{"id":1070,"date":"2014-06-09T15:55:28","date_gmt":"2014-06-09T15:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1070"},"modified":"2014-06-09T15:55:28","modified_gmt":"2014-06-09T15:55:28","slug":"carbono-emitido-por-conversao-de-pasto-em-canavial-e-compensado-em-ate-tres-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/carbono-emitido-por-conversao-de-pasto-em-canavial-e-compensado-em-ate-tres-anos\/","title":{"rendered":"Carbono emitido por convers\u00e3o de pasto em canavial \u00e9 compensado em at\u00e9 tr\u00eas anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1071\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A diminui\u00e7\u00e3o do estoque de carbono do solo causada pela convers\u00e3o de \u00e1reas de pastagem em planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar \u2013 mudan\u00e7a muito comum no Brasil dos \u00faltimos anos \u2013 pode ser compensada no prazo de dois a tr\u00eas anos de cultivo.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo \u00e9 de um estudo realizado por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), tamb\u00e9m da USP. O trabalho contou ainda com pesquisadores do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), do Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), do <em>Institut de Recherche pour le D\u00e9veloppement<\/em>, na Fran\u00e7a, e da Harvard University, da Colorado State University e do Shell Technology Centre Houston, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Resultado do projeto \u201cEstoques de carbono do solo na mudan\u00e7a do uso da terra para cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar na regi\u00e3o Centro-Sul do Brasil\u201d, realizado com apoio da FAPESP, a pesquisa foi detalhada em um artigo publicado no domingo (8\/6) na vers\u00e3o on-line da revista Nature Climate Change.<\/p>\n<p>\u201cA pesquisa indica que o balan\u00e7o de carbono do solo de \u00e1reas de pastagem convertidas para o cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar voltada para produ\u00e7\u00e3o de etanol n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o negativo quanto se estimava\u201d, disse Carlos Clemente Cerri, coordenador do projeto e pesquisador do Cena.<\/p>\n<p>\u201cOs c\u00e1lculos que realizamos podem contribuir para assegurar que o Brasil est\u00e1 produzindo e comercializando no mercado nacional e internacional um combust\u00edvel com baixa emiss\u00e3o de carbono\u201d, avaliou Cerri, um dos autores do artigo, durante palestra no Workshop on Impacts of Global Climate Change on Agriculture and Livestock, realizado no dia 27 de maio, na FAPESP, sob a coordena\u00e7\u00e3o do professor Carlos Martinez, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) de Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p>De acordo com Cerri, o solo de uma \u00e1rea de pastagem tem um estoque de carbono cujo volume n\u00e3o varia muito com o passar dos anos. O preparo desse tipo de solo para transform\u00e1-lo em uma planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar, no entanto, faz com que parte do carbono estocado seja emitida para a atmosfera na forma de di\u00f3xido de carbono (CO2).<\/p>\n<p>Em contrapartida, dependendo do tipo de manejo, a introdu\u00e7\u00e3o da cana em \u00e1reas de pastagem pode compensar ou at\u00e9 mesmo aumentar o estoque de carbono inicial do solo quando a mat\u00e9ria org\u00e2nica e os res\u00edduos da planta penetram na terra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o etanol produzido a partir da cana cultivada nessas \u00e1reas acaba compensando, com o passar dos anos, as emiss\u00f5es de CO2 ocorridas na convers\u00e3o, uma vez que o biocombust\u00edvel contribui para a diminui\u00e7\u00e3o da queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil, ponderou o pesquisador.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabia exatamente qual era o balan\u00e7o da perda ou ganho de carbono \u2013 chamados, respectivamente, de d\u00edvida e cr\u00e9dito de carbono \u2013 e quanto tempo era necess\u00e1rio cultivar cana-de-a\u00e7\u00facar em uma \u00e1rea de pastagem para repor o carbono emitido a partir da mudan\u00e7a do uso da terra.<\/p>\n<p>\u201cHavia poucas medi\u00e7\u00f5es diretas em campo para quantificar os efeitos no equil\u00edbrio de carbono de solos de \u00e1reas de pastagem convertidas para o plantio de cana-de-a\u00e7\u00facar, que representa a transi\u00e7\u00e3o de uso da terra mais comum no Brasil hoje\u201d, disse Cerri.<\/p>\n<p><strong>Medidas em campo<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram medi\u00e7\u00f5es e coletaram 6 mil amostras de solo de 135 locais em 13 \u00e1reas da regi\u00e3o Centro-Sul do Brasil, respons\u00e1vel por mais de 90% da produ\u00e7\u00e3o de cana no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em cada um dos locais foram coletadas amostras de solo em \u00e1reas cultivadas com cana-de-a\u00e7\u00facar e outras \u00e1reas utilizadas como refer\u00eancia. Para tanto, foram consideradas \u00e1reas cultivadas com pastagens, cultivos anuais (soja, sorgo e milho) e \u00e1reas nativas de Cerrado.