{"id":109405,"date":"2019-07-15T13:30:21","date_gmt":"2019-07-15T16:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109405"},"modified":"2019-07-14T20:58:55","modified_gmt":"2019-07-14T23:58:55","slug":"extintos-em-dezenas-de-paises-leoes-agora-estao-ameacados-em-seu-principal-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/extintos-em-dezenas-de-paises-leoes-agora-estao-ameacados-em-seu-principal-reino\/","title":{"rendered":"Extintos em dezenas de pa\u00edses, le\u00f5es agora est\u00e3o amea\u00e7ados em seu principal reino"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109406\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 poucas emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o intensas no mundo como a que produz contemplar um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/leones\">grande le\u00e3o macho<\/a>\u00a0em seu ambiente, na extensa savana africana, onde ainda continuam reinando, apesar do impar\u00e1vel decl\u00ednio da esp\u00e9cie. Restam apenas 20.000 le\u00f5es, calcula-se \u2013 somente 4.000 machos \u2013: est\u00e3o desaparecendo de vastas extens\u00f5es da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/africa\">\u00c1frica<\/a>\u00a0que antigamente eram parte de seus dom\u00ednios (ainda que existam 500 na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/india\">\u00cdndia<\/a>, le\u00f5es asi\u00e1ticos) e, se nada for feito, a fera emblem\u00e1tica do planeta, Simba, a ess\u00eancia do selvagem, pode se extinguir em pouco tempo. Nessa triste conjuntura, a nova vers\u00e3o, 25 anos depois, de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/23\/cultura\/1542959675_400948.html\">O Rei Le\u00e3o<\/a> da Disney, que chega \u00e0s telas em 19 de julho, com os animais recriados por realidade virtual, se tinge de um tom crepuscular, ainda que tamb\u00e9m, ao relan\u00e7ar o interesse global pelo le\u00f5es e a amea\u00e7a que sofrem, de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos h\u00e1 dois dias tentando ver um,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/07\/internacional\/1536323220_856743.html\">um de longa e espessa juba<\/a>, um senhor le\u00e3o ic\u00f4nico, os de uma vida inteira, e Fernando, o experiente fot\u00f3grafo dessa reportagem, come\u00e7ava a ficar impaciente. Andamos para cima e para baixo em um ve\u00edculo Off-Road no Tri\u00e2ngulo, a regi\u00e3o oeste da famosa reserva nacional de Masai Mara (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/kenia\">Qu\u00eania<\/a>), um dos lugares do planeta que mais s\u00e3o associados aos le\u00f5es e \u00e0 vida selvagem, e j\u00e1 hav\u00edamos visto nesse oceano todo de grama, incluindo grandes rebanhos de elefante, de b\u00fafalos, de ant\u00edlopes, de zebras, de gazelas, e tamb\u00e9m hienas, hipop\u00f3tamos, grandes crocodilos, v\u00e1rios guepardos, um mangusto com uma serpente na boca, javalis (inevitavelmente apontados como \u201cpumbas\u201d \u2014curiosamente, s\u00e3o a comida preferida dos le\u00f5es \u2014) e uma inusitada quantidade de girafas; e at\u00e9 v\u00e1rias leoas.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/03\/cultura\/1488546220_151416.html\">Mas o le\u00e3o nos escapava<\/a> . Fernando co\u00e7ava a incipiente barba \u2013 entre sa\u00edda e sa\u00edda, j\u00e1 n\u00e3o nos barbe\u00e1vamos, embargados pela febre do le\u00e3o \u2013 e batia na carroceira do carro como Patton no comando de seus blindados cada vez que o motorista fazia a men\u00e7\u00e3o de parar para nos mostrar alguma coisa. \u201cVamos, vamos, j\u00e1 vimos! Vamos em busca do le\u00e3o!\u201d, gritava.