{"id":109146,"date":"2019-07-10T14:30:18","date_gmt":"2019-07-10T17:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109146"},"modified":"2019-07-09T22:19:34","modified_gmt":"2019-07-10T01:19:34","slug":"o-que-e-o-giro-do-pacifico-sul-o-enorme-deserto-marinho-considerado-o-lugar-mais-hostil-de-todo-o-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-que-e-o-giro-do-pacifico-sul-o-enorme-deserto-marinho-considerado-o-lugar-mais-hostil-de-todo-o-oceano\/","title":{"rendered":"O enorme &#8216;deserto marinho&#8217; considerado o lugar mais &#8216;hostil&#8217; de todo o oceano"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109147\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No meio do oceano Pac\u00edfico, h\u00e1 uma ampla regi\u00e3o em que as condi\u00e7\u00f5es\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/\/portuguese\/topics\/0f37fb35-7f9e-4e49-b189-9d7f1d6fb11f#id\">naturais<\/a>\u00a0atrapalham o desenvolvimento da vida marinha.<\/p>\n<p>Esse gigantesco &#8220;deserto marinho&#8221; tem sido chamado pelos cientistas de &#8220;o lugar mais hostil de todo o oceano&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 conhecido como o Giro do Pac\u00edfico Sul, que se estende por 37 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, desde as costas oeste da Am\u00e9rica do Sul at\u00e9 a Nova Zel\u00e2ndia, e desde o Equador at\u00e9 a Corrente Circumpolar Ant\u00e1rtica. A regi\u00e3o equivale, no total, \u00e0s superf\u00edcies somadas de EUA, China e R\u00fassia.<\/p>\n<p>Sua superf\u00edcie tem a \u00e1gua mais cristalina do mundo &#8211; o que, na verdade, \u00e9 um sinal de qu\u00e3o &#8220;\u00e1rida&#8221; e est\u00e9ril \u00e9 essa zona.<\/p>\n<p>Embora o Giro represente 10% da superf\u00edcie total dos oceanos, \u00e9 tamb\u00e9m uma das regi\u00f5es menos estudadas da Terra.<\/p>\n<p>Agora, uma expedi\u00e7\u00e3o do Instituto Max Planck, da Alemanha, revelou novas pistas sobre essa regi\u00e3o e sobre como s\u00e3o as escassas e peculiares formas de vida que habitam ali.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13782\/production\/_107764797_winds2.800.jpg\" alt=\"correntes\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">NOAA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Correntes no Giro do Pac\u00edfico Sul impedem a entrada de \u00e1guas mais ricas em nutrientes que podem vir de outras partes do oceano<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Condi\u00e7\u00f5es extremas<\/h2>\n<p>O Giro do Pac\u00edfico Sul \u00e9 um dos cinco enormes sistemas de correntes circulares oce\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Essas correntes impedem a entrada de \u00e1guas mais ricas em nutrientes que podem vir de outras partes do oceano. Com isso, o nutritivo fitoplancton fica dispon\u00edvel apenas em profundidades superiores a 100 metros, tornando a superf\u00edcie t\u00e3o pobre quanto cristalina.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas mais internas desse &#8220;deserto aqu\u00e1tico&#8221;, distantes de qualquer costa, o ar n\u00e3o leva part\u00edculas org\u00e2nicas vindas da terra, o que tamb\u00e9m impede que a \u00e1gua se nutra.<\/p>\n<p>O fundo do Giro cont\u00e9m a menor quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica que j\u00e1 se encontrou em profundidades marinhas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/185A2\/production\/_107764799_deep-blue-ferdelman-mpimm.800.jpg\" alt=\"Peixe\" width=\"639\" height=\"425\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">TIM FERDELMAN\/MAX PLANCK INSTITUTE<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Cientistas ainda tentam entender como formas de vida conseguem sobreviver em um ambiente t\u00e3o in\u00f3spito<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, nessa regi\u00e3o o sol se irradia de forma &#8220;perigosamente alta&#8221;, segundo especialistas. Os n\u00edveis de raios ultravioleta no Giro s\u00e3o qualificados de &#8220;extremos&#8221;.<\/p>\n<p>Todos esses fatores dificultam que o lugar seja habitado por animais que abundam em outras partes do mundo.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o do Instituto Max Planck, no entanto, mostra que no meio dessa paisagem marinha desolada h\u00e1 micro-organismos que encontraram formas curiosas de sobreviver sob condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o adversas.