{"id":109104,"date":"2019-07-08T22:12:25","date_gmt":"2019-07-09T01:12:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109104"},"modified":"2019-07-08T22:12:25","modified_gmt":"2019-07-09T01:12:25","slug":"quem-tem-medo-do-aquecimento-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quem-tem-medo-do-aquecimento-global\/","title":{"rendered":"Quem tem medo do aquecimento global?"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div id=\"attachment_69717\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69717 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/%C3%81rea-de-Mata-Atl%C3%A2ntica-desmatada-para-planta%C3%A7%C3%A3o-de-cana-Pernambuco.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/\u00c1rea-de-Mata-Atl\u00e2ntica-desmatada-para-planta\u00e7\u00e3o-de-cana-Pernambuco.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/\u00c1rea-de-Mata-Atl\u00e2ntica-desmatada-para-planta\u00e7\u00e3o-de-cana-Pernambuco-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/\u00c1rea-de-Mata-Atl\u00e2ntica-desmatada-para-planta\u00e7\u00e3o-de-cana-Pernambuco-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/\u00c1rea-de-Mata-Atl\u00e2ntica-desmatada-para-planta\u00e7\u00e3o-de-cana-Pernambuco-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/\u00c1rea-de-Mata-Atl\u00e2ntica-desmatada-para-planta\u00e7\u00e3o-de-cana-Pernambuco-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/\u00c1rea-de-Mata-Atl\u00e2ntica-desmatada-para-planta\u00e7\u00e3o-de-cana-Pernambuco-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" aria-describedby=\"caption-attachment-69717\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69717\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea de Mata Atl\u00e2ntica desmatada para planta\u00e7\u00e3o de cana Pernambuco. Foto: Gualter Pedrini.<\/p>\n<\/div>\n<p>Muitos come\u00e7os costumam ser obscuros, assim como o foi a origem do primeiro oceano do planeta. Existem tantas teorias, que algumas discordam entre si. No entanto, \u00e9 suposto que, em determinado momento, a camada externa da jovem Terra passou do estado l\u00edquido incandescente para o s\u00f3lido em brasa. No c\u00e9u, a luz solar n\u00e3o conseguia penetrar por entre camadas de nuvens negras carregadas com toda a \u00e1gua do planeta. Assim que ocorria uma precipita\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua imediatamente evaporava, de t\u00e3o aquecida que era a superf\u00edcie terrestre. Esse era o nosso cen\u00e1rio: nuvens enfurecidas e rochas inflamadas.<\/p>\n<p>Assim que a crosta terrestre esfriou mais, chuvas violentas come\u00e7aram a cair e permaneceram por s\u00e9culos. A \u00e1gua foi se acumulando em depress\u00f5es do terreno, arrancando minerais das rochas por gera\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas e definindo aquilo que podemos nomear como o primeiro oceano. Mesmo ainda sem a presen\u00e7a de luz solar, em condi\u00e7\u00f5es incertas, algo ocorreu com os componentes inorg\u00e2nicos, como di\u00f3xido de carbono, pot\u00e1ssio, s\u00f3dio e c\u00e1lcio, at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas, que, de alguma forma, descobriram como se reproduzir e dar in\u00edcio ao infind\u00e1vel fluxo da vida.<\/p>\n<p>Eram microorganismos simples, parecidos com as bact\u00e9rias de hoje, nem planta, nem animal, e alimentavam-se daquilo que estava dissolvido em meio \u00e0 \u00e1gua. At\u00e9 que as nuvens come\u00e7aram a enfraquecer, os primeiros raios solares alcan\u00e7aram o mar e um destes organismos desenvolveu algo semelhante \u00e0 clorofila e passou a absorver o di\u00f3xido de carbono \u00e0 sua volta e criar subst\u00e2ncias org\u00e2nicas de que precisava para conseguir energia. Assim, temos os primeiros seres realizando fotoss\u00edntese. Logo, outros seres aprenderam a se alimentar daqueles outros para conseguirem energia, surgindo os primeiros animais.