{"id":10582,"date":"2014-11-16T16:00:37","date_gmt":"2014-11-16T16:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10582"},"modified":"2014-11-16T14:30:58","modified_gmt":"2014-11-16T14:30:58","slug":"pesquisadores-desenvolvem-possivel-alternativa-ao-uso-de-antibioticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-desenvolvem-possivel-alternativa-ao-uso-de-antibioticos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores desenvolvem poss\u00edvel alternativa ao uso de antibi\u00f3ticos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-10583\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Lipossomas desenvolvidos em laborat\u00f3rio funcionam como \u201ciscas\u201d de toxinas, permitindo que sistema imunol\u00f3gico responda \u00e0 infec\u00e7\u00e3o. Mas especialistas n\u00e3o acreditam que subst\u00e2ncia poder\u00e1 substituir medicamento.<\/p>\n<p>A luta contra infec\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias pode estar perto de alcan\u00e7ar significativo avan\u00e7o. Um estudo publicado pelo jornal cient\u00edfico Nature Biotechnology revela que uma subst\u00e2ncia produzida em laborat\u00f3rio pode vir a se tornar uma alternativa ao uso de antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos vem sendo considerada um grave problema crescente em todo o mundo. Um relat\u00f3rio divulgado este ano pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) alerta que a \u201cresist\u00eancia a antibi\u00f3ticos deixou de ser apenas uma previs\u00e3o para o futuro; \u00e9 algo que est\u00e1 acontecendo j\u00e1 agora no presente, no mundo todo\u201d.<\/p>\n<p>Embora nenhuma subst\u00e2ncia alternativa produzida at\u00e9 hoje tenha passado por processos suficientemente longos a ponto de ser aprovada como medicamento, a empresa da \u00e1rea de biomedicina Lascco, com sede em Genebra, j\u00e1 anunciou testes cl\u00ednicos de seu novo produto para o ano que vem. Mas alguns m\u00e9dicos e cientistas alertam, por\u00e9m, que ele provavelmente n\u00e3o deve substituir o uso de antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>\u201cIsca\u201d de toxina<\/p>\n<p>Segundo a Lascco, cientistas desenvolveram nanopart\u00edculas especiais feitas de lip\u00eddios, os lipossomas, que muito se assemelham a c\u00e9lulas hospedeiras. Ao serem introduzidas no corpo de uma pessoa com uma grave infec\u00e7\u00e3o bacteriana, essas membranas artificiais, tamb\u00e9m conhecidas como CALo2, devem atrair as toxinas produzidas pela bact\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201cAs toxinas dever\u00e3o, ent\u00e3o, se ligar aos lipossomas em vez de atacar c\u00e9lulas do corpo, e l\u00e1 ficar\u00e3o presas\u201d, explica Annete Draeger, uma das coordenadoras do estudo. Como as bact\u00e9rias produzem essas toxinas para repelir ataques das c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico, a neutraliza\u00e7\u00e3o dessas toxinas permite que o organismo se defenda da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Draeger, que trabalha no Instituto de Anatomia da Universidade de Berna, na Su\u00ed\u00e7a, contou \u00e0 DW que os 18 integrantes da equipe chegaram \u00e0 ideia de desenvolver esse sistema de engodo de toxinas quando estudavam como as c\u00e9lulas s\u00e3o capazes de reparar suas membranas quando atacadas por toxinas bacterianas.<\/p>\n<p>As toxinas grudam em certas regi\u00f5es lip\u00eddicas inst\u00e1veis dentro da membrana celular. \u201cProduzimos lipossomas que s\u00e3o uma r\u00e9plica melhorada e mais est\u00e1vel dessas regi\u00f5es\u201d, afirmou Draeger.<\/p>\n<p>Eduard Babiychuk, outro coordenador do estudo, descreve os lipossomas como uma \u201cisca irresist\u00edvel\u201d de toxinas bacterianas. \u201cAs toxinas s\u00e3o atra\u00eddas pelos lipossomas de maneira fatal\u201d, afirmou Babiychuk em nota.<\/p>\n<p>Aumento da resist\u00eancia<\/p>\n<p>Os antibi\u00f3ticos existem h\u00e1 pouco mais de 100 anos \u2013 o que, em termos de ciclo de vida de uma bact\u00e9ria, representa milhares de gera\u00e7\u00f5es. Durante este tempo, as bact\u00e9rias foram se adaptando a novos ambientes e desenvolvendo resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos, passada de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Tal resist\u00eancia tamb\u00e9m pode ser passada entre bact\u00e9rias por simples contato umas com as outras.