{"id":109037,"date":"2019-07-08T13:25:17","date_gmt":"2019-07-08T16:25:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109037"},"modified":"2019-07-08T13:25:52","modified_gmt":"2019-07-08T16:25:52","slug":"a-tecnica-para-os-homens-produzirem-ovulos-e-mulheres-espermatozoides","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-tecnica-para-os-homens-produzirem-ovulos-e-mulheres-espermatozoides\/","title":{"rendered":"A t\u00e9cnica para os homens produzirem \u00f3vulos e mulheres, espermatozoides"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109038\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, o pesquisador japon\u00eas Shinya Yamanaka conseguiu algo parecido com a revers\u00e3o do tempo. Em 2006, demonstrou que bastavam quatro\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/genetica\">genes<\/a>\u00a0para que as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/celulas\">c\u00e9lulas<\/a>\u00a0de um adulto retornassem a um estado semelhante ao embrion\u00e1rio e assim recuperassem a capacidade de se transformarem depois em qualquer tipo de tecido. Essa t\u00e9cnica foi um passo promissor para o desenvolvimento de uma medicina regenerativa na qual c\u00e9lulas para reparar \u00f3rg\u00e3os danificados pudessem ser criadas \u00e0 vontade. E continua sendo, mas embora tenha conseguido reprogramar c\u00e9lulas e transform\u00e1-las em quase qualquer tipo de tecido, fazer com que essas c\u00e9lulas uma vez transplantadas se comportem como deveriam e sirvam para tratar\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/enfermedades\">doen\u00e7as<\/a>ainda \u00e9 um desafio.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CNmtu7rdpeMCFU92wQodPicBkA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Uma das aplica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da reprograma\u00e7\u00e3o celular \u00e9 transformar uma c\u00e9lula de pele, por exemplo, em um \u00f3vulo, a c\u00e9lula original e aquela que tem a capacidade de se diferenciar em todas as c\u00e9lulas necess\u00e1rias para construir um organismo completo. Recentemente, uma cl\u00ednica dedicada a tratamentos de fertilidade, aproveitando as comemora\u00e7\u00f5es do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/lgtb\">Orgulho LGBTI+<\/a>, sugeriu que a possibilidade de um casal\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/homosexualidad\">homossexual<\/a> ter filhos com a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de ambos estava pr\u00f3xima. Tomando c\u00e9lulas normais, elas poderiam ser reprogramadas e criar um espermatozoide e um \u00f3vulo que, uma vez fecundado, seria implantado no \u00fatero de uma mulher. A t\u00e9cnica tamb\u00e9m funcionaria para casais heterossexuais que n\u00e3o pudessem produzir de forma natural seus pr\u00f3prios \u00f3vulos e espermatozoides.<\/p>\n<p>A pesquisa nesse campo \u00e9 intensa e os \u00eaxitos em modelos animais t\u00eam sido importantes. Em 2016, um grupo de pesquisadores liderado por Katsuhiko Hayashi, da Universidade de Kyushu, no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/japon\">Jap\u00e3o<\/a>, conseguiu produzir \u00f3vulos de camundongos totalmente funcionais a partir de c\u00e9lulas-tronco pluripotentes. Posteriormente, os \u00f3vulos cultivados em laborat\u00f3rio foram submetidos \u00e0 fecunda\u00e7\u00e3o\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0e inseridos em f\u00eameas de camundongos para a gesta\u00e7\u00e3o. Embora o processo tenha tido uma taxa de sucesso pequena, algumas dessas gesta\u00e7\u00f5es produziram descendentes f\u00e9rteis que mais tarde tiveram seus pr\u00f3prios filhotes.<\/p>\n<p>Em 2018, uma equipe chinesa conseguiu superar outro obst\u00e1culo que faz com que os mam\u00edferos, ao contr\u00e1rio de outros grupos de animais, n\u00e3o possam se reproduzir entre casais do mesmo sexo. A impress\u00e3o gen\u00f4mica faz com que, em condi\u00e7\u00f5es normais, existam diferentes genes do pai ou da m\u00e3e que ligam ou desligam. Quando existe uma combina\u00e7\u00e3o entre os dois sexos, o embri\u00e3o pode ser vi\u00e1vel, porque a soma dos genes ativados e desativados faz com que o sistema funcione, mas se um espermatozoide \u00e9 criado a partir de c\u00e9lulas da f\u00eamea, os genes que permanecem desligados no \u00f3vulo e no espermatozoide seriam os mesmos e o sistema falharia. Os pesquisadores, dirigidos por Qi Zhou, da Academia Chinesa de Ci\u00eancias, realizaram as manipula\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas necess\u00e1rias para evitar esse problema e conseguiram produzir 29 filhotes vi\u00e1veis de 210 embri\u00f5es. Sua tentativa de fazer o mesmo com os machos fracassou.