{"id":108435,"date":"2019-06-27T09:00:31","date_gmt":"2019-06-27T12:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108435"},"modified":"2019-06-26T20:48:37","modified_gmt":"2019-06-26T23:48:37","slug":"plantar-a-lua-o-polemico-ritual-com-sangue-de-menstruacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/plantar-a-lua-o-polemico-ritual-com-sangue-de-menstruacao\/","title":{"rendered":"Plantar a Lua: o pol\u00eamico ritual com sangue de menstrua\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-108436\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todos os meses, desde dezembro de 2018, os mais de 25 mil seguidores de Laura Mocellin Teixeira podem acompanhar, no Instagram, o que ela chama de &#8220;conex\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>No apartamento onde vive, em S\u00e3o Paulo, a m\u00e9dica ga\u00facha de 27 anos pega o sangue da menstrua\u00e7\u00e3o, passa parte do l\u00edquido no rosto e rega as plantas com o restante, dilu\u00eddo em \u00e1gua.<\/p>\n<p>O ritual &#8211; que transforma em fotos, stories e textos explicativos &#8211; \u00e9 parte de um movimento que cresce no Brasil e se espalha nas redes sociais com o nome de &#8220;Plantar a Lua&#8221;.<\/p>\n<p>O movimento se inspira em &#8220;tradi\u00e7\u00f5es ancestrais&#8221; em que o sangue menstrual \u00e9 celebrado e visto como s\u00edmbolo de fertilidade.<\/p>\n<p>O ato tamb\u00e9m \u00e9 apresentado como forma de combate a preconceitos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;Nojo&#8221;<\/h2>\n<p>&#8220;Eu acho que aqui no Brasil a maior forma de preconceito \u00e9 o nojo (do sangue) por parte da sociedade e na vergonha ou desconforto que as mulheres ainda sentem ao estarem menstruadas ou ao mostrarem seu sangue menstrual&#8221;, observa Laura.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria Ana Oliveira, de 28 anos, diz que tal preconceito fica evidente no nojo que alguns homens expressam pelas parceiras menstruadas, no sexo, mas tamb\u00e9m &#8220;na falta de compreens\u00e3o no mercado de trabalho sobre a c\u00f3lica; em brincadeiras de mau gosto de homens e mulheres com o tema ou na forma como a Tens\u00e3o Pr\u00e9-Menstrual (TPM) chega a ser tratada, como se a mulher estivesse &#8216;louca&#8217; nesse per\u00edodo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eu e muitas mulheres j\u00e1 vivemos essas experi\u00eancias e o que o movimento faz \u00e9 tentar mostrar como menstruar \u00e9 algo biol\u00f3gico. \u00c9 um processo pelo qual o corpo passa mensalmente que n\u00e3o \u00e9 sujo e que devemos tratar com mais leveza&#8221;, diz Ana.<\/p>\n<p>Ela planta a lua desde agosto de 2018.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/29F9\/production\/_107354701_lauraeditada.jpg\" alt=\"Laura, m\u00e9dica de 27 anos com o rosto e parte do colo coberto com sangue de menstrua\u00e7\u00e3o\" width=\"639\" height=\"813\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Para Laura Mocellin Teixeira passar o pr\u00f3prio sangue na pele simboliza &#8220;o resgate do feminino&#8221;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Plantar a Lua<\/h2>\n<p>Discuss\u00f5es sobre menstrua\u00e7\u00e3o e Plantar a Lua se espalham em posts, coment\u00e1rios e\u00a0<i>hashtags<\/i>\u00a0no Brasil, com tra\u00e7os de movimentos feministas que emergiram no passado e at\u00e9 da arte.<\/p>\n<p>Estudos antropol\u00f3gicos mostram que o sangue menstrual \u00e9 visto como sujo, impuro e at\u00e9 &#8220;perigoso&#8221; na hist\u00f3ria de diversas sociedades.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existem, no entanto, registros de culto a esse per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8220;Diversas tradi\u00e7\u00f5es ancestrais narram ritos e mencionam a import\u00e2ncia da menstrua\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a terapeuta corporal e escritora Morena Cardoso, que pesquisa o tema. Ela testemunhou rituais e compartilha o que aprendeu com 32 mil seguidores no Facebook e 68 mil no Instagram &#8211; onde aparece com sangue no rosto.