{"id":109623,"date":"2019-07-20T00:00:19","date_gmt":"2019-07-20T03:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109623"},"modified":"2019-07-19T21:50:06","modified_gmt":"2019-07-20T00:50:06","slug":"especialista-alerta-para-desequilibrio-causado-pela-extincao-de-aves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/especialista-alerta-para-desequilibrio-causado-pela-extincao-de-aves\/","title":{"rendered":"Especialista alerta para desequil\u00edbrio causado pela extin\u00e7\u00e3o de aves"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/O-beija-flor-combate-Aedes-aegypti-Rede-de-Especialistas-em-Conservacao-da-Natureza-1068x763.jpg\" width=\"640\" height=\"457\" \/><\/p>\n<p>Considerado o segundo pa\u00eds em diversidade de aves do mundo, o Brasil tamb\u00e9m carrega um recorde negativo: \u00e9 a na\u00e7\u00e3o que possui mais aves globalmente amea\u00e7adas. Estima-se que cerca de 170 esp\u00e9cies correm risco de serem extintas. Sem elas, um verdadeiro colapso socioambiental poderia tomar conta do territ\u00f3rio nacional, afetando o equil\u00edbrio do meio ambiente e, consequentemente, influenciando diretamente a vida do ser humano.<\/p>\n<p>Para evitar esse quadro, a prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o dos habitats das aves, em florestas, cerrados e campos, \u00e9 um dos caminhos que est\u00e1 sendo trilhado por ambientalistas e outros especialistas \u2013 medidas que tamb\u00e9m devem envolver toda a sociedade.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen teads-display-format\">\n<div>\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\">O diretor-executivo da BirdLife\/SAVE Brasil, Pedro Develey, membro da Rede de Especialistas de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, explica que qualquer cidad\u00e3o pode fazer sua parte, como respeitar a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, manter as propriedades rurais com reservas legais e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente ou criar reservas privadas. \u201cMesmo uma pessoa que mora em uma cidade pode manter um jardim privado ou ajudar na manuten\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea p\u00fablica ou plantar \u00e1rvores nativas que produzam frutos e flores e atraiam as aves.\u201d, completa Develey.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ele lembra que na Mata Atl\u00e2ntica, por exemplo, \u00e9 necess\u00e1rio um processo de restaura\u00e7\u00e3o florestal. Ou seja, \u00e9 preciso plantar \u00e1rvores nativas nas florestas a fim de manter e preservar o habitat das aves. \u201cPara algumas esp\u00e9cies que j\u00e1 atingiram n\u00edveis populacionais muito baixos, \u00e9 preciso um manejo direto, como a cria\u00e7\u00e3o em cativeiro para garantir uma popula\u00e7\u00e3o que poderia ser reintroduzida no futuro\u201d, alerta.<\/p>\n<p>De acordo com Develey, as aves s\u00e3o excelentes indicadores ambientais, atuando como um term\u00f4metro do meio ambiente. \u201cUm pa\u00eds com tantas aves amea\u00e7adas significa que n\u00e3o est\u00e1 caminhando bem do ponto de vista ambiental. As aves s\u00e3o importantes polinizadores e dispersores de sementes, \u2018plantando\u2019 \u00e1rvores naturalmente e contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio e diversidade do ambiente\u201d, afirma. Al\u00e9m disso, diversas esp\u00e9cies de aves controlam pragas ao se alimentarem de insetos que podem ser prejudiciais \u00e0 agricultura. Os p\u00e1ssaros tamb\u00e9m ajudam no combate a vetores de doen\u00e7as. O beija-flor, por exemplo, al\u00e9m de se alimentar de n\u00e9ctar, contribui no combate ao\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>, mosquito que transmite doen\u00e7as como a dengue, zika, chikungunya e febre amarela.<\/p>\n<h3><strong>Perdas<\/strong><\/h3>\n<p>Caso medidas ambientais n\u00e3o sejam tomadas, o Brasil corre um s\u00e9rio risco de perder para sempre muitas esp\u00e9cies de aves. No ano passado, segundo Develey, o pa\u00eds registrou tr\u00eas extin\u00e7\u00f5es confirmadas de aves que viviam na Mata Atl\u00e2ntica do Nordeste: o limpa-folha-do-nordeste, o gritador-do-nordeste e uma corujinha, a cabur\u00e9-de-pernambuco.<\/p>\n<p>Por outro lado, a ararinha-azul, extinta da natureza desde 2000, deve voltar ao meio ambiente nos pr\u00f3ximos cinco meses, quando 50 exemplares da esp\u00e9cie devem chegar ao Brasil, repatriadas da Alemanha. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), as ararinhas ser\u00e3o encaminhadas at\u00e9 o Ref\u00fagio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, unidade de conserva\u00e7\u00e3o criada no ano passado, em Cura\u00e7\u00e1 (BA), especialmente para receber as aves. Depois de um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o em viveiro, elas ser\u00e3o soltas na natureza. Atualmente, existem apenas 163 exemplares da ave em cativeiro no mundo, sendo 13 no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cSem d\u00favida, o bioma com a situa\u00e7\u00e3o mais delicada para a conserva\u00e7\u00e3o da avifauna \u00e9 a Mata Atl\u00e2ntica \u2013 especialmente a regi\u00e3o entre Alagoas, Pernambuco e Para\u00edba. Outra esp\u00e9cie extremamente amea\u00e7ada \u00e9 a choquinha-de-alagoas, que hoje s\u00f3 existe na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Murici (AL) e as estimativas apontam para no m\u00e1ximo 30 indiv\u00edduos\u201d, alerta o pesquisador.<\/p>\n<h3><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<p>O especialista aponta que \u00e9 dif\u00edcil prever com precis\u00e3o a extens\u00e3o das consequ\u00eancias da extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de aves. \u201cExistem intera\u00e7\u00f5es entre as esp\u00e9cies; o desaparecimento de uma pode influenciar diretamente outra, num efeito domin\u00f3. Talvez, a curto prazo, os efeitos n\u00e3o ser\u00e3o percebidos, mas a m\u00e9dio e longo prazos, o desaparecimento das aves afeta o equil\u00edbrio de todo o ambiente, que influencia diretamente na vida do ser humano.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o especialista alerta para uma perda irrepar\u00e1vel de um patrim\u00f4nio natural \u00fanico e insubstitu\u00edvel. \u201cCostumo fazer uma analogia com as grandes obras de arte: se um inc\u00eandio destru\u00edsse o Museu do Louvre, seria uma como\u00e7\u00e3o mundial. Mas estamos perdendo aves todo ano; nossas \u2018Monalisas\u2019 est\u00e3o desaparecendo e a maior parte da sociedade ainda n\u00e3o se importa\u201d, alerta Develey.<\/p>\n<div class=\"td-author-name vcard author\"><span class=\"fn\"><a href=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/author\/mayra-rosa\/\"><img src=\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c99bab36d7c0566399548e54bec378c2?s=96&amp;d=mm&amp;r=g\" alt=\"Avatar\" \/>Mayra Rosa<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"td-author-description\">Arquiteta e urbanista com forma\u00e7\u00e3o em desenvolvimento sustent\u00e1vel pela University of New South Wales, em Sidney, Austr\u00e1lia. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo \u00e9 a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade \u00e9 a chave para vivermos em harmonia.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerado o segundo pa\u00eds em diversidade de aves do mundo, o Brasil tamb\u00e9m carrega um<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Considerado o segundo pa\u00eds em diversidade de aves do mundo, o Brasil tamb\u00e9m carrega um","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109623"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109623\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}