{"id":108964,"date":"2019-07-06T16:15:03","date_gmt":"2019-07-06T19:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108964"},"modified":"2019-07-06T16:15:03","modified_gmt":"2019-07-06T19:15:03","slug":"lixo-eletronico-de-quem-e-a-responsabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/lixo-eletronico-de-quem-e-a-responsabilidade\/","title":{"rendered":"Lixo eletr\u00f4nico: de quem \u00e9 a responsabilidade?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Screen-Shot-2019-06-16-at-2.34.51-PM.png\" width=\"639\" height=\"387\" \/>Antes mesmo de o Brasil instituir uma lei para lidar com os res\u00edduos do setor eletroeletr\u00f4nico \u2013 que ainda depende de um acordo setorial \u2013 a HP buscava formas de recolher equipamentos que estavam no fim de sua vida \u00fatil e reciclar os cartuchos. Desde 2009, tem mergulhado mais a fundo em iniciativas de economia circular e recentemente fechou parceria com o varejo \u2013 a rede Kalunga \u2013 para estimular a log\u00edstica reversa.<\/p>\n<p>Mas Claudio Raupp, CEO da empresa no Brasil, enfatiza o elo fundamental nessa cadeia que \u00e9 o consumidor: \u201cSe ele n\u00e3o puxar o gatilho, podemos colocar a estrutura ou o acordo setorial que voc\u00ea quiser. N\u00e3o podemos ir l\u00e1 na casa do consumidor arrancar o computador dele.\u201d O executivo acredita, portanto, que educa\u00e7\u00e3o ambiental e conscientiza\u00e7\u00e3o ser\u00e3o fundamentais nessa mudan\u00e7a cultural.<\/p>\n<p>Diante do questionamento sobre a responsabilidade de um setor que lan\u00e7a produtos de forma cont\u00ednua, os quais rapidamente ficam desatualizados pela corrida tecnol\u00f3gica, a diretora de Sustentabilidade Paloma Cavalcanti afirma que a empresa se preocupa com a durabilidade do produto. \u201cDisponibilizamos manuais de servi\u00e7o, para dar possibilidade ao consumidor de reparar e fazer\u00a0<em>upgrade<\/em>\u00a0daquela m\u00e1quina ou impressora, para que ele a mantenha por mais tempo poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>A empresa assumiu uma s\u00e9rie de compromisso com metas ambientais, mas desde que fa\u00e7am sentido tamb\u00e9m do ponto de vista econ\u00f4mico. \u201cA longo prazo, se o programa n\u00e3o for sustent\u00e1vel economicamente, estar\u00e1 vulner\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>Claudio Raupp \u00e9 CEO da HP Inc. Brasil, tendo passado em cargos executivos na Tivoli, na IBM Brasil e na Nokia. Engenheiro el\u00e9trico de forma\u00e7\u00e3o, fez especializa\u00e7\u00e3o na Harvard University e na London Business School.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>Paloma Cavalcanti \u00e9 diretora de Sustentabilidade da HP Inc. Brasil. Coordenou a \u00e1rea de sustentalidade da Semp Toshiba, ap\u00f3s ter trabalhado na EDP e na Sadia. Formada em Comunica\u00e7\u00e3o Social, especializou-se na Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas e na Politecnico di Milano.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O que levou a HP a enveredar pelo assunto da economia circular? H\u00e1 uma press\u00e3o? A empresa entende que \u00e9 uma tend\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Claudio Raupp: Na realidade, a gente come\u00e7ou sustentabilidade muito antes que houvesse press\u00e3o governamental ou de\u00a0<em>compliance<\/em>. Isso realmente veio dos pr\u00f3prios valores da HP de inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade. A gente come\u00e7ou em 1991 com o projeto Planet Partners, que era todo um projeto mais amplo de fazer reciclagem e\u00a0<em>takeback<\/em>, ou seja, de poder recolher os equipamentos que estavam no fim de ciclo de vida \u00fatil. E esse conceito foram se expandindo n\u00e9? Inicialmente come\u00e7amos com reciclagem e depois expandimos o conceito para economia circular.