{"id":105760,"date":"2019-05-13T16:17:57","date_gmt":"2019-05-13T19:17:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=105760"},"modified":"2019-05-13T16:17:57","modified_gmt":"2019-05-13T19:17:57","slug":"a-protecao-do-meio-ambiente-e-a-garantia-do-desenvolvimento-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-protecao-do-meio-ambiente-e-a-garantia-do-desenvolvimento-economico\/","title":{"rendered":"A prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a garantia do desenvolvimento econ\u00f4mico"},"content":{"rendered":"<div class=\"wysiwyg\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-105761\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Talden Farias*<\/p>\n<p>O problema do modelo econ\u00f4mico tradicional \u00e9 o fato de n\u00e3o considerar o meio ambiente, baseando-se apenas em ganhos com a produtividade e ignorando que nenhuma atividade econ\u00f4mica ser\u00e1 vi\u00e1vel se a natureza fornecedora dos recursos materiais e energ\u00e9ticos estiver comprometida. Contudo, o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o pode sensatamente ser considerado um fim em si mesmo, tendo de estar relacionado sobretudo com a melhoria da qualidade de vida e da pr\u00f3pria vida, afinal a vida \u00e9 o maior de todos os valores.<\/p>\n<p>Por isso Eros Roberto Grau[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a>] afirma que n\u00e3o pode existir prote\u00e7\u00e3o constitucional \u00e0 ordem econ\u00f4mica que sacrifique o meio ambiente. Fez-se necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de instrumentos capazes de aliar o desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e0 defesa do meio ambiente e \u00e0 justi\u00e7a social, o que implica na busca por um desenvolvimento sustent\u00e1vel \u2014 modelo que coaduna os aspectos ambiental, econ\u00f4mico e social e que considera em seu planejamento tanto a qualidade de vida das gera\u00e7\u00f5es presentes quanto a das futuras.<\/p>\n<p>De fato, a \u00fanica porta de sa\u00edda para a crise ambiental \u00e9 a economia, que deve ser rediscutida e redesenhada no intuito de levar em considera\u00e7\u00e3o o meio ambiente e suas complexas rela\u00e7\u00f5es. A despeito de uma ou outra an\u00e1lise pontual, o fato \u00e9 que por muito tempo a economia ignorou a ecologia, como se esta n\u00e3o fosse esse o pano de fundo daquela. Um bom exemplo disso \u00e9 o Produto Interno Bruto (PIB), que, al\u00e9m de ignorar a dimens\u00e3o ambiental, pode considerar a degrada\u00e7\u00e3o como algo positivo[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\">2<\/a>].<\/p>\n<p>A busca por outros crit\u00e9rios de desenvolvimento tem feito surgir outros referenciais de aferi\u00e7\u00e3o, a exemplo do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), o qual passou a ser utilizado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano (RDH) desde 1993. Cuida-se de uma avalia\u00e7\u00e3o do desenvolvimento das sociedades a partir de crit\u00e9rios mais amplos, o que envolveria a expectativa de vida ao nascer, a educa\u00e7\u00e3o e o PIB\u00a0<em>per capita<\/em>, e n\u00e3o mais a partir de uma \u00f3tica meramente econ\u00f4mica. Existe tamb\u00e9m o \u00cdndice de Bem Estar Humano (IBEU), que foi criado pelo INCT Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles com o objetivo de ponderar os indicadores urbanos, como mobilidade, meio ambiente, habita\u00e7\u00e3o, lazer, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os coletivos e infraestrutura em grandes aglomerados urbanos, como no caso das metr\u00f3poles brasileiras[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\">3<\/a>].<\/p>\n<p>Por outro lado, o processo produtivo costuma repassar \u00e0 sociedade determinado \u00f4nus a que se convencionou chamar de externalidades, a exemplo da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica ou h\u00eddrica[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\">4<\/a>]. Era como se o empres\u00e1rio socializasse os preju\u00edzos com a coletividade, embora mantendo o vi\u00e9s capitalista com rela\u00e7\u00e3o aos lucros. Isso indica que \u00e9 preciso uma mudan\u00e7a de paradigma para que o sistema econ\u00f4mico possa se tornar vi\u00e1vel sob o ponto de vista ecol\u00f3gico[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\">5<\/a>].