{"id":109438,"date":"2019-07-16T11:00:05","date_gmt":"2019-07-16T14:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109438"},"modified":"2019-07-15T17:42:27","modified_gmt":"2019-07-15T20:42:27","slug":"elefante-africano-ajuda-a-aumentar-estoque-de-carbono-na-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/elefante-africano-ajuda-a-aumentar-estoque-de-carbono-na-floresta\/","title":{"rendered":"Elefante africano ajuda a aumentar estoque de carbono na floresta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109439\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O elefante africano da floresta (<i>Loxodonta cyclotis<\/i>) \u00e9 conhecido por sua capacidade de atuar como \u201cjardineiro\u201d. \u00c0 medida que transita pelas florestas tropicais africanas, o animal espalha um vasto n\u00famero de sementes de frutas, de uma grande diversidade de \u00e1rvores das quais se alimenta. Dessa forma auxilia a germina\u00e7\u00e3o de mais de cem esp\u00e9cies de \u00e1rvores, que tamb\u00e9m fornecem alimento ou servem de abrigo para primatas, p\u00e1ssaros e insetos.<\/p>\n<p>Um estudo internacional, com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Embrapa Inform\u00e1tica Agropecu\u00e1ria, concluiu que o papel desempenhado pelo elefante africano da floresta nas florestas tropicais africanas, por\u00e9m, vai muito al\u00e9m de dispersor de sementes. Os pesquisadores constataram que o animal \u2013 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o \u2013 promove mudan\u00e7as na estrutura da floresta e contribui para aumentar o armazenamento de carbono.<\/p>\n<p>Durante a caminhada, al\u00e9m de se alimentar o elefante pisoteia, atropela ou se co\u00e7a em \u00e1rvores localizadas pr\u00f3ximas \u00e0s trilhas que utiliza preferencialmente para cruzar a floresta. O desbaste dessas \u00e1rvores reduz a sua densidade ao longo do tempo.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da densidade de \u00e1rvores alivia a competi\u00e7\u00e3o por \u00e1gua, luz e espa\u00e7o entre elas e favorece o surgimento de \u00e1rvores maiores, com maior di\u00e2metro e densidade de madeira e, consequentemente, mais carbono estocado na biomassa. Essa mudan\u00e7a na estrutura das florestas tropicais africanas e na composi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de \u00e1rvores influenciada pelo animal tamb\u00e9m aumenta, em longo prazo, o equil\u00edbrio da biomassa acima do solo, apontou o estudo.<\/p>\n<p>Resultado de um projeto\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/81891\/ecofor-biodiversidade-e-funcionamento-de-ecossistemas-em-areas-alteradas-pelo-homem-nas-florestas-a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoiado pela FAPESP<\/a><\/b>, o trabalho foi publicado na revista\u00a0<i>Nature Geoscience<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que a presen\u00e7a do elefante em uma densidade de 0,5 a 1 animal por quil\u00f4metro quadrado aumenta a biomassa acima do solo em 26 a 60 toneladas por hectare da floresta\u201d, disse\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/51863\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Simone Aparecida Vieira<\/a><\/b>, pesquisadora do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp e uma das autoras do estudo, \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>A pesquisadora integrou a comiss\u00e3o organizadora da\u00a0<b><a href=\"https:\/\/scenariosbes.wixsite.com\/spsas-scenarios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada em Cen\u00e1rios e Modelagem em Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos<\/a><\/b>, realizada de 1\u00ba a 14 de julho em S\u00e3o Pedro, no interior de S\u00e3o Paulo. Com apoio da FAPESP, por meio do programa\u00a0<b><a href=\"http:\/\/espca.fapesp.br\/inicial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Escola S\u00e3o Paulo de Ci\u00eancia Avan\u00e7ada<\/a><\/b>\u00a0(ESPCA), o evento reuniu 87 alunos de 20 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do estudo\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/48682\/marcos-longo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Longo<\/a><\/b>, p\u00f3s-doutorando no Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da Nasa, a ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos, que fez p\u00f3s-doutorado na Embrapa Inform\u00e1tica Agropecu\u00e1ria com\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/159179\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bolsa da FAPESP<\/a><\/b>, e\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/73210\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Augusto da Silva Scaranello<\/a><\/b>, tamb\u00e9m p\u00f3s-doutorando na mesma institui\u00e7\u00e3o. Scaranello fez doutorado no IB-Unicamp tamb\u00e9m com\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/129714\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bolsa da FAPESP<\/a><\/b>.<\/p>\n<p>De acordo com os autores do estudo, j\u00e1 se sabia que mega-herb\u00edvoros, como os elefantes, podem ter impacto importante nos ecossistemas e nos ciclos biogeoqu\u00edmicos ao consumir biomassa, transportar nutrientes e alterar a mortalidade das plantas. A influ\u00eancia dos elefantes na estrutura, na produtividade e nos estoques de carbono nas florestas tropicais da \u00c1frica, contudo, permanecia em grande parte desconhecida.