{"id":10794,"date":"2014-11-20T12:00:29","date_gmt":"2014-11-20T12:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10794"},"modified":"2014-11-19T22:48:49","modified_gmt":"2014-11-19T22:48:49","slug":"apenas-01-da-agua-doce-da-terra-pode-ser-encontrada-em-locais-de-facil-acesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/apenas-01-da-agua-doce-da-terra-pode-ser-encontrada-em-locais-de-facil-acesso\/","title":{"rendered":"Apenas 0,1% da \u00e1gua doce da Terra pode ser encontrada em locais de f\u00e1cil acesso"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-10795\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Uma das primeiras guerras da hist\u00f3ria aconteceu h\u00e1 mais de 4,5 mil anos na Sum\u00e9ria, regi\u00e3o onde hoje se encontra o Iraque. Munidos de espadas, machados de bronze e lan\u00e7as, o ex\u00e9rcito da cidade-estado de Lagash avan\u00e7ou contra o rei de Umma, que desviou as \u00e1guas do Rio Tigre para construir um canal de irriga\u00e7\u00e3o. \u201cEannatum, l\u00edder de Lagash, foi para a<\/p>\n<p><a id=\"FALINK_2_0_1\" class=\"FAtxtL\" href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2014\/11\/gota-dagua.html#\">batalha<\/a> e deixou 60 soldados mortos na margem do canal\u201d, dizia uma inscri\u00e7\u00e3o encontrada por arque\u00f3logos. Assim como outras civiliza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tinham acesso a recursos h\u00eddricos abundantes, a luta pela \u00e1gua era, literalmente, uma batalha de sobreviv\u00eancia para os dois povos.<\/p>\n<p>Passados alguns mil\u00eanios, os conflitos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o resolvidos apenas pela for\u00e7a. Mas a explos\u00e3o populacional e a crescente demanda por infraestrutura e produ\u00e7\u00e3o de bens ampliaram ainda mais a necessidade por recursos naturais. A \u00e1gua doce, antes considerada abundante em boa parte do mundo, se transformou <a id=\"FALINK_1_0_0\" class=\"FAtxtL\" href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2014\/11\/gota-dagua.html#\">num<\/a> bem estrat\u00e9gico. Apesar de ocupar dois ter\u00e7os da superf\u00edcie terrestre, a \u00e1gua pr\u00f3pria para consumo faz parte de uma fatia m\u00ednima. De 1,2 bilh\u00e3o de quil\u00f4metros c\u00fabicos de \u00e1gua existentes no planeta, menos de 3% \u00e9 pot\u00e1vel \u2014 o que representa cerca de 35 milh\u00f5es de quil\u00f4metros c\u00fabicos. O problema \u00e9 que 2% deste volume est\u00e1 dispon\u00edvel na forma de geleiras e camadas de neve e 0,9% est\u00e1 localizado em aqu\u00edferos subterr\u00e2neos. Ou seja, 0,1% de \u00e1gua doce \u00e9 encontrada em locais de f\u00e1cil acesso, como rios e lagos \u2014 o equivalente a 1,4 milh\u00e3o de quil\u00f4metros c\u00fabicos.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, essa pequenina por\u00e7\u00e3o \u00e9 degradada a cada dia pela polui\u00e7\u00e3o de rios e dep\u00f3sitos subterr\u00e2neos gerados pelo despejo de esgoto n\u00e3o tratado e res\u00edduos industriais. Um relat\u00f3rio divulgado em 2013 pelo Minist\u00e9rio de Recursos H\u00eddricos da China indicava que 97% dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos de 118 cidades do pa\u00eds estavam polu\u00eddos. Com esse cen\u00e1rio, o discurso de que a \u00e1gua poder\u00e1 se transformar no petr\u00f3leo do s\u00e9culo 21 n\u00e3o \u00e9 simples conversa daquele tio alarmista. Como as fronteiras pol\u00edticas n\u00e3o coincidem com os limites geogr\u00e1ficos das 261 bacias hidrogr\u00e1ficas existentes no mundo, lit\u00edgios pelo controle da \u00e1gua tendem a aumentar. \u201cA disputa pela \u00e1gua n\u00e3o gera necessariamente uma guerra. Mas em regi\u00f5es com um hist\u00f3rico beligerante, a redu\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o dos recursos podem virar um estopim para um conflito\u201d, diz Vanessa Barbosa, autora do livro A \u00daltima Gota, da Editora Planeta, que chega \u00e0s livrarias em outubro.