{"id":108708,"date":"2019-07-01T15:48:12","date_gmt":"2019-07-01T18:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108708"},"modified":"2019-07-01T15:48:12","modified_gmt":"2019-07-01T18:48:12","slug":"novo-metodo-acrescenta-um-novo-parametro-e-aumenta-eficiencia-na-selecao-de-gado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/novo-metodo-acrescenta-um-novo-parametro-e-aumenta-eficiencia-na-selecao-de-gado\/","title":{"rendered":"Novo m\u00e9todo acrescenta um novo par\u00e2metro e aumenta efici\u00eancia na sele\u00e7\u00e3o de gado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-108709\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade de Maryland e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), desenvolveu um m\u00e9todo que acrescenta um novo par\u00e2metro na sele\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da variabilidade gen\u00e9tica em uma popula\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p>O estudo, publicado no\u00a0<strong><em><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S002203021930342X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Journal of Dairy Science<\/a><\/em><\/strong>, foi financiado pela FAPESP e pela USDA.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do valor gen\u00e9tico, associado ao potencial de um exemplar produzir leite, gordura e prote\u00edna, entre outros, a nova abordagem considera tamb\u00e9m a chamada vari\u00e2ncia da diversidade gam\u00e9tica. Esse novo par\u00e2metro determina a capacidade de um indiv\u00edduo transmitir suas caracter\u00edsticas \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNem todos os descendentes de animais altamente produtivos herdam essa qualidade. Com o novo m\u00e9todo, conseguimos selecionar aqueles que dar\u00e3o origem a descendentes extremamente produtivos\u201d, disse\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/105268\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Daniel Jordan de Abreu Santos<\/a><\/strong>, que realizou o estudo durante o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/160766\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00f3s-doutorado<\/a><\/strong>\u00a0na Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Veterin\u00e1rias da Universidade Estadual Paulista (FCAV-Unesp), em Jaboticabal.<\/p>\n<p>Atualmente, Santos realiza um segundo p\u00f3s-doutorado,<strong>\u00a0<\/strong>na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, onde j\u00e1 havia realizado est\u00e1gio de pesquisa, com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/169136\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bolsa da FAPESP<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA vari\u00e2ncia da diversidade gam\u00e9tica \u00e9 gerada pela separa\u00e7\u00e3o dos cromossomos hom\u00f3logos e pela taxa de recombina\u00e7\u00e3o entre genes ligados neles. At\u00e9 ent\u00e3o, ela n\u00e3o era considerada pelo m\u00e9todo de sele\u00e7\u00e3o tradicional\u201d, disse.<\/p>\n<p>O novo m\u00e9todo estima as probabilidades de transmiss\u00e3o de caracter\u00edsticas para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es a partir dos dados gen\u00e9ticos de um reprodutor ou das combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis em um dado acasalamento.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido desenvolvido para sele\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie, na pesquisa a tecnologia foi aplicada em gado leiteiro, das ra\u00e7as Jersey e Holstein (holandesa), devido ao volume e qualidade de dados dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Em simula\u00e7\u00f5es computacionais, o m\u00e9todo obteve um melhoramento de 16% em um rebanho de Holstein ao longo de 10 gera\u00e7\u00f5es, em compara\u00e7\u00e3o com outro que n\u00e3o levou em conta a diversidade gam\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Bancos gen\u00f4micos<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho foi poss\u00edvel porque os cruzamentos hoje podem ser simulados a partir de grandes bancos de dados gen\u00f4micos. Esses oferecem informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre a gen\u00e9tica dos animais, como quais genes est\u00e3o ligados a certas caracter\u00edsticas desejadas pelos programas de melhoramento.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es permitem estimar as poss\u00edveis combina\u00e7\u00f5es do material gen\u00e9tico do pai e da m\u00e3e e prever como ser\u00e1 a prole. No entanto, a distribui\u00e7\u00e3o dessas carater\u00edsticas nos descendentes n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea.<\/p>\n<p>Animais com caracter\u00edsticas de interesse podem gerar tanto descendentes com valores muito altos como muito baixos desses mesmos tra\u00e7os. Por isso, a previs\u00e3o de como ser\u00e3o os descendentes \u00e9 apenas uma m\u00e9dia das caracter\u00edsticas do pai e da m\u00e3e, como produ\u00e7\u00e3o de leite, carne ou gordura. At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o era poss\u00edvel estimar a enorme varia\u00e7\u00e3o em torno desse n\u00famero m\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u201cAgora, pode-se prever antes do acasalamento que animais v\u00e3o gerar mais filhos altamente produtivos, acima da m\u00e9dia esperada. A diversidade gam\u00e9tica \u00e9 que vai dar esse valor, ela determina a capacidade do animal de transmitir suas caracter\u00edsticas para a prole\u201d, disse Santos.<\/p>\n<p>Para aplicar a teoria em um programa de melhoramento real, Santos utilizou o banco de dados do Agricultural Research Service, bra\u00e7o de pesquisas do USDA. Foram utilizados mais de 150 mil dados moleculares de gado Jersey e cerca de 1,5 milh\u00e3o de Holstein, ra\u00e7a que \u00e9 a mais usada para produ\u00e7\u00e3o de leite no mundo e que comp\u00f5e 90% do rebanho leiteiro dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Um software desenvolvido pelos pesquisadores calculou a varia\u00e7\u00e3o de todas as combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre os cromossomos e possibilitou separar os indiv\u00edduos que tinham maior e menor varia\u00e7\u00e3o gam\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u201cA partir dessas varia\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel selecionar o animal especificamente para um prop\u00f3sito. Pode-se escolher animais que ter\u00e3o prog\u00eanies (descendentes) mais homog\u00eaneas, que s\u00e3o interessantes para sele\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas como peso ao nascimento, ou os que ter\u00e3o descendentes mais heterog\u00eaneos, e que por isso apresentam a possibilidade de que uma parte de sua prole seja mais produtiva que a m\u00e9dia esperada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mais do que garantir que uma gera\u00e7\u00e3o seja t\u00e3o produtiva quanto a anterior, o novo par\u00e2metro permite que se tenha grandes ganhos gen\u00e9ticos no futuro, \u00e0 medida que se d\u00e1 origem a novas gera\u00e7\u00f5es a partir de um mesmo reprodutor.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m verificaram o poss\u00edvel impacto da metodologia nos rebanhos reais das ra\u00e7as leiteiras. A concord\u00e2ncia entre a varia\u00e7\u00e3o estimada pelos dados gen\u00f4micos e a observada entre as filhas adultas de reprodutores chegou a 90% quando o animal teve mais de 400 descendentes.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma demanda cient\u00edfica de ponta, que vai demorar um pouco para chegar ao Brasil. No entanto, tem um reflexo aqui, porque importamos muito material gen\u00e9tico do gado holand\u00eas dos Estados Unidos para cruzamentos. Grande parte da base gen\u00e9tica do Holstein no Brasil \u00e9 de s\u00eamen produzido l\u00e1\u201d, disse\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/5974\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Humberto Tonhati<\/a><\/strong>, professor da FCAV-Unesp que supervisionou o estudo no Brasil.<\/p>\n<p>O novo par\u00e2metro ajuda ainda a diminuir o impacto da sele\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es. Animais de produ\u00e7\u00e3o como o gado costumam ter uma baixa variabilidade gen\u00e9tica devido ao alto grau de parentesco.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma outra forma de ajudar a manter a variabilidade gen\u00e9tica. Alguns indiv\u00edduos considerados melhores pelo m\u00e9todo tradicional s\u00e3o muito endog\u00e2micos (provenientes de acasalamentos entre aparentados). No entanto, ao considerar esse novo par\u00e2metro, eles podem n\u00e3o ser mais classificados entre os melhores\u201d, disse Santos.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Variance of gametic diversity and its application in selection programs\u00a0<\/em>(doi: 10.3168\/jds.2018-15971), de Daniel Jordan de Abreu Santos, J. B. Cole, T. J. Lawlor Jr., P. M. VanRaden, Humberto Tonhati e L. Ma, pode ser lido em:<strong><em><a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S002203021930342X\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S002203021930342X\u00a0<\/a><\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade de Maryland e do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108709,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/gado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade de Maryland e do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108708"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108708\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}