<\/p>\n<p>Aos 34 anos, ela \u00e9 fundadora do projeto &#8220;de empoderamento feminino&#8221; DanzaMedicina e criadora do Dia Mundial do Plante Sua Lua, que em 2018 reuniu cerca de 2 mil participantes e em 2019 ter\u00e1 nova edi\u00e7\u00e3o em 4 de agosto.<\/p>\n<p>O objetivo, diz, \u00e9 &#8220;fomentar a ideia de que o sangue menstrual, assim como o ser mulher, n\u00e3o deve ser motivo de vergonha, nojo ou insatisfa\u00e7\u00e3o, mas sim de orgulho, poder e magia!&#8221;. As participantes do evento plantam a lua juntas, em espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7819\/production\/_107354703_photo4902515125127325709.jpg\" alt=\"Diversos recipientes de vidro e pl\u00e1stico contendo sangue de menstrua\u00e7\u00e3o usado no ritual chamado de Plantar a Lua\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ARQUIVO PESSOAL ANA OLIVEIRA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">O movimento de dar visibilidade ao sangue cresce nas redes sociais, mas tamb\u00e9m movimenta espa\u00e7os p\u00fablicos no Brasil: no Dia Mundial &#8220;Plante a Sua Lua&#8221;, v\u00e1rias mulheres levaram sangue para &#8220;plantar&#8221;, no ano passado, em uma pra\u00e7a de Belo Horizonte<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Como exemplos de tradi\u00e7\u00f5es incorporadas ao movimento Morena cita pr\u00e1ticas identificadas entre ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Norte e em pa\u00edses como M\u00e9xico e Peru.<\/p>\n<p>Segundo essas tradi\u00e7\u00f5es, diz ela, o sangue menstrual era depositado na terra para torn\u00e1-la mais f\u00e9rtil, era celebrado como per\u00edodo de confraterniza\u00e7\u00e3o e trabalho espiritual das mulheres, ou ainda em ritos de passagem de meninas na primeira menstrua\u00e7\u00e3o &#8211; &#8220;com uma simbologia sobre a honra de se tornar mulher&#8221;.<\/p>\n<p>No Chile e no Brasil, essas tradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o difundidas atualmente a partir de estudos da Ginecologia Natural, que defende o autoconhecimento e tratamentos alternativos para a mulher.<\/p>\n<p>As adeptas t\u00eam encontrado diferentes formas de fazer o ritual &#8211; nem todas, por exemplo, passam o sangue no corpo.<\/p>\n<p>Elas chamam menstrua\u00e7\u00e3o de &#8220;lua&#8221; por ser um processo com fases e c\u00edclos e enxergam nele diferentes significados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1333F\/production\/_107355687_sangue.jpg\" alt=\"Gotas de sangue sobre folha ca\u00edda na terra, simbolizando um ritual chamado Plantar a Lua\" width=\"639\" height=\"423\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">MEL MELISSA PARA DANZAMEDICINA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Seguidoras mostram diferentes formas de fazer o ritual, uma das coisas que apontam em comum \u00e9 a conex\u00e3o com o ciclo da natureza<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No caso de Laura, o sangue que usa \u00e9 retirado do &#8220;copinho&#8221; coletor menstrual, uma alternativa que escolheu a absorventes descart\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao jogar o fluido nas plantas, ela repete &#8216;sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata&#8217; &#8211; um momento que define como de conex\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo e com a natureza. &#8220;Eu mentalizo que as plantas v\u00e3o crescer lindas, e recebendo muitos nutrientes&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 quando usa o sangue em si, ela apenas fecha os olhos, agradece e diz sentir a energia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Alvoro\u00e7o<\/h2>\n<p>A ga\u00facha explica