<\/p>\n<p>Naquela tarde volt\u00e1vamos da visita ao povoado masai, inc\u00f4modos vizinhos dos le\u00f5es, depois do portal de Oloololo, um dos que se atravessam para sair da reserva, e, de novo no parque, volt\u00e1vamos ao hotel-saf\u00e1ri de Mara Serena onde est\u00e1vamos alojados (uma grande mudan\u00e7a para algu\u00e9m que em 1982 acampou em uma humilde barraca ao lado do Sand River \u00e0 merc\u00ea das hienas). Ao cruzar as plan\u00edcies de Paradise Plain e Olpunyata Swamp, que costumam inundar nas esta\u00e7\u00f5es de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/lluvias_torrenciales\">chuvas fortes<\/a>, o c\u00e9u, imenso como s\u00f3 o \u00e9 na \u00c1frica, apresentava um aspecto magn\u00edfico e amea\u00e7ador, coberto de nuvens enormes pelas quais se filtrava uma luz sobrenatural que dava uma nota ainda mais dram\u00e1tica naquele territ\u00f3rio infinito e ind\u00f4mito. O motorista, Freddy, nos levou pelos campos ao p\u00e9 de uma \u00e1rvore solit\u00e1ria, uma grande ac\u00e1cia. De seus ramos mais altos se dependurava incongruentemente um impala. Era a despensa de um leopardo. A ideia de ver um leopardo, um dos Cinco Grandes da \u00c1frica, animou Cecile e Sergio, os outros dois fot\u00f3grafos profissionais com quem divid\u00edamos ve\u00edculo e aventura nesse dia. Mas Fernando estava inflex\u00edvel. \u201cPrecisamos do le\u00e3o\u201d, estabeleceu. Enquanto discut\u00edamos, o dedo do motorista apontou entre os pastos. \u201cSimba\u201d, disse. Olhamos e l\u00e1 estava,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/09\/23\/ciencia\/1474643418_516188.html\">um macho impressionante<\/a>, solit\u00e1rio, ainda que seguido de longe por duas hienas. Avan\u00e7ava com uma impon\u00eancia em que se concentravam todo o poder da paisagem e do jogo de vida e morte nessa terra primitiva e selvagem. Seguimos o le\u00e3o em sua andan\u00e7a por seu reino, como t\u00edmidos s\u00faditos carregados de teleobjetivas e, no meu caso, de bin\u00f3culos e meu bloco de notas.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes parava, levantava a cabe\u00e7a e, quando o vento agitava sua juba, parecia avistar ao longe algo que n\u00e3o v\u00edamos. Acabou passando diante de n\u00f3s, t\u00e3o perto que pudemos admirar a espantosa pot\u00eancia de cada m\u00fasculo de seu corpo, medir as letais presas em sua boca entreaberta e at\u00e9 mesmo sentir o odor acre que a fera exalava. Em um instante inesquec\u00edvel pareceu olhar diretamente para mim. Olhos de cor \u00e2mbar em que n\u00e3o havia nem piedade e culpa; somente a at\u00e1vica express\u00e3o de dom\u00ednio do predador diante da presa. Continuou avan\u00e7ando para onde quer que seu impulso e sua r\u00e9gia vontade o levavam e ent\u00e3o sua silhueta se recortou contra a tempestade que chegava do oeste como uma muralha de escura viol\u00eancia. Era uma imagem t\u00e3o terrivelmente bonita e sugestiva que parecia brotar diretamente de um sonho. O grande le\u00e3o dourado, sobre o qual ca\u00edam os derradeiros raios de luz, se destacava como um estranho motivo her\u00e1ldico radiante e ao mesmo tempo diminu\u00eda sobre o assustador peso do c\u00e9u. Uma imagem sobrenatural com a for\u00e7a de um s\u00edmbolo e de um aug\u00fario. O le\u00e3o continuou marchando sem se deter, impass\u00edvel, rumo \u00e0 tempestade e ao crep\u00fasculo. Olhei para Fernando, suas duras fei\u00e7\u00f5es transfiguradas por uma forte emo\u00e7\u00e3o; t\u00ednhamos o le\u00e3o e ao mesmo tempo era imposs\u00edvel n\u00e3o pensar, enquanto desaparecia no horizonte, que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/08\/04\/internacional\/1438675282_958281.html\">o perd\u00edamos para sempre<\/a>.