{"id":105861,"date":"2019-05-15T13:37:36","date_gmt":"2019-05-15T16:37:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=105861"},"modified":"2019-05-15T13:37:36","modified_gmt":"2019-05-15T16:37:36","slug":"silvicultura-intensiva-acelera-regeneracao-da-biodiversidade-na-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/silvicultura-intensiva-acelera-regeneracao-da-biodiversidade-na-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Silvicultura intensiva acelera regenera\u00e7\u00e3o da biodiversidade na Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-105863\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um experimento realizado na Mata Atl\u00e2ntica sugere que a silvicultura intensiva \u2013 com uso de herbicida e maior quantidade de fertilizantes \u2013 \u00e9 mais eficaz para promover a regenera\u00e7\u00e3o de florestas tropicais e o ganho de biomassa do que o m\u00e9todo tradicional, baseado no controle do capim com ro\u00e7ada e menor aduba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo\u00a0foi coordenado por\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/72339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>Pedro Henrique Santin Brancalion<\/b><\/a>, professor de Silvicultura de Esp\u00e9cies Nativas no Departamento de Ci\u00eancias Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e teve\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/85029\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio da FAPESP<\/a><\/b>.<\/p>\n<p>O trabalho contou com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Centro Franc\u00eas de Pesquisa Agr\u00edcola para o Desenvolvimento Internacional (Cirad). Os resultados foram publicados\u00a0na revista\u00a0<b><i><a href=\"http:\/\/esajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/eap.1847\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ecological Applications<\/a><\/i><\/b>, da Ecological Society of America.<\/p>\n<p>Como explicou Brancalion, atividades de reflorestamento s\u00e3o consideradas estrat\u00e9gicas para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pois a vegeta\u00e7\u00e3o sequestra carbono da atmosfera \u00e0 medida que se desenvolve.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 programas promovidos por pa\u00edses como a Noruega para ajudar a neutralizar as emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico de suas atividades econ\u00f4micas. H\u00e1 empresas que lan\u00e7am editais de apoio a projetos de reflorestamento para neutralizar parte das emiss\u00f5es de suas f\u00e1bricas e h\u00e1 in\u00fameras ONGs internacionais que captam recursos de empresas interessadas em investir nos projetos de reflorestamento de esp\u00e9cies nativas no Brasil\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, maximizar o ac\u00famulo de biomassa lenhosa nas \u00e1reas reflorestadas, a fim de obter pagamentos antecipados pelo estoque de carbono, \u00e9 essencial para a viabilidade financeira desses programas promovidos pelos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A silvicultura intensiva, usada no cultivo comercial de eucalipto e pinus para aumentar a produtividade e o lucro, \u00e9 defendida como uma abordagem promissora para aumentar o ac\u00famulo de biomassa lenhosa em plantios de restaura\u00e7\u00e3o. No entanto, explicou Brancalion, h\u00e1 quem questione se tal abordagem dificultaria a regenera\u00e7\u00e3o natural da floresta e a sucess\u00e3o ecol\u00f3gica devido \u00e0 alta competi\u00e7\u00e3o entre plantas colonizadoras e \u00e1rvores plantadas.<\/p>\n<p>&#8220;Em diversas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 preciso plantar esp\u00e9cies de \u00e1rvores nativas. Como fazer para que essas \u00e1reas de planta\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores nativas maximizem o estoque de carbono? Para encontrar respostas, realizamos um experimento controlado de plantio de \u00e1rvores nativas\u201d, disse.<\/p>\n<p>O experimento foi conduzido na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Ci\u00eancias Florestais, da Esalq, situada pr\u00f3ximo ao munic\u00edpio de Anhembi. A \u00e1rea foi doada \u00e0 USP em 1974 pela Companhia Energ\u00e9tica de S\u00e3o Paulo (Cesp) para fins acad\u00eamicos e cient\u00edficos. A partir de ent\u00e3o, sob a administra\u00e7\u00e3o do Departamento de Ci\u00eancias Florestais da Esalq, a Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Ci\u00eancias Florestais &#8211; Anhembi passou a realizar uma s\u00e9rie de pesquisas voltadas \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o e melhoramento gen\u00e9tico de esp\u00e9cies florestais ex\u00f3ticas e nativas, constituindo-se em um importante banco de germoplasma para o setor florestal mundial.<\/p>\n<p>\u201cInvestigamos, nessa \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica, os impactos de diferentes abordagens de silvicultura aplicadas ao plantio de esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas, tanto no que diz respeito ao ac\u00famulo de biomassa lenhosa quanto na regenera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de esp\u00e9cies lenhosas nativas\u201d, disse Brancalion.<\/p>\n<p>Por ser um trabalho com \u00e1rvores, muitas de crescimento lento, a pesquisa come\u00e7ou em 2004. O experimento foi montado em uma \u00e1rea de pastagem coberta por capim braqui\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cTestamos tr\u00eas estrat\u00e9gias principais. A primeira envolveu, na sele\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, a eleva\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies pioneiras no plantio, ou seja, aquelas mais r\u00fasticas, que demandam muita luz do sol, de pequeno a m\u00e9dio porte, e de crescimento r\u00e1pido. A composi\u00e7\u00e3o ideal que buscava encontrar seria aquela que resultasse em um maior estoque de carbono, mas que ainda assim permitisse a regenera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies semelhantes \u00e0s de uma mata nativa, e n\u00e3o a de um mero bosque de \u00e1rvores sem regenera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Brancalion.