{"id":109177,"date":"2019-07-11T13:30:21","date_gmt":"2019-07-11T16:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109177"},"modified":"2019-07-10T20:02:55","modified_gmt":"2019-07-10T23:02:55","slug":"dois-cranios-ameacam-mudar-a-historia-da-nossa-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/dois-cranios-ameacam-mudar-a-historia-da-nossa-especie\/","title":{"rendered":"Dois cr\u00e2nios amea\u00e7am mudar a hist\u00f3ria da nossa esp\u00e9cie"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109178\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um par de cr\u00e2nios encontrado h\u00e1 d\u00e9cadas em uma caverna no sul da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/grecia\">Gr\u00e9cia<\/a>\u00a0fez surgir agora uma tese que obrigaria a jogar no lixo os livros did\u00e1ticos sobre a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/evolucion_humana\">evolu\u00e7\u00e3o humana<\/a>, embora muitos especialistas independentes alertem que ainda \u00e9 cedo para fazer isso.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CN6h-oC6q-MCFYFjwQodiysC7A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0__container__\">Os dois cr\u00e2nios foram encontrados nos anos setenta. Estavam a poucos cent\u00edmetros um do outro, incrustados na rocha da gruta de Apidima, em um penhasco salpicado pelas ondas do Mediterr\u00e2neo. Um dos cr\u00e2nios conservava os ossos do rosto e o outro, apenas a parte de tr\u00e1s da cabe\u00e7a. Inicialmente, foram atribu\u00eddos a <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/homo_neanderthalensis\">neandertais<\/a>, a esp\u00e9cie humana prima da nossa que ocupou a Europa durante centenas de milhares de anos antes de se extinguir misteriosamente h\u00e1 40.000 anos, exatamente quando os\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0chegaram ao continente.<\/div>\n<\/div>\n<p>Agora, uma equipe de paleoantrop\u00f3logos voltou a datar os dois cr\u00e2nios e os reconstruiu em tr\u00eas dimens\u00f5es para analisar em detalhes sua fisionomia. Os resultados, publicados nesta quarta-feira na\u00a0<em>Nature<\/em>, apontam que o cr\u00e2nio mais antigo e incompleto tem 210.000 anos e \u00e9 de um\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>, o que o transformaria no membro da nossa esp\u00e9cie mais antigo j\u00e1 encontrado na Europa.<\/p>\n<p>Essa tese \u00e9 um tremendo golpe na vers\u00e3o cl\u00e1ssica \u2212 que ainda \u00e9 a mais aceita \u2212 sobre a origem da nossa esp\u00e9cie. Segundo o relato cl\u00e1ssico, os\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0surgiram no leste da \u00c1frica. Dois dos f\u00f3sseis mais antigos da nossa esp\u00e9cie datam de 196.000 e 160.000 anos atr\u00e1s e foram encontrados na Eti\u00f3pia. A an\u00e1lise de DNA de popula\u00e7\u00f5es atuais fixa a origem da esp\u00e9cie em cerca de 200.000 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/10\/ciencia\/1562769513_603529_1562769939_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/10\/ciencia\/1562769513_603529_1562769939_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/10\/ciencia\/1562769513_603529_1562769939_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2019\/07\/10\/ciencia\/1562769513_603529_1562769939_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"O cr\u00e2nio 1 de Apidima com parte de sedimento aderido, supostamente de um \u2018Homo sapiens\u2019 que viveu h\u00e1 210.000 anos, o mais antigo da Europa.\" width=\"638\" height=\"290\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O cr\u00e2nio 1 de Apidima com parte de sedimento aderido, supostamente de um \u2018Homo sapiens\u2019 que viveu h\u00e1 210.000 anos, o mais antigo da Europa.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">UNIVERSIDAD DE TUBINGA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em estudos anteriores, a an\u00e1lise de DNA tamb\u00e9m mostrou que 100.000 anos depois os\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0sa\u00edram pela primeira vez de seu ber\u00e7o africano para explorar a Eur\u00e1sia. Nessa aventura, encontraram-se com os neandertais e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/02\/16\/internacional\/1455633230_824000.html\">tiveram filhos com eles<\/a>, mas aquela onda de humanos s\u00e1bios n\u00e3o se estabeleceu completamente.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280.html\">Nenhuma das pessoas atuais descende deles<\/a>, e sim de uma incurs\u00e3o posterior, h\u00e1 70.000 anos. Esta foi a que triunfou e povoou todo o planeta, enquanto os neandertais desapareceram para sempre.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, uma equipe de paleoantrop\u00f3logos desfechou um duro golpe nesse relato cl\u00e1ssico ao apresentar os mais antigos f\u00f3sseis conhecidos do\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>, de 315.000 anos atr\u00e1s. Foram encontrados no Marrocos, muito longe do suposto ber\u00e7o da nossa esp\u00e9cie. Aquela descoberta revolucion\u00e1ria abriu caminho para o que prop\u00f5e agora o novo estudo dos restos gregos, cujos autores oferecem um assombroso relato de um cap\u00edtulo at\u00e9 agora desconhecido de nossa hist\u00f3ria como esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Nesse relato h\u00e1 outra pe\u00e7a-chave: o segundo cr\u00e2nio encontrado em Apidima, aquele que tem rosto. Segundo a nova an\u00e1lise, ele data de 170.000 anos atr\u00e1s e pertence a um neandertal. Isso significa que houve um grupo de\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0que saiu da \u00c1frica muito antes do que sab\u00edamos, chegou at\u00e9 o sul da Europa e se instalou por l\u00e1, embora tenha finalmente perdido a batalha, porque foi substitu\u00eddo por neandertais.