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">O le\u00e3o acabou passando diante de n\u00f3s. Era poss\u00edvel sentir o odor acre que a fera exalava<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A viagem ao Qu\u00eania, organizada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/disney_world\">Disney<\/a>, serviu para observar alguns dos locais mais importantes que inspiraram o novo e inovador O Rei Le\u00e3o. Os diretores visitaram diferentes locais do pa\u00eds para experimentar os animais de seus entornos, pegar refer\u00eancias reais e recriar virtualmente as paisagens do filme, um processo tecnol\u00f3gico semelhante ao que j\u00e1 foi utilizado pelo mesmo diretor Jon Favreau em sua vers\u00e3o de Mogli: O Menino Lobo (2016). Favreau quis que tudo o que aparece no filme estivesse firmemente enraizado na realidade. \u201cTemos um grande respeito pelo O Rei Le\u00e3o original, s\u00edmbolo de toda uma gera\u00e7\u00e3o, mas isso \u00e9 outra coisa, damos mais verdade, uma experi\u00eancia que parece real\u201d, afirmou James Chinlund, designer de produ\u00e7\u00e3o, em uma entrevista coletiva em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nairobi\">Nair\u00f3bi<\/a>, em um jardim em que voavam coloridos suimangas (esp\u00e9cie de p\u00e1ssaro) de assombrosa beleza. \u201cMogli j\u00e1 mostrou que era poss\u00edvel recriar com tecnologia digital um mundo org\u00e2nico; agora fomos mais longe\u201d.<\/p>\n<p>O Masai Mara foi especialmente usado como refer\u00eancia no filme, inspira\u00e7\u00e3o do reino de Mufasa, com seu mar de grama e ac\u00e1cias e seus c\u00e9us mut\u00e1veis; as Chyulu Hills, cujas forma\u00e7\u00f5es p\u00e9treas foram a base para a Rocha do Orgulho. O monte Qu\u00eania, cuja mata tropical serve de cen\u00e1rio para o crescimento de Simba com Tim\u00e3o e Pumba, e os Aberdare, velho santu\u00e1rio dos Mau Mau, cujas impressionantes cachoeiras s\u00e3o o palco do retorno de Nala \u00e0 vida de Simba (quase n\u00e3o h\u00e1 le\u00f5es nesses montes: foram levados a outros lugares pra que n\u00e3o ameacem a popula\u00e7\u00e3o \u00fanica de bongos).<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606429_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606429_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606429_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606429_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"O ocaso no Mas\u00e1i Mara.\" width=\"639\" height=\"144\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O ocaso no Mas\u00e1i Mara.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">FERNANDO MOLERES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A Disney sabe que o c\u00edrculo da vida se fecha para Simba e da queda livre dos le\u00f5es, de modo que a empresa se comprometeu decididamente nas inciativas para sua conserva\u00e7\u00e3o. A Disney lan\u00e7ou junto com o filme a campanha The Lion King: Protect the Pride (O Rei Le\u00e3o: Proteja o Orgulho) para apoiar a organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lionrecoveryfund.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lion Recovery Fund<\/a>\u00a0e seu objetivo de dobrar a popula\u00e7\u00e3o de le\u00f5es at\u00e9 2050 atrav\u00e9s de iniciativas que envolvem diversas comunidades. A ideia de que Simba pode salvar Simba \u00e9, evidentemente, sugestiva.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Em um s\u00e9culo, calcula-se, os le\u00f5es perderam 75% de seu territ\u00f3rio africano<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em 1880 calcula-se que existam na \u00c1frica 1,2 milh\u00e3o de le\u00f5es (Panthera leo). Nos anos cinquenta do s\u00e9culo XX haviam diminu\u00eddo a 500.000; nos anos noventa ainda eram 100.000; hoje s\u00f3 restam menos de 20.000 (ainda que n\u00e3o exista nada t\u00e3o dif\u00edcil como contar le\u00f5es), distribu\u00eddos em popula\u00e7\u00f5es que em muitos casos n\u00e3o asseguram o relevo geracional. Especialistas dos chamados reis da selva, como Dereck