<\/p>\n<p><strong>A partir de quando?<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_45354\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-45354 size-medium\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/PalomaHP-217x300.jpg\" sizes=\"(max-width: 217px) 100vw, 217px\" srcset=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/PalomaHP-217x300.jpg 217w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/PalomaHP-768x1064.jpg 768w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/PalomaHP-739x1024.jpg 739w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/PalomaHP.jpg 799w\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"300\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Paloma Cavalcanti, diretora de Sustentabilidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>Paloma Cavalcanti: A gente come\u00e7ou a reinserir pl\u00e1stico reciclado nos cartuchos de impress\u00e3o na d\u00e9cada de 2000. Os primeiros prot\u00f3tipos de pe\u00e7as de impressoras com pl\u00e1stico reciclado sa\u00edram em 2009. Depois, o pl\u00e1stico reciclado dos cartuchos passou a ser usado tamb\u00e9m nos cartuchos novos e em seguida come\u00e7amos a fazer tamb\u00e9m parte da impressora com o pl\u00e1stico reciclado. Ent\u00e3o j\u00e1 v\u00ednhamos trabalhando com economia circular no Brasil. Tanto que, quando a Ellen MacArthur Foundation veio para o Brasil, fomos uma das primeiras empresas a articular o programa deles aqui. Somos a \u00fanica empresa do setor eletr\u00f4nico que tem ciclo fechado no Brasil. Nenhuma outra empresa do setor est\u00e1 t\u00e3o avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>CH: Na medida em que voc\u00ea ganha escala e efici\u00eancia no processo de\u00a0<em>zero waste<\/em>\u00a0[lixo zero], voc\u00ea tamb\u00e9m ganha economia. Porque o programa tem de ser sustent\u00e1vel economicamente. Conseguimos, por exemplo, que a resina do pl\u00e1stico recicl\u00e1vel se tornasse mais barata do que a resina virgem. Se voc\u00ea n\u00e3o tiver um programa que seja sustent\u00e1vel economicamente, no primeiro momento de crise ele fica extremamente vulner\u00e1vel. Ent\u00e3o, quando falamos de sustentabilidade, ela \u00e9 ambiental, social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>A HP n\u00e3o faz nenhuma a\u00e7\u00e3o ambiental que n\u00e3o tenha consist\u00eancia econ\u00f4mica? Se der preju\u00edzo, n\u00e3o \u00e9 implementada?<\/strong><\/p>\n<p>CR: No momento que voc\u00ea come\u00e7a um programa de sustentabilidade, ele sempre d\u00e1 preju\u00edzo. Para voc\u00ea montar, come\u00e7ar uma estrutura, desenvolver seus pr\u00f3prios processos, desenvolver fornecedor. Ele n\u00e3o se paga no primeiro e nem no segundo ano. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso ter muito claro o compromisso, mas a gente busca efici\u00eancia o tempo todo. A longo prazo, se o programa n\u00e3o for sustent\u00e1vel economicamente, estar\u00e1 vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Hoje, 20% do peso nas impressoras corresponde a material reciclado. A meta \u00e9 32%. Temos metas tamb\u00e9m para reduzir emiss\u00e3o de g\u00e1s de efeito estufa, metas de energia renov\u00e1vel. S\u00e3o metas que estabelecemos para o futuro e vamos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>PC: O segredo disso \u00e9 integr\u00e1-las [as metas] com a estrat\u00e9gia de neg\u00f3cio, mas esse \u00e9 um retorno que conseguimos a longo prazo. Para alcan\u00e7ar a efici\u00eancia que permite com que a resina reciclada seja mais econ\u00f4mica que a resina virgem, estamos h\u00e1 10 anos desenvolvendo solu\u00e7\u00f5es. Agora, se considerarmos, por exemplo, o balan\u00e7o do programa de reciclagem, ainda temos um custo alto na log\u00edstica reversa em si, ou seja, o custo de trazer os materiais do consumidor at\u00e9 a reciclagem.