{"id":108552,"date":"2019-06-29T14:21:17","date_gmt":"2019-06-29T17:21:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108552"},"modified":"2019-06-29T14:21:17","modified_gmt":"2019-06-29T17:21:17","slug":"uma-analise-sobre-a-nova-sustentabilidade-empresarial-como-instrumento-de-gestao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uma-analise-sobre-a-nova-sustentabilidade-empresarial-como-instrumento-de-gestao\/","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise sobre a nova sustentabilidade empresarial como instrumento de gest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"authors\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-108553\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Let\u00edcia Yumi Marques*<\/p>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p>Em 1987, o relat\u00f3rio Brundtland mencionou para o mundo, pela primeira vez, o termo\u00a0<em>desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/em>. De acordo com esse documento, o futuro da humanidade dependeria do desenvolvimento com aten\u00e7\u00e3o a tr\u00eas principais pontos, chamados de trip\u00e9 da sustentabilidade: o econ\u00f4mico, o ambiental e o social. A sustentabilidade, ent\u00e3o, tem sido empregada pelas empresas como um instrumento de gest\u00e3o. Ocorre, por\u00e9m, que boa parte do que aprendemos sobre sustentabilidade mudou. Isso tanto em termos cient\u00edficos\u00a0quanto em termos empresariais.<\/p>\n<p>A sustentabilidade \u00e9, hoje, uma ci\u00eancia aut\u00f4noma, formada a partir da contribui\u00e7\u00e3o multidisciplinar de outras \u00e1reas do conhecimento. Para o pesquisador Robert Kates[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-jun-22\/leticia-marques-sustentabilidade-empresarial#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a>], professor em\u00e9rito na Universidade Brown, a sustentabilidade \u00e9 uma ci\u00eancia diferente, inspirada nas ci\u00eancias da sa\u00fade e da agricultura, com aplica\u00e7\u00e3o no sentido de mover o conhecimento para a a\u00e7\u00e3o social. Em levantamento realizado em 2011, Kates constatou que, de 1974 a 2010, mais de 20 mil\u00a0artigos em l\u00edngua inglesa de 174 pa\u00edses diferentes se dedicaram ao tema, cujo pico de pesquisa se deu a partir dos anos 90. Ele fez, ainda, quest\u00e3o de destacar que o assunto n\u00e3o \u00e9 apenas pesquisado por pa\u00edses com tradi\u00e7\u00e3o na \u00e1rea cient\u00edfica, como EUA e Jap\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelos pa\u00edses do Brics\u00a0(Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), e que \u00e9 pesquisado em universidades tradicionais e pequenas, em grandes laborat\u00f3rios e ag\u00eancias do governo. Os dados coletados por Kates mostram que, desde a publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio Brundtland, as pesquisas em sustentabilidade cresceram, tornaram-se globais e evolu\u00edram.<\/p>\n<p>Todas essas pesquisas levaram ao aperfei\u00e7oamento do conceito de sustentabilidade. Embora ainda existam diversas defini\u00e7\u00f5es, uma das mais respeitadas \u00e9 a que foi proposta por Robert Goodland[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-jun-22\/leticia-marques-sustentabilidade-empresarial#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\">2<\/a>], em artigo paradigm\u00e1tico no qual ele analisa a fundo cada uma das suas tr\u00eas vertentes (ou pontas do trip\u00e9).<\/p>\n<p>Sobre a\u00a0<em>sustentabilidade ambiental<\/em>, Kates esclarece que, embora tenha se originado de preocupa\u00e7\u00f5es sociais, ela na verdade se preocupa em \u201caprimorar o bem-estar humano, protegendo as fontes de mat\u00e9ria-prima aplicados nas necessidades humanas, assegurando que a capacidade de absor\u00e7\u00e3o de res\u00edduos n\u00e3o seja excedida, a fim de prevenir preju\u00edzos aos humanos\u201d. Para que isso ocorra, \u00e9 preciso que o ser humano viva dentro e de acordo com os limites biof\u00edsicos do meio ambiente \u2014 os chamados limites planet\u00e1rios. Para Goodland, a sustentabilidade ambiental proporciona as condi\u00e7\u00f5es para que a\u00a0<em>sustentabilidade social<\/em>\u00a0seja alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Isto porque, segundo Goodland, \u00e9 a sustentabilidade ambiental que promove a manuten\u00e7\u00e3o dos sistemas de suporte de vida (os chamados recursos naturais de subsist\u00eancia, como \u00e1gua pot\u00e1vel, ar limpo e solo f\u00e9rtil). Esses recursos de subsist\u00eancia s\u00e3o escassos e de dif\u00edcil acesso para comunidades marginalizadas. Por isso, ele entende que a redu\u00e7\u00e3o da pobreza deva ser o primeiro objetivo do desenvolvimento sustent\u00e1vel, mesmo antes da aten\u00e7\u00e3o total \u00e0 vari\u00e1vel ambiental. Para alcan\u00e7ar a sustentabilidade social, ele destaca que s\u00e3o necess\u00e1rios fatores como o fortalecimento da sociedade civil; coes\u00e3o comunit\u00e1ria, cultural, toler\u00e2ncia, amor e pluralismo; e padr\u00f5es comuns de honestidade, leis e disciplina. Para ele, tudo isso comp\u00f5e o\u00a0<em>capital moral<\/em>\u00a0da sociedade, que se mant\u00e9m com valores compartilhados e direitos iguais. H\u00e1 tamb\u00e9m o\u00a0<em>capital humano<\/em>, que compreende a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, nutri\u00e7\u00e3o das pessoas\u00a0etc.