<\/p>\n<div id=\"attachment_69718\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 638px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69718 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moradores-Ilha-de-Boipeba-Cairu-BA-criam-muros-com-madeira-e-sacos-de-areia-para-conter-a-subida-da-mar%C3%A9.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moradores-Ilha-de-Boipeba-Cairu-BA-criam-muros-com-madeira-e-sacos-de-areia-para-conter-a-subida-da-mar\u00e9.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moradores-Ilha-de-Boipeba-Cairu-BA-criam-muros-com-madeira-e-sacos-de-areia-para-conter-a-subida-da-mar\u00e9-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Moradores-Ilha-de-Boipeba-Cairu-BA-criam-muros-com-madeira-e-sacos-de-areia-para-conter-a-subida-da-mar\u00e9-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"426\" aria-describedby=\"caption-attachment-69718\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69718\" class=\"wp-caption-text\">Moradores Ilha de Boipeba (Cairu-BA) criam muros com madeira e sacos de areia para conter a subida da mar\u00e9. Foto: Gualter Pedrini.<\/p>\n<\/div>\n<p>Em milh\u00f5es de anos, eles ganharam complexidade, com \u00f3rg\u00e3os especiais para alimenta\u00e7\u00e3o, digest\u00e3o, respira\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. Surgiram esponjas, corais, medusas, vermes, estrelas do mar, peixes e artr\u00f3podes. At\u00e9 que um desses decidiu abandonar a prote\u00e7\u00e3o do oceano e se aventurar na vida terrestre, levando consigo um pouco do mar, algo que at\u00e9 hoje todos os animais carregam em suas veias e art\u00e9rias: um fluido salgado com s\u00f3dio, pot\u00e1ssio e c\u00e1lcio em propor\u00e7\u00f5es quase iguais \u00e0s do seu antigo progenitor.<\/p>\n<p>Mas muita coisa deu errada no meio do caminho da evolu\u00e7\u00e3o. Hoje, sabemos que houve um n\u00famero consider\u00e1vel de grandes extin\u00e7\u00f5es, sendo cinco as mais significativas, com algo entre 85 e 95% das esp\u00e9cies sendo aniquiladas, quase sempre devido a grandes altera\u00e7\u00f5es do clima causadas por um brusco resfriamento ou intensa atividade vulc\u00e2nica.<\/p>\n<p>Para melhor entender no que consistiram esses eventos, paleont\u00f3logos do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Copenhague e Helsinque montaram um grande e in\u00e9dito banco de dados comparando registros de f\u00f3sseis coletados em todo o planeta e informa\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas hist\u00f3ricas. Publicado no come\u00e7o de 2019,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/116\/15\/7207\/tab-article-info\" rel=\"noopener noreferrer\">na revista americana Proceeding, da National Academy of Sciences (PNAS)<\/a>, esse estudo concluiu que o clima mais frio, por\u00e9m n\u00e3o muito, \u00e9 importante para o desenvolvimento e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade principalmente nos ecossistemas marinhos. Al\u00e9m disso, os cientistas alertaram para o fato de estarmos vivenciando uma nova era de extin\u00e7\u00e3o em massa com o aquecimento dos oceanos a uma velocidade maior do que se esperava.<\/p>\n<p>Em outro estudo, tamb\u00e9m publicado esse ano, pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia (US)\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/363\/6423\/128\" rel=\"noopener noreferrer\">demonstraram como o calor retido pelos gases do efeito estufa est\u00e1 elevando em 0,78\u00b0C<\/a>\u00a0a temperatura global dos oceanos. A maioria das pessoas mal percebe a mudan\u00e7a de um grau c\u00e9lsius durante o decorrer do dia, mas para os ecossistemas marinhos essa pequena varia\u00e7\u00e3o causa transforma\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas.<\/p>\n<div id=\"attachment_69719\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 638px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69719 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Em-um-domingo-qualquer-na-Avenida-23-de-Maio-S%C3%A3o-Paulo-capital..jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Em-um-domingo-qualquer-na-Avenida-23-de-Maio-S\u00e3o-Paulo-capital..jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Em-um-domingo-qualquer-na-Avenida-23-de-Maio-S\u00e3o-Paulo-capital.-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Em-um-domingo-qualquer-na-Avenida-23-de-Maio-S\u00e3o-Paulo-capital.-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"426\" aria-describedby=\"caption-attachment-69719\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69719\" class=\"wp-caption-text\">Em um domingo qualquer na Avenida 23 de Maio &#8211; S\u00e3o Paulo capital. Foto: Gualter Pedrini.<\/p>\n<\/div>\n<p>Em um ciclo ir\u00f4nico, animais e plantas que pereceram no passado foram se depositando no leito marinho e nas entranhas da crosta terrestre e, ap\u00f3s milh\u00f5es de anos sob condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o, tornaram-se o petr\u00f3leo e seus derivados que hoje s\u00e3o a base de toda nossa cadeia de consumo. A queima desses combust\u00edveis f\u00f3sseis libera di\u00f3xido de carbono em grande quantidade no ar, o que ret\u00e9m mais raios solares na atmosfera e um consequente aquecimento de todo sistema. Somado a isso, temos o desmatamento de florestas tropicais no Brasil e na Indon\u00e9sia, o que tornam esses pa\u00edses respons\u00e1veis por 20% da emiss\u00e3o de gases respons\u00e1veis pelo efeito estufa e descontrole do clima mundial.<\/p>\n<p>Os efeitos do aquecimento global nos oceanos e a comprova\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio fen\u00f4meno est\u00e3o descritos em in\u00fameros estudos s\u00e9rios, organizados inclusive por ag\u00eancias governamentais em\u00a0<a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1748-9326\/aafd4e\" rel=\"noopener noreferrer\">pa\u00edses que n\u00e3o s\u00e3o signat\u00e1rios de acordos clim\u00e1ticos mundiais (NASA-EUA)<\/a>. Como consequ\u00eancias, temos o derretimento das geleiras, o aumento do n\u00edvel do mar, a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, e tamb\u00e9m o comprometimento da seguran\u00e7a alimentar de mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial que depende do pescado como fonte principal de prote\u00edna.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 provocaram o decl\u00ednio da produtividade pesqueira na ordem de 8 a 35%, segundo outro estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/363\/6430\/979\" rel=\"noopener noreferrer\">recente publicado na Revista Science<\/a>. Foram avaliadas 124 esp\u00e9cies em 38 regi\u00f5es, o que representa um ter\u00e7o de todas as capturas reportadas mundialmente. Os autores compararam a temperatura do oceano e a pesca entre 1930 e 2010. Ao final, eles conclu\u00edram que, al\u00e9m de monitorar a sobrepesca em regi\u00f5es populares, os governantes precisam contabilizar os efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na gest\u00e3o da pesca. Isso significa criar novas ferramentas para avaliar o tamanho das popula\u00e7\u00f5es pesqueiras, desenvolver novas estrat\u00e9gias e estabelecer limites de captura para que futuras gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam comprometidas. Ou seja, justamente aquilo que o governo brasileiro deixou de fazer desde 2011, quando publicou seu \u00faltimo relat\u00f3rio oficial sobre pesca reportada.<\/p>\n<p>&#8220;Saber exatamente como as pescarias v\u00e3o mudar com o aquecimento futuro \u00e9 um desafio, mas sabemos que a falta de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade da pesca resultar\u00e1 em menos comida e menos lucro em rela\u00e7\u00e3o aos dias de hoje&#8221;, explicou o autor Free Christopher a Revista Science.<\/p>\n<div id=\"attachment_69721\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69721 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-salema-solit%C3%A1ria-tenda-escapar-da-rede-provavelmente-o-%C3%BAnico-peixe-que-ser%C3%A1-capturada-ap%C3%B3s-semanas-de-espera.