<\/p>\n<p><strong>Por isso foi firmada a parceria com a Kalunga [para recolhimento de cartuchos usados que ser\u00e3o reciclados]?<\/strong><\/p>\n<p>CR: N\u00e3o s\u00f3 para ficar barato, mas para dar conveni\u00eancia ao consumidor. Um cara fundamental nessa cadeia \u00e9 o consumidor. \u00c9 um elo que, se estiver quebrado, impede que tudo aconte\u00e7a. Ent\u00e3o temos de dar conveni\u00eancia e infraestrutura ao consumidor para que ele possa ser um agente ativo nessa cadeia circular.<\/p>\n<p>PC: A quest\u00e3o de trabalhar em parceria com a nossa cadeia de distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 importante por diversos aspectos. Permite consolidar um volume maior no ponto de venda, tornando a log\u00edstica mais eficiente do que ir na casa de cada consumidor coletar \u2013 inclusive do ponto de vista ambiental. Al\u00e9m disso, traz a mensagem para o ponto de venda.<\/p>\n<p>CH: Voc\u00ea j\u00e1 viu a caixa de coleta? A caixa \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas uma embalagem em que voc\u00ea depositaria o cartucho: ela comunica o programa.<\/p>\n<p>PC: E a\u00ed temos o varejo engajado conosco na quest\u00e3o da reciclagem. Para viabilizar a economia circular, temos de trabalhar em parceria, n\u00e3o em um projeto isolado.<\/p>\n<p>CR: Para buscar efici\u00eancia na economia circular, n\u00e3o bastam atividades pontuais. Temos de olhar para o c\u00edrculo inteiro, a come\u00e7ar do desenho do produto. Se n\u00e3o desenharmos o produto j\u00e1 com o material apropriado, com as caracter\u00edsticas adequadas para a reciclagem, perdemos a oportunidade l\u00e1 no in\u00edcio da cadeia. Ent\u00e3o nossa cadeia tem de olhar desde o desenho do produto, a escolha do material que usamos a primeira vez, a forma como distribu\u00edmos, vendemos, comunicamos e fazemos a manuten\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina. Porque tamb\u00e9m um dos objetivos da economia circular \u00e9 voc\u00ea manter mais tempo em uso o material que voc\u00ea usou a primeira vez, seja o pl\u00e1stico, seja o pr\u00f3prio produto final.<\/p>\n<p><strong>A opini\u00e3o p\u00fablica e os demais integrantes da cadeia tamb\u00e9m est\u00e3o exigindo isso?<\/strong><\/p>\n<p>CR: Cada vez mais vemos a sociedade demandando isso. A regulamenta\u00e7\u00e3o, o governo. A gera\u00e7\u00e3o\u00a0<em>millenium<\/em>demanda isso n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao que vai comprar e usar, mas em qual empresa quer trabalhar.<\/p>\n<p>PC: Praticamente 30% da receita total da HP globalmente est\u00e1 vinculada a requerimentos de sustentabilidade. Os clientes pedem.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m das press\u00f5es do mercado, a empresa tamb\u00e9m precisa se enquadrar na lei. A regulamenta\u00e7\u00e3o a ser seguida \u00e9 a de res\u00edduos s\u00f3lidos?