{"id":108852,"date":"2019-07-04T13:00:10","date_gmt":"2019-07-04T16:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108852"},"modified":"2019-07-03T21:46:56","modified_gmt":"2019-07-04T00:46:56","slug":"raio-x-para-a-preservacao-das-florestas-tropicais-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/raio-x-para-a-preservacao-das-florestas-tropicais-do-planeta\/","title":{"rendered":"Raio X para a preserva\u00e7\u00e3o das florestas tropicais do planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-108854\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Grupo de pesquisadores de 14 institui\u00e7\u00f5es do Brasil, Alemanha, Argentina, Estados Unidos e da Austr\u00e1lia apontam em novo estudo quais s\u00e3o os\u00a0<em>hotspots<\/em>\u00a0de restaura\u00e7\u00e3o em cinco continentes, onde as florestas revitalizadas proporcionariam os maiores custos-benef\u00edcios em termos de pol\u00edticas para a captura de carbono atmosf\u00e9rico, garantia da qualidade das \u00e1guas e preserva\u00e7\u00e3o da vida selvagem.<\/p>\n<p>\u201cRestaurar as florestas tropicais \u00e9 fundamental para a sa\u00fade do planeta, agora e para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es\u201d afirma o l\u00edder da pesquisa, o ec\u00f3logo brasileiro Pedro Henrique Santin Brancalion, da Escola Superior de Agricultura &#8220;Luiz de Queiroz&#8221; (ESALQ), da Universidade de S\u00e3o Paulo, em Piracicaba (SP). \u201cEste \u00e9 o artigo mais importante da minha carreira.\u201d<\/p>\n<p>O estudo \u201c<em>Global restoration opportunities in tropical rainforest landscapes\u201d<\/em>, publicado hoje na conceituad\u00edssima publica\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>Science Advances<\/strong>, da Science, um grupo de 14 pesquisadores identificou mais de 100 milh\u00f5es de hectares de florestas tropicais de baixa altitude espalhadas pela Am\u00e9rica Central e do Sul, \u00c1frica e Sudeste da \u00c1sia, e que apresentam as oportunidades mais atraentes de restaura\u00e7\u00e3o para superar o aumento global de temperaturas, polui\u00e7\u00e3o e escassez de \u00e1gua, e a extin\u00e7\u00e3o da vida vegetal e animal. Brasil, Indon\u00e9sia, Madagascar, \u00cdndia e Col\u00f4mbia t\u00eam a maior \u00e1rea acumulada ideal para restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNosso estudo \u00e9 o primeiro a determinar quais s\u00e3o aquelas regi\u00f5es do planeta onde a restaura\u00e7\u00e3o de florestas \u00e9 mais vi\u00e1vel em termos econ\u00f4micos, e onde seus resultados ser\u00e3o mais duradouros e ben\u00e9ficos. Restaurar as florestas tropicais do planeta \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o\u00a0<em>\u2013<\/em>\u00a0e \u00e9 fact\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>Os autores usaram imagens de sat\u00e9lite de alta resolu\u00e7\u00e3o e as mais recentes pesquisas sobre os quatro benef\u00edcios florestais (biodiversidade, mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seguran\u00e7a h\u00eddrica) e os tr\u00eas aspectos do esfor\u00e7o de restaura\u00e7\u00e3o (custo, risco de investimento e a probabilidade de florestas restauradas sobreviverem no futuro) para avaliar todas as terras tropicais do planeta em blocos de 1 quil\u00f4metro quadrado que retiveram menos de 90% de sua cobertura florestal.<\/p>\n<div id=\"attachment_69667\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-69667\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mata-com-fileiras-de-mudas.-Foto-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mata-com-fileiras-de-mudas.-Foto-2.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mata-com-fileiras-de-mudas.-Foto-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mata-com-fileiras-de-mudas.-Foto-2-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" aria-describedby=\"caption-attachment-69667\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69667\" class=\"wp-caption-text\">Mata com fileiras de mudas. Foto: Pedro Brancalion.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cO estudo identificou os\u00a0<em>hotspots<\/em>\u00a0ideais para restaura\u00e7\u00e3o florestal como sendo aquelas que obtiveram as pontua\u00e7\u00f5es mais elevadas, o que significa que restaurar tais \u00e1reas atingiram os maiores benef\u00edcios em termos ambientais, e ao mesmo tempo envolveria os projetos menos dispendiosos e menos arriscados em termos de sucesso de preserva\u00e7\u00e3o no longo prazo,\u201d diz Brancalion.<\/p>\n<p>Os 15 principais pa\u00edses com os maiores\u00a0<em>hotspots<\/em>\u00a0de restaura\u00e7\u00e3o foram encontrados em todos os biomas ou zonas florestais tropicais. H\u00e1 tr\u00eas pa\u00edses nas regi\u00f5es tropicais das Am\u00e9ricas, cinco na \u00c1frica e sete no sudeste asi\u00e1tico e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Austral%C3%A1sia\" rel=\"noopener noreferrer\">Austral\u00e1sia<\/a>.