{"id":10597,"date":"2014-11-16T15:27:15","date_gmt":"2014-11-16T15:27:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10597"},"modified":"2014-11-16T15:36:13","modified_gmt":"2014-11-16T15:36:13","slug":"guaricana-sociedade-ganha-um-novo-parque-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/guaricana-sociedade-ganha-um-novo-parque-nacional\/","title":{"rendered":"Guaricana: sociedade ganha um novo Parque Nacional"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"align  wp-image-74944\" src=\"http:\/\/www.nopatio.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/parquesnacionais_nopatio3.jpg\" alt=\"parquesnacionais_nopatio3\" width=\"640\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p>Por Emerson Antonio de Oliveira*<\/p>\n<p>Em 13 de outubro de 2014, atrav\u00e9s de Decreto Presidencial s\/n., o Governo Federal criou o\u00a0<a style=\"color: #025944;\" href=\"http:\/\/www.wikiparques.com\/wiki\/Parque_Nacional_do_Guaricana_%28em_estudo%29\" target=\"_blank\">Parque Nacional de Guaricana<\/a>, em parte dos munic\u00edpios de Guaratuba, Morretes e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, na Serra do Mar paranaense, incluindo parte da Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba e algumas \u00e1reas nas proximidades da Plan\u00edcie Litor\u00e2nea do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>A \u00e1rea total aproximada do Parque Nacional perfaz 49.300 hectares, ou seja, \u00e9 cerca de 5.000 hectares maior que toda a \u00e1rea do munic\u00edpio de Curitiba, capital do Paran\u00e1, metr\u00f3pole do Sul do Brasil cuja regi\u00e3o central se localiza a pouco mais de 30 quil\u00f4metros dos limites da nova\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/27099-o-que-sao-unidades-de-conservacao\" target=\"_blank\">Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o<\/a>, atrav\u00e9s da Rodovia BR 277 que liga Curitiba ao terminal mar\u00edtimo de Paranagu\u00e1 (veja abaixo).<\/p>\n<p>A sua localiza\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 estrat\u00e9gica em fun\u00e7\u00e3o da facilidade de acesso para o uso p\u00fablico controlado da \u00e1rea, um dos objetivos principais de um Parque Nacional, al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o da riqu\u00edssima biodiversidade local, uma vez que se encontra no cerne do maior fragmento cont\u00ednuo de floresta densa atl\u00e2ntica do Brasil, conhecido regionalmente por Lagamar, que se estende do Sul do litoral paulista at\u00e9 o norte de Santa Catarina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/nov2014\/mapa-guaricana.jpg\" alt=\"mapa-guaricana\" width=\"640\" height=\"336\" \/><\/p>\n<p>Contribuem para a elevada riqueza biol\u00f3gica da \u00e1rea a sua varia\u00e7\u00e3o altitudinal, partindo de cerca de 30 m sobre o n\u00edvel do mar, nas proximidades da foz do rio S\u00e3o Jo\u00e3o, aos fundos da Ba\u00eda de Guaratuba, at\u00e9 cerca de 1.300 m nas serras da Igreja e das Canavieiras; al\u00e9m da transi\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica, de solos e de forma\u00e7\u00f5es vegetais que ocorrem ao longo das diferentes altitudes, dentre as quais as forma\u00e7\u00f5es submontana, montana e altomontada da Floresta Ombr\u00f3fila Densa, de sua \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o (ec\u00f3tono) com a floresta com arauc\u00e1rias (Ombr\u00f3fila Mista) e de Ref\u00fagios Montanos e Altomontanos (campos de altitude e vegeta\u00e7\u00e3o rupestre). Essas caracter\u00edsticas tamb\u00e9m propiciam o estabelecimento local de esp\u00e9cies que s\u00f3 ocorrem em regi\u00f5es espec\u00edficas (end\u00eamicas), muitas das quais j\u00e1 se encontram amea\u00e7adas, visto a quase que completa destrui\u00e7\u00e3o de outras regi\u00f5es da\u00a0<a style=\"color: #025944;\" href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28610-o-que-e-o-bioma-mata-atlantica\" target=\"_blank\">Mata Atl\u00e2ntica<\/a>. Como comprova\u00e7\u00e3o dessa afirma\u00e7\u00e3o pode-se citar estudo recente da OSCIP\u00a0<a href=\"http:\/\/www.maternatura.org.br\/\" target=\"_blank\">Mater Natura \u2013 Instituto de Estudos Ambientais<\/a>, coordenado pelo Dr. Marcio Roberto Pie e financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio. Esse estudo identificou novas \u00e1reas de ocorr\u00eancia, agora inclu\u00eddas no Parque Nacional de Guaricana, de esp\u00e9cies de pequenos anf\u00edbios do g\u00eanero\u00a0<em>Melanophryniscus<\/em>\u00a0muito particulares, que se reproduzem em brom\u00e9lias ou locais \u00famidos de campos de altitude, geralmente isolados por florestas nebulares.