<\/strong><\/p>\n<p>PC: O pilar b\u00e1sico que discutimos, desde o final de 2010, \u00e9 a Politica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos e o que ela determina como log\u00edstica reversa para diversos produtos, entre eles eletroeletr\u00f4nicos. O setor de eletroeletr\u00f4nicos ainda n\u00e3o conseguiu fechar o que chamamos de acordo setorial, ou seja, o setor discutir com o governo e acordar regras de como ser\u00e1 a log\u00edstica reversa de eletroeletr\u00f4nicos no Brasil. S\u00f3 para ter uma ideia, nestes \u00faltimos v\u00e1rios anos temos discutido aspectos como: de que maneira a gente taxa? como a gente transporta esses materiais? At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s existia essa imagem de que produto eletroeletr\u00f4nico \u00e9 perigoso. Uma vez que voc\u00ea classifica o produto como perigoso voc\u00ea tem que licenciar a coleta. Imagina licenciar 400 pontos de coleta? Transportar produto como perigoso? Imposs\u00edvel!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o h\u00e1 uma s\u00e9rie de barreiras sendo superadas paulatinamente nas discuss\u00f5es com o governo, para que a gente tenha um sistema de log\u00edstica reversa no Pa\u00eds. Uma vez que se estabele\u00e7a isso, deveremos coletar 17% do que colocamos no mercado. Todo o setor de eletroeletr\u00f4nico ter\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o de coleta de 17%.<\/p>\n<p><strong>Isso em um primeiro momento? Depois o percentual vai aumentando?<\/strong><\/p>\n<p>PC: N\u00e3o, o teto ser\u00e1 17%. Ainda n\u00e3o se discute se chegar\u00e1 a patamares maiores, at\u00e9 porque as legisla\u00e7\u00f5es na Europa e nos EUA s\u00e3o assim. Cinquenta por cento j\u00e1 seria o m\u00e1ximo que se consegue retornar do que se coloca no mercado. Isso porque o produto pode ter uma segunda vida \u00fatil, ele \u00e9 estendido. N\u00e3o significa que o que est\u00e1 entrando no mercado tenha de retornar para a reciclagem na mesma propor\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 consumindo mais eletroeletr\u00f4nico e o acumulando mais dentro de casa.<\/p>\n<p>CR: Ou seja, quando ele compra o segundo computador, muitas vezes ele continua com o primeiro dentro de casa. Agora, se o consumidor n\u00e3o puxar o gatilho jamais a ind\u00fastria vai conseguir reciclar 17% ou 50%. Dezessete por cento j\u00e1 \u00e9 extremamente desafiador.<\/p>\n<p><strong>Mas a\u00ed n\u00e3o seria colocar muita responsabilidade em cima do consumidor?<\/strong><\/p>\n<p>CR: Mas ele \u00e9 respons\u00e1vel. Se o consumidor n\u00e3o puxar o gatilho, podemos colocar a estrutura ou o acordo setorial que voc\u00ea quiser. N\u00e3o podemos ir l\u00e1 na casa do consumidor arrancar o computador dele.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o a chave \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o ambiental, a conscientiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>PC: Permanente. E a mudan\u00e7a de cultura. Imagina que j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil reciclar o seu lixo, o que dir\u00e1 coisas mais sofisticadas como seu eletroeletr\u00f4nico. Temos de estimular a educa\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental porque se o consumidor n\u00e3o for parte protagonista desta cadeia, tudo isso n\u00e3o vai funcionar. A decis\u00e3o de descartar o eletroeletr\u00f4nico naquele ponto de coleta depende do consumidor. N\u00e3o depende do fabricante. E o que a gente v\u00ea ainda mundialmente \u00e9 o n\u00edvel de retorno baixo mesmo em pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>CR: Nos pa\u00edses desenvolvidos, os Estados Unidos, por exemplo, todas as casas t\u00eam uma garagem linda e maravilhosa, s\u00f3 que os carros ficam fora da garagem. Porque a garagem est\u00e1 entulhada de coisas que ele n\u00e3o usa mais, mas o apego n\u00e3o o deixa descartar.