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-salema-solit\u00e1ria-tenda-escapar-da-rede-provavelmente-o-\u00fanico-peixe-que-ser\u00e1-capturada-ap\u00f3s-semanas-de-espera.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-salema-solit\u00e1ria-tenda-escapar-da-rede-provavelmente-o-\u00fanico-peixe-que-ser\u00e1-capturada-ap\u00f3s-semanas-de-espera-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-salema-solit\u00e1ria-tenda-escapar-da-rede-provavelmente-o-\u00fanico-peixe-que-ser\u00e1-capturada-ap\u00f3s-semanas-de-espera-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-salema-solit\u00e1ria-tenda-escapar-da-rede-provavelmente-o-\u00fanico-peixe-que-ser\u00e1-capturada-ap\u00f3s-semanas-de-espera-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-salema-solit\u00e1ria-tenda-escapar-da-rede-provavelmente-o-\u00fanico-peixe-que-ser\u00e1-capturada-ap\u00f3s-semanas-de-espera-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Um-salema-solit\u00e1ria-tenda-escapar-da-rede-provavelmente-o-\u00fanico-peixe-que-ser\u00e1-capturada-ap\u00f3s-semanas-de-espera-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" aria-describedby=\"caption-attachment-69721\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69721\" class=\"wp-caption-text\">Um salema solit\u00e1ria tenda escapar da rede &#8211; provavelmente o \u00fanico peixe que ser\u00e1 capturada ap\u00f3s semanas de espera. Foto: Gualter Pedrini.<\/p>\n<\/div>\n<p>Para entender os efeitos do aquecimento dos oceanos na biodiversidade marinha e na produtividade pesqueira, podemos analisar tr\u00eas fatos abordados tamb\u00e9m em estudos atuais.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<ul>\n<li>Os seres marinhos s\u00e3o mais afetados pelo aquecimento do meio que os seus parentes terrestres. \u00c9 o que concluiu\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-019-1132-4\" rel=\"noopener noreferrer\">um recente estudo conduzido por pesquisadores americanos e noruegueses<\/a>, no qual eles calcularam a &#8220;margem de seguran\u00e7a t\u00e9rmica&#8221; para 387 esp\u00e9cies, definida como a diferen\u00e7a entre a temperatura m\u00e1xima que uma esp\u00e9cie pode tolerar e a temperatura que ela ir\u00e1 experimentar.\u00a0 Eles afirmam que animais marinhos que vivem nos tr\u00f3picos correm maior risco diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pois j\u00e1 est\u00e3o vivendo em um ambiente com temperatura pr\u00f3ximo ao limite que eles conseguem suportar.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>\n<ul>\n<li>O aquecimento da atmosfera tamb\u00e9m influencia as correntes mar\u00edtimas do Oceano Atl\u00e2ntico. As correntes transportam \u00e1gua morna mais superficial, dos tr\u00f3picos para os polos, onde a \u00e1gua resfria, afunda e \u00e9 enviada novamente pelas correntes para as regi\u00f5es equatoriais enriquecidas de nutrientes e microrganismos. Assim, essas correntes voltam \u00e0 superf\u00edcie quando novamente aquecidas, em um fen\u00f4meno denominado de ressurg\u00eancia e que \u00e9 de vital import\u00e2ncia para a biodiversidade marinha nas Am\u00e9ricas e na Europa, com destaque para o litoral carioca (regi\u00e3o dos Lagos) e todo o Estado do Esp\u00edrito Santo.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Cientistas do Observat\u00f3rio da Terra de Lamont-Doherty-Columbia (US), em colabora\u00e7\u00e3o com o Centro Noruegu\u00eas de Pesquisa,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-019-09237-3\" rel=\"noopener noreferrer\">publicaram um estudo demonstrando que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>\u00a0v\u00eam enfraquecendo o movimento das correntes atl\u00e2nticas, bem como a sua capacidade de carregar nutrientes para as \u00e1guas tropicais, com preju\u00edzos para as cadeias alimentares que definem o volume de pescado e a subsist\u00eancia de in\u00fameras comunidades.