que, para ela, o fluido na pele simboliza &#8220;o resgate do feminino&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que aparece na p\u00e1gina do Instagram que mant\u00e9m. E foi assim que, no in\u00edcio de junho, um post seu no Twitter provocou &#8220;um alvoro\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>Era uma selfie, com o rosto e parte do colo cobertos de menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Como tinha 300 seguidores, esperava que fosse mais um post comum e apenas que pudesse ajudar alguma mulher que j\u00e1 estivesse interessada no assunto e que quisesse desconstru\u00ed-lo dentro de si&#8221;.<\/p>\n<p>Quatro dias depois, entretanto, recebeu o print de um perfil &#8220;de memes&#8221; do Instagram com sua foto e a pergunta: &#8220;quanto tempo falta para essa galera come\u00e7ar a passar merda na cara?&#8221;.<\/p>\n<p>O apresentador e comediante Danilo Gentili, com mais de 17 milh\u00f5es de seguidores no Twitter, tamb\u00e9m compartilhou a imagem e afirmou: &#8220;Sangue menstrual \u00e9 normal (&#8230;) o anormal \u00e9 passar ele na cara&#8221;.<\/p>\n<p>A maioria dos 2,3 mil coment\u00e1rios no post do apresentador e outros mais enviados diretamente \u00e0 Laura concordavam com a vis\u00e3o de Gentili. Outros, falavam em nojo; diziam que ela deveria &#8220;procurar um psiquiatra&#8221; ou simplesmente a xingavam e ofendiam.<\/p>\n<p>Poucos defenderam a ga\u00facha dizendo que ela tem direito de fazer o que bem entende com seu corpo. Poucos tamb\u00e9m acharam que a foto \u00e9 uma maneira de &#8220;causar reflex\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas pensam que o que n\u00e3o \u00e9 comum para elas \u00e9 aberra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam conhecimento da fisiologia do corpo e pensam que podem usar palavras de \u00f3dio para ferir qualquer um atr\u00e1s da tela do celular&#8221;, disse ela \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 um fluido do meu corpo e eu decido o que \u00e9 anormal ou n\u00e3o j\u00e1 que n\u00e3o estou interferindo diretamente na vida de ningu\u00e9m&#8221;, acrescenta. &#8220;Anormal deveria ser difamar pessoas, propagar energias negativas e \u00f3dio&#8221;.<\/p>\n<p>A BBC News Brasil tentou entrevistar Danilo Gentili, mas ele n\u00e3o respondeu ao contato.<\/p>\n<p>Laura diz que o epis\u00f3dio &#8220;s\u00f3 comprova o tabu que ainda existe em torno da menstrua\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/02E9\/production\/_107354700_morena.jpg\" alt=\"Morena Cardoso, terapeuta e escritora de 34 anos, com o rosto coberto com sangue de menstrua\u00e7\u00e3o.\" width=\"640\" height=\"627\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Morena Cardoso: &#8220;Algumas mulheres, como eu, acreditam que seja um movimento de enfrentamento e luta&#8221;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Tabus<\/h2>\n<p>Tabu \u00e9 definido no dicion\u00e1rio como algo &#8220;proibido por cren\u00e7a supersticiosa, censurado por cren\u00e7a ou pudor ou, por exemplo, de car\u00e1ter sagrado&#8221;.<\/p>\n<p>Um estudo global com 1,5 mil entrevistadas de 14 a 24 anos &#8211; 300 delas do Brasil e as demais da \u00cdndia, \u00c1frica do Sul, Filipinas e Argentina &#8211; mostra um retrato disso no caso da menstrua\u00e7\u00e3o: &#8220;preocupa\u00e7\u00e3o na hora de descartar o absorvente usado no lixo, porque outras pessoas podem ver; medo de levantar da cadeira durante a aula; o absorvente escondido a caminho do banheiro e pedir um absorvente emprestado como se fosse um segredo&#8221;.<\/p>\n<p>Tais preocupa\u00e7\u00f5es foram manifestadas pela maioria das entrevistadas brasileiras, em n\u00edvel maior que nos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os dados foram levantados pela linha de produtos femininos Sempre Livre, da marca Johnson &amp; Johnson, em parceria com a KYRA Pesquisa &amp; Consultoria. Eles foram colhidos em mar\u00e7o de 2018 e lan\u00e7ados, segundo a empresa, &#8220;para refor\u00e7ar seu novo posicionamento baseado em um di\u00e1logo que refor\u00e7a a naturalidade deste assunto&#8221;.