{"id":105951,"date":"2019-05-17T11:00:56","date_gmt":"2019-05-17T14:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=105951"},"modified":"2019-05-16T21:37:41","modified_gmt":"2019-05-17T00:37:41","slug":"cientistas-de-harvard-associam-um-aditivo-comum-no-pao-de-forma-a-diabetes-e-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-de-harvard-associam-um-aditivo-comum-no-pao-de-forma-a-diabetes-e-obesidade\/","title":{"rendered":"Cientistas de Harvard associam um aditivo comum no p\u00e3o de forma a diabetes e obesidade"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-105952\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Corresponde aos c\u00f3digos E-280 a E-283, a ind\u00fastria aliment\u00edcia o emprega de modo corriqueiro no preparo de p\u00e3o de forma e produtos de confeitaria em geral, e sua utilidade \u00e9 incontest\u00e1vel; sua presen\u00e7a impede o aparecimento de mofo e a prolifera\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bacteriologia\">bact\u00e9rias<\/a>. Trata-se do propionato, um aditivo alimentar comum aprovado pela Autoridade Europeia de Seguran\u00e7a dos Alimentos (EFSA, na sigla em ingl\u00eas), cuja seguran\u00e7a foi recentemente questionada por uma equipe internacional de cientistas liderada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/universidad_harvard\">Universidade de Harvard<\/a>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O estudo, publicado na revista\u00a0<em>Science Translational Medicine<\/em>, afirma que o consumo de propionato poderia elevar os n\u00edveis de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hormonas\">horm\u00f4nios<\/a>\u00a0envolvidos na regula\u00e7\u00e3o do peso corporal e no diabetes, com um risco aumentado de a pessoa sofrer de diabetes e obesidade. Isso sugere infinitas perguntas. Acabaram as torradas das manh\u00e3s? E os sandu\u00edches? Quando pens\u00e1vamos que o mundo estava dividido em p\u00e3o de forma com ou sem crosta, agora se fala que o debate deveria ter se concentrado em comer ou n\u00e3o o esponjoso p\u00e3o? Nada de p\u00e2nico!<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\">Um amplo estudo em ratos, mas limitado em humanos<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">O endocrinologista da Universidade Harvard Amir Tirosh, principal autor do estudo, explica o objetivo da pesquisa: &#8220;Dada a propor\u00e7\u00e3o epid\u00eamica da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/obesidad\">obesidade<\/a>\u00a0e do diabetes, a mensagem principal do nosso estudo refor\u00e7a a necessidade de avaliar amplamente os poss\u00edveis efeitos metab\u00f3licos de longo prazo de muitos fatores ambientais que mudaram nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tanto por seus efeitos positivos como negativos. Este esfor\u00e7o global deve incluir, entre outros, todos os ingredientes dos alimentos, em n\u00edvel molecular&#8221;. No seu caso, o trabalho baseia seus resultados em uma combina\u00e7\u00e3o de estudos em animais e pessoas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Numa primeira fase os cientistas administraram propionato a ratos e descobriram que um aumento nos n\u00edveis de glucagon, norepinefrina e FABP4 (um horm\u00f4nio gluconeog\u00eanico, ou seja, que favorece a produ\u00e7\u00e3o de glicose). Isso, por sua vez, produziu nos roedores uma hiperglicemia, que \u00e9 o aumento do n\u00edvel de a\u00e7\u00facar no sangue acima dos n\u00edveis normais. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/animales\">animais<\/a>\u00a0ganharam peso e a resist\u00eancia de seu organismo \u00e0 insulina aumentou. Numa segunda fase, os cientistas completaram o estudo com um pequeno experimento em pessoas: em uma amostra de 14 adultos, descobriram que aqueles que consumiram alimentos com determinados n\u00edveis de propionato tiveram aumentos significativos de noradrenalina, glucagon e FABP4 logo ap\u00f3s a ingest\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A coincid\u00eancia \u00e9 interessante, mas os resultados do trabalho s\u00e3o s\u00f3lidos o suficiente para que comecemos a tremer? Quais s\u00e3o as limita\u00e7\u00f5es da pesquisa? &#8220;O estudo em ratos tem um projeto muito cuidado e alta qualidade. Fizeram mais de dez experi\u00eancias e testaram cada hip\u00f3tese em detalhes, demonstrando claramente a sua conclus\u00e3o: o que o propionato provoca e por quais mecanismos\u201d, explica o especialista em endocrinologia e nutri\u00e7\u00e3o Antonio Mas. No entanto, Mas avalia com cautela os resultados em humanos. &#8220;\u00c9 um experimento preliminar feito em pouqu\u00edssimos pacientes e que precisa ser confirmado. De todo modo, considero not\u00e1vel que os resultados obtidos sigam na mesma linha e, pelo menos, desde o in\u00edcio, n\u00e3o haja contradi\u00e7\u00f5es\u201d, explica. O especialista salienta, por\u00e9m, que n\u00e3o h\u00e1 motivo para alarme. &#8220;J\u00e1 sab\u00edamos que os produtos ultraprocessados s\u00e3o prejudiciais, agora tamb\u00e9m conhecemos um dos mecanismos poss\u00edveis&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A tecn\u00f3loga de alimentos e consultora de seguran\u00e7a alimentar Beatriz Robles concorda com o endocrinologista no componente &#8220;preliminar&#8221; dos resultados e exp\u00f5e uma vis\u00e3o com