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio nome Guaricana faz refer\u00eancia a esp\u00e9cies de pequenas palmeiras que ocorrem na \u00e1rea, pertencentes ao g\u00eanero Genoma, duas das quais (<em>gamiova<\/em>\u00a0e\u00a0<em>schottiana<\/em>) se encontram como criticamente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o na lista de flora amea\u00e7ada do estado do Rio Grande do Sul. Destaca-se que a Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio tamb\u00e9m apoiou o estudo intitulado &#8220;A floresta ombr\u00f3fila densa altomontana e os ref\u00fagios vegetacionais alto montanos no Paran\u00e1&#8221;, coordenado por Gilberto Tiepolo da Sociedade Fritz Muller de Ci\u00eancias Naturais. Entre os resultados o estudo identificou 155 esp\u00e9cies vegetais na serra da Igreja, incluindo as esp\u00e9cies de guaricana, informa\u00e7\u00f5es que apontaram a \u00e1rea como uma das regi\u00f5es com maior riqueza entre as \u00e1reas altomontanas estudadas at\u00e9 ent\u00e3o no Paran\u00e1, corroborando com a import\u00e2ncia biol\u00f3gica contida nos limites do\u00a0<a style=\"color: #025944;\" href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28241-o-que-e-um-parque-nacional\" target=\"_blank\">Parque Nacional<\/a>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao potencial de ecoturismo do local, tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar a prov\u00e1vel ocorr\u00eancia de vest\u00edgios do antigo Caminho Hist\u00f3rico do Arraial, que acompanhava o rio hom\u00f4nimo em parte da \u00e1rea do Parque Nacional e servia de liga\u00e7\u00e3o aos primeiros viajantes que se deslocavam do litoral paranaense para a regi\u00e3o do primeiro planalto onde hoje se encontra a regi\u00e3o metropolitana de Curitiba. Prospec\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas precisar\u00e3o ser conduzidas pelo \u00f3rg\u00e3o gestor do novo Parque Nacional, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/27802-pra-que-serve-o-instituto-chico-mendes\" target=\"_blank\">Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio)<\/a>, para resgatar vest\u00edgios desse caminho, juntamente com outras atividades necess\u00e1rias para a prote\u00e7\u00e3o e manejo da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, que passam pela necess\u00e1ria elabora\u00e7\u00e3o do seu\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/27619-o-que-e-um-plano-de-manejo\" target=\"_blank\">Plano de Manejo<\/a>\u00a0e aloca\u00e7\u00e3o de pessoal.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos importante para consolidar o potencial tur\u00edstico da \u00e1rea s\u00e3o os encachoeiramentos e corredeiras que se proliferam de entremeio \u00e0s dezenas de serras, escarpas e vales no interior da \u00e1rea, especialmente nos afluentes e canais principais dos rios Arraial, Canasvieiras e S\u00e3o Jo\u00e3o, todos da bacia do rio Cubat\u00e3o e que desaguam da Ba\u00eda de Guaratuba (Foto 2). H\u00e1 ainda as cachoeiras e corredeirasdos rios Pinto e Sagrado, que rumam para a Ba\u00eda de Paranagu\u00e1.<\/p>\n<p>Ou seja, o Parque Nacional tamb\u00e9m exercer\u00e1 papel fundamental para a preserva\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio, fundamental para garantir a longo prazo o suprimento h\u00eddrico da capital e dos munic\u00edpios do litoral sul do Paran\u00e1, com potencial de gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jusante\" target=\"_blank\">jusante<\/a>, al\u00e9m de garantir a manuten\u00e7\u00e3o dos estu\u00e1rios que garantem recursos pesqueiros e suportam parte significativa da economia regional. Cabe destacar que a \u00e1rea j\u00e1 \u00e9 utilizada para trekking e aprecia\u00e7\u00e3o das quedas d&#8217;\u00e1gua locais, bem como para montanhismo e rapel, por\u00e9m agora tais pr\u00e1ticas precisar\u00e3o ser regularizadas pelo ICMBio, visando a seguran\u00e7a dos praticantes e a prote\u00e7\u00e3o dos ambientes naturais.