{"id":105588,"date":"2019-05-10T14:00:09","date_gmt":"2019-05-10T17:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=105588"},"modified":"2019-05-10T10:19:14","modified_gmt":"2019-05-10T13:19:14","slug":"apenas-um-terco-dos-rios-do-mundo-sao-intocados-por-seres-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/apenas-um-terco-dos-rios-do-mundo-sao-intocados-por-seres-humanos\/","title":{"rendered":"Apenas um ter\u00e7o dos rios do mundo s\u00e3o intocados por seres humanos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-105589\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Apenas um ter\u00e7o \u2013 cerca de 37% \u2013 dos 246 grandes rios do mundo ainda pode ser considerado um \u201crio de curso livre\u201d, que \u00e9 o status de conserva\u00e7\u00e3o em que mais oferece benef\u00edcios ambientais e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, mostra um estudo publicado nesta quinta-feira (9) na revista cientifica\u00a0<em>Nature<\/em>.<\/p>\n<p>Esse estudo, feito por um grupo de 34 cientistas do WWF, da McGill University, do Canad\u00e1, e de outras institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 resultado de um trabalho de compila\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de dados e informa\u00e7\u00f5es que vem sendo feito desde 2015.<\/p>\n<p>Foram analisados aproximadamente 12 milh\u00f5es de quil\u00f4metros de rios de todo o mundo, construindo o primeiro mapeamento a respeito do local e extens\u00e3o dos grandes rios de curso livre existentes no planeta.<\/p>\n<p>Entre outros achados, os pesquisadores detectaram: apenas 21 dos 91 grandes rios do mundo \u2013com mais de 1 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o- que correm para o oceano mant\u00e9m uma conex\u00e3o direta de sua nascente at\u00e9 o mar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a maior parte dos rios de curso livre remanescentes est\u00e3o localizados em regi\u00f5es espec\u00edficas, como o \u00c1rtico, a Bacia Amaz\u00f4nica e a Bacia do Congo.<\/p>\n<h3><strong>Import\u00e2ncia dos rios<\/strong><\/h3>\n<p>Um \u201crio de curso livre\u201d \u00e9 um rio no qual as fun\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos n\u00e3o foram afetados por mudan\u00e7as em sua conectividade (como com a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas ou com a explora\u00e7\u00e3o mineral) e preservam suas caracter\u00edsticas naturais de vaz\u00e3o, biodiversidade e qualidade de \u00e1gua. Via de regra, eles s\u00e3o considerados rios \u201c\u00edntegros\u201d e \u201csaud\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Rios \u00edntegros fornecem estoques pesqueiros que promovem a seguran\u00e7a alimentar de milh\u00f5es de pessoas, transportam sedimentos que mant\u00e9m os deltas dos rios acima do n\u00edvel do mar, mitigam os impactos de secas e alaga\u00e7\u00f5es extremas, evitam a eros\u00e3o e possibilitam a exist\u00eancia de flora e fauna saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Interromper a conectividade dos rios diminui, ou por vezes at\u00e9 elimina, esses servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Proteger os rios de curso livre remanescentes \u00e9 crucial tamb\u00e9m para manter a biodiversidades dos rios de \u00e1gua doce.<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio Planeta Vivo 2018, mostrou que, das 16.704 esp\u00e9cies analisadas em todo o planeta, os vertebrados que vivem nas bacias de rios de \u00e1gua doce sofreram o mais vertiginoso decl\u00ednio dos \u00faltimos 50 anos, com redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 83% de suas popula\u00e7\u00f5es desde 1970.<\/p>\n<h3><strong>Descobertas<\/strong><\/h3>\n<p>Atualmente, as hidrel\u00e9tricas e seus reservat\u00f3rios s\u00e3o algumas das piores amea\u00e7as aos grandes rios, reduzindo drasticamente os diversos benef\u00edcios que eles fornecem para as pessoas e a natureza ao redor do globo.<\/p>\n<p>O estudo mostra que existem cerca de 60 mil hidrel\u00e9tricas no mundo e mais 3,7 mil delas est\u00e3o planejadas ou em constru\u00e7\u00e3o. Normalmente, elas s\u00e3o planejadas e constru\u00eddas uma a uma, o que dificulta a avalia\u00e7\u00e3o dos impactos acumulados que elas trazem a uma bacia hidrogr\u00e1fica.