{"id":109468,"date":"2019-07-17T08:00:35","date_gmt":"2019-07-17T11:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109468"},"modified":"2019-07-16T20:48:17","modified_gmt":"2019-07-16T23:48:17","slug":"a-nova-tecnologia-que-preve-deslizamentos-em-aterros-sanitarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-nova-tecnologia-que-preve-deslizamentos-em-aterros-sanitarios\/","title":{"rendered":"A nova tecnologia que prev\u00ea deslizamentos em aterros sanit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109469\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Aproximadamente 15 milh\u00f5es de pessoas vivem e trabalham em vastos aterros sanit\u00e1rios municipais ao redor do mundo, revirando o lixo diariamente em busca de sucata que podem vender.<\/p>\n<p>Essas verdadeiras &#8220;cidades de lixo&#8221; s\u00e3o formadas por barracos feitos de madeira, chapas met\u00e1licas e pl\u00e1stico. As fam\u00edlias vivem entre pilhas de lixo hospitalar e eletr\u00f4nico, res\u00edduos dom\u00e9sticos e vidro quebrado, at\u00e9 mesmo produtos t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Essas pilhas de lixo s\u00e3o naturalmente mais propensas a deslizamentos &#8211; uma vez que essas montanhas inst\u00e1veis de res\u00edduos podem desmoronar de repente sem aviso pr\u00e9vio.<\/p>\n<p>O lix\u00e3o de Payatas, na periferia de Manila, uma das maiores &#8220;cidades de lixo&#8221; das Filipinas e lar de quase 10 mil pessoas, desabou em 2000, provocando um deslizamento de terra de 30 metros de altura e 100 metros de largura que deixou mais de 200 mortos.<\/p>\n<p>Em 2015, um desmoronamento de terra varreu um enorme dep\u00f3sito de lixo nos arredores de Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia, matando mais de 100 pessoas e destruindo casas improvisadas.<\/p>\n<p>E no Brasil, o caso mais famoso foi o deslizamento no Morro do Bumba, em Niter\u00f3i, em 2010, causado por um temporal, e que destruiu uma favela erguida sobre um antigo lix\u00e3o, deixando pelo menos 48 mortos e centenas de desabrigados.<\/p>\n<p>A taxa de sobreviv\u00eancia das v\u00edtimas deste tipo de desastre \u00e9 baixa, dada a natureza do material e o potencial de o g\u00e1s metano se acumular dentro de bols\u00f5es de ar &#8211; envenenando quem estiver preso dentro deles.<\/p>\n<p>E o futuro nos reserva muito mais lixo: de acordo com o relat\u00f3rio &#8220;What a Waste&#8221; do Banco Mundial, a popula\u00e7\u00e3o global deve gerar 3,4 bilh\u00f5es de toneladas de lixo anualmente at\u00e9 2050 &#8211; um aumento significativo em rela\u00e7\u00e3o aos 2,01 bilh\u00f5es de toneladas atuais.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores australianos desenvolveu recentemente um software capaz de detectar deslizamentos com duas semanas de anteced\u00eancia, dando aos moradores tempo de deixar os aterros sanit\u00e1rios e aos engenheiros a oportunidade de refor\u00e7ar o terreno.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5934\/production\/_106963822_foto_02.jpg\" alt=\"Homens observam cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o ap\u00f3s desmoronamento em Manila\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os deslizamentos j\u00e1 custaram a vida de centenas de pessoas, como o que ocorreu em Manila em 2000<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O sistema de intelig\u00eancia artificial usa matem\u00e1tica aplicada para ajudar a identificar sinais de um desabamento iminente &#8211; como rachaduras min\u00fasculas e movimentos sutis que prenunciam um desmoronamento violento.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que sistemas de intelig\u00eancia artificial como este possam um dia ajudar a monitorar as encostas destas &#8220;cidades de lixo&#8221; e evitar que desastres se repitam.