<\/p>\n<p>Apesar de contar com quase 12% da \u00e1gua superficial do planeta, o Brasil n\u00e3o escapa desse cen\u00e1rio de tens\u00e3o. S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, os dois estados mais ricos do pa\u00eds, entraram recentemente numa crise pol\u00edtica por causa do controle da vaz\u00e3o do Rio Para\u00edba do Sul, que nasce em territ\u00f3rio paulista, mas \u00e9 essencial para abastecer a regi\u00e3o metropolitana carioca. Antes de tomar aquele banho demorado ou lavar a cal\u00e7ada de casa, saiba como a \u00e1gua est\u00e1 sendo disputada gota a gota em diferentes lugares do mundo.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">SP vs RJ &gt; N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 VOLUME MORTO<br \/>\nCrise h\u00eddrica em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m tem reflexo na distribui\u00e7\u00e3o interestadual de \u00e1gua<\/div>\n<\/div>\n<p>Durante a virada de 2013 para 2014, S\u00e3o Paulo enfrentou o ver\u00e3o mais quente e seco das \u00faltimas d\u00e9cadas. Com a diminui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos n\u00edveis de \u00e1gua do Sistema Cantareira, composto por seis represas que atendem mais de 9 milh\u00f5es de habitantes da regi\u00e3o metropolitana da capital paulista, o governo passou a utilizar uma reserva de emerg\u00eancia, chamada popularmente de volume morto, para continuar normalmente o abastecimento. Al\u00e9m disso, deu in\u00edcio \u00e0s obras de transposi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas da represa de Jaguari, que faz parte da bacia do Rio Para\u00edba do Sul, para o reservat\u00f3rio de Atibainha, integrante do Cantareira.<\/p>\n<p>\u201cA transposi\u00e7\u00e3o era uma alternativa prevista apenas para 2025\u201d, afirma Edilson de Paula Andrade, ge\u00f3logo especialista em recursos h\u00eddricos. O problema \u00e9 que o Para\u00edba do Sul, com nascente em S\u00e3o Paulo, corre para o Rio de Janeiro e tem parte de sua \u00e1gua transposta para outro rio, o Guandu, respons\u00e1vel por abastecer 80% da regi\u00e3o metropolitana da capital fluminense.<\/p>\n<p>Em ano eleitoral, os governadores de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro iniciaram um cabo de guerra para proteger seus estados de um eventual corte no abastecimento de \u00e1gua. Como o rio Para\u00edba do Sul \u00e9 de administra\u00e7\u00e3o federal, coube \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) mediar o conflito entre os descontentes. \u201cNosso sistema de gerenciamento conta com uma luz verde e uma vermelha, mas falta a amarela para indicar que alguma coisa est\u00e1 errada\u201d, diz Ricardo Carneiro Novaes, que defendeu sua disserta\u00e7\u00e3o de doutorado sobre o tema. \u201c\u00c9 mais f\u00e1cil culpar S\u00e3o Pedro do que assumir a falta de planejamento administrativo.\u201d<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-1200\"><a href=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/kQUZ35psSufWNnLjP8giZXd6tGk=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_02.jpg\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Clique na imagem para ampli\u00e1-la (Foto: Bruno Algarve)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/kQUZ35psSufWNnLjP8giZXd6tGk=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_02.jpg\" alt=\"Clique na imagem para ampli\u00e1-la (Foto: Bruno Algarve)\" width=\"632\" height=\"511\" \/><\/a><\/div>\n<p>NA CONTA DA NATUREZA<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Al\u00e9m de afetar o consumo humano, a crise h\u00eddrica em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m amea\u00e7a a biodiversidade dos reservat\u00f3rios<\/div>\n<\/div>\n<p>Pela primeira vez, o \u00edndice de \u00e1gua das represas do Sistema Cantareira atingiu em 2014 um volume menor do que 10%, obrigando o governo estadual a utilizar um reservat\u00f3rio de 400 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua, uma reserva t\u00e9cnica conhecida como &#8220;volume morto&#8221;. Ao contr\u00e1rio do que o nome indica, essa por\u00e7\u00e3o