{"id":106024,"date":"2019-05-18T12:30:45","date_gmt":"2019-05-18T15:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=106024"},"modified":"2019-05-17T21:46:39","modified_gmt":"2019-05-18T00:46:39","slug":"ha-uma-revolucao-tecnologica-em-curso-em-torno-da-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ha-uma-revolucao-tecnologica-em-curso-em-torno-da-agricultura\/","title":{"rendered":"H\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em curso em torno da agricultura"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-106027\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um dos principais respons\u00e1veis pelos avan\u00e7os do agroneg\u00f3cio no Brasil tem sido, sem a menor sombra de d\u00favida, a tecnologia tropical sustent\u00e1vel aqui desenvolvida e aplicada extensivamente pelos produtores rurais. Ela \u00e9 a causadora do aumento de produtividade agr\u00edcola, reduzindo a demanda por mais terras e, dessa forma, preservando \u00e1reas cobertas por vegeta\u00e7\u00e3o nativa de qualquer natureza. Basta um n\u00famero para exemplificar: da safra de 1976 at\u00e9 hoje, a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os cresceu 397%, enquanto a \u00e1rea plantada, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, aumentou apenas 45%. Isso reduziu a demanda por \u00e1reas novas. Atualmente, temos 62 milh\u00f5es de hectares cultivados com gr\u00e3os. Se tiv\u00e9ssemos hoje a mesma produtividade da \u00e9poca do Plano Collor (mar\u00e7o de 1990), seriam necess\u00e1rios mais 91 milh\u00f5es de hectares para colher a safra deste ano, isto \u00e9, precisar\u00edamos ter desmatado essa gigantesca \u00e1rea.<\/p>\n<p>As novas tecnologias para a chamada \u201cagricultura 4.0\u201d v\u00eam chegando aos borbot\u00f5es: empresas p\u00fablicas ou privadas investem continuamente em inova\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de insumos menos agressivos ao meio ambiente, em equipamentos que consomem menos combust\u00edvel e com sofisticados instrumentos ligados a sat\u00e9lites; agritechs e startups produzem novidades em gest\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es que permitem decis\u00f5es r\u00e1pidas e precisas sobre o que e como fazer.<\/p>\n<p>E aqui reside uma preocupa\u00e7\u00e3o: s\u00e3o tantas e t\u00e3o disruptivas as novas tecnologias que elas podem se transformar num fator de concentra\u00e7\u00e3o de renda e riqueza no campo. S\u00f3 grandes produtores com equipes interdisciplinares capacitadas conseguir\u00e3o acessar o universo da internet das coisas (IoT) e da digitaliza\u00e7\u00e3o e transformar as informa\u00e7\u00f5es ali geradas em elementos de gest\u00e3o e de avan\u00e7os t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>\u00c9 o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo na mecaniza\u00e7\u00e3o: nas principais feiras agropecu\u00e1rias, que se multiplicam pelo pa\u00eds todo, est\u00e3o expostas m\u00e1quinas poderosas que colhem mais de 30 hectares de gr\u00e3os por dia, drones que sobrevoam \u00e1reas enormes identificando os locais onde pulverizar qual produto, e assim por diante. A lament\u00e1vel falta de conectividade que existe no pa\u00eds inibe a ampla digitaliza\u00e7\u00e3o no campo, e os grandes fabricantes de m\u00e1quinas j\u00e1 est\u00e3o vendendo pacotes com torres de transmiss\u00e3o de dados. Tanta novidade vai reduzir os custos de produ\u00e7\u00e3o, aumentar a produtividade e melhorar a renda. Mas como fica aquele produtor que tem 20 hectares e n\u00e3o pode acessar tudo isso?<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos novos fatores determinantes da competitividade no campo, come\u00e7ando com a pr\u00f3pria sustentabilidade, claro. Mas hoje os temas centrais s\u00e3o tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (base para a digitaliza\u00e7\u00e3o), biotecnologia, nanotecnologia e gente preparada. A tecnologia da informa\u00e7\u00e3o envolve componentes de software e hardware que facilitam a comunica\u00e7\u00e3o e os processos no \u00e2mbito da virtualidade. Dispositivos embarcados em m\u00e1quinas ou fixos nos escrit\u00f3rios permitem a automa\u00e7\u00e3o dos processos, otimizando resultados. A gest\u00e3o se baseia em dados produzidos pelas tecnologias digitais e interpretados corretamente.<\/p>\n<p>Sensores, nuvem, comunica\u00e7\u00e3o entre m\u00e1quinas, t\u00e9cnicas de an\u00e1lise s\u00e3o as novas realidades. Nanossensores espalhados pelos diferentes talh\u00f5es de uma grande propriedade v\u00e3o informar em tempo real a temperatura e a umidade do ar e do solo, a dire\u00e7\u00e3o e a velocidade do vento, assim mitigando uma das maiores incertezas do trabalho rural, a varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. As informa\u00e7\u00f5es colhidas ser\u00e3o associadas \u00e0s informa\u00e7\u00f5es dos drones \u2014 controlados remotamente do ch\u00e3o \u2014 sobre debilidade de plantas ou ataque de pragas e doen\u00e7as em \u00e1reas espec\u00edficas, de modo que o combate a esses inimigos ser\u00e1 cirurgicamente efetivado, com importante redu\u00e7\u00e3o de custos e diminui\u00e7\u00e3o do uso de \u00e1gua e de defensivos.