<\/p>\n<p>Na verdade, a preocupa\u00e7\u00e3o em compatibilizar a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente com o desenvolvimento econ\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 recente. Na 1\u00aa Conferencia da ONU sobre o meio ambiente, que ocorreu em Estocolmo, na Su\u00e9cia, em 1972, foi aprovada a Declara\u00e7\u00e3o Universal sobre o Meio Ambiente que j\u00e1 fazia referencia ao assunto[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\">6<\/a>]. Depois, com a segunda Confer\u00eancia Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que ocorreu em 1992 no Rio de Janeiro e que \u00e9 conhecida como a Eco-92, o desenvolvimento sustent\u00e1vel se consagrou em definitivo na esfera internacional por causa da Declara\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, cujo Princ\u00edpio 3 consagra que \u201co Direito ao desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas equitativamente as necessidades de gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras\u201d.<\/p>\n<p>A formula\u00e7\u00e3o do conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel implica no reconhecimento de que as for\u00e7as de mercado abandonadas \u00e0 sua livre din\u00e2mica n\u00e3o garantem a manuten\u00e7\u00e3o do meio ambiente, impondo um paradigma novo ao modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo do ocidente. O desenvolvimento sustent\u00e1vel coloca na berlinda o modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo ocidental, que amea\u00e7a o equil\u00edbrio planet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, preocupa-se com os problemas do futuro, enquanto o atual modelo de desenvolvimento \u2014 fundado em uma l\u00f3gica essencialmente econ\u00f4mica \u2014 se centra exclusivamente no presente. O termo desenvolvimento sustent\u00e1vel foi usado pela primeira vez em 1980 por um organismo privado de pesquisa, a Alian\u00e7a Mundial para a Natureza (UICN), e foi consagrado em 1987 quando a ex-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland o utilizou em um informe feito para a ONU, em que dizia da imprescindibilidade de um novo modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 o modelo que procura coadunar os aspectos ambiental, econ\u00f4mico e social, buscando um ponto de equil\u00edbrio entre a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, o crescimento econ\u00f4mico e a equidade social. Esse modelo de desenvolvimento considera em seu planejamento tanto a qualidade de vida das gera\u00e7\u00f5es presentes quanto a das futuras, diferentemente dos modelos tradicionais que costumam se focar na gera\u00e7\u00e3o presente ou, no m\u00e1ximo, na gera\u00e7\u00e3o imediatamente posterior.<\/p>\n<p>Devem ser apreciadas as necessidades de cada regi\u00e3o, seja na zona urbana ou na zona rural, e as peculiaridades culturais. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 consagrou o desenvolvimento sustent\u00e1vel ao afirmar no artigo\u00a0225 que &#8220;todos t\u00eam direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial \u00e0 sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder P\u00fablico e \u00e0 coletividade o dever de defend\u00ea-lo e de preserv\u00e1-lo para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es&#8221;. O mesmo ocorre com a Lei 6.938\/81, que disp\u00f5e no inciso I do artigo\u00a04\u00ba que a Pol\u00edtica Nacional do Meio Ambiente visar\u00e1 \u00e0 compatibiliza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico-social com a preserva\u00e7\u00e3o da qualidade do meio ambiente e do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. O meio ambiente \u00e9 t\u00e3o importante que foi transformado pelo inciso VI do artigo\u00a0170 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal em um princ\u00edpio