Joubert, explorador residente da National Geographic (e, afirmo, homem com vista excepcional para descobrir le\u00f5es na natureza: percorremos o mesmo Masai Mara em 2012), alertam que em pouco tempo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/10\/16\/internacional\/1445005240_936576.html\">poderemos ficar sem eles<\/a>. Sua principal amea\u00e7a, ap\u00f3s mil\u00eanios de temor, admira\u00e7\u00e3o, venera\u00e7\u00e3o, capturas e ca\u00e7as como o maior trof\u00e9u, somos n\u00f3s, os humanos. N\u00e3o s\u00f3 pela ca\u00e7a, legal ou ilegal (cinco vezes maior do que a anterior). O principal fator contra os le\u00f5es hoje na verdade \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e impar\u00e1vel de seu habitat pela press\u00e3o do homem, pelo aumento demogr\u00e1fico exponencial, para conseguir novos espa\u00e7os \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado e agricultura. Sua\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/geografia\">geografia<\/a>\u00a0desaparece. E ainda \u00e9 preciso adicionar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em um s\u00e9culo, calcula-se, os le\u00f5es perderam 75% de seu territ\u00f3rio africano. Um estudo oficial sobre a diminui\u00e7\u00e3o do le\u00e3o na \u00c1frica alerta que sem uma interven\u00e7\u00e3o decisiva nos pr\u00f3ximos 20 anos, a popula\u00e7\u00e3o de le\u00f5es cair\u00e1 \u00e0 metade, antessala de sua extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O le\u00e3o j\u00e1 desapareceu ao longo da hist\u00f3ria de muitos dos pa\u00edses em que era abundante: na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/grecia\">Gr\u00e9cia<\/a>, onde eram ca\u00e7ados por Alexandre Magno, no s\u00e9culo I; na Ge\u00f3rgia, Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o, mil anos depois; na Palestina, durante as cruzadas; na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/08\/ciencia\/Turquia\">Turquia<\/a>, no final do s\u00e9culo XIX; no Iraque, o \u00faltimo foi ca\u00e7ado perto do rio Tigre em 1918; no Ir\u00e3, onde eram o s\u00edmbolo da P\u00e9rsia, na d\u00e9cada de 1960. S\u00f3 sobrevivem fora da \u00c1frica em uma pequena regi\u00e3o da \u00cdndia, em Gir, no Gujarat, onde se conserva uma popula\u00e7\u00e3o de 520 le\u00f5es asi\u00e1ticos (a subesp\u00e9cie Panthera leo persica) vulner\u00e1vel \u00e0 consanguinidade e a qualquer epidemia.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>When the Last Lion Roars. The Rise and Fall of the King of the Beasts<\/em>, um dos livros recentes e eloquentes sobre o destino do le\u00e3o e uma obra t\u00e3o iluminadora como comovente, a escritora especialista em vida selvagem Sara Evans mostra um panorama desolador. J\u00e1 existem subesp\u00e9cies africanas de le\u00e3o extintas, como o le\u00e3o-do-atlas, tido por muitos como arquet\u00edpico, que desapareceu na d\u00e9cada de 1950, em parte por culpa do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/desforestacion\">desmatamento<\/a>\u00a0causado pela guerra da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/argelia\">Arg\u00e9lia<\/a>. A situa\u00e7\u00e3o do le\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica na \u00c1frica ocidental, onde vivem os le\u00f5es mais amea\u00e7ados e menos protegidos: s\u00f3 s\u00e3o encontrados em 5 pa\u00edses comparados com os 15 de 20 anos atr\u00e1s, e confinados em 1% do territ\u00f3rio da \u00e9poca. Na Costa do Marfim e Gana praticamente desapareceram. Em 2015 foi avistado um no Gab\u00e3o, o primeiro desde 1996. Benin, Burkina Faso, N\u00edger, Nig\u00e9ria e Senegal somam entre todos menos de 400 le\u00f5es. De fato, s\u00f3 existem quatro pa\u00edses africanos em que o n\u00famero de le\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 em queda