{"id":108735,"date":"2019-07-02T12:00:42","date_gmt":"2019-07-02T15:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108735"},"modified":"2019-07-02T08:11:05","modified_gmt":"2019-07-02T11:11:05","slug":"aquecimento-e-desmate-poderao-cortar-amazonia-ao-meio-em-2050","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aquecimento-e-desmate-poderao-cortar-amazonia-ao-meio-em-2050\/","title":{"rendered":"Aquecimento e desmate poder\u00e3o cortar Amaz\u00f4nia ao meio em 2050"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-108736\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Novo estudo sugere que efeitos combinados reduziriam a riqueza de esp\u00e9cies em at\u00e9 58% e criariam \u201cduas Amaz\u00f4nias\u201d, com por\u00e7\u00e3o fragmentada no sudeste<\/em><\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre desmatamento e mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode reconfigurar radicalmente o mapa da Amaz\u00f4nia em 2050, informa o Observat\u00f3rio do Clima (rede de 37 entidades da sociedade civil brasileira formada com o objetivo de discutir as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no contexto do nosso pa\u00eds).<\/p>\n<p>Um estudo publicado em 24 de junho no peri\u00f3dico \u201cNature Climate Change\u201d por pesquisadores do Brasil e da Holanda indica que esses dois fatores podem cortar a maior floresta tropical do mundo ao meio, com uma imensa por\u00e7\u00e3o a sudeste reduzida a fragmentos. A riqueza total de esp\u00e9cies de \u00e1rvore pode cair 58%, com quase metade delas sob algum grau de amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado sinistro vem de uma an\u00e1lise da distribui\u00e7\u00e3o atual de mais de 10 mil esp\u00e9cies arb\u00f3reas, cruzada com modelos de proje\u00e7\u00e3o de desmatamento e com dois cen\u00e1rios dos modelos clim\u00e1ticos do IPCC, o painel do clima da ONU.<\/p>\n<p>O grupo liderado pelo cientista ambiental V\u00edtor Gomes, da Universidade Federal do Par\u00e1, mostrou que, embora seja hoje a maior causa da perda de habitat na Amaz\u00f4nia, nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas o desmatamento dever\u00e1 ser suplantado pela crise do clima. No meio deste s\u00e9culo, motosserras e tratores poder\u00e3o acarretar perdas de 19% (no melhor cen\u00e1rio) a 36% (no pior) na riqueza de esp\u00e9cies da Amaz\u00f4nia, enquanto a mudan\u00e7a clim\u00e1tica causaria redu\u00e7\u00f5es de 31% a 37%. \u201cO resultado nos surpreendeu\u201d, disse Gomes ao Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o generalizada<\/strong><\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para isso reside na ubiquidade do clima. \u201cO desmatamento est\u00e1 concentrado em determinadas faixas e seu impacto no oeste e no norte da Amaz\u00f4nia \u00e9 menor\u201d, afirmou o cientista. \u201cO clima, por outro lado, age em toda a floresta, alterando a precipita\u00e7\u00e3o e a temperatura.\u201d<\/p>\n<p>Quando isso acontece, a \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o ideal de uma esp\u00e9cie muda. Em geral, as criaturas impactadas pelo clima migram em busca de locais mais adequados. No caso da Amaz\u00f4nia, os climas mais adequados daqui a 35 ou 40 anos poder\u00e3o estar a mais de 300 km das zonas de distribui\u00e7\u00e3o atuais das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que \u00e1rvores s\u00e3o lentas para migrar. \u201cA gente sempre brinca que elas n\u00e3o v\u00e3o subir num \u00f4nibus e dizer, \u2018tchau, pessoal, vamos para um lugar melhor\u2019\u201d, diz Gomes. Durante os per\u00edodos secos do Holoceno (per\u00edodo geol\u00f3gico iniciado 12 mil anos atr\u00e1s), comunidades de \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m precisaram migrar. Isso ocorreu a uma taxa de menos de 100 quil\u00f4metros em 3 mil anos. Ou seja, a perspectiva de deslocamento de 300 quil\u00f4metros em 35 ou 40 anos simplesmente n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>J\u00e1 hoje o desmatamento vem causando impactos graves na diversidade de esp\u00e9cies. Estima-se que a Pan-Amaz\u00f4nia (ou seja, o bioma em todos os seus nove pa\u00edses) j\u00e1 tenha perdido 11% de sua cobertura. Isso causou uma redu\u00e7\u00e3o de 7% no habitat das esp\u00e9cies. Para 2050, a proje\u00e7\u00e3o com pol\u00edticas de controle de desmatamento mostra 21% de perda da floresta (e 19% na diversidade); sem controle, isso vai a 40% (e 36% de perda de diversidade).<\/p>\n<p><strong>Perda inevit\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica foram considerados dois cen\u00e1rios: o melhor, o qual o Acordo de Paris \u00e9 cumprido e o mundo esquenta menos de 2 \u00b0C, causa uma perda de 31% na diversidade de esp\u00e9cies na Amaz\u00f4nia; no pior, no qual n\u00e3o se faz nada, esse n\u00famero sobe para 37%.<\/p>\n<p>Quando se somam os dois efeitos, a Amaz\u00f4nia literalmente quebra. Uma linha diagonal de nordeste a sudoeste passa a dividir o bioma a partir do leste do Amap\u00e1. Os maiores remanescentes de floresta permanecer\u00e3o na por\u00e7\u00e3o noroeste (em verde no mapa). Toda a metade sudeste consistir\u00e1 de matas altamente fragmentadas, e o que sobrar estar\u00e1 praticamente confinado a \u00e1reas protegidas e terras ind\u00edgenas. No pior cen\u00e1rio de desmatamento somado com o pior cen\u00e1rio de mudan\u00e7a do clima, a riqueza de esp\u00e9cies declinaria 65% e 22% delas estariam criticamente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ima Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi e coautora do estudo, afirma que a situa\u00e7\u00e3o pode ser ainda pior: o trabalho, afinal, n\u00e3o considera os potenciais efeitos do projeto de lei do Senado 2362\/2019, de autoria de Fl\u00e1vio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Piorar o que j\u00e1 est\u00e1 ruim<\/strong><\/p>\n<p>O texto prop\u00f5e simplesmente o fim da reserva legal nas propriedades rurais, o que autorizaria o desmatamento de 89 milh\u00f5es de hectares na Amaz\u00f4nia. \u201cO valor \u00e9 30 vezes maior do que prev\u00ea o pior cen\u00e1rio de desmatamento usado neste estudo\u201d, afirma. \u201cSe j\u00e1 ficamos assustados com os resultados dessa pesquisa, imaginem o que pode vir pela frente com esse n\u00edvel de retrocesso ambiental?\u201d<\/p>\n<p>Para evitar um desastre maior do que o que o estudo j\u00e1 aponta, afirma a cientista, \u201ca rede de prote\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica deve sempre considerar as \u00e1reas protegidas e as reservas legais, que s\u00e3o complementares na prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d.<\/p>\n<p>As \u00e1reas protegidas, vale lembrar, tamb\u00e9m est\u00e3o sob cerco, com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo-SP), propondo a revis\u00e3o de 334 unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais e considerando reduzir 67 delas alegadamente a pedido do Minist\u00e9rio da Infraestrutura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo estudo sugere que efeitos combinados reduziriam a riqueza de esp\u00e9cies em at\u00e9 58% e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108736,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Novo estudo sugere que efeitos combinados reduziriam a riqueza de esp\u00e9cies em at\u00e9 58% e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108735"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108735\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}