{"id":106043,"date":"2019-05-18T14:00:37","date_gmt":"2019-05-18T17:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=106043"},"modified":"2019-05-17T22:16:01","modified_gmt":"2019-05-18T01:16:01","slug":"conflitos-e-supersticao-dificultam-combate-a-ebola-no-congo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conflitos-e-supersticao-dificultam-combate-a-ebola-no-congo\/","title":{"rendered":"Conflitos e supersti\u00e7\u00e3o dificultam combate a ebola no Congo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-106045\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Como se n\u00e3o bastassem as dificuldades inerentes de conter a 10\u00aa epidemia da febre hemorr\u00e1gica na regi\u00e3o, equipes m\u00e9dicas est\u00e3o expostas a atentados. Desconfian\u00e7a e cren\u00e7as locais tamb\u00e9m s\u00e3o obst\u00e1culo.<\/p>\n<p>Devido aos ataques continuados a colaboradores e centros de tratamento, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) adverte contra o perigo de uma epidemia no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo: se as mil\u00edcias n\u00e3o suspenderem suas ofensivas, \u00e9 improv\u00e1vel que o surto da febre hemorr\u00e1gica nas prov\u00edncias de Nordkivu e Ituri possa ser contido. Ambas n\u00e3o ficam distantes das fronteiras com Ruanda e Uganda.<\/p>\n<p>Na inst\u00e1vel regi\u00e3o de conflito, em que est\u00e3o ativos numerosos grupos armados, 1.600 pessoas j\u00e1 contra\u00edram ebola. Apesar da grande mobiliza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, recentemente aumentou o n\u00famero de cont\u00e1gios e \u00f3bitos: 1.147 j\u00e1 morreram em consequ\u00eancia da doen\u00e7a, comunicou a OMS em seu boletim desta quinta-feira (16\/05). Dos \u00f3bitos, 68% ocorreram fora dos centros de tr\u00e2nsito instalados pela OMS na regi\u00e3o, nos quais s\u00e3o examinados os casos de suspeita do ebola.<\/p>\n<p>Os ataques a volunt\u00e1rios e centros de tratamento ou de tr\u00e2nsito dificultam seriamente o trabalho, relata a organiza\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00f3s trabalhamos dois dias, e a\u00ed j\u00e1 acontece um novo ataque, e os membros da equipe t\u00eam que ficar cinco dias em casa. No meio tempo, temos que deixar o campo para o nosso inimigo principal, o v\u00edrus do ebola&#8221;, queixa-se em entrevista \u00e0 DW Aruna Abedi, coordenador para ebola do Minist\u00e9rio congol\u00eas da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A luta contra o ebola se torna cada vez mais assim\u00e9trica, queixa-se: &#8220;Quando n\u00e3o podemos trabalhar cinco dias, o v\u00edrus ganha vantagem; a doen\u00e7a nos escapa e temos que correr atr\u00e1s do tempo perdido. \u00c9 uma luta muito sofrida.&#8221;<\/p>\n<p>Recentemente foi incendiado um centro de tr\u00e2nsito na localidade Katwa, na prov\u00edncia de Nordkivu, perto da fronteira com Uganda. Em abril, um m\u00e9dico da OMS foi morto num atentado. Na maioria dos casos n\u00e3o ficou claro quem eram os organizadores. Ap\u00f3s tais incidentes, em geral a opera\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria \u00e9 temporariamente suspensa para refor\u00e7o das medidas de seguran\u00e7a. Nesse per\u00edodo, o n\u00famero dos novos cont\u00e1gios volta a subir.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o m\u00e9dico Babou Rukengeza, chefe de equipe da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Save the Children, ativa em Nordkivu, relata sobre manifesta\u00e7\u00f5es e tumultos constantes, atrapalhando significativamente o trabalho, sobretudo na cidade de Beni.<\/p>\n<p>&#8220;Esses transtornos causam interrup\u00e7\u00f5es repetidas do nosso trabalho e atrasos.&#8221; Em tais circunst\u00e2ncias, n\u00e3o \u00e9 de admirar que continuem aumentando os casos de ebola na regi\u00e3o, queixa-se. &#8220;E na verdade poder\u00edamos muito bem ter o problema do ebola sob controle, se nos deixassem trabalhar decentemente.&#8221;<\/p>\n<p>Para conter o surto, mais de 110\u00a0mil habitantes da regi\u00e3o j\u00e1 receberam uma vacina experimental contra a febre hemorr\u00e1gica, e a OMS aconselhou uma amplia\u00e7\u00e3o da campanha de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto os servi\u00e7os de sa\u00fade o leste do Congo enfrentam um problema grave: muitos dos habitantes desconfiam dos m\u00e9dicos e equipes humanit\u00e1rias governamentais, assim como dos medicamentos. Ao que tudo indica, ocorre divulga\u00e7\u00e3o intencional de informa\u00e7\u00f5es falsas.