mais reservas. &#8220;A primeira parte da pesquisa foi realizada em ratos, e esse tipo de estudo serve apenas para estabelecer hip\u00f3teses e propor novas linhas de pesquisa, nunca pode ser extrapolado para humanos&#8221;. Robles ressalta que na segunda parte do estudo, feita pelos cientistas em humanos, a amostra foi muito pequena. E tamb\u00e9m a dose que comemos habitualmente, se comparada \u00e0 que utilizaram nos experimentos. &#8220;De acordo com a EFSA, a ingest\u00e3o m\u00e9dia de propionato em adultos procedente de todas as fontes diet\u00e9ticas (naturais e como aditivo) est\u00e1 em torno de 1, 1 a 7,7 miligramas por quilo de peso corporal por dia. Para um adulto de 70 quilos, isto representa entre 0,077 e 0,5 grama por dia, uma quantidade muito distante da usada no estudo, de um grama&#8221;, observa a especialista. Para garantir que n\u00e3o haja p\u00e2nico, Robles recorda ainda que em 2014 a EFSA reavaliou a seguran\u00e7a desse aditivo e concluiu que n\u00e3o existem problemas de seguran\u00e7a, mesmo quando utilizado como aditivo e nas concentra\u00e7\u00f5es m\u00e1ximas permitidas.<\/p>\n<h3 dir=\"ltr\">\u00c9 preciso buscar alternativas?<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">O propionato \u00e9 um aditivo encontrado naturalmente em alguns alimentos em raz\u00e3o da a\u00e7\u00e3o microbiana. \u00c9 um \u00e1cido org\u00e2nico de cadeia curta que faz parte de produtos l\u00e1cteos como o queijo, &#8220;um alimento em que aparece em grandes quantidades&#8221;, diz Robles. &#8220;Tamb\u00e9m podemos encontr\u00e1-lo no caf\u00e9 e nos crust\u00e1ceos, e seu uso como aditivo \u00e9 autorizado em diferentes produtos por sua fun\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o antimicrobiana&#8221;, continua. O propionato pode ser adicionado aos produtos c\u00e1rneos, aos de padaria e confeitaria, aos queijos&#8230;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas mesmo que seu uso industrial n\u00e3o seja indiscriminado e sua seguran\u00e7a esteja comprovada, os cientistas de Harvard querem abrir um novo caminho para resolver a quest\u00e3o da inocuidade. &#8220;Acredito que seja nossa responsabilidade, como comunidade cient\u00edfica, n\u00e3o s\u00f3 destacar os perigos e advert\u00eancias, mas tamb\u00e9m fornecer ao p\u00fablico e \u00e0 ind\u00fastria evid\u00eancias de seguran\u00e7a do que pode ser usado, em que dose e combina\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma Tirosh. O endocrinologista Antonio Mas concorda com essa abordagem. &#8220;Parece-me que este estudo \u00e9 motivo de tranquilidade, pois conhecer mais profundamente a origem do problema pode nos ajudar a buscar alternativas como, por exemplo, o uso de outros conservantes&#8221;, opina.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Enquanto esperamos alternativas e pesquisas que endossem esses primeiros resultados, podemos, afinal de contas, examinar detalhadamente o que ingerimos. Nunca \u00e9 demais lembrar, como salienta Mas, que os produtos processados provocam diabetes, obesidade e muitas outras doen\u00e7as metab\u00f3licas. &#8220;At\u00e9 recentemente pens\u00e1vamos que todos os danos eram causados pelo excesso de calorias que esses produtos fornecem, mas cada vez mais vemos que h\u00e1 outros fatores envolvidos&#8221;, diz ele. O especialista incentiva o consumidor a desviar desses perigos evitando a ingest\u00e3o de alimentos processados e recomenda &#8220;comer um pouco mais como faziam nossos av\u00f4s e av\u00f3s: alimentos como est\u00e3o na natureza, ir ao mercado, consumir mat\u00e9rias-primas da esta\u00e7\u00e3o em vez de produtos prontos, comprar sem embalagem ou, pelo menos, os que levam uma quantidade m\u00ednima de ingredientes&#8221;.<\/p>\n<p>E quanto ao p\u00e3o? Continuamos apreciando as torradas e os sandu\u00edches? &#8220;Acho que \u00e9 preciso haver estudos mais amplos em humanos, com um acompanhamento mais prolongado, antes que possamos fazer recomenda\u00e7\u00f5es sobre o uso do propionato. No entanto, escolher os p\u00e3es fresquinhos com um m\u00ednimo ou nenhum conservante adicionado \u00e9 provavelmente um enfoque seguro para promover a sa\u00fade&#8221;, conclui o autor do estudo. De qualquer modo, o importante \u00e9 ter informa\u00e7\u00f5es para tomar a melhor decis\u00e3o, dados como os que os consumidores ter\u00e3o em 1\u00ba de julho, quando entrar\u00e1 em vigor na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/espana\">Espanha<\/a>\u00a0a esperada norma de qualidade do p\u00e3o, com a qual se pretende garantir aos cidad\u00e3os produtos de qualidade perfeitamente caracterizados e rotulados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corresponde aos c\u00f3digos E-280 a E-283, a ind\u00fastria aliment\u00edcia o emprega de modo corriqueiro no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105952,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pao_forma.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Corresponde aos c\u00f3digos E-280 a E-283, a ind\u00fastria aliment\u00edcia o emprega de modo corriqueiro no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105951"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105951"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105951\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}