{"id":109207,"date":"2019-07-12T09:00:38","date_gmt":"2019-07-12T12:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109207"},"modified":"2019-07-11T19:12:20","modified_gmt":"2019-07-11T22:12:20","slug":"mamiferos-podem-ter-capacidade-genetica-de-regenerar-membros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mamiferos-podem-ter-capacidade-genetica-de-regenerar-membros\/","title":{"rendered":"Mam\u00edferos podem ter capacidade gen\u00e9tica de regenerar membros"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109209\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>At\u00e9 2012, os \u00fanicos\u00a0<strong>vertebrados<\/strong>\u00a0(grupo em que se incluem aves, mam\u00edferos, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e alguns peixes) em que a\u00a0<strong>regenera\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0dos membros havia sido observada eram as salamandras, um tipo de\u00a0<strong>anf\u00edbio<\/strong>. Ou seja, esses animais eram os \u00fanicos membros desse subfilo sabidamente capazes de formar novas patas mesmo quando estas eram totalmente arrancadas, independentemente do n\u00edvel da amputa\u00e7\u00e3o.\u00a0Com o passar dos anos, cientistas descobriram que algumas esp\u00e9cies de peixe possu\u00edam a mesma capacidade. O que n\u00e3o se conhecia at\u00e9 agora, no entanto, era a proced\u00eancia dessa caracter\u00edstica nos outros animais.<\/p>\n<p>Um novo estudo, fruto da parceria entre brasileiros, americanos e europeus, investigou as origens dessa habilidade nos vertebrados. A pesquisa foi publicada na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0<em>Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America<\/em>. Os cientistas s\u00e3o da Universidade Federal do Par\u00e1, do Instituto Tecnol\u00f3gico Vale, do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi, da Michigan State University (EUA), da James Madison University (EUA) e do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Berlim (Alemanha).<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, a teoria predominante era de que a aptid\u00e3o a regenera\u00e7\u00f5es seria recente na escala evolutiva e envolveria, entre os vertebrados, apenas alguns anf\u00edbios e peixes \u2014 o que explicaria o fato de n\u00f3s, mam\u00edferos, n\u00e3o a possuirmos. Para isso, os animais capazes desse feito deveriam ter genes novos, os quais viabilizariam esse processo regenerativo e n\u00e3o estariam presentes nos demais vertebrados.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que os cientistas procuraram investigar era se essa habilidade teria de fato se desenvolvido recentemente em salamandras ou se seria uma caracter\u00edstica ancestral herdada dos antigos peixes, que originaram os vertebrados terrestres.<\/p>\n<p>\u201cPara responder a essa pergunta, primeiro buscamos identificar quais grupos de peixes possuem capacidade de regenerar nadadeiras peitorais, que s\u00e3o equivalentes aos bra\u00e7os ou patas dianteiras dos animais com quatro membros. Realizando amputa\u00e7\u00f5es de nadadeiras em peixes que ocupam posi\u00e7\u00f5es-chave na \u00e1rvore evolutiva dos vertebrados, mostramos que a regenera\u00e7\u00e3o \u00e9 comum e amplamente difundida entre peixes\u201d, contou ao site de VEJA Igor Schneider, bi\u00f3logo da Universidade Federal do Par\u00e1 e coautor do estudo.<\/p>\n<p>Em seguida, por meio do sequenciamento dos genes ativos no material gen\u00e9tico desses peixes, foi demonstrado que o programa gen\u00e9tico utilizado por salamandras para regenerar suas patas \u00e9 muito semelhante \u00e0quele que peixes usam durante a regenera\u00e7\u00e3o de suas nadadeiras. Ou seja, se a habilidade \u00e9 observada de forma similar em seres de diferentes classes, \u00e9 prov\u00e1vel que ambos a tenham herdado de seu ancestral em comum, o primeiro a apresentar essa caracter\u00edstica. Foi o avan\u00e7o que os cientistas procuravam.<\/p>\n<div class=\"content-image aligncenter wp-caption\" style=\"width: 639px;\">\n<div class=\"image\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3121263\" title=\"Axolotl\" src=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2019\/07\/axolotl-2193331_1920.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=431&amp;h=323\" sizes=\"(max-width: 431px) 100vw, 431px\" srcset=\"https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2019\/07\/axolotl-2193331_1920.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=431&amp;h=323 431w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2019\/07\/axolotl-2193331_1920.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=862&amp;h=646 862w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2019\/07\/axolotl-2193331_1920.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=150&amp;h=113 150w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2019\/07\/axolotl-2193331_1920.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=300&amp;h=225 300w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2019\/07\/axolotl-2193331_1920.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=768&amp;h=576 768w, https:\/\/abrilveja.files.wordpress.com\/2019\/07\/axolotl-2193331_1920.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=650&amp;h=488 650w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"480\" border=\"0\" data-image-title=\"Axolotl\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Tinwe\" data-image-caption=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O axolote, tipo de salamandra, foi analisado no estudo. Esse animal \u00e9 conhecido por sua capacidade de regenerar membros. (Tinwe\/Pixabay)<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"caption\">O axolote, tipo de salamandra, foi analisado no estudo. Esse animal \u00e9 conhecido por sua capacidade de regenerar membros. (Tinwe\/Pixabay)\u00a0(Tinwe\/Pixabay)<\/p>\n<\/div>\n<p>Assim, os resultados da pesquisa apontaram para uma resposta diferente daquela que a comunidade cient\u00edfica adotara. Segundo a nova hip\u00f3tese, a habilidade de regenera\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria novidade na evolu\u00e7\u00e3o animal. \u201cNossos resultados indicam que, na verdade, a capacidade de reconstruir membros \u00e9 muito antiga e surgiu com a origem dos peixes. Esses genes s\u00e3o velhos e provavelmente est\u00e3o presentes tamb\u00e9m no nosso genoma\u201d, explica Schneider. Dessa forma, aves, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e tamb\u00e9m os mam\u00edferos teriam herdado a aptid\u00e3o a reconstruir membros perdidos do ancestral que compartilham, o primeiro vertebrado de todos.<\/p>\n<p>Uma d\u00favida pode surgir com essa nova teoria: se \u00e9 esse o caso, por que o homem, assim como outros mam\u00edferos, n\u00e3o \u00e9 capaz de produzir novamente bra\u00e7os e pernas amputados? A resposta \u00e9 simples: os genes necess\u00e1rios para o processo de regenera\u00e7\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o ativos em alguns peixes e anf\u00edbios. \u00c9 como se n\u00f3s n\u00e3o consegu\u00edssemos acessar essa informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, mesmo com ela presente no DNA.<\/p>\n<p>O grupo de cientistas tem como meta a longo prazo trabalhar para, quem sabe, fazer com que n\u00f3s adquiramos essa capacidade. \u201cPretendemos, no futuro, descobrir qual \u00e9 a bateria de genes necess\u00e1ria para iniciar a regenera\u00e7\u00e3o destas estruturas e, ent\u00e3o, possivelmente induzir a regenera\u00e7\u00e3o em mam\u00edferos, que n\u00e3o possuem essa incr\u00edvel capacidade\u201d, pondera Schneider. Apesar dos recentes avan\u00e7os, a necessidade de mais (muito mais) estudos \u00e9 clara, de acordo com o bi\u00f3logo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 2012, os \u00fanicos\u00a0vertebrados\u00a0(grupo em que se incluem aves, mam\u00edferos, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e alguns peixes)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109209,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/material_genetico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"At\u00e9 2012, os \u00fanicos\u00a0vertebrados\u00a0(grupo em que se incluem aves, mam\u00edferos, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e alguns peixes)","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109207"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109207\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}