<\/p>\n<p><strong>Sabemos que na economia capitalista, demandas s\u00e3o criadas pelas empresas. Qual responsabilidade das empresas de n\u00e3o criar o tempo todo novas demandas de consumo, especialmente com produtos programados para ficar desatualizados depois de um tempo? Refiro-me \u00e0 obsolesc\u00eancia programada, em que as empresas induzem o consumidor \u00e0 compra de um novo aparelho. Isso n\u00e3o \u00e9 comum no setor eletroeletr\u00f4nico? [<em>mais sobre obsolesc\u00eancia programada\u00a0<a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2011\/09\/15\/marcados-para-morrer\/\">nesta reportagem<\/a><\/em>]<\/strong><\/p>\n<p>CR: N\u00e3o temos na HP nenhuma estrat\u00e9gia de obsolesc\u00eancia programada. Nosso produto \u00e9 feito para durar, para ser reparado, para ter um\u00a0<em>upgrade<\/em>. Ou seja, ficou lento porque tem mais aplicativos, voc\u00ea pode fazer um\u00a0<em>upgrade<\/em>\u00a0de mem\u00f3ria. Fazemos um produto modular para que ele tenha o maior ciclo de vida \u00fatil poss\u00edvel. E mesmo que o consumidor seja um cara \u00e1vido por tecnologia, por v\u00eddeos, por jogos e ele compre um computador novo, n\u00e3o significa que ele v\u00e1 descartar o velho, esse \u00e9 o problema.<\/p>\n<p>PC: Esta quest\u00e3o da obsolesc\u00eancia programada \u00e9 uma quest\u00e3o muito discutida dentro do setor de tecnologia como um todo. Obsolesc\u00eancia programada \u00e9 crime, que fique bem claro. Tem estudos e discuss\u00f5es, inclusive na Europa em rela\u00e7\u00e3o a isso, e a HP \u00e9 uma empresa das mais transparentes do ponto de vista de como os produtos s\u00e3o produzidos. De disponibilizar um manual de servi\u00e7o online para o consumidor saber como ele pode reparar. De projetar os produtos para que eles possam ter\u00a0<em>upgrade<\/em>\u00a0de processador, de\u00a0<em>software<\/em>\u00a0etc.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel porque toca no desenvolvimento tecnol\u00f3gico que as empresas est\u00e3o sempre buscando. E tem aqueles consumidores,\u00a0<em>os geeks,<\/em>\u00a0que est\u00e3o sempre querendo coisas mais avan\u00e7adas e as empresas lan\u00e7ando produtos novos constantemente.<\/p>\n<p>CR: Sempre haver\u00e1 produtos melhores desenvolvidos pela ind\u00fastria, mas n\u00e3o significa que esse produto ter\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de performance programada. \u00c9 o que aconteceu a\u00ed com algumas marcas e foi um esc\u00e2ndalo mundial.<\/p>\n<p><strong>A empresa passaria a ganhar n\u00e3o s\u00f3 com o lan\u00e7amento de produtos novos, mas com os servi\u00e7os que prestaria para esticar a sua vida \u00fatil?<\/strong><\/p>\n<p>PC: A economia circular vai avan\u00e7ar invariavelmente para o modelo de economia de servi\u00e7os e o compartilhamento de coisas \u2013 \u00e9 o que a gente j\u00e1 v\u00ea hoje em alguns setores. Ent\u00e3o temos avan\u00e7ado muito em modelo de neg\u00f3cios de servi\u00e7os. Hoje isso ocorre no B2B [<em>business to business<\/em>], para empresas, com as quais temo contrato de impress\u00e3o por servi\u00e7o. De impress\u00e3o por servi\u00e7o. A\u00ed, o que voc\u00ea muda ao oferecer o servi\u00e7o em vez da venda da m\u00e1quina?<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea quer que a m\u00e1quina dure cada vez mais.<\/strong><\/p>\n<p>PC: Claro! Voc\u00ea deseja manter aquela m\u00e1quina funcionando por mais tempo.