<\/p>\n<p>\u201cSetenta por cento das convers\u00f5es que analisamos foram de \u00e1reas de pastagem convertidas para o cultivo da cana, 25% de mudan\u00e7a de cultivos anuais para cana e 1% de convers\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Cerrado para planta\u00e7\u00e3o da cultura agr\u00edcola\u201d, detalhou Cerri.<\/p>\n<p>As amostras foram coletadas em diferentes profundidades do solo e em camadas sucessivas, variando de 10 cent\u00edmetros a um metro, a fim de facilitar a compara\u00e7\u00e3o com medi\u00e7\u00f5es anteriores \u2013 na maioria restritas \u00e0s camadas mais pr\u00f3ximas da superf\u00edcie, com at\u00e9 30 cent\u00edmetros de profundidade \u2013 e para fornecer um invent\u00e1rio mais completo da altera\u00e7\u00e3o do estoque de carbono do solo decorrente da mudan\u00e7a do uso da terra, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises das amostras em laborat\u00f3rio indicaram que a d\u00edvida de carbono da convers\u00e3o do solo de uma pastagem para o cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar variou de 20 a 30 megagramas (Mg) ou toneladas de CO2 por hectare nas camadas de at\u00e9 30 cent\u00edmetros e de at\u00e9 100 cent\u00edmetros de profundidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, a convers\u00e3o do solo de \u00e1reas dedicadas a cultivos anuais para a planta\u00e7\u00e3o de cana apresentou um cr\u00e9dito de carbono de 36 a 79 Mg de CO2 por hectare para as camadas de at\u00e9 30 cent\u00edmetros e de at\u00e9 100 cent\u00edmetros de profundidade, respectivamente.<\/p>\n<p>J\u00e1 a convers\u00e3o de \u00e1reas de Cerrado em cultivo de cana \u2013 que representa menos de 1% da expans\u00e3o da \u00e1rea de cultivo da cultura agr\u00edcola no pa\u00eds \u2013 apresentou uma d\u00edvida de carbono de 77,8 Mg de CO2e por hectare.<\/p>\n<p>\u201cUm hectare de cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar produz uma certa quantidade de litros de etanol que mitiga 9,8 megagramas de CO2 emitidos anualmente pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis \u201d, afirmou Cerri.<\/p>\n<p>\u201cIsso significa que \u00e9 preciso cultivar cana-de-a\u00e7\u00facar por dois a tr\u00eas anos a fim de compensar as emiss\u00f5es causadas pela mudan\u00e7a do uso da terra a partir de \u00e1reas de pastagens, que correspondem aproximadamente a 80% das convers\u00f5es para esse uso\u201d, apontou.<\/p>\n<p><strong>Planejamento da produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, os resultados do estudo poder\u00e3o contribuir para orientar as pol\u00edticas de expans\u00e3o do cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar voltada para a produ\u00e7\u00e3o de etanol, a fim de assegurar a sustentabilidade do biocombust\u00edvel.<\/p>\n<p>A demanda por etanol no Brasil dever\u00e1 saltar do atual patamar de 25 bilh\u00f5es de litros produzidos por ano para 61,6 bilh\u00f5es de litros em 2021, indicam dados da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), apresentados durante o workshop na FAPESP.<\/p>\n<p>Para atingir esse n\u00famero ser\u00e1 preciso expandir a \u00e1rea de cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar no pa\u00eds dos atuais 9,7 milh\u00f5es de hectares para 17 milh\u00f5es de hectares, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>Entre as op\u00e7\u00f5es para se chegar ao volume reportado, a prioridade para expans\u00e3o das \u00e1reas de cultivo deve ser a convers\u00e3o de \u00e1reas degradadas, principalmente as utilizadas como pastagens, em planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar, sugeriu Cerri.<\/p>\n<p>Entre 2000 e 2010, 3 milh\u00f5es de hectares no Brasil foram convertidos em planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar. Mais de 70% dessa terra era formada por pastos e 25% por cultura de gr\u00e3os, indicam os pesquisadores no estudo.<\/p>\n<p>\u201cHoje h\u00e1 198 milh\u00f5es de hectares de terra voltados \u00e0 pastagem no Brasil e 60 milh\u00f5es de hectares para a agricultura\u201d, afirmou Cerri. \u201cSer\u00e1 preciso aumentar a \u00e1rea para cultivo agr\u00edcola no pa\u00eds, indiscutivelmente, a partir de \u00e1reas de pastagem\u201d, avaliou Cerri.<\/p>\n<p>O artigo \u201c<em>Payback time for soil carbon and sugar-cane ethanol<\/em>\u201d (doi: 10.1038\/NCLIMATE2239), de Cerri e outros, pode ser lido por assinantes da revista <em>Nature Climate Change<\/em> em <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nclimate\/index.html\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>www.nature.com\/nclimate\/index.html<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong>(Ag\u00eancia FAPESP)<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A diminui\u00e7\u00e3o do estoque de carbono do solo causada pela convers\u00e3o de \u00e1reas de pastagem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1071,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cana_caminhao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A diminui\u00e7\u00e3o do estoque de carbono do solo causada pela convers\u00e3o de \u00e1reas de pastagem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1070"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}