livre: Botsuana (3.000, 2.000 no Okavango), Nam\u00edbia, \u00c1frica do Sul e Zimb\u00e1bue. Unicamente nesses pa\u00edses, al\u00e9m de Tanz\u00e2nia, Qu\u00eania, Mo\u00e7ambique e Z\u00e2mbia, h\u00e1 grupos de mais de 500 le\u00f5es adultos, considerados as \u201cfortalezas\u201d desses felinos. Evans diz que desaparecem diariamente e que em 75 anos 90% podem desaparecer, o que tornaria praticamente invi\u00e1vel a esp\u00e9cie. Os que ficarem seriam \u201cmortos vivos\u201d. \u00c9 preciso lembrar que o le\u00e3o, como carn\u00edvoro principal, desempenha um papel decisivo na ecologia do continente e sua extin\u00e7\u00e3o provocaria uma cat\u00e1strofe ambiental.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606465_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606465_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606465_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606465_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Um le\u00e3o no mato alto \u00e9 dif\u00edcil de ser avistado at\u00e9 j\u00e1 estar bem perto\" width=\"639\" height=\"372\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Um le\u00e3o no mato alto \u00e9 dif\u00edcil de ser avistado at\u00e9 j\u00e1 estar bem perto<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">FERNANDO MOLERES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>No Qu\u00eania, onde os le\u00f5es nasceram evolutivamente h\u00e1 tr\u00eas milh\u00f5es de anos, e de onde era a famosa Elsa de Uma Leoa Chamada Elsa e \u00e9 o Simba da Disney, a sobreviv\u00eancia do le\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 de modo nenhum livre de amea\u00e7as, alerta James Clarke, escritor cientista e membro fundador da ONG\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ewt.org.za\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Endangered Wildlife Trust<\/a>, autor de Overkill, the Race to Save Africa\u2019s Wildlife. Em todo o pa\u00eds, calcula-se, existem 3.000 (somente 2.000 de acordo com Clarke) divididos em 18 popula\u00e7\u00f5es, das quais somente dois grupos t\u00eam mais de 500 indiv\u00edduos. A vizinha Tanz\u00e2nia, por outro lado, tem muitos mais, quase a metade de todos os le\u00f5es da \u00c1frica, mais de 7.000 somente na grande reserva de Selous. No Tsavo queniano, o lugar dos c\u00e9lebres devoradores de homens ca\u00e7ados pelo coronel Patterson, restam apenas 50, o que pode significar que esse local emblem\u00e1tico ficar\u00e1 sem le\u00f5es. Mesmo no para\u00edso selvagem de Masai Mara, ainda que as autoridades sejam muito cautelosas com os n\u00fameros, sua popula\u00e7\u00e3o parece ter diminu\u00eddo. A primeira vez que visitei a reserva, em 1982, eram sem d\u00favida mais abundantes: voc\u00ea os encontrava por todos os lados e era comum presenciar ca\u00e7adas (vi uma zebra ser morta e um babu\u00edno, esquartejado: n\u00e3o \u00e9 um espet\u00e1culo agrad\u00e1vel). Em 2012, apesar de ir com os especialistas Joubert \u2013 Dereck e sua esposa, Beverly \u2013, que \u00e9 como ir com Custer ver os \u00edndios, havia obviamente menos le\u00f5es. Nesse ano, como expliquei, foi dif\u00edcil ver um grande macho, ainda que tenhamos visto uma f\u00eamea em um a\u00e7ude e outras duas com filhotes sobrevoando a regi\u00e3o com um bal\u00e3o (uma maneira de observar muito terreno f\u00e1cil e confortavelmente, especialmente se voc\u00ea n\u00e3o aterrissa, como quase nos aconteceu, sobre as feras).