{"id":108393,"date":"2019-06-26T10:00:52","date_gmt":"2019-06-26T13:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=108393"},"modified":"2019-06-26T07:37:55","modified_gmt":"2019-06-26T10:37:55","slug":"brasil-segue-brincando-de-cabra-cega-com-a-pesca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-segue-brincando-de-cabra-cega-com-a-pesca\/","title":{"rendered":"Brasil segue brincando de cabra cega com a pesca e torna esp\u00e9cies vulner\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-content\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-108394\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 uma d\u00e9cada, o Brasil desconhece o quanto \u00e9 pescado em suas regi\u00f5es costeiras e marinhas. Desde ent\u00e3o, determinadas esp\u00e9cies se tornaram mais vulner\u00e1veis, a frota pesqueira ainda n\u00e3o conta com vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica e a lista de peixes amea\u00e7ados recebeu novas cr\u00edticas do empresariado e at\u00e9 do governo federal.<\/p>\n<p>A cegueira sobre a pesca come\u00e7ou em 2009, quando foi criado o Minist\u00e9rio da Pesca. Problemas or\u00e7ament\u00e1rios e burocr\u00e1ticos afogaram a divulga\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas que mostravam o tamanho da pesca no pa\u00eds. At\u00e9 ent\u00e3o, a responsabilidade pela publica\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros era do Ibama. Balan\u00e7os realizados nos 2 anos seguintes n\u00e3o alcan\u00e7aram todos os estados e, depois, foram congelados.<\/p>\n<p>\u201cA expectativa era de avan\u00e7os no conhecimento sobre a pesca com a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio, mas o trabalho foi descontinuado, por alegada falta de recursos. Isso impacta o setor e o governo. N\u00e3o sabemos o quanto se pesca e quanto isso geraria de renda e arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, e tamb\u00e9m o tamanho da atividade informal\u201d, destacou Guilherme Dutra, diretor da Estrat\u00e9gia Costeira e Marinha da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conservation.org\/global\/brasil\/Pages\/default.aspx\" rel=\"noopener noreferrer\">Conserva\u00e7\u00e3o Internacional<\/a>.<\/p>\n<p>A Lei 11.958\/2009 transformou a\u00a0<em>Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/em>em\u00a0<em>Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura<\/em>. A Secretaria havia sido institu\u00edda em 2003, a partir de uma Medida Provis\u00f3ria convertida em lei federal. J\u00e1 em 2015, o Minist\u00e9rio da Pesca foi extinto e incorporado ao Minist\u00e9rio da Agricultura. Esse, em seguida, deu vida a uma nova Secretaria de Aquicultura e Pesca.<\/p>\n<div id=\"attachment_69285\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 638px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-69285\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Jorge-Seif.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Jorge-Seif.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Jorge-Seif-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Jorge-Seif-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"426\" aria-describedby=\"caption-attachment-69285\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69285\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Seif, atual Secret\u00e1rio de Pesca. Foto: Guilherme Martimon\/MAPA.<\/p>\n<\/div>\n<p>Manejar a pesca com olhos vendados tamb\u00e9m pode prejudicar os estoques de peixes nativos. Desde a extin\u00e7\u00e3o dos balan\u00e7os pesqueiros no pa\u00eds, saltou o n\u00edvel de amea\u00e7a para esp\u00e9cies como o budi\u00e3o-azul, t\u00edpico do litoral sul baiano. Na regi\u00e3o, a cerca de 70 quil\u00f4metros da costa, est\u00e1 o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Arquip%C3%A9lago+de+Abrolhos\/@-18.1219992,-38.634921,9.5z\/data=!4m5!3m4!1s0x734abb0262976a5:0xd381c093a0c95d0!8m2!3d-17.9702279!4d-38.7027726\" rel=\"noopener noreferrer\">Parque Nacional Marinho de Abrolhos<\/a>. Na \u00e1rea protegida, pescar \u00e9 proibido.<\/p>\n<p>A press\u00e3o que outros peixes amea\u00e7ados sofre com a captura excessiva tamb\u00e9m segue fora das estat\u00edsticas, dizem os especialistas ouvidos pela reportagem. Uma delas \u00e9 a sardinha, presen\u00e7a certa na cesta b\u00e1sica de muitos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cA pesca da sardinha caiu de 80 mil toneladas anuais para cerca de 15 mil toneladas ao ano. Com demanda muito maior que a oferta, quase todo o consumo interno depende de importa\u00e7\u00e3o, de pa\u00edses como Marrocos e I\u00eamen. Isso torna o monitoramento para a esp\u00e9cie ainda mais importante\u201d, ressaltou Ademilson Zamboni, diretor-geral da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.oceana.org\/pt-br\" rel=\"noopener noreferrer\">Oceana<\/a>.