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<ul>\n<li>O aquecimento global tem alterado a abund\u00e2ncia e estrutura das comunidades planct\u00f4nicas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Para entender a import\u00e2ncia do pl\u00e2ncton, temos que retornar ao in\u00edcio da vida nos oceanos, quando tudo se resumia a um n\u00famero infinito de pequenos organismos que realizavam fotoss\u00edntese (fitopl\u00e2ncton) e outros que se alimentavam deles (zoopl\u00e2ncton). A base da vida nos mares ainda depende desta rela\u00e7\u00e3o simples, mas se encontra amea\u00e7ada, pois o pr\u00f3prio oceano est\u00e1 mudando.\u00a0 Ele est\u00e1 quente demais para esses pequenos seres.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para confirmar essa hip\u00f3tese, estudos de pl\u00e2ncton s\u00e3o dif\u00edceis de se sustentar por longos per\u00edodos, principalmente pelo preconceito por parte das financiadoras que consideram esse tipo de monitoramento ambiental como \u201cci\u00eancia pobre\u201d. Na contra m\u00e3o, pesquisadores ingleses\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-018-0370-z\" rel=\"noopener noreferrer\">evidenciaram altera\u00e7\u00f5es na abund\u00e2ncia e estrutura das comunidades planct\u00f4nicas nas \u00faltimas d\u00e9cadas<\/a>, principalmente o krill, um pequeno crust\u00e1ceo semelhante a um camar\u00e3o que ocorre em grande n\u00famero no frio Oceano Ant\u00e1rtico. Nos \u00faltimos 40 anos a distribui\u00e7\u00e3o do krill foi mudando de posi\u00e7\u00e3o, cada vez mais perto do continente ant\u00e1rtico, ficando cada vez mais dif\u00edcil de ser consumido por baleias, pinguins e in\u00fameros peixes de interesse comercial.<\/p>\n<p>Em resumo, o mar est\u00e1 mais quente e mais pobre de nutrientes nos tr\u00f3picos.\u00a0<a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/4\/8\/eaao1378\" rel=\"noopener noreferrer\">Levar esses dados em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial<\/a>\u00a0para a gest\u00e3o dos recursos pesqueiros e da subsist\u00eancia de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_69723\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 638px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69723 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Fabrica-no-porto-de-S%C3%A3o-Sebasti%C3%A3o-queima-combust%C3%ADvel-f%C3%B3ssil.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Fabrica-no-porto-de-S\u00e3o-Sebasti\u00e3o-queima-combust\u00edvel-f\u00f3ssil.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Fabrica-no-porto-de-S\u00e3o-Sebasti\u00e3o-queima-combust\u00edvel-f\u00f3ssil-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Fabrica-no-porto-de-S\u00e3o-Sebasti\u00e3o-queima-combust\u00edvel-f\u00f3ssil-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Fabrica-no-porto-de-S\u00e3o-Sebasti\u00e3o-queima-combust\u00edvel-f\u00f3ssil-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Fabrica-no-porto-de-S\u00e3o-Sebasti\u00e3o-queima-combust\u00edvel-f\u00f3ssil-278x185.jpg 278w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Fabrica-no-porto-de-S\u00e3o-Sebasti\u00e3o-queima-combust\u00edvel-f\u00f3ssil-640x427.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"426\" aria-describedby=\"caption-attachment-69723\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69723\" class=\"wp-caption-text\">Fabrica no porto de S\u00e3o Sebasti\u00e3o queima combust\u00edvel f\u00f3ssil. Foto: Gualter Pedrini.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1rea de Mata Atl\u00e2ntica desmatada para planta\u00e7\u00e3o de cana Pernambuco. Foto: Gualter Pedrini. Muitos come\u00e7os<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00c1rea de Mata Atl\u00e2ntica desmatada para planta\u00e7\u00e3o de cana Pernambuco. Foto: Gualter Pedrini. 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