<\/p>\n<p>Finalmente, ao tratar sobre a\u00a0<em>sustentabilidade econ\u00f4mica<\/em>, Goodland destaca que o capital deve ser est\u00e1vel. Sustentabilidade econ\u00f4mica seria, ent\u00e3o, a manuten\u00e7\u00e3o do capital. Mas\u00a0qual capital? O autor destaca que h\u00e1 tr\u00eas formas de capital: natural, social e humano. Prossegue esclarecendo que, historicamente, a economia pouco de importou com o capital natural, porque at\u00e9 ent\u00e3o ele n\u00e3o era escasso. A escassez do capital natural \u2014 ou seja, dos recursos naturais \u2014 ocorre quando a escala da economia se torna maior do que o ecossistema que a suporta. A ci\u00eancia da economia deveria se preocupar com formas de tornar o uso do capital natural mais eficiente, mas esta \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil porque a economia valora as coisas em dinheiro e o capital natural, que \u00e9 intang\u00edvel, \u00e9 de dif\u00edcil valora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De fato, o gargalo parece se encontrar na\u00a0<em>sustentabilidade econ\u00f4mica<\/em>.<\/p>\n<p>Para John Elkington[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-jun-22\/leticia-marques-sustentabilidade-empresarial#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\">3<\/a>], brit\u00e2nico considerado precursor da responsabilidade socioambiental corporativa, a raz\u00e3o pela qual isso ocorre \u00e9 simples: na sustentabilidade econ\u00f4mica, as empresas t\u00eam confundido a gest\u00e3o de valores com gest\u00e3o financeira. Foi ele, ali\u00e1s, quem criou o termo em 1994 e, em artigo publicado pela\u00a0<em>Harvard Business Review<\/em>\u00a0em 2018, por ocasi\u00e3o dos 25 anos da sua cria\u00e7\u00e3o,\u00a0lamenta que o trip\u00e9 da sustentabilidade \u201cnunca deveria ser apenas um sistema de contabilidade\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil colocar pre\u00e7o no que tem valor inestim\u00e1vel. \u00c9 poss\u00edvel calcular o pre\u00e7o de recursos naturais como\u00a0<em>commodities<\/em>, mas esse pre\u00e7o estaria bem longe da realidade por n\u00e3o considerar o valor dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que permitiram a produ\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>commodity<\/em>. Empresas podem at\u00e9 estar perdendo dinheiro por n\u00e3o o fazer. Ali\u00e1s, se os recursos naturais n\u00e3o forem preservados agora, a sua preserva\u00e7\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil \u2014\u00a0e portanto mais cara \u2014\u00a0no futuro, porque as fun\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os ambientais estar\u00e3o danificadas, talvez al\u00e9m da capacidade de resili\u00eancia dos ecossistemas.<\/p>\n<hr \/>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p>[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-jun-22\/leticia-marques-sustentabilidade-empresarial#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a>] KATES, Robert W.\u00a0<em>What kind of science is sustainability science?<\/em>\u00a0PNAS, 2011. Dispon\u00edvel em &lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1073\/pnas.1116097108\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/doi.org\/10.1073\/pnas.1116097108<\/a>&gt;. Acesso em 28\/3\/2019.<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-jun-22\/leticia-marques-sustentabilidade-empresarial#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a>] GOODLAND, Robert.\u00a0<em>The Concept of environmental sustainability<\/em>. Annual Review of Ecology. 1995. 26:1-24.<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-jun-22\/leticia-marques-sustentabilidade-empresarial#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a>] ELKINGTON, John.\u00a0<em>25 Years Ago I Coined the Phrase \u201cTriple Bottom Line.\u201d Here\u2019s Why It\u2019s Time to Rethink It<\/em>. Harvard Business Review. 2018.<\/p>\n<p>*Let\u00edcia Yumi Marques \u00e9 advogada, consultora de Direito Ambiental do Peixoto &amp; Cury Advogados e mestranda em Sustentabilidade pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Let\u00edcia Yumi Marques* Em 1987, o relat\u00f3rio Brundtland mencionou para o mundo, pela primeira<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/sustentabilidade_empresarial.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Let\u00edcia Yumi Marques* Em 1987, o relat\u00f3rio Brundtland mencionou para o mundo, pela primeira","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108552"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108552"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108552\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}