<\/p>\n<p>CR: Isso muda completamente o\u00a0<em>approach<\/em>. Vejamos o caso de impressora como servi\u00e7o, ou\u00a0<em>outsourcing<\/em>\u00a0de impress\u00e3o, como \u00e9 mais conhecido. Damos o suporte de gest\u00e3o, abastece a impressora\u00a0<em>tonner<\/em>, de papel. Ele s\u00f3 tem que imprimir. Depois, no final do m\u00eas, contabiliza quantas p\u00e1ginas imprimiu e a gente passa uma fatura para ele. Fazemos a manuten\u00e7\u00e3o preventiva e peri\u00f3dica da m\u00e1quina, trocamos pe\u00e7as quando necess\u00e1rio e a vida \u00fatil da impressora \u00e9 levada ao limite m\u00e1ximo porque \u00e9 interessante para o modelo de neg\u00f3cio. E garantimos que o cartucho de\u00a0<em>tonner<\/em>\u00a0retorna para reciclagem.<\/p>\n<p><strong>Isso no B2B. E no B2C [<em>business to consumer<\/em>]?<\/strong><\/p>\n<p>PC: Temos alguns avan\u00e7os no B2C, em modelo internacional de neg\u00f3cios chamados de\u00a0<em>instant ink<\/em>, para suprimento de impress\u00e3o em alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>CR: E agora lan\u00e7amos o servi\u00e7o de\u00a0<em>subscription<\/em>\u00a0[assinatura] de cartucho com a Kalunga, o usu\u00e1rio estabelece um link entre a impressora dele e a HP e, em seguida, na Kalunga. De forma que conseguimos ver o sistema e enxergar o n\u00edvel de tinta do cartucho que ele tem. Antes que o\u00a0<em>tonner<\/em>\u00a0acabe, automaticamente disparamos uma ordem, e a Kalunga j\u00e1 entrega na casa do consumidor de forma que ele nunca fique sem tinta. \u00c9 como se fosse tinta como servi\u00e7o. Voc\u00ea paga para ter a conveni\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Esse modelo, que \u00e9 experimental, pode chegar a outros produtos?<\/strong><\/p>\n<p>CR: Sem d\u00favida. Estamos com modelos de B2C tamb\u00e9m para PCs e para as pr\u00f3prias impressoras. S\u00e3o modelos que cada vez mais v\u00e3o aparecer. Na gera\u00e7\u00e3o passada t\u00ednhamos aquela quest\u00e3o da posse. O meu carro, a minha cadeira, a minha mesa com a foto da fam\u00edlia, do cachorro etc. Por exemplo, este escrit\u00f3rio nosso, inaugurado h\u00e1 tr\u00eas anos, n\u00e3o tem nenhum assento demarcado. \u00c9\u00a0<em>free sitting<\/em>! Outro exemplo: vai l\u00e1 na Faria Lima e v\u00ea o que est\u00e1 acontecendo com aquele festival de patinetes, bicicletas, Uber. J\u00e1 existem proje\u00e7\u00f5es segundo as quais, daqui a alguns anos, ningu\u00e9m mais ter\u00e1 carro. Voc\u00ea vai usar o carro como servi\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 uma maneira de reduzir antes de reciclar? Porque o processo de reciclar tamb\u00e9m produz impacto, consumo de \u00e1gua, energia, emiss\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>CR: A reciclagem consome energia e \u00e1gua, mas a n\u00e3o reciclagem consome muito mais.<\/p>\n<p><strong>Sim, mas antes de reciclar, busca-se reutilizar. E, antes disso, evitar o uso.<\/strong><\/p>\n<p>Pera\u00ed, mas a\u00ed voc\u00ea quebra a gente! Tudo tem limite (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p><strong>A\u00ed fica insustent\u00e1vel economicamente, certo? (<em>risos<\/em>)<\/strong><\/p>\n<p>PC: H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o da HP em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 durabilidade do produto. Por exemplo, ser transparente sobre como a m\u00e1quina \u00e9 montada. Ent\u00e3o disponibilizamos manuais de servi\u00e7o, para que dar possibilidade ao consumidor de reparar aquele computador. Fazer\u00a0<em>upgrade<\/em>\u00a0daquela m\u00e1quina ou impressora, para que ele a mantenha por mais tempo poss\u00edvel. Antes de reciclar voc\u00ea pode remanufaturar. A gente tamb\u00e9m tem um trabalho muito grande de avaliar as m\u00e1quinas que chegam e remanufatur\u00e1-las para dar uma segunda vida.<\/p>\n<p><strong>O fato de uma impressora durar, por exemplo, 15 anos \u00e9 bom para a HP?