{"id":109773,"date":"2019-07-23T11:00:11","date_gmt":"2019-07-23T14:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109773"},"modified":"2019-07-22T20:39:48","modified_gmt":"2019-07-22T23:39:48","slug":"carl-safina-destruir-o-meio-ambiente-e-completamente-imoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/carl-safina-destruir-o-meio-ambiente-e-completamente-imoral\/","title":{"rendered":"Carl Safina: Destruir o meio ambiente \u00e9 completamente imoral"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109774\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em maio, o ecologista Carl Safira esteve na Semana de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde palestrou sobre o que os animais pensam e sentem. No mesmo dia, ele concedeu esta entrevista ao nosso colunista Fernando Fernandez.<\/p>\n<p><strong>Fernando Fernandez\u00a0<\/strong><strong>\u2012<\/strong><strong>\u00a0Hoje estamos aqui com o Dr. Carl Safina, do Centro Safina, nos EUA, que veio ao Brasil para dar uma palestra na BioSemana da Universidade Federal do Rio de Janeiro, patrocinada pelo Instituto Lu\u00edsa Pinho Sartori. Ele nos deu uma palestra fascinante sobre como animais pensam e sentem, e sobre a import\u00e2ncia disso para nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo natural e para a conserva\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea poderia nos falar um pouco sobre o que se passa na mente dos animais?<\/strong><\/p>\n<p>Carl Safina\u00a0<strong>\u2012<\/strong>\u00a0Sim. A quest\u00e3o principal \u00e9 que outros animais tamb\u00e9m possuem mentes, e desfrutam da experi\u00eancia de estar vivos. Eles podem gozar de bem-estar, ou eles podem sofrer. E se voc\u00ea observa o jeito que eles se comportam na natureza, voc\u00ea percebe que eles se esfor\u00e7am bastante para tentar permanecer vivos e bem. Eles querem viver, assim como n\u00f3s queremos viver. Tenho tentado transmitir para as pessoas as minhas observa\u00e7\u00f5es de que outros animais tem uma experi\u00eancia muito v\u00edvida do mundo, e que muitos deles conhecem uns aos outros individualmente. Para animais sociais indiv\u00edduos importam: eles t\u00eam relacionamentos individuais uns com os outros. Se voc\u00ea pensar, por exemplo, no seu cachorro, caso voc\u00ea tenha um, voc\u00ea pode facilmente perceber que para ele voc\u00ea \u00e9 importante. Ele tem um relacionamento com voc\u00ea. Tamb\u00e9m \u00e9 f\u00e1cil perceber que os c\u00e3es preferem estar bem alimentados e longe de risco, da mesma forma que n\u00f3s preferimos estar bem alimentados e longe de risco. Os desejos de vida deles e nossas necessidades b\u00e1sicas s\u00e3o muito similares. N\u00f3s estamos no mundo com todos esses outros seres, e eles t\u00eam tanto direito de estar aqui quanto n\u00f3s. Mas n\u00e3o \u00e9 dessa forma que humanos no geral veem a quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Eu acho que o fato de que as pessoas normalmente n\u00e3o percebem o qu\u00e3o intensa \u00e9 a vida dos animais \u2013 suas vidas emocionais, os pensamentos que ocorrem em suas mentes \u2013 acaba sendo um equ\u00edvoco muito conveniente que nos permite negar direitos a eles.<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cQuando n\u00f3s criamos animais para consumo alimentar, n\u00f3s normalmente os colocamos em campos de concentra\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tiramos deles tudo aquilo que animais selvagens normalmente sentem e valorizam.