h\u00eddrica \u00e9 muito importante para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade. &#8220;De morta essa reserva n\u00e3o tem nada. H\u00e1 toda uma cadeia de vida que ser\u00e1 alterada por conta da interfer\u00eancia humana&#8221;, afirma o ambientalista Dener Giovanini, vencedor em 2003 do pr\u00eamio ambiental Unep-Sasakawa, promovido pela ONU. Para o especialista, a seca tamb\u00e9m \u00e9 motivada pela elimina\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal nativa, o que afeta a prote\u00e7\u00e3o dos cursos de \u00e1gua respons\u00e1veis por abastecer os c\u00f3rregos. &#8220;Por mais que o cidad\u00e3o fa\u00e7a sua parte e economize \u00e1gua, o atual estilo de desenvolvimento predat\u00f3rio continuar\u00e1 a promover desequil\u00edbrios&#8221;, diz Giovanini.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">ISRAEL vs VIZINHOS &gt; GUERRA T\u00c1TICA<br \/>\nCercado de inimigos, Israel tomou o controle dos principais recursos h\u00eddricos da regi\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s sua cria\u00e7\u00e3o, em 1948, o Estado de Israel se encontrava em posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica dif\u00edcil: al\u00e9m de ser rodeado de vizinhos \u00e1rabes que n\u00e3o concordavam com a partilha do territ\u00f3rio palestino, o pa\u00eds era dependente das \u00e1guas do Mar da Galileia, lago abastecido majoritariamente pelo Rio Jord\u00e3o, cujas principais nascentes se encontravam em territ\u00f3rio s\u00edrio, nas Colinas de Golan.<\/p>\n<p>Para garantir o abastecimento, Israel e S\u00edria firmaram um acordo de paz assinado em 1949 que determinava a partilha do Mar da Galileia. Em 1953, no entanto, os israelenses iniciaram a constru\u00e7\u00e3o de um aqueduto que levaria as \u00e1guas do lago para outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Alegando que o pacto havia sido desrespeitado, a Liga \u00c1rabe (organiza\u00e7\u00e3o composta por mais de 20 pa\u00edses) aprovou um plano para a constru\u00e7\u00e3o de canais que desviariam as \u00e1guas de parte das nascentes do Rio Jord\u00e3o. Amea\u00e7ado pelo projeto, Israel iniciou uma s\u00e9rie de ataques fronteiri\u00e7os contra S\u00edria e Jord\u00e2nia, o que for\u00e7ou a interrup\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n<p>As crescentes tens\u00f5es entre os pa\u00edses chegaram ao \u00e1pice em 5 de junho de 1967, quando Israel lan\u00e7ou uma ofensiva militar contra Egito, Jord\u00e2nia e S\u00edria. De uma s\u00f3 vez, os israelenses tomaram o controle das Colinas de Golan, da Pen\u00ednsula do Sinai, de Jerusal\u00e9m Oriental e da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do controle estrat\u00e9gico das nascentes que davam o dom\u00ednio exclusivo do Mar da Galileia, Israel tamb\u00e9m conquistou um complexo de aqu\u00edferos subterr\u00e2neos localizados na Cisjord\u00e2nia. \u201cOs palestinos que vivem nessa regi\u00e3o n\u00e3o podem utilizar os po\u00e7os sem a autoriza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito israelense\u201d, afirma o ge\u00f3grafo Gilberto Souza Rodrigues Junior, que defendeu sua tese de doutorado sobre os recursos h\u00eddricos israelenses.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-1200\"><a href=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/dOB1H0VF2NivwxKvbmqmB1ph93I=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_03.jpg\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Clique na imagem para ampli\u00e1-la (Foto: Bruno Algarve)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/dOB1H0VF2NivwxKvbmqmB1ph93I=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_03.jpg\" alt=\"Clique na imagem para ampli\u00e1-la (Foto: Bruno Algarve)\" width=\"611\" height=\"722\" \/><\/a><\/div>\n<p>BOL\u00cdVIA &gt; REBELI\u00c3O POPULAR<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Na cidade boliviana de Cochabamba, a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os h\u00eddricos motivou uma revolta contra o