<\/p>\n<p>No Tri\u00e2ngulo de Mara existem seis alcateias identificadas. S\u00e3o formadas basicamente por f\u00eameas (parentes entre elas), filhotes e quase adultos, com um grande macho dominante (o Mufasa da vez) ou \u00e0s vezes uma coaliz\u00e3o de dois ou mais. Entre os territ\u00f3rios das alcateias se movimentam patrulhando os machos solit\u00e1rios ou em pequenos grupos, expulsos das alcateias ao completar dois anos de idade. Esses machos competem ocasionalmente contra os dominantes para conseguir a lideran\u00e7a de uma alcateia. Quando o conseguem, ap\u00f3s lutas que podem ser \u00e9picas, se entregam como Herodes a uma verdadeira opera\u00e7\u00e3o de infantic\u00eddio, matando os filhotes do rei anterior para que suas f\u00eameas voltem a entrar no cio para que eles possam cruzar com elas (de modo que o tio Scar em O Rei Le\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 totalmente fora de lugar). O mecanismo \u00e9 complexo e \u00e0s vezes acaba em cat\u00e1strofes para as alcateias.<\/p>\n<section id=\"sumario_7|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_7\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606619_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606619_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606619_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606619_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Vista das montanhas Aberdare, no Qu\u00eania.\" width=\"639\" height=\"144\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Vista das montanhas Aberdare, no Qu\u00eania.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">FERNANDO MOLERES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Durante uma das andan\u00e7as pela reserva, um guia me falou de um le\u00e3o que havia causado um dram\u00e1tico desequil\u00edbrio em 2009. N\u00e3o se chamava Scar, e sim Notch, e era uma fera poderosa que se movimentava acompanhado por tr\u00eas de seus filhos j\u00e1 adultos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/26\/ciencia\/1472200737_542700.html\">que agiam como uma quadrilha<\/a>. O problema com Notch era que entrava nas alcateias, vencia o macho dominante, matava seus filhotes e copulava com suas esposas, mas depois seguia seu caminho, repetindo o esquema viciosamente e deixando as alcateias sem l\u00edder e abandonadas a sua sorte. Somente uma alcateia das sete do Tri\u00e2ngulo, a de Oloololo, permaneceu est\u00e1vel nesse tempo calamitoso at\u00e9 que o equil\u00edbrio se restabeleceu com a morte de Notch. A hist\u00f3ria demonstra como s\u00e3o delicadas por sua natureza intrinsecamente social as popula\u00e7\u00f5es de le\u00f5es. A a\u00e7\u00e3o humana, eliminando especialmente machos, causa efeitos tremendos nas alcateias.<\/p>\n<p>Alfred Bett, guarda do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.maratriangle.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mara Conservancy<\/a>, o \u00f3rg\u00e3o que protege o tri\u00e2ngulo (aqui n\u00e3o existem\u00a0<em>rangers<\/em>\u00a0do Kenya Wildlife Service), me disse uma noite no Mara Serena, o bar com melhor vista do mundo em que voc\u00ea se sente como Denys Finch Hatton e Allan Quatermain, que defender o parque requer coragem, pois os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/caza\">ca\u00e7adores ilegais<\/a>\u00a0n\u00e3o utilizam somente lan\u00e7as e flechas envenenadas (tamb\u00e9m contra eles) e sim armas autom\u00e1ticas. Em 2015 os ca\u00e7adores e criadores de gado irritados do entorno do parque envenenaram oito dos le\u00f5es de uma das alcateias mais populares do Masai Mara, a dos p\u00e2ntanos, protagonista do programa da BBC Big Cat Diary. \u201cO trabalho \u00e9 patrulhar e retirar armadilhas. A ca\u00e7a ilegal se reduziu gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o com a vizinha Tanz\u00e2nia\u201d. O guarda lamenta que o turismo tenha diminu\u00eddo no Qu\u00eania, o que repercute nos fundos para proteger os animais.