<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/conflitos-e-supersti%C3%A7%C3%A3o-dificultam-combate-a-ebola-no-congo\/a-48780041#\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Epidemia for\u00e7ou adiamento de tr\u00eas meses das elei\u00e7\u00f5es no Congo\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/48143812_401.jpg\" alt=\"Elei\u00e7\u00f5es no Congo, 31 de mar\u00e7o de 2019\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a>Epidemia for\u00e7ou adiamento de tr\u00eas meses das elei\u00e7\u00f5es no Congo<\/p>\n<\/div>\n<p>Explorando as supersti\u00e7\u00f5es locais, h\u00e1 quem afirme, por exemplo, que os rem\u00e9dios distribu\u00eddos nos centros de tr\u00e2nsito s\u00e3o causa de infertilidade e at\u00e9 morte; ou que os m\u00e9dicos e as ONGs n\u00e3o passam de invasores decididos a fazer dinheiro com o ebola. Outros duvidam at\u00e9 mesmo da exist\u00eancia da enfermidade: ela seria uma inven\u00e7\u00e3o, ou o trabalho de dem\u00f4nios trazidos de fora da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos acreditam muito mais rapidamente nas informa\u00e7\u00f5es falsas do que nas corretas, e isso tem consequ\u00eancias&#8221;, adverte Abedi. At\u00e9 mesmo pol\u00edticos se apoiaram em informa\u00e7\u00f5es falsas para afirmar que o ebola n\u00e3o existe. &#8220;Eles tamb\u00e9m dizem outras coisas, que foi tudo inventado. \u00c0s vezes se diz que algu\u00e9m foi envenenado, ou citam-se outros motivos, ou que foi bruxaria. Mas a doen\u00e7a \u00e9 real, ela continua matando gente e se alastrando entre a popula\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Outro problema, segundo o coordenador do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, \u00e9 que, apesar de os cad\u00e1veres serem altamente contagiosos, \u00e9 dif\u00edcil impedir as fam\u00edlias de toc\u00e1-los, colocando-se em grave perigo de sa\u00fade: &#8220;N\u00f3s instamos constantemente a que se sigam as medidas de higiene, que se comunique o aparecimento de sintomas e n\u00e3o se toque os mortos. Mas \u00e9 dif\u00edcil o povo aceitar isso.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A nega\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a implica um grande perigo&#8221;, prossegue Aruna Abedi. &#8220;Como diz um ditado: a ignor\u00e2ncia \u00e9 o que acaba com o povo. Por isso tentamos combater essa ignor\u00e2ncia entre a popula\u00e7\u00e3o.&#8221; As equipes m\u00e9dicas mobilizadas para a regi\u00e3o de crise pretendem agora integrar mais os chefes de aldeia tradicionais na luta contra o ebola.<\/p>\n<p>O rei Mfumu Difima, um dos principais monarcas tradicionais da Rep\u00fablica do Congo, reconhece a dificuldade de combater os preconceitos: &#8220;Queremos contribuir para convencer o povo a ir se tratar nos centros de tratamento oficiais. N\u00f3s dizemos a eles para comunicarem \u00e0s autoridades todos os casos de doen\u00e7a, mas estamos lutando contra grandes resist\u00eancias.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Difima, em especial nas regi\u00f5es afetadas numerosos espertalh\u00f5es da pol\u00edtica convenceram os cidad\u00e3os de que o ebola n\u00e3o passou de um pretexto para adiar as elei\u00e7\u00f5es de 30 de dezembro de 2018, de um truque para impedi-los de exercer seu direito ao voto. De fato, poucos dias antes da importante vota\u00e7\u00e3o, a Comiss\u00e3o Eleitoral decretou sua suspens\u00e3o nas zonas eleitorais de Beni e arredores e Butembo, por causa da epidemia. A elei\u00e7\u00e3o foi retomada l\u00e1 em 31 de mar\u00e7o \u00faltimo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, prossegue o rei Mfumu Difima, certos agentes sugerem repetidamente que, em caso de infec\u00e7\u00f5es com ebola, em vez de se apresentar aos servi\u00e7os de sa\u00fade oficiais, a popula\u00e7\u00e3o deveria confiar nos m\u00e9dicos tradicionais \u2013 os quais s\u00e3o muitas vezes charlat\u00e3es.<\/p>\n<p>O surto de ebola iniciado em agosto de 2018 \u00e9 o mais grave desde a devastadora epidemia na \u00c1frica Ocidental, em 2014-15, que fez 11\u00a0mil v\u00edtimas. Trata-se da d\u00e9cima epidemia conhecida de ebola na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. No entanto, todas as anteriores atingiram regi\u00f5es pac\u00edficas e puderam ser contidas com relativa rapidez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se n\u00e3o bastassem as dificuldades inerentes de conter a 10\u00aa epidemia da febre hemorr\u00e1gica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":106045,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ebola.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Como se n\u00e3o bastassem as dificuldades inerentes de conter a 10\u00aa epidemia da febre hemorr\u00e1gica","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106043"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106043\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}