<\/p>\n<p>\u201cAs florestas tropicais da \u00c1frica Central t\u00eam estoques de carbono maiores do que os da Floresta Amaz\u00f4nica, embora estejam em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e de solo semelhantes\u201d, disse Vieira.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores das florestas da \u00c1frica Central t\u00eam uma densidade mais baixa do caule e maior di\u00e2metro e biomassa m\u00e9dia acima do solo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s da Amaz\u00f4nia, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cA presen\u00e7a de elefantes nas florestas tropicais da \u00c1frica Central pode ter contribu\u00eddo para explicar essas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia em longos per\u00edodos de tempo\u201d, disse Vieira.<\/p>\n<p>A fim de testar essa hip\u00f3tese, os pesquisadores usaram um modelo computacional de din\u00e2mica de ecossistemas (ED2 model). O modelo rastreia explicitamente a din\u00e2mica da estrutura e da fun\u00e7\u00e3o do ecossistema em escala fina, simulando a heterogeneidade horizontal e vertical da vegeta\u00e7\u00e3o na sucess\u00e3o florestal a longo prazo, a competi\u00e7\u00e3o das plantas por recursos que levam \u00e0 mortalidade, assim como os eventos estoc\u00e1sticos de perturba\u00e7\u00e3o que podem influenciar a estrutura da floresta no curto, m\u00e9dio e longo prazo, como a presen\u00e7a de elefantes.<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es foram comparadas com dados de invent\u00e1rio de duas florestas na Bacia do Congo: em uma delas ainda h\u00e1 presen\u00e7a de elefantes e, em outra, os animais foram erradicados.<\/p>\n<p>Os resultados apontaram que a introdu\u00e7\u00e3o dos elefantes causa um efeito tempor\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o de biomassa acima do solo da florestas, em uma escala de 125 a 250 anos, em raz\u00e3o do aumento da mortalidade de pequenas \u00e1rvores pela a\u00e7\u00e3o do animal. O aumento e o sucessivo equil\u00edbrio da concentra\u00e7\u00e3o de biomassa acima do solo s\u00e3o atingidos entre 250 e mil anos depois da introdu\u00e7\u00e3o dos animais.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados sustentam a hip\u00f3tese de que a presen\u00e7a deles pode ter moldado a estrutura das florestas tropicais da \u00c1frica e que, provavelmente, desempenhou um papel importante para diferenci\u00e1-las das florestas tropicais da Amaz\u00f4nia\u201d, disse Vieira.<\/p>\n<p><b>Extin\u00e7\u00e3o dos elefantes<\/b><\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m simularam os efeitos da extin\u00e7\u00e3o dos elefantes na concentra\u00e7\u00e3o de biomassa acima do solo em toda a floresta da \u00c1frica Central \u2013 com 2,2 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados indicaram que a perda do animal resultaria em uma diminui\u00e7\u00e3o de 7% da biomassa acima do solo e de at\u00e9 3 bilh\u00f5es de toneladas de carbono.<\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o dos elefantes pode reverter essa tend\u00eancia de queda de servi\u00e7o de armazenamento de carbono estimado em US$ 43 bilh\u00f5es, apontam os pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;Nossas simula\u00e7\u00f5es sugerem que se a perda de elefantes continuar inabal\u00e1vel, as florestas da \u00c1frica Central podem liberar o equivalente a v\u00e1rios anos de emiss\u00f5es de CO2 de combust\u00edveis f\u00f3sseis da maioria dos pa\u00edses, potencialmente acelerando a mudan\u00e7a clim\u00e1tica&#8221;, disse Fabio Berzaghi, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Ci\u00eancias Ambientais e do Clima (CEA), da Fran\u00e7a, e principal autor do estudo, em comunicado da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA perda desse animal pode ter um impacto dr\u00e1stico, tanto em n\u00edvel local como globalmente&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de elefantes da floresta caiu dramaticamente desde a coloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica Ocidental, pelos europeus, quando os animais passaram a ser ca\u00e7ados para obten\u00e7\u00e3o de marfim. Hoje, as esp\u00e9cies de elefantes diminu\u00edram para menos de 10% de seu n\u00famero original.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Carbon stocks in central African forests enhanced by elephant disturbance<\/i>\u00a0(doi 10.1038\/s41561-019-0395-6), de Fabio Berzaghi, Marcos Longo, Philippe Ciais, Stephen Blake, Fran\u00e7ois Bretagnolle, Simone Vieira, Marcos Scaranello, Giuseppe Scarascia-Mugnozza e Christopher E. Doughty, pode ser lido por assinantes da revista<i>\u00a0Nature Geoscience\u00a0<\/i>em\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/s41561-019-0395-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.nature.com\/articles\/s41561-019-0395-6<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O elefante africano da floresta (Loxodonta cyclotis) \u00e9 conhecido por sua capacidade de atuar como<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/elefante.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O elefante africano da floresta (Loxodonta cyclotis) \u00e9 conhecido por sua capacidade de atuar como","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109438"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}