<\/p>\n<p>&#8220;Temos analisado dados sobre movimentos em materiais granulares para entender seu &#8216;ritmo de colapso'&#8221;, explica Antoinette Tordesillas, professora da faculdade de ci\u00eancias da Universidade de Melbourne, na Austr\u00e1lia, e uma das principais autoras do estudo.<\/p>\n<p>Os experimentos que ela realizou em laborat\u00f3rio envolveram v\u00e1rios tipos de material granular (como areia, concreto, cer\u00e2mica, pedras) que foram amontoados at\u00e9 ruir &#8211; isto \u00e9, at\u00e9 a solidez se desintegrar em peda\u00e7os e colapsar.<\/p>\n<p>&#8220;O que descobrimos \u00e9 um ritmo distinto nas etapas anteriores ao colapso&#8221;, diz Tordesillas.<\/p>\n<p>Sua tecnologia utiliza as leis da f\u00edsica para &#8220;orientar a intelig\u00eancia artificial a identificar o padr\u00e3o correto de maneira eficiente&#8221;. Ou seja, os algoritmos levam em considera\u00e7\u00e3o o movimento do solo, a din\u00e2mica do colapso e os desencadeadores conhecidos de deslizamentos de terra, como a chuva (que enfraquece a ader\u00eancia dos res\u00edduos) para produzir dados confi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Por fim, esses dados poder\u00e3o ser usados para prever de forma antecipada e em tempo real deslizamentos em locais como aterros sanit\u00e1rios, minas subterr\u00e2neas e encostas \u00edngremes de montanhas.<\/p>\n<p>Um declive natural \u00e9 composto de part\u00edculas de terra, como rochas ou argila, que foram unidas ao longo de milhares de anos.<\/p>\n<p>Um dep\u00f3sito de lixo, por outro lado, \u00e9 composto por part\u00edculas de res\u00edduos s\u00f3lidos &#8211; como pl\u00e1stico, vidro, metais, mat\u00e9ria org\u00e2nica, papel -, que mant\u00eam sua forma de maneira fr\u00e1gil at\u00e9 que algum dist\u00farbio os abale.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12454\/production\/_106963847_foto_01.jpg\" alt=\"Montanha de lixo\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">As montanhas de lixo &#8211; formadas por metais, vidros, pl\u00e1sticos e mat\u00e9ria org\u00e2nica &#8211; s\u00e3o muito fr\u00e1geis para resistir a dist\u00farbios fortes<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A instabilidade nos lix\u00f5es pode acontecer por v\u00e1rios motivos: compacta\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria de res\u00edduos, fornecimento inadequado de sistemas de drenagem, decomposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos e de pilhas de lixo com potencial de deslizamento, umidade, explos\u00f5es de g\u00e1s metano e despejo de res\u00edduos al\u00e9m da capacidade prevista.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns desses fatores tornam a previs\u00e3o antecipada de desmoronamentos (nos lix\u00f5es) mais dif\u00edcil do que nos desmoronamentos de terra&#8221;, diz Isaac Akinwumi, professor de engenharia geot\u00e9cnica da Universidade Covenant, na Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>A necessidade de tecnologia preditiva robusta \u00e9, portanto, essencial, particularmente no que diz respeito aos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>As montanhas de lixo l\u00e1 s\u00e3o muitas vezes mais \u00edngremes do que as regulamenta\u00e7\u00f5es dos EUA ou do Reino Unido permitem, o material n\u00e3o \u00e9 compactado da mesma forma e as empresas de gerenciamento de res\u00edduos n\u00e3o veem a estabilidade do terreno como uma prioridade. Tudo isso pode contribuir para a propens\u00e3o a deslizamentos.<\/p>\n<p>&#8220;Se a ferramenta da professora Tordesillas puder fornecer um alerta antecipado antes que ocorram os deslizamentos de res\u00edduos, ser\u00e1 uma ferramenta vital para evitar desastres&#8221;, diz Akinwumi.