{"id":106351,"date":"2019-05-23T13:30:27","date_gmt":"2019-05-23T16:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=106351"},"modified":"2019-05-23T11:22:33","modified_gmt":"2019-05-23T14:22:33","slug":"mayaro-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-saber-sobre-o-novo-virus-transmitido-por-mosquitos-que-pode-estar-circulando-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mayaro-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-saber-sobre-o-novo-virus-transmitido-por-mosquitos-que-pode-estar-circulando-no-rio\/","title":{"rendered":"O que se sabe sobre o novo v\u00edrus transmitido por mosquitos que pode estar circulando no Rio"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-106352\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Al\u00e9m dos nomes dengue, zika e chikungunya, os moradores e o poder p\u00fablico do\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/1cfe0e12-c314-4427-9d69-8342d145a1b1\">Rio de Janeiro<\/a>\u00a0poder\u00e3o ser apresentados a outro v\u00edrus, tamb\u00e9m transmitido por mosquitos e que d\u00e1 ind\u00edcios de ter adoecido pessoas do Estado nos \u00faltimos anos: o mayaro.<\/p>\n<p>Na semana passada, o Laborat\u00f3rio de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgou que seus pesquisadores, liderados por Amilcar Tanuri e Rodrigo Brindeiro, confirmaram casos de infec\u00e7\u00e3o pelo mayaro em tr\u00eas pacientes adoecidos em 2016, todos da cidade de Niter\u00f3i.<\/p>\n<p>O mayaro \u00e9 end\u00eamico (tem presen\u00e7a cont\u00ednua) na Amaz\u00f4nia e \u00e9 normalmente transmitido pelos mosquitos do g\u00eanero\u00a0<i>Haemagogus<\/i>, que vive nas matas e tamb\u00e9m \u00e9 conhecido por propagar a febre amarela silvestre. \u00c9 um perfil diferente do\u00a0<i>Aedes aegypti<\/i>, vetor da dengue, zika, chikungunya e da febre amarela urbana &#8211; j\u00e1 que este vive nas cidades.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil por telefone, Tanuri explicou que sua equipe ainda busca detalhes sobre os deslocamentos destes pacientes para, por exemplo, regi\u00f5es de mata no pr\u00f3prio Estado fluminense &#8211; mas suas fichas indicam que eles n\u00e3o viajaram para regi\u00f5es end\u00eamicas no per\u00edodo em que foram infectados.<\/p>\n<p>A not\u00edcia da chegada do mayaro ao Estado prenuncia desafios: a infec\u00e7\u00e3o por ele causada gera sintomas semelhantes \u00e0 causada por chikungunya, como febre alta e dores articulares, o que dificulta o diagn\u00f3stico. Por isso, ele \u00e9 chamado de &#8220;primo&#8221; da chikungunya.<\/p>\n<p>A gravidade da infec\u00e7\u00e3o pelo mayaro \u00e9 considerada moderada, mas j\u00e1 houve casos com complica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias como hemorragia, problemas neurol\u00f3gicos e at\u00e9 morte. N\u00e3o h\u00e1 imuniza\u00e7\u00e3o ou tratamento espec\u00edfico para a doen\u00e7a, mas sim o controle de seus sintomas, como por exemplo o uso de rem\u00e9dios para controlar a febre.<\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do mayaro no Rio tamb\u00e9m \u00e9 um passo inicial diante de muitas inc\u00f3gnitas ainda a serem descobertas pelos\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/0f469e6a-d4a6-46f2-b727-2bd039cb6b53\">cientistas<\/a>; entenda.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que se sabe sobre a doen\u00e7a<\/h2>\n<p>O v\u00edrus foi isolado pela primeira vez na d\u00e9cada de 50 a partir de amostras de sangue de pacientes infectados em Trinidad e Tobago, na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>Casos no Brasil j\u00e1 foram registrados ainda em 1955 em um surto em Bel\u00e9m do Par\u00e1, e posteriormente em outras partes da Amaz\u00f4nia e do Centro-Oeste, como em Goi\u00e1s h\u00e1 quatro anos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3377\/production\/_107057131_gettyimages-1127159029.jpg\" alt=\"Praia, lagoa e \u00e1reas de mata em vis\u00e3o a\u00e9rea de Niter\u00f3i\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Casos foram registrados em Niter\u00f3i; cidade fica na regi\u00e3o metropolitana, mas tem \u00e1reas de mata<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em outros pa\u00edses, a proximidade com a floresta tamb\u00e9m \u00e9 decisiva na manifesta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, como em regi\u00f5es do Peru, Bol\u00edvia e Venezuela.<\/p>\n<p>&#8220;Os principais celeiros das arboviroses (v\u00edrus transmitidos por artr\u00f3podes, como os mosquitos) est\u00e3o na floresta amaz\u00f4nica, com 192 tipos de v\u00edrus (j\u00e1 descritos), mas nem todos em humanos; e a costa oeste da \u00c1frica, com mais 600 tipos&#8221;, explica o epidemiologista.<\/p>\n<p>No caso do mayaro, mam\u00edferos &#8211; incluindo os humanos &#8211; e at\u00e9 aves j\u00e1 foram descritos como hospedeiros para o v\u00edrus, ou seja, s\u00e3o &#8220;reservat\u00f3rios&#8221; cujo material infectado \u00e9 transmitido pelos mosquitos.