{"id":10895,"date":"2014-11-21T19:00:27","date_gmt":"2014-11-21T19:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10895"},"modified":"2014-11-21T14:54:31","modified_gmt":"2014-11-21T14:54:31","slug":"estudo-realizado-pela-fiocruz-alerta-que-controle-da-dengue-precisa-ser-revisto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-realizado-pela-fiocruz-alerta-que-controle-da-dengue-precisa-ser-revisto\/","title":{"rendered":"Estudo realizado pela Fiocruz alerta que controle da dengue precisa ser revisto"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-10896\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Com o ver\u00e3o, pancadas de chuva e alta temperatura s\u00e3o motivos conhecidos para redobrar a aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dengue, principalmente diante dos novos dados do Levantamento R\u00e1pido do \u00cdndice de Infesta\u00e7\u00e3o pelo Aedes aegypti (LIRAa) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que revelaram que 135 munic\u00edpios brasileiros est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de risco para a ocorr\u00eancia de epidemias da doen\u00e7a. No entanto, um estudo realizado pela Fiocruz e publicado no Boletim da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) alertou para a necessidade de mudan\u00e7a nas estrat\u00e9gias de controle da dengue.<\/p>\n<p>O artigo apontou que as medidas recomendadas pelo Programa Nacional de Controle da Dengue n\u00e3o foram suficientes para conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus tipo 4, detectado na cidade de Boa Vista, em Roraima, em 2010.<\/p>\n<p>&#8211; Analisamos uma situa\u00e7\u00e3o em que todas as a\u00e7\u00f5es foram realizadas de acordo com o protocolo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que segue as recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Panamericana de Sa\u00fade (Opas) e da OMS. Mesmo assim, o impacto sobre a infesta\u00e7\u00e3o de mosquitos Aedes aegypti foi pequeno &#8211; afirma Denise Valle, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular de Flaviv\u00edrus da Fiocruz e uma das autoras do trabalho. &#8211; Esse \u00e9 um exemplo contundente de que \u00e9 preciso refletir sobre quais s\u00e3o as melhores pr\u00e1ticas de controle.<\/p>\n<p>O grande perigo da dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus tipo 4 era, segundo Valle, que, na \u00e9poca do estudo, j\u00e1 circulavam os tr\u00eas sorotipos do v\u00edrus da dengue no Brasil. Todos causam a mesma doen\u00e7a, mas s\u00e3o percebidos de forma diferente pelo sistema imune. Assim, quando uma pessoa \u00e9 infectada por um deles, fica protegida em futuros contatos com aquele mesmo sorotipo. No entanto, a mesma ainda pode ter dengue, caso seja infectada por outro sorotipo. Nesse contexto, se o o sorotipo 4 se espalhasse, toda a popula\u00e7\u00e3o do Brasil estaria suscet\u00edvel e uma grande epidemia poderia ocorrer, colocou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Vistorias para eliminar criadouros das formas imaturas do inseto foram realizadas em todas as casas de 22 dos 31 distritos da cidade, recobrindo uma \u00e1rea onde est\u00e3o concentrados 75% da popula\u00e7\u00e3o. Ao todo, 56.837 im\u00f3veis foram inspecionados por agentes de sa\u00fade. Os profissionais removeram objetos que poderiam acumular \u00e1gua e aplicaram larvicidas, produtos qu\u00edmicos para matar as larvas do mosquito nos reservat\u00f3rios que n\u00e3o poderiam ser eliminados. O trabalho foi acompanhado, ainda, pelo uso de carros para pulverizar inseticida nas ruas, com o objetivo de matar os mosquitos adultos. Mesmo com todos esfor\u00e7os, o \u00edndice de infesta\u00e7\u00e3o calculado pelo LIRAa caiu apenas 0,33 pontos percentuais, de 1,7% para 1,37%, permanecendo acima do 1% considerado perigoso pela OMS.<\/p>\n<p>A principal mudan\u00e7a ap\u00f3s as a\u00e7\u00f5es foi, portanto, negativa: o aumento da resist\u00eancia dos mosquitos aos inseticidas, conforme observaram os pesquisadores. A chamada \u201craz\u00e3o de resist\u00eancia\u201d dobrou ap\u00f3s tr\u00eas meses e triplicou ap\u00f3s seis meses. Assim, um semestre ap\u00f3s as a\u00e7\u00f5es de combate ao mosquito terem sido intensificadas, seria necess\u00e1rio usar uma concentra\u00e7\u00e3o de inseticida tr\u00eas vezes maior para matar a mesma quantidade de mosquitos.