{"id":109008,"date":"2019-07-07T13:47:13","date_gmt":"2019-07-07T16:47:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=109008"},"modified":"2019-07-07T13:47:13","modified_gmt":"2019-07-07T16:47:13","slug":"acesso-publico-a-dados-de-desmatamento-impossibilita-manipulacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/acesso-publico-a-dados-de-desmatamento-impossibilita-manipulacao\/","title":{"rendered":"Acesso p\u00fablico a dados de desmatamento impossibilita manipula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-109009\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Alvo de desconfian\u00e7a de autoridades, sistema que monitora desmatamento na Amaz\u00f4nia h\u00e1 30 anos d\u00e1 livre acesso a imagens de sat\u00e9lite que geram \u00edndices. Mecanismo de alerta em tempo real mostra tend\u00eancia de alta em 2019.<\/p>\n<p>Na tela de um dos computadores onde os dados sobre desmatamento na Amaz\u00f4nia s\u00e3o revisados, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, o gr\u00e1fico de f\u00e1cil visualiza\u00e7\u00e3o mostra uma curva ascendente. A partir de maio, quando as chuvas densas cessam naquela regi\u00e3o, o corte da mata acelera.<\/p>\n<p>Em junho, o sistema de Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em Tempo Real, Deter, apontou 2 mil quil\u00f4metros quadrados de novas \u00e1reas abertas na floresta. Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, o aumento do corte raso foi de 88%.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es validadas pela equipe coordenada por Cl\u00e1udio Almeida, do Inpe, n\u00e3o s\u00e3o secretas. As imagens observadas pelos sat\u00e9lites que comp\u00f5em o sistema de monitoramento da Floresta Amaz\u00f4nica s\u00e3o p\u00fablicas, abertas para qualquer pessoa que queira consultar o site da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe possibilidade de manipula\u00e7\u00e3o, porque todo dado \u00e9 p\u00fablico, as imagens s\u00e3o p\u00fablicas. Qualquer pessoa pode baixar e verificar&#8221;, afirma Almeida.<\/p>\n<p>Na sala ao lado, uma equipe da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) o espera para discutir detalhes do Terraclass, projeto que investiga os motivos da derrubada das \u00e1rvores na Amaz\u00f4nia, como agricultura, pasto, minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Infografik Abholzungen in Brasilien PT\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/49475642_7.png\" alt=\"Infografik Abholzungen in Brasilien PT\" width=\"640\" height=\"984\" \/><\/div>\n<p>Nesta semana, acusa\u00e7\u00f5es de\u00a0adultera\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es partiram do pr\u00f3prio governo brasileiro. Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional (GSI) e\u00a0que j\u00e1 foi comandante militar na Amaz\u00f4nia, disse que os dados sobre desmatamento s\u00e3o manipulados.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia de alta observada na taxa de destrui\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica tem rendido cr\u00edticas ao Brasil, principalmente de pa\u00edses europeus, e colocado em xeque projetos de que recebem dinheiro externo.<\/p>\n<p><strong>A servi\u00e7o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/brasil-j%C3%A1-desmatou-duas-alemanhas-de-floresta-amaz%C3%B4nica\/a-46577603\">Desde que foi criado, h\u00e1 30 anos<\/a>, o programa de monitoramento do Inpe sofreu adapta\u00e7\u00f5es para atender \u00e0s demandas do seu principal &#8220;cliente&#8221;: o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. O Deter, por exemplo, que emite alertas di\u00e1rios sobre onde a destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 acontecendo, foi desenvolvido pelo Inpe quando o pa\u00eds buscava intensificar a fiscaliza\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, em 2003.<\/p>\n<p>No ano seguinte, foi lan\u00e7ado o Plano de A\u00e7\u00e3o para Preven\u00e7\u00e3o e Controle do Desmatamento na Amaz\u00f4nia (PPCDAm). Foi ent\u00e3o que o corte da floresta come\u00e7ou a cair significativamente, para depois voltar a subir a partir de 2013.<\/p>\n<p>De 2004, quando come\u00e7ou o PPCDAm, a 2012, a supress\u00e3o anual de floresta caiu de 27.772 quil\u00f4metros quadrados, \u00e1rea equivalente \u00e0 do\u00a0estado do Alagoas, para 4.571 quil\u00f4metros quadrados\u00a0\u2013\u00a0o que significa uma redu\u00e7\u00e3o de 83,5%. Os dados s\u00e3o do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite (Prodes), sistema que mede a destrui\u00e7\u00e3o da floresta anualmente, do Inpe.<\/p>\n<p>A partir de 2013, o total de \u00e1reas afetadas por desflorestamento voltou a crescer e, desde 2016, tem se mantido superior a 6 mil quil\u00f4metros quadrados por ano. Par\u00e1, Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Amazonas t\u00eam sido os estados com maiores \u00edndices de desmatamento desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, foram 7.536 quil\u00f4metros quadrados de desmatamento, a segunda maior \u00e1rea registrada desde 2008. Apenas o Par\u00e1 foi respons\u00e1vel por 36,4% do total, conforme o Prodes.<\/p>\n<p><strong>Tempo real<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O Deter foi criado para que tiv\u00e9ssemos uma aproxima\u00e7\u00e3o do que estava acontecendo em tempo real no territ\u00f3rio e guiar as equipes de fiscaliza\u00e7\u00e3o em campo&#8221;, pontua Marina Silva, que era ministra do Meio Ambiente na \u00e9poca em que\u00a0o PPCDAm foi implementado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo Capobianco, que coordenou o grupo de trabalho para a cria\u00e7\u00e3o do Deter, negociou diretamente com o Inpe. &#8220;Achei que seria dif\u00edcil desenvolver essa ferramenta que olhasse para a din\u00e2mica do desmatamento, mas os t\u00e9cnicos foram muito r\u00e1pidos&#8221;, disse \u00e0 DW Brasil. &#8220;Foi assim que o trabalho de combate deixou de ser feito \u00e0s cegas.