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio\u00a0<i>Absorvendo o Tabu<\/i>, que ganhou o Oscar em 2019, ressalta que o estigma da menstrua\u00e7\u00e3o persiste, usando uma regi\u00e3o da \u00cdndia como exemplo.<\/p>\n<p>O filme mostra a vis\u00e3o de uma mulher sobre a menstrua\u00e7\u00e3o como sendo algo impuro do qual o corpo se livra: &#8220;o sangue impuro que sai&#8221;. Um homem define o sangramento como um tipo de doen\u00e7a feminina e mulheres menstruadas s\u00e3o proibidas de entrar no templo para rezar por serem vistas como sujas.<\/p>\n<p>Nesse contexto e com dif\u00edcil acesso a absorventes, elas t\u00eam vergonha de falar a respeito e uma admite que at\u00e9 largou a escola.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Brasil<\/h2>\n<p>Nas sociedades ocidentais, como \u00e9 o caso da brasileira, a &#8220;vis\u00e3o eminentemente negativa&#8221; sobre menstrua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m existe, segundo a antrop\u00f3loga e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Daniela Tonelli Manica, que estuda o tema h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Existe a vis\u00e3o da menstrua\u00e7\u00e3o como sangria in\u00fatil e tamb\u00e9m da aloca\u00e7\u00e3o dela na mesma categoria de excrementos como fezes e urina &#8211; como algo com que voc\u00ea tem que lidar no banheiro, algo que tem de estar absolutamente fora de vista&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Movimentos feministas do final dos anos 60 s\u00e3o apontados como cruciais para lan\u00e7ar luz sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse per\u00edodo que a menstrua\u00e7\u00e3o come\u00e7a a aparecer em espa\u00e7os p\u00fablicos &#8220;de forma mais incisiva e com um efeito pol\u00edtico importante&#8221;, diz a antrop\u00f3loga, citando grupos de mulheres que se juntavam j\u00e1 nessa \u00e9poca para fazer o que ganha for\u00e7a agora online: falar sobre os pr\u00f3prios corpos e quest\u00f5es como gravidez e menstrua\u00e7\u00e3o, &#8220;em espa\u00e7os de mais autonomia, fora de consult\u00f3rios&#8221;.<\/p>\n<p>As novas manifesta\u00e7\u00f5es, segundo ela, amplificam esses debates com as redes sociais e tentam resgatar &#8220;a especificidade, a import\u00e2ncia da experi\u00eancia de menstruar e do quanto ela \u00e9 forte para as mulheres&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Essa ressignifica\u00e7\u00e3o da menstrua\u00e7\u00e3o e a evoca\u00e7\u00e3o que muitos grupos contempor\u00e2neos fazem em rela\u00e7\u00e3o a essa mem\u00f3ria ancestral falam de um efeito de silenciamento som\u00e1tico que a biomedicina e o capitalismo produziram nas mulheres, como se esse aspecto do corpo (o sangue) n\u00e3o pudesse aparecer porque (por exemplo) a trabalhadora precisa ir cumprir as suas 8 horas de trabalho&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15A4F\/production\/_107355688_danielamanica.jpg\" alt=\"Professora Daniela Manica\" width=\"640\" height=\"431\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ANTONINHO MARMO PERRI \/ UNICAMP<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Para a antrop\u00f3loga Daniela Tonelli Manica, &#8220;a import\u00e2ncia desse movimento de valoriza\u00e7\u00e3o do sangue menstrual, de visibilidade, de produ\u00e7\u00e3o de outros destinos para esse substrato corporal \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do corpo feminino e da sua diferen\u00e7a&#8221;.