{"id":108792,"date":"2019-07-03T12:00:14","date_gmt":"2019-07-03T15:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108792"},"modified":"2019-07-02T20:18:38","modified_gmt":"2019-07-02T23:18:38","slug":"anfibios-infectados-por-ranavirus-sao-detectados-na-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/anfibios-infectados-por-ranavirus-sao-detectados-na-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Anf\u00edbios infectados por ranav\u00edrus s\u00e3o detectados na Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-108793\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Descoberta causa preocupa\u00e7\u00e3o pois o v\u00edrus, j\u00e1 detectado na natureza em outras partes do mundo, est\u00e1 associado a decl\u00ednios de popula\u00e7\u00f5es de anf\u00edbios \u2013 o grupo de vertebrados mais amea\u00e7ado do planeta<\/p>\n<p>Em duas lagoas na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, pesquisadores encontraram r\u00e3s, sapos e pererecas com sinais claros de infec\u00e7\u00e3o por ranav\u00edrus. O pat\u00f3geno, que pode ser letal para esses animais, mas n\u00e3o afeta humanos, provoca ulcera\u00e7\u00f5es na pele, edemas e hemorragia interna.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da cena de exterm\u00ednio dos animais, o epis\u00f3dio ocorrido em novembro de 2017 revelava algo in\u00e9dito: a detec\u00e7\u00e3o de anf\u00edbios infectados por ranav\u00edrus na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>\u201cA descoberta causa preocupa\u00e7\u00e3o, pois pela primeira vez no Brasil foram identificadas a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o desse v\u00edrus na natureza. Houve relatos de epidemias em 2006 e 2009, por\u00e9m, elas ocorreram em ran\u00e1rios, portanto em cativeiro. O v\u00edrus, j\u00e1 detectado na natureza em outras partes do mundo, est\u00e1 associado a decl\u00ednios de popula\u00e7\u00f5es de anf\u00edbios \u2013 o grupo de vertebrados mais amea\u00e7ado do planeta\u201d, disse\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/692237\/joice-ruggeri-gomes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Joice Ruggeri<\/a><\/b>, pesquisadora do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e primeira autora do artigo publicado no\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.jwildlifedis.org\/doi\/pdf\/10.7589\/2018-09-224\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Journal of Wildlife Diseases<\/i><\/a><\/b>.<\/p>\n<p>A descoberta \u00e9 fruto da pesquisa de p\u00f3s-doutorado de Ruggeri,\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/171432\/interacao-entre-o-batrachochytrium-dendrobatidis-e-o-ranavirus-em-assembleias-de-anuros-do-sul-da-ma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoiada pela FAPESP<\/a><\/b>. O objetivo do projeto foi identificar a din\u00e2mica desse v\u00edrus em diferentes esp\u00e9cies de anuros e sua intera\u00e7\u00e3o com outros pat\u00f3genos, bem como poss\u00edveis desequil\u00edbrios ou amea\u00e7as na Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Para isso, a pesquisadora coletou esp\u00e9cimes de anuros na natureza, desde o Rio de Janeiro at\u00e9 o Rio Grande do Sul. As lagoas em Passo Fundo, com os animais infectados por ranav\u00edrus, estavam entre os pontos de coleta.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos esses lagos com muitos girinos e peixes mortos. Era um cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o. Agora estamos analisando todos os dados coletados, o que deve nos dar respostas interessantes sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os diferentes pat\u00f3genos que amea\u00e7am as popula\u00e7\u00f5es de anuros na Mata Atl\u00e2ntica\u201d, disse a pesquisadora \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies invasoras e nativas. No artigo, pesquisadores relatam ter encontrado tanto girinos de esp\u00e9cies nativas quanto da invasora r\u00e3-touro (<i>Lithobates catesbeianus<\/i>) infectados pelo v\u00edrus. A r\u00e3-touro geralmente \u00e9 tolerante ao ranav\u00edrus, podendo atuar como vetor do pat\u00f3geno, o que refor\u00e7a a hip\u00f3tese, ainda n\u00e3o confirmada, de que as esp\u00e9cies invasoras estariam infectando as nativas.<\/p>\n<p><b>O peso das esp\u00e9cies invasoras<\/b><\/p>\n<p>A r\u00e3-touro, origin\u00e1ria da Am\u00e9rica do Norte, \u00e9 a principal esp\u00e9cie de anuro criada para o consumo humano. No Brasil, o segundo maior produtor de r\u00e3s do mundo, os ran\u00e1rios est\u00e3o instalados sobretudo na regi\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica que vai do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, a mesma em que os pesquisadores fizeram as coletas.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma atividade econ\u00f4mica que oscila muito. Desde 1990, v\u00e1rios ran\u00e1rios v\u00eam sendo abandonados, o que resultou em diversos animais sendo liberados para a natureza\u201d, disse<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2954\/luis-felipe-de-toledo-ramos-pereira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lu\u00eds Felipe de Toledo<\/a><\/b>, professor do IB-Unicamp e coautor do artigo.