governo<\/div>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s ser eleito em 1997, o presidente boliviano Hugo Banzer passou o controle da empresa estatal de recursos h\u00eddricos da cidade de Cochabamba para as m\u00e3os do grupo privado Aguas Del Tunari. As tarifas de \u00e1gua foram reajustadas em 100%, apesar do abastecimento n\u00e3o atingir os bairros mais pobres da cidade. Durante os primeiros meses de 2000, setores populares se uniram contra a privatiza\u00e7\u00e3o, em protestos que foram reprimidos violentamente pela pol\u00edcia. No dia 9 de abril daquele ano, a Aguas Del Tunari se retirou de Cochabamba e colocou fim ao epis\u00f3dio que ficou conhecido como Guerra da \u00c1gua. Passados alguns anos, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorou. \u201cA popula\u00e7\u00e3o pobre n\u00e3o tem acesso \u00e0 rede p\u00fablica e fica \u00e0 merc\u00ea da perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os, com um mercado clandestino da \u00e1gua\u201d, afirma Matheus Pfrimer, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Universidade de Goi\u00e1s.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Bruno Algarve)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/_Hr5gA20lrSaKPsXhbNgXkVVEiY=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_04.jpg\" alt=\" (Foto: Bruno Algarve)\" width=\"624\" height=\"426\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Bruno Algarve)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">EGITO vs ETI\u00d3PIA &gt; D\u00c1DIVA EM RISCO<br \/>\nEgito tenta barrar constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9trica na parte et\u00edope do rio Nilo<\/div>\n<\/div>\n<p>Quem gostava das aulas de hist\u00f3ria do col\u00e9gio deve se lembrar da frase de que a civiliza\u00e7\u00e3o milenar eg\u00edpcia s\u00f3 floresceu gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a do Nilo, o maior rio do mundo com 6,6 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Ainda hoje, o Egito depende exclusivamente de sua bacia hidrogr\u00e1fica e 98% dos 80 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds vivem pr\u00f3ximo de suas margens. Em 2011, o an\u00fancio de que a Eti\u00f3pia se preparava para construir uma usina hidrel\u00e9trica or\u00e7ada em US$ 4,2 bilh\u00f5es e capaz de produzir 6 mil megawatts de energia por hora acendeu o alerta vermelho no pa\u00eds \u00e1rabe.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Bruno Algarve)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/suyU9R53IGjkguDErh-sfoDlYw4=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_05.jpg\" alt=\" (Foto: Bruno Algarve)\" width=\"638\" height=\"863\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Bruno Algarve)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">CHINA vs \u00cdNDIA &gt; UM RIO ENTRE GIGANTES<br \/>\nO Rio Brahmaputra, que percorre as duas na\u00e7\u00f5es mais populosas do mundo, sofre com a constru\u00e7\u00e3o de barragens em seu leito<\/div>\n<\/div>\n<p>Somadas, as popula\u00e7\u00f5es de China e \u00cdndia representam quase 35% da popula\u00e7\u00e3o mundial, o que equivale a mais de 2,5 bilh\u00f5es de habitantes. Com o desafio de abastecer e providenciar energia para tantas pessoas, o governo chin\u00eas conta com um trunfo geogr\u00e1fico: ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o socialista de 1949, o ex\u00e9rcito do pa\u00eds ocupou a regi\u00e3o do Tibete, nascente de algumas das principais bacias hidrogr\u00e1ficas da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Entre os rios que se originam na regi\u00e3o est\u00e1 o Brahmaputra, que tem extens\u00e3o de 2,9 mil quil\u00f4metros e percorre estados indianos importantes, como Assam, antes de se encontrar com o Rio Ganges e desaguar no Golfo de Bengala, em Bangladesh. Em territ\u00f3rio chin\u00eas, onde nasce, ele \u00e9 chamado de Yarlung Tsangpo e passa pelo maior desfiladeiro do mundo, que tem o mesmo nome do rio e at\u00e9 5 mil metros de profundidade.