<\/p>\n<p>Durante seis semanas, uma equipe de microbi\u00f3logos percorreu de barco cerca de 7 mil quil\u00f4metros entre o Chile e a Nova Zel\u00e2ndia, recolhendo e analisando amostras da \u00e1gua &#8211; entre 20 metros e 5 mil metros de profundidade &#8211; enquanto navegavam.<\/p>\n<p>&#8220;Surpreendentemente, encontramos cerca de um ter\u00e7o a menos de c\u00e9lulas nas \u00e1guas superficiais do Pac\u00edfico Sul, em compara\u00e7\u00e3o com os giros oce\u00e2nicos do Atl\u00e2ntico&#8221;, disse em comunicado o microbi\u00f3logo marinho Bernhard Fuchs, coautor da pesquisa. &#8220;\u00c9 provavelmente o menor n\u00famero de c\u00e9lulas j\u00e1 registrados em \u00e1guas oce\u00e2nicas superficiais.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/787E\/production\/_107764803_bernhard-i-ferdelman.jpg\" alt=\"Pesquisadores do Max Planck Institute\" width=\"638\" height=\"850\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">TIM FERDELMAN\/MAX PLANCK INSTITUTE<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Pesquisadores do Max Planck Institute usaram sondas para tirar amostras da \u00e1gua<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Comportamentos estranhos<\/h2>\n<p>Segundo os pesquisadores, apesar de esses micro-organismos serem min\u00fasculos e escassos, eles t\u00eam uma grande influ\u00eancia na din\u00e2mica do oceano, \u00e0 semelhan\u00e7a dos ciclos de carbono em \u00e2mbito global.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe com precis\u00e3o como esses organismos sobrevivem em um ambiente com t\u00e3o poucos nutrientes.<\/p>\n<p>Os bi\u00f3logos, no entanto, encontraram casos de algas que estabelecem rela\u00e7\u00f5es simbi\u00f3ticas com algumas bact\u00e9rias, com as quais intercambiam subst\u00e2ncias essenciais como nitrog\u00eanio e a\u00e7\u00facares, embora ainda seja um mist\u00e9rio onde obt\u00eam os demais nutrientes, como f\u00f3sforo e ferro, raramente encontrados por ali.<\/p>\n<p>Durante a explora\u00e7\u00e3o, os cientistas tamb\u00e9m se deram conta que a &#8220;comunidade&#8221; de organismos variava fortemente \u00e0 medida que aumentava a profundidade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2A5E\/production\/_107764801_cruise-track.800.jpg\" alt=\"Oceano Pac\u00edfico\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">INSTITUTO MAX PLANCK\/NOAA\/ NASA\/ GOOGLE EARTH<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os pesquisadores analisaram a regi\u00e3o entre o Chile e a Nova Zel\u00e2ndia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Isso se explica pela quantidade de luz que penetra na \u00e1gua. O surpreendente, no entanto, \u00e9 que um organismo altamente fotossint\u00e9tico chamado\u00a0<i>Prochlorococcus<\/i>se encontrava em poucas quantidades nas \u00e1guas superficiais, onde h\u00e1 mais luz, e era abundante a 150 metros de profundidade, onde \u00e9 mais escuro.<\/p>\n<p>O contr\u00e1rio ocorreu com outro organismo chamado AEGEAN-169, que at\u00e9 agora s\u00f3 havia sido detectado em \u00e1reas cerca de 500 metros de profundidade, mas que os cientistas encontraram de maneira &#8220;particularmente numerosa&#8221; em \u00e1guas superficiais do centro do Giro.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 algo que definitivamente vamos investigar mais&#8221;, afirmou a microbi\u00f3loga Greta Reintjes, coautora da pesquisa.<\/p>\n<p>Embora o Giro do Pac\u00edfico Sul ainda guarde muitos enigmas, os pesquisadores acreditam que essas descobertas ajudem a entender melhor o funcionamento desse ecossistema e como ele afeta os ciclos vitais da Terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio do oceano Pac\u00edfico, h\u00e1 uma ampla regi\u00e3o em que as condi\u00e7\u00f5es\u00a0naturais\u00a0atrapalham o desenvolvimento<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109147,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/oceanos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"No meio do oceano Pac\u00edfico, h\u00e1 uma ampla regi\u00e3o em que as condi\u00e7\u00f5es\u00a0naturais\u00a0atrapalham o desenvolvimento","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109146"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109146\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}