<\/p>\n<p>Os cinco pa\u00edses det\u00eam os maiores\u00a0<em>hotspots<\/em>\u00a0(por \u00e1rea) identificados como ideais para restaura\u00e7\u00e3o florestal. S\u00e3o eles o Brasil, a Indon\u00e9sia, a \u00cdndia, Madagascar e a Col\u00f4mbia. J\u00e1 os seis pa\u00edses com maior pontua\u00e7\u00e3o individual na pesquisa ficam todos na \u00c1frica: Ruanda, Uganda, Burundi, Togo, Sud\u00e3o do Sul e Madagascar.<\/p>\n<p>&#8220;Ficamos surpresos ao encontrar tal concentra\u00e7\u00e3o de pa\u00edses altamente classificados em um \u00fanico continente. O estudo realmente destaca o alto potencial para resultados bem-sucedidos de restaura\u00e7\u00e3o de florestas tropicais nesses pa\u00edses africanos,&#8221; diz Robin Chazdon, a coautora do trabalho e pesquisadora do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Cerca de 87% dos\u00a0<em>hotspots<\/em>\u00a0para restaura\u00e7\u00e3o foram encontrados dentro de regi\u00f5es priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, quais sejam, \u00e1reas que mant\u00eam altas concentra\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies n\u00e3o encontradas em nenhum outro lugar, mas apresentam alto risco de desmatamento.<\/p>\n<p>73% dos locais de restaura\u00e7\u00e3o foram encontrados em pa\u00edses que fizeram compromissos de restaura\u00e7\u00e3o como parte do Desafio de Bonn, uma iniciativa lan\u00e7ada em 2011 pelo governo da Alemanha e pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) para restaurar 150 milh\u00f5es de hectares de terras desmatadas e degradadas at\u00e9 2020 e 350 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030.<\/p>\n<div id=\"attachment_69666\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-69666\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan%C3%A7a.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan\u00e7a.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan\u00e7a-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Parte-do-trabalho-de-reflorestamento.-Foto-Daniele-Bragan\u00e7a-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" aria-describedby=\"caption-attachment-69666\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69666\" class=\"wp-caption-text\">Reflorestamento. no morro da Babil\u00f4nia, no Rio de Janeiro. Foto: Daniele Bragan\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;\u00c9 encorajador que tantos pontos estejam localizados em pa\u00edses onde a restaura\u00e7\u00e3o de florestas e paisagens j\u00e1 \u00e9 uma prioridade&#8221;, observa Brancalion.<\/p>\n<p>Na maioria dos casos, os\u00a0<em>hotspots<\/em>\u00a0de restaura\u00e7\u00e3o se sobrep\u00f5em aos campos e pastagens atualmente em uso pelos agricultores. Como resultado, o estudo mostra que a restaura\u00e7\u00e3o de florestas \u00e9 mais vi\u00e1vel em terras de baixo valor para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Alternativamente, os pesquisadores argumentam que a restaura\u00e7\u00e3o pode ser associada a formas de produ\u00e7\u00e3o geradoras de renda, por exemplo, enriquecendo pastagens com \u00e1rvores, colhendo produtos de origem florestal, ou cultivando caf\u00e9 ou cacau sob um dossel florestal. Quaisquer decis\u00f5es sobre mudan\u00e7as no uso da terra devem envolver totalmente as comunidades locais, uma vez que a restaura\u00e7\u00e3o deve complementar ao inv\u00e9s de competir com a seguran\u00e7a alimentar e os direitos \u00e0 terra.<\/p>\n<p>\u201cA restaura\u00e7\u00e3o envolve muito mais do que simplesmente plantar \u00e1rvores. Ela come\u00e7a com a necessidade de acordos mutuamente ben\u00e9ficos com aqueles que atualmente usam a terra,\u201d diz Chazdon.<\/p>\n<p>\u201cPromessas e acordos como o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bonnchallenge.org\/content\/challenge\" rel=\"noopener noreferrer\">Desafio de Bonn<\/a>\u00a0lan\u00e7ado em 2011 e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.forestdeclaration.org\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Avan%C3%A7os_da_Declara%C3%A7%C3%A3o_de_Nova_Iorque_sobre_Florestas-Sum%C3%A1rio_Executivo-PO.pdf\" rel=\"noopener noreferrer\">Declara\u00e7\u00e3o de Nova York sobre Florestas<\/a>, de 2015, mostram que h\u00e1 vontade de restaurar e proteger as florestas,\u201d diz Brancalion.<\/p>\n<p>\u201cCom a ferramenta que desenvolvemos, pa\u00edses, empresas e outros atores que se comprometeram a restaurar as florestas, t\u00eam as informa\u00e7\u00f5es precisas de que precisam para arrega\u00e7ar as mangas e mergulhar no dif\u00edcil trabalho de trazer nossas florestas de volta, antes que seja tarde demais.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo de pesquisadores de 14 institui\u00e7\u00f5es do Brasil, Alemanha, Argentina, Estados Unidos e da Austr\u00e1lia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108854,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mudas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Grupo de pesquisadores de 14 institui\u00e7\u00f5es do Brasil, Alemanha, Argentina, Estados Unidos e da Austr\u00e1lia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108852"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108852\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}