<\/p>\n<h3><strong>Contribui\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong><\/h3>\n<p>Uma das autoras do estudo \u00e9 a especialista de conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil e Doutora em Ecologia Paula Hanna Valdujo. De acordo com ela, o WWF-Brasil apoiou o refinamento dos conceitos do estudo apresentado hoje a partir de sua experi\u00eancia em bacias na Amaz\u00f4nia e no Pantanal.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s auxiliamos no desenvolvimento de um protocolo para identificar o que seria um rio de curso de livre. Analisamos as cargas de sedimento e polui\u00e7\u00e3o para saber se eram excessivas ou n\u00e3o, a exist\u00eancia de hidrel\u00e9tricas e barramentos e a exist\u00eancia de estradas que interferissem ou n\u00e3o no fluxo dos rios. Nosso conhecimento ajudou a elaborar o modelo que est\u00e1 sendo apresentado\u201d, explicou.<\/p>\n<h3><strong>Alto Paraguai e Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h3>\n<p>A cientista afirmou ainda que, de maneira geral, foram identificados poucos rios \u00edntegros e saud\u00e1veis tamb\u00e9m no Brasil. \u201cA maior parte dos nossos rios est\u00e3o fragmentados ou t\u00eam sua vaz\u00e3o regulada por reservat\u00f3rios de hidrel\u00e9tricas. Muitos sofrem o impacto do desmatamento e da ocupa\u00e7\u00e3o de suas margens com pastagens, minera\u00e7\u00e3o e planta\u00e7\u00f5es, que aumentam a quantidade de poluentes e sedimentos e afetam a qualidade da \u00e1gua e a sa\u00fade do ecossistema\u201d, afirmou Paula.<\/p>\n<p>Atualmente, o WWF-Brasil se dedica a aplicar o modelo deste estudo para fazer uma an\u00e1lise mais profunda da bacia Amaz\u00f4nica e da bacia do Alto Paraguai. \u201cEste primeiro estudo \u00e9 global, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o consegue entrar muito nos detalhes de cada bacia hidrogr\u00e1fica. O que estamos fazendo agora \u00e9 um estudo mais focado e que nos permite ver com mais detalhes uma regi\u00e3o espec\u00edfica\u201d, explicou Paula.<\/p>\n<h3><strong>Amea\u00e7a ao turismo<\/strong><\/h3>\n<p>Ambas as regi\u00f5es est\u00e3o altamente amea\u00e7adas por iniciativas que comprometem a vaz\u00e3o natural dos rios. Na bacia do Tapaj\u00f3s, na Amaz\u00f4nia, existem mais de 100 projetos hidrel\u00e9tricos de pequeno ou grande porte, que amea\u00e7am a integridade dos rios.<\/p>\n<p>Tais projetos podem trazer graves consequ\u00eancias para as esp\u00e9cies de peixes que se reproduzem nas lagoas que se formam nas margens dos rios e para os peixes que vivem nas corredeiras. Al\u00e9m disso, eles tamb\u00e9m impedem a migra\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies importantes para a pesca, que sustenta as comunidades ribeirinhas.<\/p>\n<p>A regula\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o dos rios que formam o Tapaj\u00f3s amea\u00e7a ainda a exist\u00eancia de um dos mais importantes pontos tur\u00edsticos da Amaz\u00f4nia, que s\u00e3o as praias de Alter do Ch\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Aus\u00eancia de avalia\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>No Alto Paraguai, o problema \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas \u2013 que amea\u00e7am tanto os rios barrados, em fun\u00e7\u00e3o do isolamento, quanto o regime de inunda\u00e7\u00f5es do Pantanal, que depende dos pulsos naturais de seca e cheias dos rios. Al\u00e9m de perda de conectividade, a interrup\u00e7\u00e3o dos fluxos naturais dos rios amea\u00e7a todo o ecossistema que existe abaixo, na Plan\u00edcie Pantaneira.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de avalia\u00e7\u00f5es ambientais estrat\u00e9gicas, que levem em considera\u00e7\u00e3o o impacto cumulativo de m\u00faltiplos empreendimentos nas bacias, assim como a transfer\u00eancia da responsabilidade do licenciamento dos \u00f3rg\u00e3os federais para os estaduais, dificulta ainda mais o planejamento adequado para a manuten\u00e7\u00e3o dos poucos trechos remanescentes de rios livres no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas um ter\u00e7o \u2013 cerca de 37% \u2013 dos 246 grandes rios do mundo ainda<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105589,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rios1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apenas um ter\u00e7o \u2013 cerca de 37% \u2013 dos 246 grandes rios do mundo ainda","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105588"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105588"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105588\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}