/div>\n<p>Na implanta\u00e7\u00e3o de um projeto pecu\u00e1rio, tem-se que considerar que o tempo para que ocorra o retorno econ\u00f4mico \u00e9 diferente das atividades agr\u00edcolas anuais que demandam um menor per\u00edodo. Deve-se considerar que muitas vezes as oscila\u00e7\u00f5es do mercado n\u00e3o garantem a remunera\u00e7\u00e3o adequada, comprometendo a sustentabilidade do sistema de produ\u00e7\u00e3o. Um ponto a ser considerado \u00e9 a falta de conhecimento de alguns pecuaristas sobre as pr\u00e1ticas de manejo adequadas para se garantir a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Segundo Andr\u00e9 Alves de Oliveira, consultor t\u00e9cnico da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.trouwnutrition.com.br\/\" rel=\"noopener noreferrer\">Trouw Nutrition<\/a>\u00a0que trabalha na \u00e1rea de gado de corte nos estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a falta de conhecimento b\u00e1sico sobre as pr\u00e1ticas de manejo das pastagens adubadas com nitrog\u00eanio est\u00e3o entre as principais causas para a baixa ado\u00e7\u00e3o destas tecnologias nas regi\u00f5es citadas. De acordo com o t\u00e9cnico, tr\u00eas pontos b\u00e1sicos devem de ser considerados para aumentar a efici\u00eancia do uso da aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada pelos pecuaristas das regi\u00f5es citadas. O primeiro ponto fundamental para o sucesso da aplica\u00e7\u00e3o do N est\u00e1 relacionado a umidade do solo, uma vez que a absor\u00e7\u00e3o deste nutriente pela planta est\u00e1 relacionado \u00e0 disponibilidade de \u00e1gua. Al\u00e9m deste ponto, destacam-se as perdas de nitrog\u00eanio decorrente da volatiliza\u00e7\u00e3o da am\u00f4nia a partir da ureia aplicada em solos secos. \u00c9 oportuno salientar que o pecuarista deve considerar as particularidades do clima da regi\u00e3o, e desta forma avaliar os riscos inerentes a precipita\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia de uso de N pelas plantas. Na regi\u00e3o norte, devido \u00e0s maiores precipita\u00e7\u00f5es e as altas m\u00e9dias de temperatura observadas ao longo do ano a probabilidade de se obter maiores respostas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de N s\u00e3o maiores. O segundo ponto importante refere-se a aplica\u00e7\u00e3o do adubo em pastos com alta massa de forragem residual. A maior resposta \u00e0 aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada est\u00e1 no est\u00edmulo ao perfilhamento (produ\u00e7\u00e3o de novos brotos). Nos pastos altos, o sombreamento impede a brota\u00e7\u00e3o das gemas da base da planta, diminuindo a assim os efeitos do N sobre o crescimento da planta. Por \u00faltimo, tem-se maiores respostas a aplica\u00e7\u00e3o do N, sete dias ap\u00f3s a sa\u00edda do gado do piquete, situa\u00e7\u00e3o comum quando se adota o sistema de manejo intermitente (rotacionado).<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia de tecnologia \u00e9 um ponto limitante para ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica de manejo e aduba\u00e7\u00e3o de pastagens no Brasil. Temos institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas com alta capacidade de gera\u00e7\u00e3o de tecnologias para incrementar a produtividade e garantir a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel contudo, historicamente, os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de extens\u00e3o rural n\u00e3o tiveram o mesmo investimento como o destinado a pesquisa. Atualmente, a extens\u00e3o rural \u00e9 praticada em boa parte do Brasil por empresas comerciais, que obviamente priorizam a divulga\u00e7\u00e3o de seus produtos, enquanto os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o conseguem atender adequadamente a demanda do setor agropecu\u00e1rio. A reestrutura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos de transfer\u00eancia de tecnologia para os produtores, principalmente para atender a demanda dos pequenos e m\u00e9dios \u00e9 imprescind\u00edvel para aumentar a efici\u00eancia produtiva com base nos conceitos de sustentabilidade, bem-estar animal e seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A principal respons\u00e1vel pelo desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado \u00e9 a abertura de novas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109941,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/boi.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A principal respons\u00e1vel pelo desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado \u00e9 a abertura de novas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109939"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109939"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109939\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}