da ordem econ\u00f4mica, passando a se compatibilizar com ele os princ\u00edpios da livre-iniciativa e da livre concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 um reconhecimento de que n\u00e3o se pode tratar a problem\u00e1tica econ\u00f4mica sem lidar com a quest\u00e3o ambiental, pois, se o Estado tem a obriga\u00e7\u00e3o de promover o desenvolvimento, esse desenvolvimento tem a obriga\u00e7\u00e3o de ser ecologicamente correto[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\">7<\/a>]. Lu\u00eds Paulo Sirvinskas[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\">8<\/a>] destaca que o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 o objetivo da Pol\u00edtica Nacional do Meio Ambiente, na medida em que se procura conciliar a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a garantia do desenvolvimento socioecon\u00f4mico, de outro, visando assegurar condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao progresso industrial, aos interesses da seguran\u00e7a nacional e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da dignidade da vida humana.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a no\u00e7\u00e3o de desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 considerada contradit\u00f3ria, face \u00e0 amplid\u00e3o sem\u00e2ntica do conceito. Com efeito, se parece que todos os atores pol\u00edticos concordam em aceit\u00e1-lo, n\u00e3o \u00e9 menor verdade que cada um deles tem a sua pr\u00f3pria ideia sobre o assunto[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote9sym\" name=\"sdfootnote9anc\">9<\/a>]. Embora a sua ampla aceita\u00e7\u00e3o tenha sido importante para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o ambiental, a falta de consenso acerca do seu conte\u00fado impede que os avan\u00e7os estruturais possam ocorrer. Cuida-se, realmente, de uma conceitua\u00e7\u00e3o movedi\u00e7a, dado \u00e0 dificuldade conceitual intr\u00ednseca[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote10sym\" name=\"sdfootnote10anc\">10<\/a>].<\/p>\n<p>A despeito de sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, a ideia de desenvolvimento sustent\u00e1vel, no cen\u00e1rio atual, n\u00e3o contribui mais para o amadurecimento das discuss\u00f5es e das institui\u00e7\u00f5es[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote11sym\" name=\"sdfootnote11anc\">11<\/a>]. H\u00e1 que se ir al\u00e9m, portanto, j\u00e1 que no dizer de Marcos Nobre ele \u201cse tornou, seja um instrumento subalterno de uma maquinaria econ\u00f4mica, seja uma bandeira de luta ut\u00f3pica\u201d[<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote12sym\" name=\"sdfootnote12anc\">12<\/a>].<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<hr \/>\n<p>[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a>] GRAU, Eros Roberto. Prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente (Caso do Parque do Povo). <strong>Revista dos Tribunais<\/strong>, n. 702. S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 1992, p. 251.<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a>] \u201cPassamos \u00e0 outra vaca sagrada dos economistas: O Produto Interno Bruto (PIB). Esse conceito amb\u00edguo, am\u00e1lgama consider\u00e1vel de defini\u00e7\u00f5es mais ou menos arbitr\u00e1rias, transformou-se em algo t\u00e3o real para o homem da rua como o foi o mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade para os camponeses da Idade M\u00e9dia no Europa. Mais amb\u00edguo ainda \u00e9 o conceito de taxa de crescimento do PIB. Por que ignorar na medi\u00e7\u00e3o do PIB, o custo para a coletividade da destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais n\u00e3o renov\u00e1veis, e o dos solos e florestas (dificilmente renov\u00e1veis)? Por que ignorar a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e a destrui\u00e7\u00e3o total dos peixes nos rios em que as usinas despejam os seus res\u00edduos? Se o aumento da taxa de crescimento do PIB \u00e9 acompanhado de baixa do sal\u00e1rio real e esse sal\u00e1rio est\u00e1 no n\u00edvel de subsist\u00eancia fisiol\u00f3gica, \u00e9 de admitir que estar\u00e1 havendo um desgaste humano\u201d (FURTADO, Celso. <strong>O mito do desenvolvimento econ\u00f4mico<\/strong>. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974, p. 114-116).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a>] RIBEIRO, Luiz Cesar de Queiroz; RIBEIRO, Marcelo Gomes. <strong>Ibeu<\/strong>: \u00edndice de bem-estar urbano. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2013.<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a>] \u201cCom efeito, a polui\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o da qualidade ambiental constituem, inegavelmente, alguns dos principais efeitos externos negativos da atividade produtiva. Como o sistema econ\u00f4mico \u00e9 aberto a tr\u00eas processos b\u00e1sicos \u2014\u00a0extra\u00e7\u00e3o de recursos, transforma\u00e7\u00e3o e consumo \u2014 ele envolve necessariamente, em fun\u00e7\u00e3o do inafast\u00e1vel processo de degrada\u00e7\u00e3o entr\u00f3pica, a gera\u00e7\u00e3o de rejeitos que acabam sendo lan\u00e7ados no ambiente: ar, \u00e1gua ou solo. E, sendo alguns recursos ambientais de livre acesso (<em>open acess<\/em>), os agentes econ\u00f4micos tendem a impor aos demais usu\u00e1rios um custo externo representado por uma perda incompensada em seu bem-estar (danos \u00e0 sa\u00fade, aumento da mortalidade, diminui\u00e7\u00e3o das oportunidades de lazer, etc)\u201d (CARNEIRO, Ricardo. <strong>Direito ambiental<\/strong>: uma abordagem econ\u00f4mica. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 65).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a>] \u201cOra, n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favida de que as quest\u00f5es ligadas a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica guardam estreita e determinada liga\u00e7\u00e3o com a dimens\u00e3o ambiental. Afinal, o condicionamento ecol\u00f3gico, representada pela finitude dos fluxos de mat\u00e9ria e energia da Terra, regula tudo que ser humano faz e pode fazer para a satisfa\u00e7\u00e3o de suas variadas necessidades. O sistema econ\u00f4mico, assim, deve ser rigorosamente compreendido como um subsistema integrante do sistema ecol\u00f3gico, dele dependendo visceralmente como fonte de suprimento de recursos naturais e como dep\u00f3sito para os residuais resultantes da produ\u00e7\u00e3o e do consumo, o que evidencia a constata\u00e7\u00e3o de que o processo econ\u00f4mico tende a esbarrar irreversivelmente em restri\u00e7\u00f5es ambientais\u201d (CARNEIRO, Ricardo. <strong>Direito ambiental<\/strong>: uma abordagem econ\u00f4mica. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 2). \u201cA resolu\u00e7\u00e3o dos problemas ambientais, assim como a possibilidade de incorporar condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e bases de sustentabilidade aos processos econ\u00f4micos \u2013 de internalizar as externalidades ambientais na racionalidade econ\u00f4mica e nos mecanismos do mercado \u2013 e para construir uma racionalidade ambiental e um estilo alternativo de desenvolvimento, implica a ativa\u00e7\u00e3o de um conjunto de processos sociais; a incorpora\u00e7\u00e3o dos valores do ambiente na \u00e9tica individual, nos direitos humanos e nas normas jur\u00eddicas que orientam e sancionam o comportamento dos atores econ\u00f4micos e sociais; a socializa\u00e7\u00e3o do acesso e a apropria\u00e7\u00e3o da natureza; a democratiza\u00e7\u00e3o dos processos produtivos e do poder pol\u00edtico; as reformas do Estado que lhe permitam medir a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos de interesse em torno da propriedade e aproveitamento dos recursos e que favore\u00e7am a gest\u00e3o participativa e descentralizada dos recursos naturais; as transforma\u00e7\u00f5es institucionais que permitam uma administra\u00e7\u00e3o transversal do desenvolvimento; a integra\u00e7\u00e3o interdisciplinar do conhecimento e da forma\u00e7\u00e3o profissional e a abertura de um di\u00e1logo entre ci\u00eancias e saberes n\u00e3o cient\u00edficos\u201d (LEFF, Enrique. <strong>Racionalidade ambiental<\/strong>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2006, p. 241-242).