<\/p>\n<p>Por conta de seu potencial energ\u00e9tico, a China determinou a constru\u00e7\u00e3o de quatro usinas hidrel\u00e9tricas ao longo do rio e, futuramente, o desfiladeiro de Yarlung Tsangpo poder\u00e1 abrigar duas constru\u00e7\u00f5es capazes de gerar mais energia do que a usina chinesa de Tr\u00eas Gargantas, que tem pot\u00eancia instalada de 22,4 mil megawatts e \u00e9 considerada a maior hidrel\u00e9trica do mundo.<\/p>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o dessas usinas \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 \u00cdndia\u201d, afirma Mirza Zulfiqur Rahman, pesquisador de estudos internacionais da universidade indiana Jawaharlal Nehru. \u201cO Brahmaputra tem uma import\u00e2ncia vital ao pa\u00eds, sustentando 4% da popula\u00e7\u00e3o que mora pr\u00f3ximo de sua bacia hidrogr\u00e1fica.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de ouvir do governo chin\u00eas que as quatro usinas hidrel\u00e9tricas n\u00e3o represar\u00e3o a \u00e1gua do Brahmaputra, a \u00cdndia iniciou a constru\u00e7\u00e3o de barragens na prov\u00edncia de Arunachal Pradesh, que faz divisa com a China. \u201cO Rio Brahmaputra envolve tamb\u00e9m Bangladesh\u00a0 e essas na\u00e7\u00e3o ser\u00e1 duramente afetada\u201d, diz Rahman.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Bruno Algarve)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/eBvIq-tIFrOYniKvyqy77DS4lFM=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_06.jpg\" alt=\" (Foto: Bruno Algarve)\" width=\"635\" height=\"680\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Bruno Algarve)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">EUA vs M\u00c9XICO &gt; DISPUTA DESIGUAL<br \/>\nM\u00e9xico e Estados Unidos divergem sobre a divis\u00e3o de \u00e1guas do rio que separa suas fronteiras<\/div>\n<\/div>\n<p>Se a falta de chuvas no estado de S\u00e3o Paulo durante um ver\u00e3o j\u00e1 causou uma crise h\u00eddrica de grandes propor\u00e7\u00f5es, imagine a situa\u00e7\u00e3o do oeste dos Estados Unidos, que registra em sequ\u00eancia os 14 anos mais secos desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Localizada em uma regi\u00e3o com pouca disponibilidade h\u00eddrica, a fronteira entre M\u00e9xico e Estados Unidos depende das \u00e1guas do Rio Grande, que nasce no estado americano do Colorado e cruza o pa\u00eds latino-americano sob o nome de Rio Bravo, at\u00e9 desaguar no Golfo do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Com mais de 3 mil quil\u00f4metros, suas \u00e1guas s\u00e3o disputadas entre os dois pa\u00edses e tamb\u00e9m s\u00e3o alvo de conflitos internos nos estados americanos. Em mar\u00e7o deste ano, o Texas processou o Novo M\u00e9xico e o Colorado, alegando que eles estavam utilizando mais \u00e1gua do que o determinado em acordos estabelecidos. \u201cA distribui\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses n\u00e3o \u00e9 justa, mas, por ser o vizinho do pa\u00eds mais poderoso do mundo, o M\u00e9xico sofre uma assimetria grande entre as rela\u00e7\u00f5es\u201d, diz Jos\u00e9 Luiz Escobedo Sagaz, pesquisador da Universidade Aut\u00f4noma de Coahuila.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Bruno Algarve)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/TY4eo_-uHMm1LauJjPkK-T55IkA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/29\/279_agua_07.jpg\" alt=\" (Foto: Bruno Algarve)\" width=\"633\" height=\"322\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Bruno Algarve)<\/label><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das primeiras guerras da hist\u00f3ria aconteceu h\u00e1 mais de 4,5 mil anos na Sum\u00e9ria,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/gota_agua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma das primeiras guerras da hist\u00f3ria aconteceu h\u00e1 mais de 4,5 mil anos na Sum\u00e9ria,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10794"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10794\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}