<\/p>\n<p>De fato, essa tecnologia pode ser capaz de transformar dados em informa\u00e7\u00f5es \u00fateis &#8211; como apresentar as coordenadas de um deslizamento iminente ou refer\u00eancias que ajudem os funcion\u00e1rios a decidir entre pedir refor\u00e7o ou evacuar a \u00e1rea.<\/p>\n<p>Para que o sistema de intelig\u00eancia artificial proposto funcione, no entanto, os pesquisadores e as organiza\u00e7\u00f5es de gerenciamento de res\u00edduos, com quem atuam em parceria, v\u00e3o ter de superar obst\u00e1culos financeiros, pol\u00edticos e regulat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Por exemplo, especialistas do setor v\u00e3o precisar de provas de que a tecnologia funciona. Vai custar dinheiro para avaliar os riscos e instalar a tecnologia &#8211; gastos que os operadores locais podem n\u00e3o estar dispostos a assumir. Al\u00e9m disso, deslocar os moradores durante as fases de fortalecimento do terreno ou de evacua\u00e7\u00e3o seria logisticamente dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Por fim, a tecnologia n\u00e3o vai erradicar os problemas ambientais de longo prazo inerentes ao pr\u00f3prio aterro sanit\u00e1rio, como as emiss\u00f5es de gases, o surto de doen\u00e7as e o escoamento de chorume, que contamina o len\u00e7ol fre\u00e1tico, poluindo c\u00f3rregos e rios.<\/p>\n<p>Os riscos associados aos deslizamentos de lixo s\u00e3o uma das raz\u00f5es pelas quais as principais organiza\u00e7\u00f5es de gerenciamento de res\u00edduos est\u00e3o insistindo agora para que essas &#8220;cidades de lixo&#8221; sejam fechadas e substitu\u00eddas por instala\u00e7\u00f5es mais modernas ou aterros controlados.<\/p>\n<p>&#8220;Testar essa tecnologia para ver se ela oferece uma solu\u00e7\u00e3o para o problema crescente dos desmoronamentos de lixo certamente vale a pena&#8221;, diz David Biderman, CEO da Associa\u00e7\u00e3o de Res\u00edduos S\u00f3lidos da Am\u00e9rica do Norte (SWANA, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>&#8220;Na verdade, pode ser um bom refor\u00e7o provis\u00f3rio no caminho para fechar os lix\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Biderman est\u00e1 bem familiarizado com o crescente problema das &#8220;cidades de lixo&#8221; e tem trabalhado para tornar a atua\u00e7\u00e3o da SWANA mais internacional.<\/p>\n<p>Os res\u00edduos s\u00f3lidos s\u00e3o um problema cada vez maior que afeta n\u00e3o apenas quem vive diretamente sob a sombra das montanhas de lixo, mas tamb\u00e9m quem est\u00e1 a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os pa\u00edses e os munic\u00edpios se tornam mais populosos e pr\u00f3speros, oferecem mais produtos aos cidad\u00e3os e participam do com\u00e9rcio internacional, se veem diante de quantidades correspondentes de res\u00edduos para gerenciar por meio de tratamento e descarte.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja uma solu\u00e7\u00e3o milagrosa e ainda esteja em fase inicial de desenvolvimento, essa tecnologia tem o potencial de transformar as respostas emergenciais a desastres em lix\u00f5es, permitindo a ado\u00e7\u00e3o de uma abordagem segmentada geograficamente no que se refere \u00e0 previs\u00e3o de deslizamentos, ajuda humanit\u00e1ria internacional e preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproximadamente 15 milh\u00f5es de pessoas vivem e trabalham em vastos aterros sanit\u00e1rios municipais ao redor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109469,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/lixao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Aproximadamente 15 milh\u00f5es de pessoas vivem e trabalham em vastos aterros sanit\u00e1rios municipais ao redor","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109468"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109468\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}