<\/p>\n<p>&#8211; Isso ocorreu por muitas quest\u00f5es. Uma \u00e9 que tem muita confus\u00e3o do controle do vetor e o controle qu\u00edmico do vetor. O controle do vetor \u00e9 diminuir a quantidade do mosquito e o meio mais eficaz \u00e9 o controle mec\u00e2nico, ou seja, simplesmente eliminar as fontes que podem servir de criadouros, n\u00e3o dando a chance de virar adulto. J\u00e1 o controle qu\u00edmico \u00e9 feito pelo uso de inseticida e d\u00e1 a falsa sensa\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o, eliminando somente aqueles que n\u00e3o t\u00eam resist\u00eancia e criando vantagem para os que t\u00eam &#8211; explica e complementa que \u00e9 \u201cmuito mais dif\u00edcil cuidar do adulto do que da larva, que est\u00e1 circunscrita em um determinado espa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>Menos de um ano ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o em Boa Vista, j\u00e1 havia registro de casos do sorotipo 4 em nove estados e, em 2012, alcan\u00e7ou 22 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. No ver\u00e3o de 2013, este foi o v\u00edrus mais frequente no pa\u00eds, causando epidemias em diversas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Valle, o mais importante \u00e9 que haja uma mudan\u00e7a de conduta, ou seja, \u00e9 preciso tirar a responsabilidade do inseticida e apostar mais no controle do vetor. Al\u00e9m disso, a pesquisadora sugere que se compartilhe o compromisso do agente de sa\u00fade com a sociedade toda.<\/p>\n<p>&#8211; Assim como escovamos os dentes todo dia e n\u00e3o s\u00f3 quando temos c\u00e1rie, temos que fazer a preven\u00e7\u00e3o do mosquito semanalmente. De ovo para adulto leva de sete a dez dias, se cada um fizer sua parte podemos diminuir o n\u00famero de criadouros da larva &#8211; conclui.<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o crescente \u00e9 o v\u00edrus chikungunya, transmitido pelo Aedes aegypti e pelo Aedes albopictus. At\u00e9 o dia 25 de outubro, 828 casos de infec\u00e7\u00e3o foram registrados no Brasil &#8211; desses, 299 s\u00e3o casos aut\u00f3ctones.<\/p>\n<p>Mesmo Pernambuco n\u00e3o tendo registrado nenhum caso em solo de transmiss\u00e3o do v\u00edrus, o Estado confirmou dois pacientes com a doen\u00e7a. Para conter a transmiss\u00e3o e atender aos pacientes infectados pelo chikungunya e pela dengue, a Secretaria Estadual de Sa\u00fade (SES) elaborou o Plano de Conting\u00eancia da Chikungunya e da Dengue 2015, lan\u00e7ado ontem. Ao todo, ser\u00e3o investidos mais de R$ 6,6 milh\u00f5es na compra de materiais, insumos e na capacita\u00e7\u00e3o de 5,1 mil profissionais.<\/p>\n<p>&#8211; Os casos suspeitos de febre chikungunya s\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o imediata, que deve ser feita pelo munic\u00edpio ao Estado em at\u00e9 24 horas a partir da suspeita inicial. Al\u00e9m de prestar a assist\u00eancia necess\u00e1ria ao paciente, o munic\u00edpio dever\u00e1 realizar o bloqueio de transmiss\u00e3o de novos casos, por meio de tratamento focal com larvicidas e perifocal com bombas costais, iniciando no quarteir\u00e3o de ocorr\u00eancia do caso e continuando nos quarteir\u00f5es adjacentes num raio de 300 metros &#8211; afirma a coordenadora do Programa de Controle da Dengue e da Febre Chikungunya, Claudenice Pontes<\/p>\n<p>O Plano de Conting\u00eancia est\u00e1 focado em quatro eixos: vigil\u00e2ncia dos casos e controle do vetor; assist\u00eancia ao paciente; comunica\u00e7\u00e3o social, para ampla divulga\u00e7\u00e3o sobre as doen\u00e7as; e gest\u00e3o integrada do plano, para monitoramento de todas as a\u00e7\u00f5es estaduais e municipais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o ver\u00e3o, pancadas de chuva e alta temperatura s\u00e3o motivos conhecidos para redobrar a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10896,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/dengue_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com o ver\u00e3o, pancadas de chuva e alta temperatura s\u00e3o motivos conhecidos para redobrar a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10895"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10895\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}