<\/p>\n<p>Carlos Sim\u00f3n, diretor cient\u00edfico da Igenomix, empresa dedicada \u00e0 gen\u00e9tica reprodutiva, explica que a reprograma\u00e7\u00e3o celular n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complicada para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/27\/ciencia\/1540643073_895649.html\">criar c\u00e9lulas musculares ou neur\u00f4nios<\/a>, que t\u00eam fun\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas. \u201cCriar uma c\u00e9lula da qual depender\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de um ser humano \u00e9 muito mais complicado\u201d, continua Sim\u00f3n, que fez publica\u00e7\u00f5es nesse campo. Para come\u00e7ar, porque a combina\u00e7\u00e3o de genes \u00e9 mais complexa. \u201cOs quatro genes que serviram para Yamanaka criar c\u00e9lulas indiferenciadas n\u00e3o nos servem para criar c\u00e9lulas primordiais\u201d, aponta. Al\u00e9m disso, para demonstrar que o processo funciona em seres humanos, como aconteceu em camundongos, seria necess\u00e1rio criar e destruir embri\u00f5es, algo que pode ser feito em pa\u00edses como os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\">Estados Unidos<\/a>\u00a0e a Inglaterra, mas n\u00e3o na Espanha. \u201cTemos pela frente um processo de cinco ou dez anos com muit\u00edssimas comprova\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta Sim\u00f3n.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">At\u00e9 agora, em seres humanos, com essa t\u00e9cnica s\u00f3 foi poss\u00edvel criar precursores de ov\u00f3citos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Anna Veiga, diretora do Banco de Linhas Celulares do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona, lembra que, embora em camundongos tenham sido produzidos tanto \u00f3vulos quanto espermatozoides que s\u00e3o fecund\u00e1veis e fecundam, resultando em camundongos sem problemas, em seres humanos \u00e9 necess\u00e1ria muita cautela. \u201cEm humanos, a \u00faltima coisa que foi conseguida foi produzir ovog\u00f4nias, que s\u00e3o precursoras dos ov\u00f3citos, mas de uma maneira muito imperfeita\u201d, enfatiza. O trabalho, publicado na revista\u00a0<em>Science<\/em>, foi dirigido por Mitinori Saitou, da Universidade de Kyoto, e no qual colaboraram v\u00e1rias entidades do Jap\u00e3o, pa\u00eds que lidera esse campo de pesquisa. Veiga tamb\u00e9m aponta para as dificuldades de testar essas t\u00e9cnicas em seres humanos. \u201cEm camundongos podem ser feitos todos os testes necess\u00e1rios para demonstrar a funcionalidade dos gametas [\u00f3vulos e espermatozoides], e depois \u00e9 preciso introduzir esse embri\u00e3o para uma m\u00e3e portadora, ver como se comporta durante a gesta\u00e7\u00e3o e verificar como ser\u00e1 a descend\u00eancia\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da pr\u00e1tica di\u00e1ria da fertiliza\u00e7\u00e3o\u00a0<em>in vitro<\/em>, Juan Antonio Garc\u00eda Velasco, diretor m\u00e9dico do Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI) em Madri, considera que esta abordagem \u00e9 algo muito distante, embora reconhe\u00e7a que \u201cmuitas coisas que pareciam fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica hoje n\u00e3o chamam a aten\u00e7\u00e3o\u201d. O uso da reprograma\u00e7\u00e3o celular para produzir \u00f3vulos poderia servir para evitar problemas de infertilidade em mulheres acima de 40 anos, mas Garc\u00eda Velasco acredita que outras t\u00e9cnicas inovadoras, \u201ccomo a transfer\u00eancia nuclear\u201d, podem ser solu\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas. Nesse caso, o DNA nuclear da m\u00e3e seria introduzido em um \u00f3vulo de uma doadora jovem do qual o n\u00facleo teria sido extra\u00eddo. Essas t\u00e9cnicas, ao contr\u00e1rio da reprograma\u00e7\u00e3o celular, j\u00e1 foram usadas para produzir gravidezes evitando algumas doen\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, o pesquisador japon\u00eas Shinya Yamanaka conseguiu algo parecido com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109038,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/ovulo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, o pesquisador japon\u00eas Shinya Yamanaka conseguiu algo parecido com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109037"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109037\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}