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a>] \u201cO homem que tem o Direito fundamental \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade e ao desfrute de condi\u00e7\u00f5es de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar e \u00e9 portador solene de obriga\u00e7\u00e3o de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras. [&#8230;] Deve ser mantida e, sempre que poss\u00edvel, restaurada e melhorada a capacidade da Terra de produzir recursos renov\u00e1veis vitais. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrim\u00f4nio representado pela flora e fauna silvestres, bem assim o seu habitat, que se encontram atualmente em grave perigo, por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores adversos. Em consequ\u00eancia, ao planificar o desenvolvimento econ\u00f4mico, deve ser atribu\u00edda import\u00e2ncia \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da natureza, inclu\u00eddas a flora e a fauna silvestres\u201d (ONU. Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. Declara\u00e7\u00e3o de Estocolmo. Estocolmo, Su\u00e9cia: 1972. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.onu.org.br\/rio20\/img\/2012\/01\/estocolmo1972.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.onu.org.br\/rio20\/img\/2012\/01\/estocolmo1972.pdf<\/a>. Acesso em 15 jan. 2019).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a>] \u201cA no\u00e7\u00e3o e o conceito de desenvolvimento, formados num Estado de concep\u00e7\u00e3o liberal, alteram-se, porquanto n\u00e3o mais encontravam guarida na sociedade moderna. Passou-se a reclamar um papel ativo do Estado no socorro dos valores ambientais, conferindo outra no\u00e7\u00e3o ao conceito de desenvolvimento\u201d (FIORILLO, Celso Ant\u00f4nio Pacheco. <strong>Curso de direito ambiental brasileiro<\/strong>. 7. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2006, p. 28).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">8<\/a>] SIRVINSKAS, Lu\u00eds Paulo. Pol\u00edtica nacional do meio ambiente (Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981). MORAES, Rodrigo Jorge; AZEV\u00caDO, Mariangela Garcia de Lacerda e; DELMANTO, Fabio Machado de Almeida (coords). <strong>As leis federais mais importantes de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente comentadas<\/strong>. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 93.<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote9anc\" name=\"sdfootnote9sym\">9<\/a>] \u201cQualquer um que se proponha a entender a no\u00e7\u00e3o de \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d (DS) encontrar\u00e1 de sa\u00edda os seguintes elementos caracter\u00edsticos fundamentais: a) a aceita\u00e7\u00e3o universal do conceito; b) a dificuldade em saber exatamente o que \u00e9 DS, ou seja, o problema da sua defini\u00e7\u00e3o e operacionaliza\u00e7\u00e3o. Estas duas marcas caracter\u00edsticas da no\u00e7\u00e3o de DS s\u00e3o, \u00e0 primeira vista, contradit\u00f3rias e at\u00e9 mesmo inconcili\u00e1veis. Afinal, como todos podem ser a favor de algo que n\u00e3o se pode explicitar sem que surja o conflito?\u201d (NOBRE, Marcos; AMAZONAS, Maur\u00edcio de Carvalho. Pref\u00e1cio. <strong>Desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/strong>: a institucionaliza\u00e7\u00e3o de um conceito. NOBRE, Marcos; AMAZONAS, Maur\u00edcio de Carvalho. BRAS\u00cdLIA: IBAMA, 2002, p. 7).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote10anc\" name=\"sdfootnote10sym\">10<\/a>] \u201cSendo uma quest\u00e3o primordialmente \u00e9tica, s\u00f3 se pode louvar o fato da ideia de sustentabilidade ter adquirido tanta import\u00e2ncia nos \u00faltimos vinte anos, mesmo que ela n\u00e3o possa ser entendida como um conceito cientifico. A sustentabilidade n\u00e3o \u00e9, nunca ser\u00e1, uma no\u00e7\u00e3o de natureza precisa, discreta, anal\u00edtica ou aritm\u00e9tica, como qualquer positivista gostaria que fosse. Tanto quanto a ideia de democracia \u2013 entre muitas outras ideias t\u00e3o fundamentais para a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade, ela sempre ser\u00e1 contradit\u00f3ria, pois nunca poder\u00e1 ser encontrada em estado puro\u201d (VEIGA, Jos\u00e9 Eli da. <strong>Desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/strong>: o desafio do s\u00e9culo XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2010, p.165).