{"id":10976,"date":"2014-11-22T19:30:09","date_gmt":"2014-11-22T19:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10976"},"modified":"2014-11-22T11:15:51","modified_gmt":"2014-11-22T11:15:51","slug":"araras-azuis-ameacadas-de-extincao-renascem-nas-matas-de-canudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/araras-azuis-ameacadas-de-extincao-renascem-nas-matas-de-canudos\/","title":{"rendered":"Araras azuis amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o renascem nas matas de Canudos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-10977\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Em um novo dia nos sert\u00f5es do S\u00e3o Francisco, a paisagem seca vai ganhando cores e as aves come\u00e7am a cruzar o c\u00e9u ao amanhecer. Duas, tr\u00eas, dezenas de aves coloridas voam em bandos. Barulhentas e famintas, partem em busca de comida.<\/p>\n<p>A arara-azul-de-Lear ainda est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, mas no meio da Caatinga tem abrigo e prote\u00e7\u00e3o. Elas est\u00e3o se reproduzindo em liberdade.<\/p>\n<p>Caboclo, homem da terra, h\u00e1 35 anos \u00e9 um guardi\u00e3o dessas aves. Quando ele come\u00e7ou o trabalho de preserva\u00e7\u00e3o, s\u00f3 com muita sorte se conseguia ver uma arara na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTinha pouco mais de 40 bichos, indiv\u00edduo, hoje, n\u00f3s temos um censo recente que ficou em torno de 1,3 mil bichos\u201d, conta Eurivaldo Macedo Alves, guarda-parque.<\/p>\n<p>A toca velha, no munic\u00edpio de Canudos, na Bahia, \u00e9 um dos lugares onde as araras passam a noite. Elas dormem em buracos no meio dos pared\u00f5es. Quando amanhece, \u00e9 hora de debandada. Elas invadem as ro\u00e7as dos pequenos agricultores.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta voc\u00ea ter uma popula\u00e7\u00e3o grande de indiv\u00edduo se voc\u00ea n\u00e3o tem alimento, voc\u00ea vai gerar um desequil\u00edbrio e possivelmente esse desequil\u00edbrio vai atingir a popula\u00e7\u00e3o inteira, que \u00e9 a fome\u201d, diz Eurivaldo.<\/p>\n<p>Dona Aurenice de Miranda e o marido vivem em uma casa t\u00edpica do Sert\u00e3o do Nordeste, em uma \u00e1rea onde n\u00e3o chegou ainda a energia el\u00e9trica. O fog\u00e3o a lenha na porta da casa, a galinha chocando em um canto, as paredes de barro e ao redor da casa, a planta\u00e7\u00e3o de milho e de palma. E uma concorr\u00eancia grande com as araras, que comem o milho, e as on\u00e7as, que comem a cria\u00e7\u00e3o de bodes e ovelhas.<\/p>\n<p>As araras ficam esperando e, quando sentem que n\u00e3o h\u00e1 perigo, partem para o ataque. E saem carregando as espigas.<\/p>\n<p>O marido da lavradora Aurenice de Miranda usa um saco pl\u00e1stico como arma para afastar as araras.<\/p>\n<p>\u201cCom um saco, elas t\u00eam medo do saco, n\u00e9? Elas voam, v\u00eam de novo, a gente vai de novo. S\u00e3o muitas araras. Muitas, muitas mesmo\u201d, conta o lavrador Jo\u00e3o Nascimento.<\/p>\n<p>Boa parte dos p\u00e9s de milho est\u00e1 no ch\u00e3o. \u00c9 uma terra arrasada.<\/p>\n<p>Globo Rep\u00f3rter: Mesmo assim n\u00e3o matou as araras?<br \/>\nJo\u00e3o Nascimento: N\u00e3o. Deus me livre. \u00c9 crime. N\u00e3o pode.<\/p>\n<p>As araras s\u00f3 est\u00e3o atacando as planta\u00e7\u00f5es porque o alimento preferido delas est\u00e1 ficando raro na Caatinga: \u201cO licuri, o alimento preponderante e insubstitu\u00edvel da arara azul. A arara parte com o bico e come a polpa de dentro, porque ao mesmo tempo est\u00e1 recebendo a polpa e um pouco de \u00e1gua\u201d, explica o fazendeiro Ot\u00e1vio Farias.<\/p>\n<p>\u201cO ideal seria o plantio do licuri. O que a gente acha que \u00e9 o b\u00e1sico \u00e9 o licuri, porque se a gente tiver o licuri aqui pr\u00f3ximo, esse bicho n\u00e3o precisa se deslocar tanto para buscar alimento, v\u00e3o comer por aqui\u201d, diz Eurivaldo Macedo Alves, guarda-parque.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o h\u00e1 os coquinhos para todas, o jeito \u00e9 improvisar. O fazendeiro amarra espigas de milho nas \u00e1rvores. E todos os dias oferece uma refei\u00e7\u00e3o completa para as araras-azuis-de-Lear.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o posso dizer que com isso eu estou defendendo 100% as araras azuis, mas pelo menos eu estou mantendo um grupo grande para que elas n\u00e3o v\u00e3o atacar os milharais e que n\u00e3o sofram as consequ\u00eancias desses ataques\u201d, diz o fazendeiro Ot\u00e1vio Farias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um novo dia nos sert\u00f5es do S\u00e3o Francisco, a paisagem seca vai ganhando cores<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10977,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/arara_azul_lear.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em um novo dia nos sert\u00f5es do S\u00e3o Francisco, a paisagem seca vai ganhando cores","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10976"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10976"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10976\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}