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria da \u00e1rea favorece a r\u00e1pida implementa\u00e7\u00e3o do Parque Nacional, visto que uma parcela significativa do territ\u00f3rio pertencia ao extinto Banco Bamerindus S\/A., que foi arrecadado pela Uni\u00e3o quando da execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas da institui\u00e7\u00e3o financeira junto ao Governo Federal. Outra parcela quase de igual propor\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 NorskeSkog Pisa, conglomerado internacional do ramo de papel e celulose baseado no Paran\u00e1. Esse conglomerado mantinha florestas de Pinus spp. em parte da \u00e1rea, a qual, em acordo no processo de licenciamento para extra\u00e7\u00e3o dessas florestas plantadas, concordou em ced\u00ea-las para a cria\u00e7\u00e3o da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. Essas duas \u00e1reas, juntamente com outros quatro im\u00f3veis atrelados ao patrim\u00f4nio da Companhia Paranaense de Energia (COPEL), que tamb\u00e9m manifestou anu\u00eancia \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de suas \u00e1reas no Parque Nacional, compreendem cerca de 70% da extens\u00e3o territorial circunscrita ao Decreto de Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Complementam o territ\u00f3rio da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, \u00e1reas devolutas (p\u00fablicas), outras com demandas de posses e \u00e1reas menores supostamente pertencentes a particulares. De acordo com informa\u00e7\u00f5es do processo de cria\u00e7\u00e3o da unidade, n\u00e3o deve haver mais que uma ou duas habita\u00e7\u00f5es em seu interior. Ou seja, recursos para desapropria\u00e7\u00f5es de \u00e1reas e benfeitorias ser\u00e3o m\u00ednimos, sendo que h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es repassadas por dirigentes do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente de que j\u00e1 h\u00e1 recursos dispon\u00edveis de compensa\u00e7\u00e3o ambiental para aplica\u00e7\u00e3o na unidade para esses fins, al\u00e9m da implanta\u00e7\u00e3o de infraestrutura m\u00ednima para fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle.<\/p>\n<p>Resta, pois, cumprimentar o Governo Federal, atrav\u00e9s dos t\u00e9cnicos do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28419-o-que-faz-o-ministerio-do-meio-ambiente\" target=\"_blank\">Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/27802-pra-que-serve-o-instituto-chico-mendes\" target=\"_blank\">ICMBio<\/a>envolvidos, pela cria\u00e7\u00e3o do mais novo Parque Nacional do Sul do Brasil, o segundo maior exclusivo em territ\u00f3rio paranaense, por proporcionarem \u00e0s demais na\u00e7\u00f5es do planeta um exemplo de civilidade e de preocupa\u00e7\u00e3o com a manuten\u00e7\u00e3o da vida desta e das futuras gera\u00e7\u00f5es. Igualmente exemplar foi o processo democr\u00e1tico envolvido, visto a exaust\u00e3o da discuss\u00e3o da proposta com as diversas inst\u00e2ncias da sociedade e dos poderes p\u00fablicos durante a instru\u00e7\u00e3o do processo de cria\u00e7\u00e3o, que se estendeu por pelo menos seis anos. Cumprimentos, tamb\u00e9m, ao Governo do Paran\u00e1, atrav\u00e9s da Secretaria de Estado do Meio Ambiente,que, por mais de uma vez, solicitou formalmente ao Governo Federal a cria\u00e7\u00e3o do Parque Nacional e n\u00e3o deliberou propostas de licenciamento de Pequenas Centrais Hidrel\u00e9tricas na \u00e1rea, as quais poderiam comprometer significativamente a biodiversidade da nova unidade de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*<em><strong>Emerson Antonio de Oliveira<\/strong>\u00a0\u00e9 coordenador de Ci\u00eancia e Informa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza<\/em><\/p>\n<p>Fonte: ((o))eco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Emerson Antonio de Oliveira* Em 13 de outubro de 2014, atrav\u00e9s de Decreto Presidencial<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Emerson Antonio de Oliveira* Em 13 de outubro de 2014, atrav\u00e9s de Decreto Presidencial","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10597"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}