<\/p>\n<p>Segundo a OMS, a resist\u00eancia \u00e9 ainda mais estimulada quando antibi\u00f3ticos s\u00e3o usados contra infec\u00e7\u00f5es causadas por v\u00edrus, embora nem sejam rem\u00e9dios efetivos nestes casos, ou quando o paciente deixa de usar o medicamento quando come\u00e7a a se sentir melhor, em vez de completar o tratamento. Excesso no uso de antibi\u00f3ticos na pecu\u00e1ria tamb\u00e9m vem ajudando a piorar o quadro.<\/p>\n<p>Na semana passada, a seguradora de sa\u00fade alem\u00e3 DAK divulgou um estudo alertando que os m\u00e9dicos do pa\u00eds andam prescrevendo antibi\u00f3ticos de maneira excessiva, mesmo sem necessidade, como em casos de resfriados causados por v\u00edrus.<\/p>\n<p>Os resultados da falta de precau\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7am a aparecer. Segundo relat\u00f3rio da OMS, em 2012 foram registrados 450 mil casos de tuberculose multirresistente, assim como um aumento na resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos em infec\u00e7\u00f5es comuns causadas por bact\u00e9rias, como urin\u00e1ria, pneumonia ou infec\u00e7\u00e3o no sangue, como septicemia.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a cada vez maior em hospitais da superbact\u00e9ria Staphylococcus aureus resistente \u00e0 meticilina (antibi\u00f3tico do grupo da penicilina), tamb\u00e9m conhecida como MRSA (sigla em ingl\u00eas), tamb\u00e9m vem causando graves consequ\u00eancias e preocupando autoridades de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Infec\u00e7\u00f5es raras<\/p>\n<p>Embora a comunidade m\u00e9dica seja receptiva a poss\u00edveis alternativas ao uso antibi\u00f3ticos, alguns m\u00e9dicos permanecem c\u00e9ticos com rela\u00e7\u00e3o ao tratamento com base nos lipossomas. Em entrevista \u00e0 DW, Frank Martin Brunkhorst, chefe dos testes cl\u00ednicos do Hospital Universit\u00e1rio de Jena, na Alemanha, afirmou n\u00e3o estar convencido de que a nova t\u00e9cnica possa efetivamente vir a funcionar.<\/p>\n<p>Segundo ele, v\u00e1rias pesquisas feitas com lipossomas e fosfolip\u00eddios mostraram que eles n\u00e3o podem atuar como medicamento. \u201cTodas as tentativas fracassaram\u201d, disse Brunkhorst.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico, o principal problema no uso dos lipossomas \u00e9 que eles n\u00e3o efetivamente matam as bact\u00e9rias. Infec\u00e7\u00f5es por estafilococos ocorrem com mais frequ\u00eancia em tecidos moles, ele explica. \u201cPortanto, se a pessoa suspender o tratamento, as toxinas podem voltar para a corrente sangu\u00ednea\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Brunkhorst recomenda que este tratamento seja concentrado em casos de infec\u00e7\u00f5es mais raras, como a s\u00edndrome do choque t\u00f3xico \u2013 presen\u00e7a massiva de toxinas na corrente sangu\u00ednea. Como as pessoas infectadas podem morrer em poucas horas, explica o m\u00e9dico, o tempo \u00e9 muito curto para dar um diagn\u00f3stico e receitar o melhor antibi\u00f3tico.<\/p>\n<p>Hans-Georg Sahl, microbiologista farmac\u00eautico da Universidade de Bonn, concorda com Brunkhorst. Ele n\u00e3o acredita que este novo tratamento possa um dia dispensar completamente o uso de antibi\u00f3ticos. Mas ele imagina a terapia com lipossomas sendo aplicada conjuntamente com antibi\u00f3ticos, de maneira a reduzir a resist\u00eancia das bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 justamente o que planeja a Lascco, garante Samareh Azeredo da Silveira Lajaunias, co-fundadora da Lascco e diretora do grupo. \u201cEste estudo cl\u00ednico que planejamos vai avaliar o CALO2 como um tratamento adjunto ao convencional, com antibi\u00f3ticos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lipossomas desenvolvidos em laborat\u00f3rio funcionam como \u201ciscas\u201d de toxinas, permitindo que sistema imunol\u00f3gico responda \u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10583,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/uso_antibioticos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Lipossomas desenvolvidos em laborat\u00f3rio funcionam como \u201ciscas\u201d de toxinas, permitindo que sistema imunol\u00f3gico responda \u00e0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10582"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10582\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}