{"id":10907,"date":"2014-11-22T00:00:28","date_gmt":"2014-11-22T00:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10907"},"modified":"2014-11-21T22:03:52","modified_gmt":"2014-11-21T22:03:52","slug":"pocos-e-contaminacao-poem-em-risco-aguas-subterraneas-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pocos-e-contaminacao-poem-em-risco-aguas-subterraneas-de-sp\/","title":{"rendered":"Po\u00e7os e contamina\u00e7\u00e3o p\u00f5em em risco \u00e1guas subterr\u00e2neas de SP"},"content":{"rendered":"<p><strong>Malu Ribeiro*<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/po%C3%A7o_400.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-96098\" src=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/po%C3%A7o_400.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"475\" \/><\/a><\/p>\n<p>O uso da \u00e1gua subterr\u00e2nea como alternativa para a grave crise h\u00eddrica em S\u00e3o Paulo requer cuidados e planejamento. Apesar dos aqu\u00edferos formarem uma grande reserva estrat\u00e9gica de \u00e1gua para capta\u00e7\u00f5es atuais e futuras, o uso intensivo e contamina\u00e7\u00f5es j\u00e1 comprometem essa fonte em v\u00e1rias regi\u00f5es do Estado. Atualmente, 462 munic\u00edpios paulistas, cerca de 72% do Estado, s\u00e3o total ou parcialmente abastecidos por \u00e1gua subterr\u00e2nea e atendem a uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 5,5 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Dados do Mapa de \u00c1guas Subterr\u00e2neas do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 produzido em 2004 pelo Departamento de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica (DAEE), Instituto Geol\u00f3gico (IG), Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas do Estado de S\u00e3o Paulo (IPT) e Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM) \u2013 estimam que as reservas explor\u00e1veis dos aqu\u00edferos paulistas podem garantir uma disponibilidade de 787 litros por habitante\/dia. Por\u00e9m, os mesmos estudos j\u00e1 alertavam para as altas demandas e grandes concentra\u00e7\u00f5es de po\u00e7os licenciados e clandestinos, o que t\u00eam provocado acentuados rebaixamentos nos aqu\u00edferos ao longo desta d\u00e9cada, nas bacias dos rios Turvo\/Grande, na regi\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto; do rio Pardo, na regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto e na bacia do Alto Tiet\u00ea, que abriga a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A bacia do Alto Tiet\u00ea \u00e9 justamente a regi\u00e3o mais cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao uso das \u00e1guas subterr\u00e2neas, situa\u00e7\u00e3o agravada pela super explora\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o e falta de condi\u00e7\u00f5es de recarga dos aqu\u00edferos em virtude da intensa urbaniza\u00e7\u00e3o e impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo. A bacia conta com uma disponibilidade de apenas 93 litros\/habitante\/dia, seguida pelas bacias do M\u00e9dio Tiet\u00ea\/Sorocaba (433 l\/hab\/dia) e Piracicaba\/Capivari\/Jundia\u00ed (482 l\/hab\/dia).<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo de seca intensa v\u00e1rios usu\u00e1rios de \u00e1gua subterr\u00e2nea, de diferentes bacias paulistas, t\u00eam relatado quedas dr\u00e1sticas nos n\u00edveis de po\u00e7os de capta\u00e7\u00e3o profunda utilizados para abastecimento p\u00fablico, atividades rurais e industriais. Em meados de agosto, servi\u00e7os aut\u00f4nomos de \u00e1gua e esgoto do M\u00e9dio Tiet\u00ea, no interior paulista, revelavam que os po\u00e7os de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para abastecimento p\u00fablico registravam rebaixamento de 30 metros.<\/p>\n<p>Para que as reservas subterr\u00e2neas possam ser reabastecidas e que o uso dessas \u00e1guas ocorra de forma sustent\u00e1vel, \u00e9 urgente que as zonas de recarga dos aqu\u00edferos sejam preservadas e que ganhem instrumentos efetivos de conserva\u00e7\u00e3o. Esse zoneamento especial compete aos munic\u00edpios e ao Estado, que devem delimitar \u00e1reas estrat\u00e9gicas para a conserva\u00e7\u00e3o h\u00eddrica. Assim como os rios e os mananciais superficiais, os aqu\u00edferos tamb\u00e9m dependem das florestas e matas para garantia de sua qualidade e quantidade da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Desde 1997, os integrantes