&#8221;<\/p>\n<p>O passo seguinte, narra Capobianco, foi criar uma plataforma para que todos os dados fossem abertos. &#8220;At\u00e9 ent\u00e3o, o p\u00fablico tinha acesso apenas ao relat\u00f3rio impresso. Criamos um protocolo para que todas as informa\u00e7\u00f5es fossem expostas numa plataforma digital&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Marina Silva chama de &#8220;desservi\u00e7o&#8221; as acusa\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas contra o sistema, gerenciado por &#8220;pessoas que t\u00eam compet\u00eancia t\u00e9cnica e conhecimento cient\u00edfico&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Foram feitos investimentos durante 30 anos, com dinheiro p\u00fablico, para criar um monitoramento que tem uma s\u00e9rie hist\u00f3rica que \u00e9 refer\u00eancia para outros pa\u00edses com florestas&#8221;, opina a ex-ministra.<\/p>\n<p><strong>Passo a passo do Deter<\/strong><\/p>\n<p>As imagens usadas pelo Deter s\u00e3o captadas pelos sat\u00e9lites sino-brasileiro CBERS-4 e indiano IRS, e chegam ao fim de cada dia \u00e0 rede do Inpe. Na manh\u00e3 seguinte, as imagens s\u00e3o processadas por uma equipe em Cachoeira Paulista, interior do estado de S\u00e3o Paulo, e distribu\u00eddas para o time de &#8220;int\u00e9rpretes&#8221; \u2013 profissionais treinados para identificar, a partir das diferentes caracter\u00edsticas observadas na imagem, desmatamentos em andamento.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, esse trabalho passa por uma auditoria para, ent\u00e3o, ser divulgado na rede aberta do Inpe. De todos os pol\u00edgonos interpretados, 20% s\u00e3o escolhidos aleatoriamente para validar o grau de acerto de cada lote. Ao todo, essa etapa leva tr\u00eas dias.<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Estados com mais \u00e1reas desmatadas - infogr\u00e1fico\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/49475337_7.png\" alt=\"Estados com mais \u00e1reas desmatadas - infogr\u00e1fico\" width=\"640\" height=\"847\" \/><\/div>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es ficam imediatamente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para o minist\u00e9rio programar as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o e combate ao desmatamento ilegal. &#8220;Dados di\u00e1rios chegam ao Ibama. O que est\u00e1 faltando \u00e9 a\u00e7\u00e3o&#8221;, opina Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, rede que gera mapas e dados de cobertura e uso do solo a partir de informa\u00e7\u00f5es obtidas pelo Deter e outros sistemas, como o Sistema de Alerta de Desmatamento do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (SAD\/Imazon) e o Sistema de Prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia\/radar de abertura sint\u00e9tica (SIPAM-SAR).<\/p>\n<p>&#8220;O Deter foi o primeiro sistema de monitoramento cont\u00ednuo lan\u00e7ado do mundo&#8221;, destaca Azevedo. O MapBiomas valida e refina os dados gerados por v\u00e1rios sistemas, o que permite dar mais precis\u00e3o quanto \u00e0 \u00e1rea e \u00e0s datas exatas em que o desmatamento ocorreu. &#8220;O Deter \u00e9 fundamental&#8221;, defende.<\/p>\n<p>&#8220;<strong>A hora da verdade<\/strong>&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Deter \u00e9 questionado por autoridades. Em 2007, ano em que o Mato Grosso foi campe\u00e3o em alertas de desmatamento, o ent\u00e3o governador do estado, Blairo Maggi, disse que os dados eram equivocados. Maggi \u00e9 um dos maiores produtores de soja do mundo e ex-ministro da Agricultura.<\/p>\n<p>No come\u00e7o do ano seguinte, uma comitiva de ministros sobrevoou a regi\u00e3o em helic\u00f3pteros do Ex\u00e9rcito e confirmou, visualmente, as medi\u00e7\u00f5es feitas pelos sat\u00e9lites. &#8220;Foi uma esp\u00e9cie de grande vistoria. O caso s\u00f3 mostrou, mais uma vez, a solidez do sistema de monitoramento&#8221;, relembra Capobianco.<\/p>\n<p>Para Carlos Nobre, climatologista aposentado do Inpe e atualmente ligado \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), todas as evid\u00eancias apontam para o aumento do desmatamento em 2019. A &#8220;hora da verdade&#8221; ser\u00e1 em outubro, quando o Inpe costuma divulgar os dados do Prodes, calculados sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte.<\/p>\n<p>&#8220;A experi\u00eancia acumulada mostra que, quando o Deter est\u00e1 indicando aumento na faixa de 15%, como est\u00e1 sendo neste ano, a tend\u00eancia depois se confirma no Prodes. A probabilidade \u00e9 alt\u00edssima de que tenhamos um desmatamento maior que o do ano passado&#8221;, afirma Nobre.<\/p>\n<p>Procurado, o minist\u00e9rio do Meio Ambiente n\u00e3o se manifestou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da reportagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alvo de desconfian\u00e7a de autoridades, sistema que monitora desmatamento na Amaz\u00f4nia h\u00e1 30 anos d\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":109009,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/desmatamento.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Alvo de desconfian\u00e7a de autoridades, sistema que monitora desmatamento na Amaz\u00f4nia h\u00e1 30 anos d\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109008"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109008"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109008\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}