\u201d<\/div>\n<p>Bom, n\u00f3s temos que negar essas coisas, porque se as lev\u00e1ssemos em conta, perceber\u00edamos que a maior parte do que fazemos com os animais \u00e9 terr\u00edvel. Quando n\u00f3s criamos animais para consumo alimentar, n\u00f3s normalmente os colocamos em campos de concentra\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tiramos deles tudo aquilo que animais selvagens normalmente sentem e valorizam. N\u00f3s mantemos esses prisioneiros concentrados e n\u00f3s os matamos. O primeiro passo em guerras humanas \u00e9 desumanizar o inimigo para que fazer coisas terr\u00edveis com eles seja mais f\u00e1cil&#8230;<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 a raiz da escravid\u00e3o, por exemplo.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, essa \u00e9 a raiz da escravid\u00e3o, e \u00e9 tamb\u00e9m como n\u00f3s tratamos outras esp\u00e9cies. Isso vale tanto para aquelas que criamos para comer quanto as selvagens, as quais n\u00e3o pensamos a respeito e nem nos importamos: se queremos tomar seu habitat, tomamos seu habitat. N\u00f3s n\u00e3o nos importamos com o sofrimento daqueles que n\u00f3s matamos ou desalojamos. Temos um longo caminho para percorrer para nos tornar verdadeiros seres humanos. Um dos nossos grandes problemas \u00e9 que n\u00e3o somos espertos o suficiente para perceber o qu\u00e3o longe dever\u00edamos ir para realmente humanizar nossa exist\u00eancia, e para lidarmos uns com os outros, e com o mundo, com empatia e compaix\u00e3o. N\u00e3o estamos conseguindo enxergar nada disso.<\/p>\n<p><strong>Sim. Algo que eu acho interessante das ideias que voc\u00ea tem cultivado \u00e9 que voc\u00ea parece fundamentar uma conserva\u00e7\u00e3o pelo bem dos animais em si, e n\u00e3o por raz\u00f5es utilit\u00e1rias* de que eles podem prover servi\u00e7os e comida para as pessoas. Eles t\u00eam seu pr\u00f3prio direito de viver nesse planeta, e isso deve ser levado em conta.<\/strong><\/p>\n<p>Correto. Uma raz\u00e3o para se conservar pode se basear no que animais podem prover para as pessoas, mas essa tamb\u00e9m tem sido a principal raz\u00e3o para destru\u00ed-los. E aqueles que n\u00e3o achamos importantes, que n\u00e3o podemos comer, n\u00e3o conseguimos ver, ou n\u00e3o sabemos muito a respeito, simplesmente n\u00e3o importam para a maior parte das pessoas. O que estou tentando dizer \u00e9 que n\u00f3s precisamos, sim, nos importar, de um ponto de vista \u00e9tico. O mundo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nosso. Nossa mitologia diz que somos a \u00fanica coisa que importa no mundo, e que o mundo foi feito para n\u00f3s e que podemos fazer qualquer coisa com ele, e nos apropriar de qualquer coisa contida nele. Eu acho que isso \u00e9 imoral. N\u00f3s estamos sim destruindo o mundo, e destruindo coisas que n\u00f3s precisamos para sobreviver. Mas o principal \u00e9 que todos os outros seres vivos t\u00eam tanto direito de habitar a Terra quanto n\u00f3s. N\u00e3o podemos simplesmente dizer para eles \u201cse voc\u00ea n\u00e3o pode me dar alguma coisa, eu vou acabar com voc\u00ea\u201d. Mas essa \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos com a natureza. N\u00f3s dizemos coisas como \u201ceu n\u00e3o posso lucrar com essa \u00e1rea natural\u201d, ou ent\u00e3o \u201ca \u00fanica forma de extrair valor dessas esp\u00e9cies \u00e9 atirando nelas para com\u00ea-las\u201d, e \u00e9 assim que agimos. Este \u00e9 um dos motivos pelo qual temos decl\u00ednios catastr\u00f3ficos de popula\u00e7\u00f5es animais, habitats e da qualidade dos ambientes. N\u00f3s polu\u00edmos, jogando nosso lixo onde bem entendemos, e n\u00e3o agimos de forma respons\u00e1vel ou com empatia.