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses dos pesquisadores \u00e9 que o v\u00edrus poderia ter se disseminado pela Mata Atl\u00e2ntica a partir dos ran\u00e1rios. \u201cSabemos que muitas dessas r\u00e3s escapam do cativeiro, podendo levar o v\u00edrus para a natureza. Mas ainda n\u00e3o sabemos ao certo se elas t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus detectado nos anuros nativos do Brasil\u201d, disse Ruggeri.<\/p>\n<p><b>Dupla amea\u00e7a<\/b><\/p>\n<p>As descobertas n\u00e3o param por a\u00ed. Duas r\u00e3s-touro estudadas apresentavam coinfec\u00e7\u00e3o por ranav\u00edrus e pelo fungo\u00a0<i>Batrachochytrium dendrobatidis<\/i>, causador da quitridiomicose e respons\u00e1vel pela maior perda de biodiversidade atribu\u00edvel a um \u00fanico pat\u00f3geno em toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em artigo\u00a0<b><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/fungo-dizimou-populacoes-de-501-especies-de-anfibios-no-mundo\/30128\/\">publicado na revista\u00a0<i>Science<\/i><\/a><\/b>, em mar\u00e7o de 2019, pesquisadores de 16 pa\u00edses \u2013 entre eles Toledo \u2013 revelaram que o fungo provocou, nos \u00faltimos 50 anos, decl\u00ednio nas popula\u00e7\u00f5es de pelo menos 501 esp\u00e9cies de anf\u00edbios.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mais uma amea\u00e7a a esses animais. J\u00e1 se relacionou o fungo com extin\u00e7\u00f5es de anf\u00edbios aqui no Brasil. Agora que encontramos casos de infec\u00e7\u00e3o pelo ranav\u00edrus questionamos: ser\u00e1 que ele tamb\u00e9m n\u00e3o causou algum decl\u00ednio ou extin\u00e7\u00e3o?\u201d, disse Toledo.<\/p>\n<p>Tanto o fungo quanto o v\u00edrus s\u00e3o transmitidos pela \u00e1gua ou pelo contato direto entre os indiv\u00edduos, o que torna a dispers\u00e3o desses microrganismos extremamente eficaz. Enquanto o fungo compromete o equil\u00edbrio eletrol\u00edtico dos animais, que morrem por parada card\u00edaca, o v\u00edrus pode causar morte celular em m\u00faltiplos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cAo ser infectado pelos dois pat\u00f3genos, o anf\u00edbio torna-se ainda mais vulner\u00e1vel. Por\u00e9m, ainda n\u00e3o sabemos as consequ\u00eancias dessa coinfec\u00e7\u00e3o\u201d, disse Ruggeri.<\/p>\n<p>Com a an\u00e1lise dos dados coletados, os pesquisadores v\u00e3o investigar as estirpes do v\u00edrus encontrado no Sul do Brasil. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que a linhagem do v\u00edrus seja brasileira. Vamos pesquisar tamb\u00e9m se a linhagem identificada na natureza \u00e9 a mesma encontrada nos ran\u00e1rios. A descoberta abre v\u00e1rias linhas de pesquisa\u201d, disse Toledo.<\/p>\n<p><b>Matan\u00e7a de animais<\/b><\/p>\n<p>Em uma das lagoas em que n\u00e3o havia girinos de r\u00e3s-touro, os girinos de anuros nativos que viviam por l\u00e1 apresentavam n\u00edveis baixos do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Na outra lagoa, foram encontrados mais de 20 girinos de r\u00e3s-touro mortos e nenhuma esp\u00e9cie nativa de anuro. Todos os animais ali apresentavam les\u00f5es severas na pele e a presen\u00e7a de ranav\u00edrus. Os \u00fanicos dois girinos encontrados vivos na lagoa tinham \u00edndices baixos de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fungo foi detectado em sete de 19 amostras de girinos mortos, incluindo os nativos e esp\u00e9cies invasoras (amostras coletadas nas duas lagoas). Por\u00e9m, a carga de infec\u00e7\u00e3o por quitr\u00eddio era baixa, o que fez com que os pesquisadores descartassem a quitridiomicose como causa potencial de morte de anuros nessa lagoa.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, apesar de as r\u00e3s-touro serem geralmente tolerantes ao ranav\u00edrus, foram detectadas altas cargas do pat\u00f3geno no sangue dos animais e claros sinais cl\u00ednicos de doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>First Case of Wild Amphibians Infected with Ranavirus in Brazil\u00a0<\/i>(doi: 10.1038\/s41467-019-08909-4), de Joice Ruggeri, Luisa P. Ribeiro, Mariana R. Pontes, Carlos Toffolo, Marcelo Candido, Mateus M. Carriero, Noeli Zanella, Ricardo L. M. Sousa e Lu\u00eds Felipe Toledo, pode ser lido em<b><a href=\"https:\/\/www.jwildlifedis.org\/doi\/pdf\/10.7589\/2018-09-224\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.jwildlifedis.org\/doi\/pdf\/10.7589\/2018-09-224\u00a0<\/a><\/b>.<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a>\u00a0de acordo com a\u00a0<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/anfibios-infectados-por-ranavirus-sao-detectados-na-mata-atlantica\/30610\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descoberta causa preocupa\u00e7\u00e3o pois o v\u00edrus, j\u00e1 detectado na natureza em outras partes do mundo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108793,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sapo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Descoberta causa preocupa\u00e7\u00e3o pois o v\u00edrus, j\u00e1 detectado na natureza em outras partes do mundo,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108792"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108792\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}