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No artigo<i>\u00a0(In)visible blood: menstrual performances and body art<\/i>\u00a0(Sangue invis\u00edvel: performances menstruais e arte corporal) &#8211; que publicou em 2016 com Clarice Rios, do Instituto de Medicina Social da UERJ &#8211; a professora lista exemplos de artistas que usam &#8220;o potencial simb\u00f3lico do sangue menstrual&#8221; como elemento central e &#8220;express\u00e3o est\u00e9tico-pol\u00edtica&#8221; &#8211; incentivando debates sobre sa\u00fade, causas ambientais, sexualidade e rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A menstrua\u00e7\u00e3o aparece nessas performances em pinturas, nos corpos das artistas e, por exemplo, como o &#8216;batom&#8217; de 12 mulheres retratadas numa exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>O movimento, segundo as pesquisadoras, tem como uma das causas e efeitos a preocupa\u00e7\u00e3o de tornar a experi\u00eancia da menstrua\u00e7\u00e3o mais positiva, assim como o sangue mais vis\u00edvel.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;Em um p\u00e9 de manjeric\u00e3o&#8221;<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1853D\/production\/_107354699_renata-horizonta.jpg\" alt=\"A rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas Renata Ribeiro segurando um vaso com um p\u00e9 de manjeric\u00e3o\" width=\"640\" height=\"480\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">SOFIA RIBEIRO<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Renata: &#8220;Nunca tinha imaginado o meu sangue como algo sagrado, nem a devolu\u00e7\u00e3o dele para a natureza como ritual de gratid\u00e3o&#8221;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi na internet que a rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas pernambucana Renata Assis Ribeiro, de 43 anos, entrou no debate sobre o assunto e viu espa\u00e7o para dizer: &#8220;Eu planto minha lua num vaso com manjeric\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ela colhe o sangue debaixo do chuveiro e, com o fluido dissolvido em \u00e1gua, vai at\u00e9 a varanda e rega em especial essa planta.<\/p>\n<p>A menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 vista por ela como algo sagrado, e oferec\u00ea-la \u00e0 natureza como ritual de gratid\u00e3o. &#8220;O ritual me abriu os horizontes para enxergar a terra como um \u00fatero gigante, que germina assim como nosso ventre. E eu achei justo e perfeito devolver a ela o que nos oferece&#8221;.<\/p>\n<p>Trinta anos antes, quando menstruou pela primeira vez, ela acharia a cena &#8220;estranha&#8221;. \u00c9 que ouviu na \u00e9poca &#8220;agora voc\u00ea virou mocinha, vai sangrar todos os meses e ningu\u00e9m precisa saber&#8221;.<\/p>\n<p>Os per\u00edodos que chegariam foram encarados ent\u00e3o como &#8220;uma parte chata de todos os meses&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 inveja dos homens, por n\u00e3o passarem por isso&#8221;, ela sentia.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, com outra consci\u00eancia, sinto esse per\u00edodo de forma diferente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Tal mudan\u00e7a de pensamento a levou a apresentar o ritual \u00e0 filha, mas deixar por conta dela decidir se vai querer aderir ou n\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Fertilizante?<\/h2>\n<p>E regar as plantas com sangue, que diferen\u00e7a faz?<\/p>\n<p>No caso de Renata, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 dada com um p\u00e9 de hortel\u00e3.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o planto a lua nele e o bichinho \u00e9 t\u00e3o jururu&#8221;, brinca, para dizer que \u00e9 &#8220;desnutrido&#8221;. Segundo ela e outras mulheres, o sangue deixa as plantas &#8220;mais vi\u00e7osas&#8221; e crescendo mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>A doutora em ci\u00eancias e professora de agroecologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Anelise Dias, n\u00e3o \u00e9 adepta da pr\u00e1tica e desconhece estudos sobre o uso do sangue menstrual como fertilizante.