<\/p>\n<p>O descontrole tamb\u00e9m atingiu em cheio a pescaria da tainha. Como a ind\u00fastria retirou do mar o dobro do fixado para 2018, este ano a captura do peixe foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.trf4.jus.br\/trf4\/controlador.php?acao=noticia_visualizar&amp;id_noticia=14531\" rel=\"noopener noreferrer\">vetada<\/a>\u00a0pelo\u00a0<em>Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o<\/em>, a partir de uma a\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cSem dados t\u00e9cnicos e cient\u00edficos n\u00e3o se tomam decis\u00f5es qualificadas para a gest\u00e3o da pesca no pa\u00eds e, assim, cresce a tend\u00eancia de sua judicializa\u00e7\u00e3o. Todo esse trabalho depende de informa\u00e7\u00e3o de base. Sem gera\u00e7\u00e3o de dados como pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o teremos um manejo sustent\u00e1vel da atividade no Brasil\u201d, destacou Zamboni.<\/p>\n<p>S\u00e3o justamente as pesquisas e a gera\u00e7\u00e3o continuada de estat\u00edsticas que retroalimentam a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/seguranca-quimica\/eventos-novo\/item\/11138-peixes-e-invertebrados-aqu%C3%A1ticos-amea%C3%A7ados\" rel=\"noopener noreferrer\">lista<\/a>\u00a0de peixes amea\u00e7ados, publicada em 2014. Ela traz o risco de extin\u00e7\u00e3o para peixes marinhos e continentais do pa\u00eds. Participaram do balan\u00e7o 300 especialistas do Brasil e Exterior. Mesmo assim, ela \u00e9 alvo de cr\u00edticas do setor privado e, agora, do governo federal.<\/p>\n<div id=\"attachment_69287\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 638px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-69287\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/rede-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/rede-1.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/rede-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/rede-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"426\" aria-describedby=\"caption-attachment-69287\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69287\" class=\"wp-caption-text\">Rede de pesca. Pa\u00eds completa 10 anos sem estat\u00edstica pesqueira. Foto: Pixabay.<\/p>\n<\/div>\n<p>No final de Abril, o Minist\u00e9rio da Agricultura pediu ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) a suspens\u00e3o da\u00a0<em>Lista Oficial de Peixes e Invertebrados Aqu\u00e1ticos Amea\u00e7ados de Extin\u00e7\u00e3o no Brasil<\/em>. A justificativa foi de que ela teria gerado \u201cgrande repercuss\u00e3o negativa no setor pesqueiro\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 em maio, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/secretario-da-pesca-critica-lista-de-especies-ameacadas\/\">mostrou<\/a>\u00a0((o))eco<em>,<\/em>\u00a0o secret\u00e1rio da Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior, afirmou que a listagem de esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas amea\u00e7adas de elimina\u00e7\u00e3o foi elaborada com dados \u201cn\u00e3o confi\u00e1veis\u201d. Seif \u00e9 ligado ao setor comercial e uma das empresas de sua fam\u00edlia foi multada por transporte ilegal de cherne-poveiro, esp\u00e9cie criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conservation.org\/global\/brasil\/Documents\/Manifesta%C3%A7%C3%A3o%20da%20SBI%20sobre%20Nota%20T%C3%A9cnica%20no%2020%202019%20DEPOP%20MAPA%20de%20Suspens%C3%A3o%20Tempor%C3%A1ria%20da%20Portaria%20MMA%20no%20445%20-%2025%20abril.pdf\" rel=\"noopener noreferrer\">carta<\/a>\u00a0endere\u00e7ada ao MMA, a\u00a0<em>Sociedade Brasileira de Ictiologia<\/em>\u00a0atacou as cr\u00edticas de Seif e lembrou que ignorar a lista de peixes amea\u00e7ados \u201ccolocar\u00e1 em risco a conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel de parcela significativa da Biodiversidade Brasileira\u201d e pediu a \u201cimplementa\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas de Gest\u00e3o Pesqueira participativa (&#8230;) que a longo prazo permitam o levantamento de dados cada vez mais adequados para (&#8230;) o uso sustent\u00e1vel da biodiversidade aqu\u00e1tica brasileira\u201d.