<\/p>\n<p><strong>Sim. Eu acredito que n\u00f3s percebemos que os animais, tal como o resto do mundo vivo \u2013 plantas etc. \u2013 prov\u00e9m muitas coisas \u00fateis para as pessoas. Mas temos tamb\u00e9m outras raz\u00f5es \u2013 como um dever moral \u2013 para dar a eles a oportunidade de viver.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Exato.<\/p>\n<p><strong>Outra coisa que eu gostaria de perguntar para voc\u00ea: eu sinto que a nossa cultura, muito frequentemente, tenta enfatizar o qu\u00e3o diferentes n\u00f3s humanos somos das demais esp\u00e9cies animais. Em portugu\u00eas existem v\u00e1rias frases do tipo \u201co homem \u00e9 o \u00fanico animal que\u2026\u201d. Por exemplo: \u201co homem \u00e9 o \u00fanico animal&#8230; que pensa\u201d, \u201c&#8230; que sente\u201d, \u201c&#8230; que possui linguagem\u201d, \u201c&#8230; que \u00e9 capaz de abstra\u00e7\u00e3o\u201d, \u201c&#8230; que produz arte\u201d, e por a\u00ed vai. Para mim todas essas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o demonstravelmente falsas para pelo menos algumas outras esp\u00e9cies animais. Mas \u00e9 conveniente para n\u00f3s enfatizar as diferen\u00e7as, porque se enfatiz\u00e1ssemos as similaridades \u2013 como pensar evolutivamente nos leva a fazer \u2013 n\u00f3s sentir\u00edamos obrigados a respeit\u00e1-los e valoriz\u00e1-los mais, e a conceder direitos a eles. Eu gostaria que voc\u00ea falasse um pouco sobre o que pensa disso.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Bom, existem coisas especiais sobre seres humanos, \u00e9 claro. Tamb\u00e9m existem coisas especiais sobre cada esp\u00e9cie. Um fil\u00f3sofo do s\u00e9culo XVII, Jeremy Bentham, disse uma vez que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se eles s\u00e3o capazes de pensar, mas sim se s\u00e3o capazes de sofrer**. Se voc\u00ea olhar para o que os animais fazem para ficar vivos, \u00e9 evidente que eles entendem a diferen\u00e7a entre bem-estar, permanecer vivos, se sentir bem e medo, perigo e morte. Se voc\u00ea tenta matar um porco, ele luta para n\u00e3o morrer, e ele grita. E s\u00f3 porque ele n\u00e3o grita em uma l\u00edngua humana, n\u00e3o deixa de ser \u00f3bvio que ele n\u00e3o quer que voc\u00ea o mate. Eu n\u00e3o falo portugu\u00eas, mas se eu estou tentando matar algu\u00e9m que est\u00e1 gritando \u201cn\u00e3o me mate\u201d em portugu\u00eas, a l\u00edngua usada n\u00e3o faz absolutamente nenhuma diferen\u00e7a. \u00c9 \u00f3bvio que a pessoa quer permanecer viva, e deveria ser \u00f3bvio que outros animais tamb\u00e9m querem permanecer vivos. Eles valorizam permanecer vivos. Eles n\u00e3o querem sofrer. Negar isso e dizer que eles n\u00e3o sentem nada e n\u00e3o se importam com nada \u00e9 falso, e \u00e9 apenas uma desculpa conveniente para que possamos trat\u00e1-los com total neglig\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Sim, eu acho que isso \u00e9 desastroso. N\u00f3s vivemos hoje num mundo pressionado por superpopula\u00e7\u00e3o, alto consumo, pelo excesso de lixo que produzimos, por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8230; E al\u00e9m disso tudo, n\u00f3s temos diversos governos de diversos pa\u00edses, incluindo os nossos, que parecem atribuir pouco valor \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o se importam com o meio ambiente e pensam que conservar atrapalha o desenvolvimento de um pa\u00eds pobre, e \u00e9 um luxo que tal pa\u00eds n\u00e3o pode bancar. Esse cen\u00e1rio pode ser desanimador para uma pessoa jovem que \u00e9 interessada por conserva\u00e7\u00e3o, e que gostaria de trabalhar com isso. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o onde \u00e9 dif\u00edcil manter as esperan\u00e7as e continuar agindo em prol da causa. O que voc\u00ea diria para uma pessoa jovem interessada em conserva\u00e7\u00e3o nesse momento?<\/strong><\/p>\n<p>Bom, eu acho que voc\u00ea levantou tr\u00eas quest\u00f5es diferentes. A primeira foi a ideia de que um pa\u00eds pobre n\u00e3o pode bancar conserva\u00e7\u00e3o. Na verdade, um pa\u00eds pobre \u00e9 o que menos pode bancar a destrui\u00e7\u00e3o de suas paisagens e da qualidade de seu ar e sua \u00e1gua, porque isso s\u00f3 vai te deixar ainda mais pobre. Esses pa\u00edses t\u00eam mais a perder por destruir a natureza, eu diria, do que os pa\u00edses ricos. Em segundo lugar, mesmo que possa parecer que nosso pa\u00edses n\u00e3o tenham nenhum interesse pela conserva\u00e7\u00e3o, neles existem muitas pessoas que querem conservar, que querem manter a beleza natural e que n\u00e3o querem ver esp\u00e9cies sendo extintas. Existem muitos de n\u00f3s. N\u00f3s n\u00e3o estamos no controle da maioria das decis\u00f5es no momento, mas n\u00f3s estamos lutando muito bem ainda assim, e impedindo que algumas coisas terr\u00edveis aconte\u00e7am. Ent\u00e3o o que eu diria para pessoas jovens \u00e9 que este \u00e9 um momento muito importante e que existe muita coisa em jogo, e que n\u00f3s precisamos do maior n\u00famero de pessoas envolvidas poss\u00edvel. Sim, pode ser desencorajante e deprimente \u00e0s vezes, mas se voc\u00ea est\u00e1 tentando recrutar pessoas jovens para lutar numa guerra, voc\u00ea n\u00e3o pergunta se elas acreditam que podem perder, ou se acham que a luta pode ser deprimente. Voc\u00ea diz \u201cn\u00f3s precisamos lutar\u201d. E este \u00e9 o jeito que as coisas s\u00e3o no momento para a vida na Terra. \u00c9 verdadeiramente uma guerra para preservar o que resta.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o talvez dev\u00eassemos pensar neste como um momento crucial na hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">&#8220;(&#8230;) um pa\u00eds pobre \u00e9 o que menos pode bancar a destrui\u00e7\u00e3o de suas paisagens e da qualidade de seu ar e sua \u00e1gua, porque isso s\u00f3 vai te deixar ainda mais pobre.\u201d<\/div>\n<p>\u00c9 um momento crucial, e na conserva\u00e7\u00e3o voc\u00ea sente que est\u00e1 fazendo algo muito importante. Existem muitas profiss\u00f5es nas quais as pessoas jamais sentem que est\u00e3o fazendo algo importante. E isso \u00e9 verdade se seu trabalho \u00e9 vender um pouco disso, ou fabricar um pouco daquilo, de forma que outra companhia poderia fazer a mesma coisa se voc\u00ea n\u00e3o estivesse ali. Eu conhe\u00e7o muitas pessoas que pensam que seus empregos n\u00e3o tem um prop\u00f3sito maior, mas todas as pessoas que conhe\u00e7o que trabalham com conserva\u00e7\u00e3o sentem que suas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes.<\/p>\n<p><strong>Eu gostaria de terminar com um ponto que tamb\u00e9m creio que seja importante para a conserva\u00e7\u00e3o, porque as pessoas conservam aquilo que elas amam, e elas amam aquilo que elas podem entender. Ent\u00e3o talvez voc\u00ea pudesse dizer algumas palavras a respeito do novo universo que se abre para n\u00f3s quando percebemos a vida emocional dos animais, e como a mente deles \u00e9 rica. Como existe todo este universo diante de n\u00f3s no qual mal reparamos. Vivemos alheios \u00e0 linguagem, \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0 vida de tantos outros seres vivos com os quais dividimos este planeta.