<\/p>\n<section id=\"sumario_6|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_6\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606512_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606512_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606512_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606512_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Piquenique ao estilo Mem\u00f3rias da \u00c1frica no mesmo lugar.\" width=\"639\" height=\"144\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Piquenique ao estilo Mem\u00f3rias da \u00c1frica no mesmo lugar.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">FERNANDO MOLERES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Sobre os le\u00f5es, afirma que a popula\u00e7\u00e3o no Masai Mara \u00e9 est\u00e1vel. \u201cN\u00e3o aumenta e n\u00e3o cai, h\u00e1 69 no Tri\u00e2ngulo e 468 ao todo no Masai Mara\u201d (h\u00e1 poucos anos havia 547, de acordo com outras fontes). \u201cPudemos solucionar problemas com as popula\u00e7\u00f5es masai, pagando pelas vacas que os le\u00f5es matam e sobretudo incorporando os pr\u00f3prios masai em projetos de defesa da vida selvagem\u201d. Esses planos incluem programas como os Guardi\u00f5es dos Le\u00f5es, Defensores dos Le\u00f5es e Guerreiros da Vida Selvagem, que est\u00e3o tentando mudar a mentalidade das comunidades vizinhas para que o le\u00e3o n\u00e3o seja visto como um inimigo e um problema (um inimigo ancestral que os jovens masai devem matar para se tornar guerreiros em um ritual do olomayio), e sim como uma poss\u00edvel fonte de riqueza, e de prest\u00edgio, que merece ser protegida. De qualquer forma, viver perto da reserva n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e ocorram casos em que os le\u00f5es n\u00e3o se contentaram em atacar o gado. De fato, a frequ\u00eancia dos ataques a humanos na \u00c1frica (120 por ano somente na Tanz\u00e2nia) aumenta proporcionalmente ao avan\u00e7o das popula\u00e7\u00f5es sobre os \u00faltimos espa\u00e7os livres. Um estudo citado por Sara Evans diz que que entre 1990 e 2006 os le\u00f5es mataram 563 pessoas no continente. Por sua vez, 100 le\u00f5es morrem por ano no Qu\u00eania \u2013 onde \u00e9 ilegal mat\u00e1-los \u2013 como resultados do conflito com os criadores de gado. Mas uma mudan\u00e7a de mentalidade positiva est\u00e1 ocorrendo em algumas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Alfred Bett n\u00e3o soube me dizer o nome do macho que vimos na tempestade. Mas sem d\u00favida, frisou, n\u00e3o era o grande Scarface, provavelmente o le\u00e3o mais famoso do Mara, de 12 anos, um grande rei e uma verdadeira lenda vida que devora hipop\u00f3tamos. \u201cVoc\u00ea o teria reconhecido pelo tamanho e as marcas dos muitos combates que travou\u201d. Scarface recebeu um ferimento de lan\u00e7a de um guerreiro masai de quem tentava roubar uma vaca e perdeu o olho direito em uma luta para conseguir a l\u00edder das f\u00eameas da famosa alcateia dos p\u00e2ntanos, protagonista, al\u00e9m do programa de televis\u00e3o mencionado, do famoso livro The Marsh Lions, de Brian Jackman, Jonathan e Angie Scott.<\/p>\n<section id=\"sumario_8|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_8\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606887_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606887_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606887_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/08\/eps\/1562594950_972837_1562606887_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Zebras no Masai Mara. S\u00e3o uma das presas habituais dos le\u00f5es\" width=\"640\" height=\"365\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Zebras no Masai Mara. S\u00e3o uma das presas habituais dos le\u00f5es<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">FERNANDO MOLERES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A recente e dram\u00e1tica morte em 