dos comit\u00eas de bacias paulistas t\u00eam a disposi\u00e7\u00e3o, para planejamento e gest\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas, o mapa de vulnerabilidade para contamina\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos do Estado de S\u00e3o Paulo. A partir de 2003, a bacia do Alto Tiet\u00ea foi inclu\u00edda na rede de monitoramento da qualidade da \u00e1gua subterr\u00e2nea a cargo da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Em 2009, a Cetesb passou a atuar em conjunto com o DAEE na opera\u00e7\u00e3o de uma rede integrada de qualidade e quantidade das \u00e1guas subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 2010 a 2012 foram monitorados 240 pontos de coleta em diferentes aqu\u00edferos paulistas. O cruzamento dos dados de monitoramento da \u00e1gua e de solos aponta que mais de sete bacias hidrogr\u00e1ficas se encontram em \u00e1reas vulner\u00e1veis, o que refor\u00e7a a necessidade de maior cuidado na perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os e na instala\u00e7\u00e3o de atividades potencialmente poluidoras, principalmente na regi\u00e3o de recarga do Aqu\u00edfero Guarani, no oeste paulista.<\/p>\n<p>As \u00e1reas urbanas re\u00fanem milhares de fontes de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua subterr\u00e2nea, como postos de combust\u00edveis, dep\u00f3sitos de res\u00edduos industriais, dom\u00e9sticos e comerciais. Nas \u00e1reas rurais a aten\u00e7\u00e3o fica aos res\u00edduos de insumos e defensivos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Certamente, com o crescimento das cidades e das atividades econ\u00f4micas, o quadro se agrava e refor\u00e7a o alerta de que muitas dessas \u00e1guas, principalmente as que s\u00e3o provenientes de po\u00e7os clandestinos ou irregulares, podem estar contaminadas e oferecer riscos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Em muitos casos n\u00e3o h\u00e1 como descontaminar os aqu\u00edferos. Por isso, v\u00e1rios po\u00e7os s\u00e3o lacrados e essas \u00e1guas ficam indispon\u00edveis para usos.<\/p>\n<p>Embora S\u00e3o Paulo conte com estudos t\u00e9cnicos e legisla\u00e7\u00e3o que s\u00e3o refer\u00eancias para a gest\u00e3o da \u00e1gua subterr\u00e2nea, a defasagem dos dados que sempre s\u00e3o elaborados com base nos monitoramentos de anos anteriores, ou per\u00edodos de dois anos, o alto grau de clandestinidade nas capta\u00e7\u00f5es, a falta de informa\u00e7\u00e3o traduzida para entendimento da sociedade em geral e a gravidade da crise h\u00eddrica colocam o sistema de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos em xeque. \u00c9 fundamental fortalecer os Comit\u00eas de Bacias para que a sociedade participe ativamente do planejamento e da tomada de decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao uso da \u00e1gua, com base em dados e cadastros de outorgas e qualidade da \u00e1gua atualizados.<\/p>\n<p>A gravidade da escassez e a enorme demanda levaram \u00e0 suspens\u00e3o tempor\u00e1ria da emiss\u00e3o de outorgas para uso da \u00e1gua nas bacias do Alto Tiet\u00ea e Piracicaba\/Capivari\/Jundia\u00ed e no munic\u00edpio de Itu. Al\u00e9m disso, \u00e9 vedada a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea proveniente de processos de remedia\u00e7\u00e3o de \u00e1reas contaminadas que possam expor os usu\u00e1rios a riscos, tais como ingest\u00e3o humana, higiene pessoal, preparo de refei\u00e7\u00f5es, recrea\u00e7\u00e3o em piscinas e banhos em geral, lavagem de ve\u00edculos e outros usos que levem ao contato d\u00e9rmico. Por isso, muita aten\u00e7\u00e3o e responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o ao uso dessa \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>*Malu Ribeiro \u00e9 coordenadora da Rede das \u00c1guas da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica.<\/strong><\/p>\n<p><em>Originalmente publicado no Uol\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Malu Ribeiro* O uso da \u00e1gua subterr\u00e2nea como alternativa para a grave crise h\u00eddrica em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Malu Ribeiro* O uso da \u00e1gua subterr\u00e2nea como alternativa para a grave crise h\u00eddrica em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10907"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10907\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}