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira (25), em audi\u00eancia p\u00fablica na C\u00e2mara dos Deputados, Elielma Borcem, coordenadora de Ordenamento e Desenvolvimento da Pesca Marinha da Secretaria de Aquicultura e Pesca, amenizou as cr\u00edticas da pasta \u00e0 lista de peixes amea\u00e7ados, mas avisou que revis\u00e1-la \u00e9 uma prioridade do \u00f3rg\u00e3o federal. Segundo ela, a pesca n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonte de impactos sobre esp\u00e9cies amea\u00e7adas e a lista n\u00e3o pode ser usada isoladamente para o ordenamento da atividade.<\/p>\n<p>\u201cReconhecemos o trabalho feito pelos pesquisadores, mas a portaria n\u00e3o poderia ter sido publicada (em 2014) de forma unilateral, mas de forma conjunta pelos \u00f3rg\u00e3os de Meio Ambiente e da Pesca, al\u00e9m de ter sido precedida por debates p\u00fablicos e setoriais que levassem a um melhor ordenamento da pesca e n\u00e3o a simples proibi\u00e7\u00e3o para algumas esp\u00e9cies. A solu\u00e7\u00e3o para esse impasse n\u00e3o ser\u00e1 manique\u00edsta, pois cavar trincheiras s\u00f3 aprofundar\u00e1 o problema\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>M\u00e3os \u00e0 obra<\/strong><\/p>\n<p>Conforme Guilherme Dutra, da Conserva\u00e7\u00e3o Internacional (CI), a rela\u00e7\u00e3o de peixes amea\u00e7ados \u00e9 hoje a principal ferramenta para a gest\u00e3o da pesca no pa\u00eds, onde muitas esp\u00e9cies est\u00e3o listadas justamente pela falta de estat\u00edsticas pesqueiras. Para ele, ou fazemos gest\u00e3o qualificada e sustent\u00e1vel ou pescaremos \u201cat\u00e9 o \u00faltimo peixe\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_69288\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 639px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-69288\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/capa2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/capa2.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/capa2-300x171.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"364\" aria-describedby=\"caption-attachment-69288\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69288\" class=\"wp-caption-text\">Manejo do Pirarucu, um sucesso econ\u00f4mico e ambiental. Foto: Bernardo Oliveira\/Instituto Mamirau\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cCancelar a lista sem alternativa para controle da pesca \u00e9 um absurdo completo. Sairemos de algo que sem d\u00favida precisa de atualiza\u00e7\u00e3o para o \u2018nada\u2019. Sem a lista, teremos uma explora\u00e7\u00e3o de rapina. Isso ir\u00e1 piorar a situa\u00e7\u00e3o dos peixes e dos pescadores a partir da exaust\u00e3o das esp\u00e9cies com maior valor comercial. E depois, recuperar estoques a partir de seu colapso \u00e9 o pior cen\u00e1rio, pois exigir\u00e1 ainda mais tempo e mais recursos\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 exemplos no Brasil de recupera\u00e7\u00e3o de estoques, como do pirarucu, em Mamirau\u00e1 (uma Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, no Amazonas). Ele deixou a lista de amea\u00e7ados para uma explora\u00e7\u00e3o manejada e at\u00e9 exporta\u00e7\u00e3o. Uma pesca regulada \u00e9 melhor do que a ilegal\u201d, destacou Dutra.<\/p>\n<p><strong>De olho no mar<\/strong><\/p>\n<p>Em opera\u00e7\u00e3o h\u00e1 12 anos no Brasil, o monitoramento da pesca por sat\u00e9lite permite que \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle saibam se um barco est\u00e1 apenas cruzando ou pescando dentro dos limites de uma \u00e1rea protegida. Caso esteja atuando em local impr\u00f3prio, por exemplo dentro de um Parque Nacional, um alerta \u00e9 emitido e a empresa ou pescador podem ser multados. Cada barco \u00e9 identificado com um aparelho especial.<\/p>\n<p>No pa\u00eds, h\u00e1 cerca de 23 mil barcos de pesca, de todos os tamanhos, e 5 mil deles deveriam estar ligadas ao\u00a0<em>Programa Nacional de Rastreamento de Embarca\u00e7\u00f5es Pesqueiras por Sat\u00e9lite,\u00a0<\/em>gerenciado por \u00f3rg\u00e3os dos minist\u00e9rios da Agricultura, do Meio Ambiente e da Defesa. Com sua implanta\u00e7\u00e3o atrasada, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marinha.mil.br\/salvamarbrasil\/Sistema\/preps-programa-nacional-de-rastreamento-de-embarca%C3%A7%C3%B5es-pesqueiras-por-sat%C3%A9lite\">PREPS<\/a>\u00a0est\u00e1 de olho em cerca de 1.500 barcos, aqueles com maior volume de carga e com pelo menos 15 metros de comprimento.<\/p>\n<p>Cada embarca\u00e7\u00e3o usa aparelhos para rastreamento que custam R$ 5 mil, com manuten\u00e7\u00e3o mensal de R$ 300. At\u00e9 2020, barcos menores tamb\u00e9m devem se conectar ao programa. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.oceana.org\/pt-br\/imprensa\/comunicados-a-imprensa\/oceana-propoe-rastreamento-pesqueiro-como-estrategia-para-protecao\">sistema<\/a>\u00a0testado pela Oceana, no litoral de Santa Catarina, est\u00e1 acompanhando 30 pequenos barcos com a ajuda de um aplicativo para celular. O modelo reduziu os valores do equipamento e da assinatura mensal para R$ 600 e para R$ 50, respectivamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_69283\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-69283\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/preps_exemplo.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/preps_exemplo.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/preps_exemplo-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/preps_exemplo-1024x695.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/preps_exemplo-600x407.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/preps_exemplo-640x434.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"434\" aria-describedby=\"caption-attachment-69283\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69283\" class=\"wp-caption-text\">Movimento de embarca\u00e7\u00f5es junto ao Ref\u00fagio de Vida Silvestre do Arquip\u00e9lago de Alcatrazes (limites em verde), em S\u00e3o Paulo, em Mar\u00e7o de 2019. Setas vermelhas indicam o deslocamento de embarca\u00e7\u00f5es pesqueiras. Imagem: Preps\/ICMBio.<\/p>\n<\/div>\n<p>Se o PREPS for totalmente implantado, ajudar\u00e1 a fiscalizar tamb\u00e9m as grandes \u00e1reas protegidas marinhas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/governo-decreta-novas-ucs-marinhas-mas-parte-das-ilhas-fica-de-fora-da-protecao-integral\/\">criadas<\/a>\u00a0em mar\u00e7o de 2018, nos arquip\u00e9lagos de Trindade (ES) e S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo (PE). Os\u00a0<em>mosaicos<\/em>fizeram do pa\u00eds um l\u00edder em prote\u00e7\u00e3o de ambientes marinhos. Todavia, metas internacionais de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o pesam apenas o tamanho dessas \u00e1reas, mas tamb\u00e9m a qualidade de suas implanta\u00e7\u00e3o e gerenciamento.<\/p>\n<p>\u201cA grande maioria das embarca\u00e7\u00f5es monitoradas respeita os limites das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. No entanto, o monitoramento \u00e9 importante para que as provid\u00eancias cab\u00edveis sejam adotadas contra quem comete infra\u00e7\u00f5es. Isso evita que a impunidade incentive novas infra\u00e7\u00f5es, garantindo melhores resultados para a conserva\u00e7\u00e3o e para a pesca\u201d, ressaltou Leandro Zago, servidor do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade cujo mestrado, pela Universidade Federal de Santa Catarina, se debru\u00e7ou sobre a opera\u00e7\u00e3o do PREPS.<\/p>\n<p>Todos os Parques Nacionais e outras Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o federais acessam o sistema. \u00c1reas protegidas estaduais e municipais ainda n\u00e3o. N\u00e3o ser aberto ao p\u00fablico e n\u00e3o enxergar embarca\u00e7\u00f5es ilegais, sejam nacionais e estrangeiras, s\u00e3o outras pedras no caminho da implanta\u00e7\u00e3o do programa de rastreamento no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAs informa\u00e7\u00f5es do PREPS s\u00e3o sigilosas, acessadas apenas por \u00f3rg\u00e3os governamentais. Assim, s\u00e3o pouco usadas para uma gest\u00e3o ampla da pesca no pa\u00eds. Mas, a tend\u00eancia global \u00e9 a de que seja oferecida maior transpar\u00eancia para esses dados, mesmo que muitos pescadores ainda vejam os sistemas de rastreamento apenas como geradores de multas\u201d, destacou Zamboni, da Oceana.<\/p>\n<p>Aberta ao p\u00fablico, a\u00a0<a href=\"https:\/\/globalfishingwatch.org\/map\/\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Global Fishing Watch<\/em><\/a>\u00a0exibe a movimenta\u00e7\u00e3o mundial de pesqueiros associando v\u00e1rios sistemas de rastreamento. Peru, Chile e Indon\u00e9sia j\u00e1 est\u00e3o conectados, enquanto Costa Rica, Panam\u00e1 e Nam\u00edbia se movimentam para fazer o mesmo. \u201cAlguns pa\u00edses alegam segredo industrial, soberania e seguran\u00e7a nacionais para n\u00e3o abrir suas informa\u00e7\u00f5es. Mas Chile e Peru, grandes produtores mundiais de pescado, abriram seus dados e n\u00e3o foram prejudicados\u201d, contou o diretor da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental.<\/p>\n<div id=\"attachment_69292\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-69292\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/barbatana-de-tubar%C3%A3o2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/barbatana-de-tubar\u00e3o2.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/barbatana-de-tubar\u00e3o2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/barbatana-de-tubar\u00e3o2-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" aria-describedby=\"caption-attachment-69292\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-69292\" class=\"wp-caption-text\">Brasil exige desembarque de tubar\u00f5es e raias com todas as nadadeiras naturalmente aderidas ao corpo, Foto: Jeso Carneiro\/Flickr.<\/p>\n<\/div>\n<p>Outro desafio \u00e9 conter a pesca ilegal, inclusive de embarca\u00e7\u00f5es estrangeiras, na faixa de mar sob\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/29053-o-que-e-a-zona-economica-exclusiva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">responsabilidade<\/a>\u00a0do Brasil. S\u00e3o cerca de 3,6 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, \u00e1rea maior do que a \u00cdndia. A fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre estrangeiros nessas \u00e1guas cabe \u00e0 Marinha. Barbatanas de tubar\u00f5es e atum s\u00e3o alguns dos itens buscados pelas frotas piratas. Pa\u00edses como Argentina, Uruguai e Indon\u00e9sia costumam abrir fogo contra barcos estrangeiros pescando em suas \u00e1guas. O Atl\u00e2ntico Sul \u00e9 muito procurado por barcos de pa\u00edses asi\u00e1ticos, como China e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, o atum \u00e9 desembarcado especialmente no Rio Grande do Norte e no Cear\u00e1, onde s\u00e3o produzidas cerca de 30 mil toneladas ao ano, somando mais de R$ 600 milh\u00f5es. A captura do peixe para a elabora\u00e7\u00e3o de sushi e sashimi quintuplicou entre 2010 a 2017, aponta a\u00a0<em>Comiss\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o do Atum do Atl\u00e2ntico<\/em>. Fim do ano passado, um barco de pesca brasileiro foi atacado por uma embarca\u00e7\u00e3o chinesa em uma disputa por atum, em \u00e1guas internacionais.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, tamb\u00e9m como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/blogs\/salada-verde\/justica-condena-empresa-por-comercio-ilegal-de-barbatanas-de-tubarao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reportou<\/a>\u00a0((o))eco, a\u00a0<em>Par\u00e1 Alimentos do Mar Ltda<\/em>, de Bel\u00e9m (PA), foi condenada pela Justi\u00e7a Federal a pagar R$ 20 mil a entidades ambientalistas ou culturais p\u00fablicas por comercializar ilegalmente barbatanas de tubar\u00e3o. Pratos ex\u00f3ticos como sopas com barbatanas e a venda da cartilagem matam estimados 100 milh\u00f5es de tubar\u00f5es ao ano, no mundo todo. Das 88 esp\u00e9cies brasileiras, 38 est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA Marinha do Brasil opera nas \u00e1guas jurisdicionais brasileiras, com emprego de navios, helic\u00f3pteros e, eventualmente, conta com apoio de avi\u00f5es da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira, atuando em apoio aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela repress\u00e3o desses il\u00edcitos. As fiscaliza\u00e7\u00f5es e o combate \u00e0 pesca por embarca\u00e7\u00f5es estrangeiras n\u00e3o autorizadas na Zona Econ\u00f4mica Exclusiva s\u00e3o pr\u00e1ticas constantes das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis\u201d, explicou o capit\u00e3o de Fragata Rodrigo Pinheiro Padilha, encarregado da Divis\u00e3o de Sistemas do Comando de Opera\u00e7\u00f5es Navais.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Aquicultura e Pesca n\u00e3o explicou sobre eventuais planos para qualificar o monitoramento da atividade no pa\u00eds e nem comentou quanto a uma poss\u00edvel retomada da publica\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas anuais para o pescado nacional.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada, o Brasil desconhece o quanto \u00e9 pescado em suas regi\u00f5es costeiras e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108394,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pescado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 uma d\u00e9cada, o Brasil desconhece o quanto \u00e9 pescado em suas regi\u00f5es costeiras e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108393"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108393"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108393\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}