2005 no Zimb\u00e1bue, por um ignorante ca\u00e7ador e dentista de Minnesota com balestra, de um le\u00e3o monumental e ic\u00f4nico,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/07\/07\/ciencia\/1467887728_390137.html\">o famoso Cecil<\/a>, significou um golpe nas consci\u00eancias e um momento chave na conserva\u00e7\u00e3o do le\u00e3o, o momento Cecil. De repente, muita gente percebeu como a situa\u00e7\u00e3o dos grandes felinos era delicada, de como \u00e9 est\u00fapido mat\u00e1-los por prazer, e de como seria triste e chato um mundo sem eles. Os tr\u00eas desafios b\u00e1sicos agora, lembram os conservacionistas, s\u00e3o proteger seu habitat, envolver maci\u00e7amente as pessoas em sua defesa e conseguir financiamento dos pa\u00edses ricos para pagar a conserva\u00e7\u00e3o dos le\u00f5es que as na\u00e7\u00f5es africanas n\u00e3o podem assumir sozinhas.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">A queda do turismo no Qu\u00eania repercute nos fundos para proteger aos animais<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em 12 pa\u00edses da \u00c1frica ainda se pode ca\u00e7ar le\u00f5es legalmente (200 por ano na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/tanzania\">Tanz\u00e2nia<\/a>). O fato de que os ca\u00e7adores matam principalmente machos, e machos poderosos, faz com que se acelere o ciclo natural que vimos de infantic\u00eddios nas alcateias. Os le\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o ca\u00e7ados por seus ossos, que est\u00e3o substituindo os do tigre na medicina natural chinesa. E s\u00e3o comprados a pre\u00e7o de ouro. Muitos conservacionistas pedem que o le\u00e3o africano seja inclu\u00eddo no ap\u00eandice I do conv\u00eanio CITES (est\u00e1 no II) com as esp\u00e9cies em maior perigo, o que faria com que se proibisse o com\u00e9rcio de trof\u00e9us e partes do le\u00e3o (j\u00e1 \u00e9 ilegal na Austr\u00e1lia e na Fran\u00e7a, caso \u00fanico na UE). Outra amea\u00e7a para os le\u00f5es s\u00e3o as doen\u00e7as, entre elas a s\u00edndrome de imunodefici\u00eancia felina. S\u00e3o tamb\u00e9m sens\u00edveis \u00e0s epidemias transmitidas pelos cachorros e gado que vivem perto de seus territ\u00f3rios. Em 1995 a cinomose matou mil le\u00f5es no Serengueti, um ter\u00e7o de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A viagem ao Qu\u00eania para ver le\u00f5es gra\u00e7as ao O Rei Le\u00e3o foi recheada de momentos m\u00e1gicos: a chuva noturna de escaravelhos \u2013 um caiu em minha ta\u00e7a de vinho \u2013, o rastro de hipop\u00f3tamos na pista enlameada do aeroporto ao lado de Mara Serena, o fogo dos bal\u00f5es ao inflarem-se na madrugada, os b\u00fafalos castrados pelas hienas nos Aberdare, a nuvem de formigas voadoras gigantes recortadas contra o Cruzeiro do Sul, a enorme l\u00edngua azul de uma girafa e o p\u00e9 de Aude ao lado da pegada de um leopardo. Mas, principalmente, permanece indel\u00e9vel o olhar do le\u00e3o, aquele lampejo amarelo que fulgurou na savana antes de se apagar no formid\u00e1vel crep\u00fasculo que deixou a \u00c1frica \u00e0s escuras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucas emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o intensas no mundo como a que produz contemplar um\u00a0grande le\u00e3o macho\u00a0em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109406,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/leao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 poucas emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o intensas no mundo como a que produz contemplar um\u00a0grande le\u00e3o macho\u00a0em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109405"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109405\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}