<\/strong><\/p>\n<p>CR: \u00c9 bom porque em 15 anos ela consome muito cartucho. Do ponto de vista de neg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 necessariamente ruim. Porque o nosso neg\u00f3cio de impressoras \u00e9 \u201cimpressora mais suprimento\u201d. Tem que ficar 15 anos imprimindo muito! Vamos encarar esse problema da impress\u00e3o de frente. Eu contesto muito quem coloca no e-mail \u201cPor favor, pense bem antes de imprimir\u201d. N\u00e3o! Imprima.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>CR: Porque toda a nossa cadeia de papel \u00e9 formada de florestas plantadas para isso. O papel que usamos para imprimir hoje veio de uma floresta que gerou empregos, gerou imposto. Nenhuma floresta foi desmatada. Ent\u00e3o do ponto de vista de impacto social e ambiental n\u00e3o houve preju\u00edzo. E do ponto de vista de emprego, houve impacto positivo e gera\u00e7\u00e3o de tributos. A nossa tinta \u00e9 completamente amig\u00e1vel ao ambiente, feita \u00e0 base de \u00e1gua. Os cartuchos s\u00e3o feitos de material reciclado. A gente retira garrafa pet do meio ambiente a uma taxa de um milh\u00e3o de garrafas por dia para poder produzir cartucho.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o gera impacto se n\u00e3o for necess\u00e1rio abrir novas \u00e1reas de floresta para colocar floresta plantada, n\u00e3o usar agrot\u00f3xicos na planta\u00e7\u00e3o dos eucaliptos e nem gerar emiss\u00f5es de carbono na produ\u00e7\u00e3o e transporte dos produtos\u2026<\/strong><\/p>\n<p>PC: O que o Claudio quer dizer \u00e9 que se criou um estigma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 impress\u00e3o, segundo o qual imprimir contribui para o desmatamento. Na verdade, n\u00e3o, veja o Brasil. As \u00e1reas de florestas de celulose est\u00e3o em \u00e1reas que j\u00e1 foram desmatadas desde a \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o \u00e1reas que est\u00e3o sendo recuperadas do ponto de vista ambiental, mas n\u00e3o s\u00e3o \u00e1reas que sofrem com o desmatamento, como na Amaz\u00f4nia no caso da soja, do gado e de outras atividades.<\/p>\n<p>Inclusive, sobre isso, estamos trabalhando em parceria com a Conserva\u00e7\u00e3o Internacional desde 2017 e queremos implementar um projeto mais robusto de ajudar a CI em um trabalho de preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, que eles j\u00e1 desenvolvem h\u00e1 v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p><strong>Mas o que isto tem a ver com o neg\u00f3cio da empresa?<\/strong><\/p>\n<p>CR: Tem a ver com o conceito que come\u00e7aremos a divulgar agora, de impress\u00e3o positiva. Significa que, al\u00e9m de tratar dos impactos ambientais inerentes ao processo de impress\u00e3o, queremos gerar impacto positivo, ajudando a preservar.<\/p>\n<p>Vamos fazer al\u00e9m de uma doa\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 trabalhar para algo do tipo \u201cao comprar o seu cartucho voc\u00ea est\u00e1 contribuindo para a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia\u201d. Queremos atrelar uma mensagem e fazer uma campanha. Isso ainda n\u00e3o est\u00e1 desenhado e ainda n\u00e3o est\u00e1 sendo divulgado.<\/p>\n<p><strong>Uma parte da renda da venda vai para o projeto?<\/strong><\/p>\n<p>CR: Sim, um cartucho, uma muda, \u00e9 o que estamos desenhando.