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, s\u00e3o chamadas de esp\u00e9cies pioneiras aquelas que se regeneram inicialmente em uma floresta. S\u00e3o \u00e1rvores que crescem muito r\u00e1pido, tem madeira pouco densa e morrem cedo, em torno de 10 anos. \u201cElas s\u00e3o importantes para reocupar clareiras nas florestas e \u00e1reas degradadas, pois rapidamente formam uma estrutura florestal. J\u00e1 as esp\u00e9cies n\u00e3o pioneiras crescem mais devagar e duram d\u00e9cadas ou s\u00e9culos\u201d, disse.<\/p>\n<p>No experimento foram usadas 20 esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas. Entre as esp\u00e9cies pioneiras havia, por exemplo, cedro, amendoim-bravo, aroeira-vermelha, angico-branco e timba\u00fava. Entre as \u00e1rvores de crescimento mais lento constavam mudas de jequitib\u00e1-branco, ip\u00ea-roxo, jatob\u00e1 e jacarand\u00e1. Havia ainda diversas outras esp\u00e9cies, de crescimento intermedi\u00e1rio, como copa\u00edba, pitangueira, jenipapeiro, goiabeira e jeriv\u00e1, entre muitas outras.<\/p>\n<p>Foram testados plantios com propor\u00e7\u00e3o igual de esp\u00e9cies pioneiras e n\u00e3o pioneiras (50% cada) e com rela\u00e7\u00e3o de dois para um, ou seja, 67% de mudas pioneiras para 33% de mudas n\u00e3o pioneiras.<\/p>\n<p>\u201cA segunda estrat\u00e9gia de plantio jogou com o adensamento na quantidade de \u00e1rvores por hectare plantado. A quest\u00e3o que se queria ver respondida era se o aumento na quantidade de \u00e1rvores maximizaria a estocagem de carbono ou se, ao contr\u00e1rio, uma densidade menor reduziria a competi\u00e7\u00e3o entre as plantas acarretando assim em \u00e1rvores maiores e um consequente maior estoque de carbono\u201d, disse Brancalion.<\/p>\n<p>Os pesquisadores trabalharam com um espa\u00e7amento entre linhas de plantio de 3 metros, e entre mudas plantadas nas linhas de 2 ou 1 metro. Assim, a \u00e1rea com menor adensamento possu\u00eda 1.666 mudas, enquanto a de maior espa\u00e7amento, 3.333.<\/p>\n<p>A terceira estrat\u00e9gia de plantio envolveu um manejo mais intensivo, com controle de plantas daninhas com herbicida e aduba\u00e7\u00e3o mais carregada.<\/p>\n<p>\u201cReunimos diversas medidas ao longo de 12 anos. As diferentes t\u00e9cnicas que testamos resultaram em florestas bem diferentes do ponto de vista do estoque de carbono, variando de 25 at\u00e9 75 toneladas por hectare\u201d, disse Brancalion.<\/p>\n<p><b>Regenera\u00e7\u00e3o em floresta nativa<\/b><\/p>\n<p>O adensamento no plantio de mudas e a rela\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel entre esp\u00e9cies pioneiras e n\u00e3o pioneiras n\u00e3o resultaram em altera\u00e7\u00f5es significativas na estocagem de carbono. J\u00e1 o melhor manejo, aliado ao uso de herbicida e aduba\u00e7\u00e3o diferenciada, foi o que obteve melhores resultados em todos os experimentos.<\/p>\n<p>\u201cA quantidade total de \u00e1rvores e a maior quantidade de pioneiras n\u00e3o foram fatores que influenciaram significativamente o ganho de biomassa\u201d, disse Brancalion.<\/p>\n<p>&#8220;A segunda pergunta que quer\u00edamos ver respondida era saber se o plantio de mudas serviria para desencadear um processo de regenera\u00e7\u00e3o que desembocaria em uma floresta nativa biodiversa. Ou se, caso isso n\u00e3o ocorresse, a \u00e1rea continuaria sendo um bosque de planta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m quer\u00edamos saber se o favorecimento da estocagem de carbono prejudicaria a regenera\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nativas\u201d, disse Brancalion.<\/p>\n<p>&#8220;O resultado ao qual chegamos foi o melhor dos cen\u00e1rios. Verificou-se uma sinergia entre a estocagem de carbono e a regenera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas, o que \u00e9 excelente&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O estudo foi financiado pela FAPESP no \u00e2mbito do Programa de Pesquisas em Caracteriza\u00e7\u00e3o, Conserva\u00e7\u00e3o, Restaura\u00e7\u00e3o e Uso Sustent\u00e1vel da Biodiversidade (<a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/biota\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>BIOTA<\/b><\/a>). Tamb\u00e9m contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e da Petrobras.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Intensive silviculture enhances biomass accumulation and tree diversity recovery in tropical forest restoration<\/i>\u00a0(doi: https:\/\/doi.org\/10.1002\/eap.1847), de Pedro H. S. Brancalion, Ot\u00e1vio Campoe, Jo\u00e3o Carlos Teixeira Mendes, Camilla Noel, Gabriela G. Moreira, Juliano van Melis, Jos\u00e9 Luiz Stape e Joann\u00e8s Guillemot, est\u00e1 publicado em:\u00a0<a href=\"https:\/\/esajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/eap.1847\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>https:\/\/esajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/eap.1847<\/b><\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/2019\/trees.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"541\" \/><\/p>\n<p>Na parte de cima, o resultado alcan\u00e7ado com a estrat\u00e9gia tradicional de silvicultura; na parte de baixo se observa a evolu\u00e7\u00e3o da biodiversidade com a ado\u00e7\u00e3o da silvicultura intensiva (<i>fotos: Pedro Brancalion<\/i>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um experimento realizado na Mata Atl\u00e2ntica sugere que a silvicultura intensiva \u2013 com uso de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mata.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um experimento realizado na Mata Atl\u00e2ntica sugere que a silvicultura intensiva \u2013 com uso de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105861"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105861\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}