<\/p>\n<p>O GPS acoplado a m\u00e1quinas aut\u00f4nomas atua junto a sensores, aceler\u00f4metros e v\u00e1lvulas eletro-hidr\u00e1ulicas, funcionando com piloto autom\u00e1tico, ampliando a janela de plantio e permitindo o trabalho nas 24 horas do dia, com espetacular aumento de rendimento, tudo supervisionado por t\u00e9cnicos a partir do escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existem sensores de altura que ajudam a avaliar a topografia do terreno, melhorando muito as barras de pulveriza\u00e7\u00e3o sem perdas e sem a interven\u00e7\u00e3o humana no trato com defensivos. A moderna biotecnologia explica melhor a fisiologia vegetal, o desenvolvimento das plantas e como as pragas e mol\u00e9stias \u2014 t\u00e3o intensas num pa\u00eds tropical \u2014 se propagam e s\u00e3o combatidas. E gera variedades mais resistentes \u00e0s pragas e aos riscos de seca, mais ricas em nutrientes e mais rent\u00e1veis. Tudo isso tem efeito direto sobre a produtividade agr\u00edcola, com um monitoramento perfeito das opera\u00e7\u00f5es no campo, reduzindo desperd\u00edcios e sobreposi\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os: a m\u00e1quina desliga automaticamente se passar de novo por uma \u00e1rea j\u00e1 trabalhada. E o outro efeito evidente \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica de custos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso investir em conectividade para que as novas tecnologias sejam acess\u00edveis a todos\u201d<\/p>\n<p>Ora, fica claro que os grandes produtores levar\u00e3o uma vantagem abissal em rela\u00e7\u00e3o aos pequenos: sua produ\u00e7\u00e3o aumenta, a oferta cresce e os pre\u00e7os caem, regra elementar da economia rural. As margens por unidade produzida se estreitam e a escala passa a ser essencial para a forma\u00e7\u00e3o da renda. E de novo os pequenos perdem competitividade.<\/p>\n<p>Como solucionar esse problema? Tecnologia \u00e9 fator de concentra\u00e7\u00e3o em todos os setores econ\u00f4micos, inclusive ind\u00fastria e servi\u00e7os. Mas no campo \u00e9 muito mais grave, porque o exclu\u00eddo vai para a cidade, demandando mais servi\u00e7os essenciais e pressionando o poder p\u00fablico. O tecido social do campo n\u00e3o pode prescindir dos pequenos e m\u00e9dios produtores: eles s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p>Pelo menos duas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias, uma pelo setor p\u00fablico e a outra pelo privado. Na \u00e1rea p\u00fablica, \u00e9 preciso investir vigorosamente na conectividade, para que as novas tecnologias sejam acessadas por todos. Se o celular n\u00e3o funciona direito entre S\u00e3o Paulo e Campinas, como os pequenos produtores na fronteira agr\u00edcola receber\u00e3o informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou econ\u00f4micas em tempo real ou, ainda mais, como as m\u00e1quinas \u201cconversar\u00e3o entre si\u201d? Os grandes produtores ter\u00e3o torres para garantir a conex\u00e3o. Cabe ao Estado criar mecanismos (parcerias p\u00fablico-privadas para a instala\u00e7\u00e3o de redes, antenas etc.). Caso contr\u00e1rio, haver\u00e1 uma clara diferen\u00e7a de acesso \u00e0s inova\u00e7\u00f5es entre pequenos e grandes produtores, com evidentes desvantagens para os primeiros. Na atual conjuntura de aperto fiscal, o cr\u00e9dito para o pequeno e o m\u00e9dio n\u00e3o pode prescindir de subs\u00eddios, porque interessa \u00e0 sociedade mant\u00ea-los na atividade, com chance de progresso.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea privada, est\u00e1 reservado um papel central \u00e0s cooperativas agropecu\u00e1rias e de cr\u00e9dito rural. Elas podem fazer, no conjunto dos cooperados, o papel de um grande produtor, seja com equipes treinadas para interpretar e difundir as novas tecnologias, seja construindo torres de retransmiss\u00e3o de dados que todos os associados possam acessar.<\/p>\n<p>E, por fim, urge construir no Brasil um seguro rural digno do nosso evolu\u00eddo Agro. Sem essas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es, nossos produtores rurais em breve ser\u00e3o divididos em duas categorias: os dinossauros condenados ao desaparecimento, e os robotizados, inseridos competitivamente nos mercados globais.<\/p>\n<p>*\u2009Roberto Rodrigues \u00e9 coordenador do Centro de Agroneg\u00f3cio da FGV. Foi ministro da Agricultura no governo Lula<\/p>\n<p>Publicado em VEJA de 22 de maio de 2019, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 2635<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos principais respons\u00e1veis pelos avan\u00e7os do agroneg\u00f3cio no Brasil tem sido, sem a menor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":106027,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/drone.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um dos principais respons\u00e1veis pelos avan\u00e7os do agroneg\u00f3cio no Brasil tem sido, sem a menor","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106024"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106024\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}