<\/p>\n<p>Os insetos do g\u00eanero\u00a0<i>Haemagogus<\/i>\u00a0s\u00e3o o principal vetor, mas pesquisadores acreditam que o\u00a0<i>Aedes aegypti\u00a0<\/i>pode ser um transmissor &#8220;competente&#8221; do v\u00edrus &#8211; e isto traz implica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias para o desenvolvimento da doen\u00e7a nas cidades.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que falta entender<\/h2>\n<p>Os pesquisadores da UFRJ identificaram o mayaro a partir da an\u00e1lise a n\u00edvel molecular de 279 amostras que, pelos sintomas, indicavam infec\u00e7\u00e3o por chikungunya.<\/p>\n<p>Mas 57 destas amostras n\u00e3o puderam confirmar a presen\u00e7a da chikungunya, e ent\u00e3o os cientistas fizeram uma rean\u00e1lise delas. Com uma t\u00e9cnica chamada PCR em Tempo Real, a equipe conseguiu finalmente identificar um gene espec\u00edfico do mayaro em tr\u00eas amostras. Os resultados devem ser consolidados e publicados nos pr\u00f3ximos meses em um artigo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1680F\/production\/_107057129_gettyimages-818963738.jpg\" alt=\"Equipamentos usados em laborat\u00f3rio na t\u00e9cnica PCR em Tempo Real\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Pesquisadores da UFRJ usaram t\u00e9cnica chamada PCR em Tempo Real<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Nosso interesse agora \u00e9 descobrir se em 2019 o v\u00edrus continua circulando. Se est\u00e1 circulando, onde? E ele j\u00e1 p\u00f4de infectar mosquitos urbanizados?&#8221;, indica Amilcar Tanuri.<\/p>\n<p>Para buscar estas respostas, a equipe est\u00e1 correndo atr\u00e1s de amostras de pacientes infectados neste ano, inclusive em outras partes do Estado como cidades que j\u00e1 tiveram casos de febre amarela silvestre &#8211; portanto, envolvendo o\u00a0<i>Haemagogus\u00a0<\/i>ou ainda o mosquito\u00a0<i>Sabethes.<\/i><\/p>\n<p>E, como indicou Tanuri, os cientistas procuram tamb\u00e9m ind\u00edcios se o Aedes j\u00e1 possa ter picado um hospedeiro do mayaro e estar transmitindo o v\u00edrus, ampliando em muito a possibilidade de expans\u00e3o da doen\u00e7a nas cidades.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, uma das medidas mais importantes a ser tomada j\u00e1 \u00e9 conhecida &#8211; mas ainda deficiente: o combate ao mosquito, com a promo\u00e7\u00e3o do saneamento e da limpeza, impedindo a prolifera\u00e7\u00e3o de ovos e larvas do vetor na \u00e1gua parada, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;(Este tipo de arbovirose) \u00c9 um subproduto da expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas, da entrada da zona urbana dentro da mata, do movimento de pessoas&#8221;, explica Tanuri.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Desafios para levar pesquisa adiante<\/h2>\n<p>Segundo o cientista, dos mais de 6 mil casos relatados pelo Estado do Rio de Janeiro como indicativos de chikungunya neste ano, cerca de 20% n\u00e3o foram conclusivos para confirma\u00e7\u00e3o desta doen\u00e7a &#8211; o que abre margem para que possam na verdade incluir casos de mayaro.<\/p>\n<p>Mas estudar milhares de amostras implica em custos e demanda investimentos, o que joga luz sobre obst\u00e1culos s\u00e9rios a serem enfrentados na investiga\u00e7\u00e3o. Segundo Tanuri, &#8220;desde 2014&#8221; o investimento em pesquisa atrav\u00e9s de \u00f3rg\u00e3os de fomento federais e estaduais vem caindo, e agora neste ano o cen\u00e1rio deve ser agravado pelo contigenciamento de verbas para universidades federais como a UFRJ &#8211; afetando condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para o estudo, como o fornecimento de luz, \u00e1gua, limpeza e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2016, o trabalho da equipe de Amilcar Tanuri e Rodrigo Brindeiro no laborat\u00f3rio da UFRJ chegou a uma das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas mais importantes do mundo, a revista Lancet, na qual os brasileiros apresentaram o sequenciamento completo do genoma do zika.<\/p>\n<p>Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que, de dezembro de 2018 ao in\u00edcio de maio, o Rio de Janeiro foi o Estado com a maior incid\u00eancia de chikungunya no pa\u00eds &#8211; configurando um surto. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dengue, zika e febre amarela, um relat\u00f3rio de janeiro do governo estadual mostra que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor do que nos anos anteriores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m dos nomes dengue, zika e chikungunya, os moradores e o poder p\u00fablico do\u00a0Rio de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":106352,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mosquito.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Al\u00e9m dos nomes dengue, zika e chikungunya, os moradores e o poder p\u00fablico do\u00a0Rio de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}