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Que dois cr\u00e2nios achados a poucos cent\u00edmetros um do outro sejam de duas esp\u00e9cies diferentes separadas por mais de 40.000 anos \u00e9 coisa de romance de fic\u00e7\u00e3o&#8221;, espeta Arsuaga<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>As provas que sustentam essa vers\u00e3o s\u00e3o uma data\u00e7\u00e3o dos is\u00f3topos de ur\u00e2nio e t\u00f3rio acumulados nos f\u00f3sseis e uma an\u00e1lise morfol\u00f3gica dos dois cr\u00e2nios. O mais antigo e incompleto, o n\u00famero 1, foi comparado a dezenas de restos de\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0e neandertais de diferentes \u00e9pocas. Segundo os autores, apresenta caracter\u00edsticas t\u00edpicas da nossa esp\u00e9cie, como a aus\u00eancia do coque occipital, uma protuber\u00e2ncia que os neandertais tinham na nuca.<\/p>\n<p>\u201cSe nossas an\u00e1lises estiverem corretas, os\u00a0<em>Homo<\/em>\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0entraram na Europa mais de 150.000 anos antes do que pens\u00e1vamos, o que levanta muitas possibilidades sobre a origem da nossa esp\u00e9cie e sobre o que acontecem com eles\u201d, assinala Chris Stringer, pesquisador do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres e coautor do estudo. Ele reconhece que quando enviaram seu estudo para a\u00a0<em>Nature<\/em>, uma das revistas cient\u00edficas de maior prest\u00edgio, \u201cos revisores se mostraram muito c\u00e9ticos de que um f\u00f3ssil de humano moderno tivesse sido encontrado ao lado de um f\u00f3ssil de neandertal\u201d. Os respons\u00e1veis pela publica\u00e7\u00e3o os obrigaram a fazer mais an\u00e1lises comparativas e data\u00e7\u00f5es de ur\u00e2nio, que finalmente os convenceram.<\/p>\n<p>Esse estudo, juntamente com outras evid\u00eancias anteriores, \u201cdemonstra que em mais de uma ocasi\u00e3o os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/13\/ciencia\/1555113257_493180.html\">humanos modernos<\/a>\u00a0se aventuraram para o norte e o oeste do planeta, da \u00c1frica at\u00e9 o Oriente M\u00e9dio e a Europa\u201d, escreve o paleoantrop\u00f3logo Eric Delson, do Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural dos EUA, em uma an\u00e1lise sobre o estudo da equipe de Stringer publicado pela\u00a0<em>Nature<\/em>. O trabalho revela as \u201cmigra\u00e7\u00f5es faltadas\u201d do\u00a0<em>Homo sapi<\/em>ens, afirma Delson.<\/p>\n<h3>\u201cFaltam evid\u00eancias\u201d<\/h3>\n<p>No entanto, nenhum dos especialistas consultados pelo EL PA\u00cdS aceita as conclus\u00f5es do estudo. \u201cTrata-se de uma afirma\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, mas faltam evid\u00eancias para sustent\u00e1-la\u201d, opina Juan Luis Arsuaga, codiretor da Funda\u00e7\u00e3o Atapuerca. Em 2017, esse paleoantrop\u00f3logo participou da data\u00e7\u00e3o de is\u00f3topos de ur\u00e2nio do cr\u00e2nio 2, o mais completo, que mostrou uma antiguidade de pelo menos 160.000 anos. O pesquisador diz que a morfologia do cr\u00e2nio 1 \u00e9 totalmente compat\u00edvel, na verdade, com a de um neandertal primitivo que ainda n\u00e3o tinha desenvolvido suas caracter\u00edsticas t\u00edpicas na parte posterior do cr\u00e2nio. \u201cQue dois cr\u00e2nios encontrados a poucos cent\u00edmetros um do outro sejam de duas esp\u00e9cies diferentes separadas por mais de 40.000 anos \u00e9 coisa de romance de fic\u00e7\u00e3o. N\u00e3o acredito nos novos dados e vamos contestar esse estudo\u201d, alfineta o paleoantrop\u00f3logo.<\/p>\n<p>Warren Sharp, do Centro de Geocronologia de Berkeley (EUA), assinala que a data\u00e7\u00e3o do cr\u00e2nio 1 \u201cn\u00e3o se sustenta\u201d. \u201cAs diferentes data\u00e7\u00f5es individuais obtidas para esse f\u00f3ssil divergem de 335.000 anos atr\u00e1s a 142.000 anos atr\u00e1s, o que sugere que o f\u00f3ssil perdeu parte do ur\u00e2nio que tinha originalmente. Isto implica que a idade atribu\u00edda a ele \u00e9 muito antiga\u201d, explica.<\/p>\n<p>Am\u00e9lie Vialet, pesquisadora do Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural da Fran\u00e7a, opina que \u201ca explica\u00e7\u00e3o mais plaus\u00edvel \u00e9 que os dois cr\u00e2nios tenham ficado presos aos sedimentos da caverna na mesma \u00e9poca e que ambos sejam neandertais\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um par de cr\u00e2nios encontrado h\u00e1 d\u00e9cadas em uma caverna no sul da\u00a0Gr\u00e9cia\u00a0fez surgir agora<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cranio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um par de cr\u00e2nios encontrado h\u00e1 d\u00e9cadas em uma caverna no sul da\u00a0Gr\u00e9cia\u00a0fez surgir agora","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109177"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}