<\/p>\n<p>PC: A Conserva\u00e7\u00e3o tem um trabalho na Bacia do Tapaj\u00f3s e em outras regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia onde faz manuten\u00e7\u00e3o da floresta, extrativismo sustent\u00e1vel e plantio mesmo em outras \u00e1reas onde est\u00e1 ocorrendo o desmatamento. Ent\u00e3o eles t\u00eam um trabalho que eu considero bastante importante na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o seria uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>greenwashing<\/em>, uma vez que n\u00e3o est\u00e1 atrelado ao neg\u00f3cio? Pode soar como \u201cEu causo um impacto aqui, mas fa\u00e7o uma compensa\u00e7\u00e3o ali\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>PC: N\u00e3o \u00e9 uma compensa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um projeto de ajuda. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea a HP fazendo publicidade como as outras companhias fazem. Somos bastante conservadores com o que publicamos na imprensa. Ali\u00e1s, fazemos muito mais do que divulgamos. Queremos ir al\u00e9m.<\/p>\n<p>CR: Na verdade, j\u00e1 fazemos mais do que todo mundo. Talvez quem n\u00e3o fizesse absolutamente nada, se tivesse um projeto com este, poderia-se dizer que \u00e9\u00a0<em>greenwashing<\/em>.<\/p>\n<p>PC: A conversa que a CI tem tido com a gente \u00e9: \u201cPrecisamos do apoio do setor privado para garantir que as nossas florestas se mantenham de p\u00e9. O setor privado precisa se unir com a sociedade civil para ajudar a manter um patrim\u00f4nio que \u00e9 mundial\u201d. \u00c9 nesse sentido que temos tido essas discuss\u00f5es. Como isso se conecta com a impress\u00e3o? Eu acho que \u00e9 um pouco desmitificar esse estigma da impress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Por que a HP usa a vertente de<\/strong>\u00a0<strong>economia circular e n\u00e3o de Avalia\u00e7\u00e3o de Ciclo de Vida (ACV)? Pela ACV, \u00e9 preciso calcular se voc\u00ea causa de fato menos impacto ao reciclar. Dependendo das condi\u00e7\u00f5es e dos aspectos analisados, pode ser que n\u00e3o, que o impacto de reciclar seja maior [<em>saiba mais\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/iBtPCwbahMI\">neste v\u00eddeo<\/a>explicativo<\/em>].<\/strong><\/p>\n<p>PC: S\u00e3o vertentes complementares, n\u00e3o s\u00e3o contradit\u00f3rias. N\u00f3s fazemos ACV dos produtos e embutimos essa vis\u00e3o na economia circular. E economia circular n\u00e3o existe sem voc\u00ea considerar o ciclo de vida todo do produto porque o que a gente quer \u00e9 justamente dar mais longevidade \u00e0 vida \u00fatil do produto. Considerar no momento de desenhar, projetar aquele produto no\u00a0<em>design<\/em>, que ele seja repar\u00e1vel, facilmente recicl\u00e1vel. Ent\u00e3o eu vejo como vis\u00f5es que est\u00e3o integradas. Avaliamos, a cada mudan\u00e7a na forma de embalar ou de produzir, qual tem mais efici\u00eancia do ponto de vista do ciclo de vida do produto. Estas compara\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas e substanciadas para a gente tomar a decis\u00e3o para ir para um lado ou para o outro.<\/p>\n<p><strong>Quem faz estes c\u00e1lculos?<\/strong><\/p>\n<p>PC: Temos um time. S\u00e3o 300 pessoas na \u00e1rea de sustentabilidade na HP no mundo.<\/p>\n<p><strong>E no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>PC: No Brasil somos cinco\u00a0<em>full time\u00a0<\/em>[trabalhando em tempo integral]. \u00c9 raro voc\u00ea ter no Brasil cinco pessoas dedicadas s\u00f3 a sustentabilidade. \u00c9 um time ser\u00edssimo e comprometido com programas bastante estruturados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes mesmo de o Brasil instituir uma lei para lidar com os res\u00edduos do setor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Antes mesmo de o Brasil instituir uma lei para lidar com os res\u00edduos do setor","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108964"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}