<\/p>\n<p>Mas, considerando as propriedades do l\u00edquido, confirma que ele &#8220;funciona por conter nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio&#8221;, nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas.<\/p>\n<p>&#8220;Mas esse ritual \u00e9 mais simb\u00f3lico do que necessariamente de fertiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, pondera a professora, acrescentando que para a agricultura propriamente dita outras fontes de aduba\u00e7\u00e3o org\u00e2nica &#8220;s\u00e3o mais interessantes, disponibilizadas em maior quantidade e respondem \u00e0s necessidades de fertiliza\u00e7\u00e3o das culturas&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;Entendimento&#8221;<\/h2>\n<p>A empres\u00e1ria Ana Oliveira j\u00e1 fez o ritual em \u00e1rvores de Belo Horizonte (MG), onde vive, em jardins de flores da m\u00e3e e da av\u00f3, e tamb\u00e9m em uma cachoeira e no mar, fora do Brasil.<\/p>\n<p>Ela transfere o sangue do coletor menstrual para um potinho de vidro e guarda.<\/p>\n<p>Normalmente na lua nova, que interpreta como tempo de recome\u00e7o, de um novo ciclo, o leva para &#8220;plantar.<\/p>\n<p>Nesses momentos, diz que s\u00f3 respira fundo, agradece pelo \u00faltimo ciclo, e joga o fluido.<\/p>\n<p>&#8220;Fazer esse ritual \u00e9 um entendimento de que o meu sangue n\u00e3o \u00e9 lixo, n\u00e3o \u00e9 descart\u00e1vel, e de que tem um porque por tr\u00e1s dele&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Morena Cardoso, que menstruou pela primeira vez aos 13 anos e descreve a experi\u00eancia como &#8220;perturbadora&#8221; na \u00e9poca, diz que quando ouviu sobre Plantar a Lua chegou a sentir &#8220;repulsa&#8221;.<\/p>\n<p>O ponto de virada, afirma, foi quando come\u00e7ou a usar coletores e absorventes ecol\u00f3gicos e p\u00f4de criar uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com o sangue. &#8220;Me percebi mais saud\u00e1vel, mais \u00edntegra em mim mesma, em apropria\u00e7\u00e3o do meu corpo, sa\u00fade e sexualidade&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7F4B\/production\/_107378523_photo4907198915812632631.jpg\" alt=\"Imagem mostra m\u00e3o de mulher segurando pote de vidro repleto de sangue, com imagem do mar ao fundo\" width=\"640\" height=\"853\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">CEDIDA ANA OLIVEIRA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8220;Fazer esse ritual n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o, mas um entendimento&#8221;, diz a empres\u00e1ria Ana Oliveira, de 28 anos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Natural?<\/h2>\n<p>Morena apresenta o movimento como forma de combate \u00e0 &#8220;normatiza\u00e7\u00e3o, invisibiliza\u00e7\u00e3o e controle do corpo e da natureza feminina&#8221;. E defende que o tema seja tratado com mais naturalidade.<\/p>\n<p>A doutora em antropologia social Cecilia Sardenberg, professora titular do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, G\u00eanero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8220;Embora traga a quest\u00e3o da menstrua\u00e7\u00e3o como algo &#8216;natural&#8217;, nossa sociedade n\u00e3o trata a menstrua\u00e7\u00e3o de forma natural&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga tem 71 anos e h\u00e1 mais de 20 pesquisa o tema. &#8220;Quando era jovem e come\u00e7ou a menstruar, pouqu\u00edssimo se falava abertamente sobre o assunto&#8221;.<\/p>\n<p>Agora, diz que o movimento de &#8220;n\u00e3o ter vergonha de menstruar&#8221; \u00e9 &#8220;muito importante&#8221; para ajudar a acabar com o estigma.