{"id":105319,"date":"2019-05-05T08:00:31","date_gmt":"2019-05-05T11:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=105319"},"modified":"2019-05-04T20:44:50","modified_gmt":"2019-05-04T23:44:50","slug":"pesquisadores-descobrem-maior-painel-de-arte-rupestre-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-descobrem-maior-painel-de-arte-rupestre-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Pesquisadores descobrem maior painel de arte rupestre de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-105320\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Manuela Ferraro, do Jornal da USP<\/p>\n<p>Gravuras do painel ser\u00e3o transformadas em modelo 3D<\/p>\n<p>Na cidade de Ribeir\u00e3o Bonito, regi\u00e3o central do Estado de S\u00e3o Paulo, pesquisadores da USP, da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) escavaram um painel de 80 metros de comprimento, dos quais 50 metros lineares apresentam figuras esculpidas. As gravuras seguem um padr\u00e3o observado em outros s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da regi\u00e3o e lembram pegadas de p\u00e1ssaros, chamadas por arque\u00f3logos de \u201ctrid\u00edgitos\u201d. Segundo Astolfo Araujo, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e coordenador da escava\u00e7\u00e3o, o painel \u00e9 o maior j\u00e1 encontrado em territ\u00f3rio paulista. Al\u00e9m das figuras, foram encontradas pedras lascadas, ossos de animais e carv\u00e3o queimado no local.<\/p>\n<p>Da USP, participaram professores do MAE, do Instituto de Bioci\u00eancias (IB) e da Escola Polit\u00e9cnica (Poli). A equipe explora a regi\u00e3o desde 2014, em um projeto financiado pela Fapesp com o objetivo de estudar a ocupa\u00e7\u00e3o Paleo\u00edndia do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 povos que viveram no in\u00edcio do per\u00edodo geol\u00f3gico atual, o Holoceno. Em 2015, os pesquisadores localizaram o s\u00edtio arqueol\u00f3gico mais antigo do Estado, no munic\u00edpio de Dourado, a menos de 20 km de Ribeir\u00e3o Bonito. Batizado de Bastos, o lugar continha vest\u00edgios com mais de 12,5 mil anos de idade. Moradores locais indicaram, ent\u00e3o, a localiza\u00e7\u00e3o do novo painel.<\/p>\n<p>O Sudeste brasileiro \u00e9 pe\u00e7a chave no entendimento dos movimentos populacionais no leste da Am\u00e9rica do Sul. E a diversidade de arte rupestre que tem sido encontrada pelos pesquisadores pode ajudar a revelar quem passou pelo regi\u00e3o. \u201cA impress\u00e3o que a gente tem \u00e9 que S\u00e3o Paulo era um ponto de encontro de popula\u00e7\u00f5es vindas do norte, do leste, via Pantanal, e do sul, pelo Pampas\u201d, diz o arque\u00f3logo. De acordo com o pesquisador, acreditava-se que a regi\u00e3o n\u00e3o possu\u00eda arte rupestre em abund\u00e2ncia, e o painel de Ribeir\u00e3o Bonito contribui para a contesta\u00e7\u00e3o dessa cren\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAs amostras ainda n\u00e3o foram enviadas para a data\u00e7\u00e3o, mas achamos material at\u00e9 1,70 m de profundidade, o que sugere que o painel tenha uma idade bastante antiga\u201d<\/p>\n<p>Astolfo Araujo<\/p>\n<p>Os pesquisadores est\u00e3o desenvolvendo modelos virtuais dos s\u00edtios encontrados em parceria com o Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas (CITI), ligado \u00e0 Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da USP. Marcelo Zuffo, professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletr\u00f4nicos da Poli e coordenador do CITI, explica que no abrigo de Ribeir\u00e3o Bonito foram usadas tr\u00eas t\u00e9cnicas de recolhimento de dados: o escaneamento a laser, o escaneamento via fotogrametria \u2013 dezenas de milhares de fotos feitas por drones \u2013 e a fotogrametria com c\u00e2meras de 360 graus.<\/p>\n<p>Marcelo Zuffo diz que a cria\u00e7\u00e3o de prot\u00f3tipos 3D tem uma s\u00e9rie de vantagens. \u201cAs equipes interdisciplinares que trabalham com arqueologia podem analisar as informa\u00e7\u00f5es sem as condi\u00e7\u00f5es estressantes do trabalho em campo. E as restri\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e temporais tamb\u00e9m s\u00e3o eliminadas, j\u00e1 que os pesquisadores podem acessar, nos acervos da Universidade, s\u00edtios com at\u00e9 500 km de dist\u00e2ncia da capital paulista\u201d. Segundo Zuffo, o escaneamento intensivo pode eventualmente detectar padr\u00f5es que o olho humano n\u00e3o consegue enxergar. Outra vantagem \u00e9 que, se os s\u00edtios forem alvo de vandalismo ou interfer\u00eancias da natureza, h\u00e1 um modelo digital que preserva suas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9todo usado pela equipe do professor Zuffo permite a reprodu\u00e7\u00e3o 3D com precis\u00e3o milim\u00e9trica, sendo poss\u00edvel preservar as gravuras para as gera\u00e7\u00f5es futuras, al\u00e9m de permitir a an\u00e1lise das mesmas por pesquisadores em qualquer parte do mundo. Basta, para isso, enviar os dados pela internet, e algu\u00e9m poder\u00e1 \u2018fazer o download\u2019 do s\u00edtio arqueol\u00f3gico e reproduzi-lo\u201d, confirma Araujo.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo da pesquisa, segundo Marcelo Zuffo, ser\u00e1 a an\u00e1lise ic\u00f4nica das gravuras que t\u00eam sido encontradas no Estado de S\u00e3o Paulo, em parceria com a Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mails astwolfo@usp.br e mkzuffo@usp.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Manuela Ferraro, do Jornal da USP Gravuras do painel ser\u00e3o transformadas em modelo 3D<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/arte_rupestre.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Manuela Ferraro, do Jornal da USP Gravuras do painel ser\u00e3o transformadas em modelo 3D","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105319"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105319\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}