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote11anc\" name=\"sdfootnote11sym\">11<\/a>] \u201cComo j\u00e1 vimos, o conceito de DS est\u00e1 numa encruzilhada: ou bem se assume como simples subproduto da teoria do crescimento (e, com isso, reduz a problem\u00e1tica ambiental a uma opera\u00e7\u00e3o de internaliza\u00e7\u00e3o de custos), ou induz a uma mudan\u00e7a rumo a um paradigma baseado na ecologia em que a economia n\u00e3o tem a primazia (caso em que se torna de dif\u00edcil operacionaliza\u00e7\u00e3o e tem implica\u00e7\u00f5es duvidosas no que diz respeito a problemas distributivos). Beckerman formula esse impasse da seguinte maneira: \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel foi definido de tal maneira que ou \u00e9 moralmente repugnante ou logicamente redundante&#8221; (NOBRE, Marcos. Desenvolvimento sustent\u00e1vel: origens e significado atual. NOBRE, Marcos; AMAZONAS, Maur\u00edcio de Carvalho. <strong>Desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/strong>: a institucionaliza\u00e7\u00e3o de um conceito. BRAS\u00cdLIA: IBAMA, 2002, p. 87).<br \/>\n[<a class=\"sdfootnotesym\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2019-mai-04\/ambiente-juridico-protecao-meio-ambiente-desenvolvimento-economico#sdfootnote12anc\" name=\"sdfootnote12sym\">12<\/a>] \u201cComo j\u00e1 vimos, o conceito de DS est\u00e1 numa encruzilhada: ou bem se assume como simples subproduto da teoria do crescimento (e, com isso, reduz a problem\u00e1tica ambiental a uma opera\u00e7\u00e3o de internaliza\u00e7\u00e3o de custos), ou induz a uma mudan\u00e7a rumo a um paradigma baseado na ecologia em que a economia n\u00e3o tem a primazia (caso em que se torna de dif\u00edcil operacionaliza\u00e7\u00e3o e tem implica\u00e7\u00f5es duvidosas no que diz respeito a problemas distributivos). Beckerman formula esse impasse da seguinte maneira: \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel foi definido de tal maneira que ou \u00e9 moralmente repugnante ou logicamente redundante&#8221; (NOBRE, Marcos. Desenvolvimento sustent\u00e1vel: origens e significado atual. NOBRE, Marcos; AMAZONAS, Maur\u00edcio de Carvalho. <strong>Desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/strong>: a institucionaliza\u00e7\u00e3o de um conceito. BRAS\u00cdLIA: IBAMA, 2002, p. 93).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"clearFix\">\n<nav class=\"sharing\"><\/nav>\n<p class=\"top\">\n<\/div>\n<p class=\"about\">*Talden Farias\u00a0\u00e9 advogado e professor de Direito Ambiental da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), doutor em Direito da Cidade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), doutor em Recursos Naturais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e mestre em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas pela UFPB. Autor do livro &#8220;Licenciamento ambiental: aspectos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos&#8221; (7. ed. Belo Horizonte: F\u00f3rum, 2019).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talden Farias* O problema do modelo econ\u00f4mico tradicional \u00e9 o fato de n\u00e3o considerar<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105761,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/taden.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Talden Farias* O problema do modelo econ\u00f4mico tradicional \u00e9 o fato de n\u00e3o considerar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105760"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105760\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}