<\/p>\n<p>No artigo\u00a0<i>De sangrias, tabus e poderes<\/i>, que escreveu 25 anos atr\u00e1s &#8211; ou seja, quando as redes sociais nem de longe existiam &#8211; ela dizia que a menstrua\u00e7\u00e3o estava deixando de ser assunto reservado a conversas \u00edntimas entre mulheres, ou restrita a consult\u00f3rios m\u00e9dicos, para ocupar espa\u00e7os p\u00fablicos na sociedade brasileira&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Seja devido \u00e0s campanhas publicit\u00e1rias dos absorventes femininos, seja pelo debate que se instaura em torno da quest\u00e3o dos direitos reprodutivos das mulheres, a tem\u00e1tica vem extrapolando esses limites&#8221;, escreveu na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Outdoors que surgiam com a propaganda de absorventes internos prometendo fazer a mulher &#8220;nem sentir que estava menstruada&#8221; e pontuando: &#8220;Incomodada ficava a sua av\u00f3&#8221;, serviram de inspira\u00e7\u00e3o para o texto.<\/p>\n<p>&#8220;O discurso \u00e9 (at\u00e9 hoje) de voc\u00ea esconder a menstrua\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a professora.<\/p>\n<p>Mas no que depender das mulheres que plantam a lua, a oposi\u00e7\u00e3o a essa narrativa vai continuar.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos aos poucos arranhando essas estruturas. Existe muito a ser desmistificado&#8221;, diz Morena Cardoso.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/176D3\/production\/_107455959_danza.jpg\" alt=\"Morena Cardoso, uma das principais difusoras no Brasil do ritual chamado de Plantar a Lua\" width=\"637\" height=\"432\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">SALIN\u00ca SAUNDERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Morena Cardoso: &#8220;Estamos aos poucos arranhando essas estruturas. Existe muito a ser desmistificado&#8221;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No post que lhe deixou na mira dos cr\u00edticos, Laura tamb\u00e9m olha adiante: &#8220;S\u00f3 paro no dia em que o sangue menstrual for normal e a aberra\u00e7\u00e3o for o preconceito&#8221;, escreveu.<\/p>\n<p>Uma seguidora comentou em uma foto sua no Instagram que a menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;um momento muito \u00edntimo&#8221;. E perguntou: &#8220;A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente necess\u00e1ria?&#8221;.<\/p>\n<p>A quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, a professora e estudante de mestrado em hist\u00f3ria, Jessica Guedes, de 27 anos, diz \u00e0 BBC que &#8220;sim!&#8221;<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o planta a lua, mas est\u00e1 a par do movimento online e acha que menstrua\u00e7\u00e3o &#8220;tem que ser mostrada mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00f3 v\u00ea, por\u00e9m, o risco de o discurso que quer retirar estigmas da quest\u00e3o &#8220;fazer com que mulheres que sentem dor, n\u00e3o gostam, n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem menstruar se sintam culpadas&#8221; por n\u00e3o estarem vivendo essa experi\u00eancia de forma t\u00e3o positiva.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho saud\u00e1vel que as pessoas vejam o que somos, que menstruamos&#8221;, diz Jessica.<\/p>\n<p>&#8220;E esses processos de aceita\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes para tirar um pouco essa estigmatiza\u00e7\u00e3o. Mas outras mulheres existem e eu acho que todas deveriam estar representadas nesse clamor de reconex\u00e3o com o corpo. Nem sempre isso acontece&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os meses, desde dezembro de 2018, os mais de 25 mil seguidores de Laura<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108436,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/plantar_lua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Todos os meses, desde dezembro de 2018, os mais de 25 mil seguidores de Laura","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108435"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108435\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}