<\/strong><\/p>\n<p>Durante minha vida toda, desde que eu era uma crian\u00e7a bem pequena, eu gostava de observar outros animais, mesmo quando morei na cidade e havia poucos animais \u00e0 minha volta. Por alguma raz\u00e3o eu sempre fui fascinado por eles. Eu sempre os considerei grandes professores, e aprendi muito com eles. Eu aprendi sobre como ser um ser humano melhor, como cooperar mais, como ser mais pac\u00edfico. Mesmo quando eles lutam, n\u00e3o \u00e9 como uma guerra humana, eles n\u00e3o tentam devastar o outro lado. Eles t\u00eam conflitos individuais: um ganha, o outro perde. \u00c9 mais como uma partida esportiva. Voc\u00ea sai do meu territ\u00f3rio e pronto, agora n\u00f3s n\u00e3o lutamos mais. A guerra humana \u00e9 muito mais brutal e muito mais feroz. Outros animais s\u00e3o muito interessantes e maravilhosos, e permitem que voc\u00ea se abra para camadas e camadas de beleza no mundo. Mas se voc\u00ea foca apenas em si mesmo, ou apenas em outras pessoas, voc\u00ea s\u00f3 consegue observar um pequenino peda\u00e7o do mundo. Por que n\u00e3o se abrir para a beleza miraculosa que est\u00e1 \u00e0 nossa volta, e mant\u00ea-la conosco? Cada um de n\u00f3s permanece aqui por um per\u00edodo muito, muito curto, e todas essas criaturas e habitats est\u00e3o por aqui h\u00e1 milh\u00f5es de anos. N\u00e3o existe como justificar a destrui\u00e7\u00e3o desses seres agora, privando todas as outras pessoas que vir\u00e3o nos pr\u00f3ximos milhares de anos de coexistir com eles. Como algu\u00e9m pode possivelmente justificar isso? \u00c9 completamente imoral. N\u00e3o existe nada em nenhuma religi\u00e3o e nem em nenhuma filosofia que diga que \u00e9 aceit\u00e1vel destruir o mundo. E ainda assim, isso \u00e9 exatamente o que estamos fazendo.<\/p>\n<p><strong>Sim. Muito obrigado pela conversa, Dr. Safina!<\/strong><\/p>\n<p>Obrigado a voc\u00ea! Foi muito bom estar aqui.<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o Bernardo Araujo.<\/em><\/p>\n<p><strong>Notas do tradutor:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>* Utilit\u00e1rias aqui se refere \u00e0 ideia de se conservar animais para o uso pr\u00e1tico e bem estar humano. N\u00e3o confundir com a no\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de utilitarismo, de maximiza\u00e7\u00e3o de bem estar de seres sencientes, que \u00e9 bem pr\u00f3ximo do que o Dr. Safina prop\u00f5e, fundada pelo pr\u00f3prio Jeremy Bentham mencionado a seguir.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>** \u201cA quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u2018Eles podem raciocinar?\u2019, nem \u2018Eles podem falar?\u2019, mas sim \u2018Eles podem sofrer?\u2019\u201d &#8211; Jeremy Bentham, 1789.\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em maio, o ecologista Carl Safira esteve na Semana de Biologia da Universidade Federal do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109774,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/carl.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em maio, o ecologista Carl Safira esteve na Semana de Biologia da Universidade Federal do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109773"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109773"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109773\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}